Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

quarta-feira, 23 de setembro de 1992

Jornal Diário do Minho: JM volta a denuciar Repavimentação da Avenida Central

A Juventude Monárquica de Braga voltou ontem a denunciar a falta de oportunidade das obras repavimentação que a Câmara Municipal está a levar a cabo na ala Sul da Avenida Central.
Em mais um texto difundido à imprensa, diz a JM que "é óbvio que só quem tem excesso de dinheiro, pouca sensibilidade estética, além de profunda ignorância das condições climatéricas que caracterizam a nossa cidade, se permitiria a tais bizantinices".

Em tom verdadeiramente crítico, os jovens monárquicos acrescentam que, "como deve haver excesso de liquidez na Câmara Municipal, num acto ditado pelo exibicionismo contumaz dos novos ricos, vai-se substituir mais uma vez o piso exótico por outro ainda mais dispendioso e monumental e, igualmente, inadequado com o módulo arquitectónico da Avenida Central".

Recorda a JM que o piso dos passeios da Avenida Central ainda há poucos anos foi "desnecessariamente" mal alterado, "substituindo belos e sólidos passeios lageados por um piso exótico e inadequado à serventia de peões, pela sua incomodidade".

A Juventude Monárquica de Braga tem manifestado o seu desacordo por algumas alterações que ultimamente se vêm fazendo na cidade, "retirando-lhe a harmonia estética que a torna singular".

São exemplos de posições assumidas por esta estrutura partidária "o desnecessário abate de plátanos e tílias no Parque da Ponte, o levantamento de passeios de lage granítica substituídos por modernas cerâmicas de duvidoso gosto, a cerceação infeliz da Praça D. Pedro V, o horroroso desarranjo do Largo de S. Francisco e do desajeitado atrofiamento de alguns arruamentos do centro histórico".

Concluem os jovens monárquicos que esta inumeração, longe de ser exaustiva, é preocupante pois afigura-se-nos que se estão a implementar malfeitorias na nossa cidade, "como esta fosse propriedade privada de algum novo rico que pretendesse a todo o custo exibir uma incôndita necessidade de afirmação".

segunda-feira, 21 de setembro de 1992

Jornal de Notícias: Juventude Monárquica cresce em Braga

O crescimento da Juventude Monárquica (JM), especialmente no distrito de Braga, deverá implicar uma alteração dos métodos de participação de militantes do partido nas eleições autárquicas de 1993, disse no Porto o presidente do PPM.
Nuno Cardoso da Silva, que falava no final de uma reunião do Directório Nacional do PPM, referiu que ao crescimento da JM em Braga "é importante para o relançamento do partido no distrito" e irá determinar a inclusão de jovens monárquicos nas listas de candidaturas às "autárquicas".

"A Juventude Monárquica já tem cinco "concelhias" no distrito de Braga, o que nunca teve", destacou o presidente do PPM, acrescentando que se trata de uma das mais fortes implantações da JM no país".

De acordo com Cardoso da Silva, o PPM irá apresentar, na região Norte, candidaturas às eleições autárquicas nos distritos de Viana do Castelo, Ponte de Lima, Famalicão, Amarante, Porto e Vila Real.

sábado, 19 de setembro de 1992

NAS COSTAS DO POVO; Artigo de Opinião de Manuel Beninger

Jornal "Semanário Minho"

NAS COSTAS DO POVO
Depois do "não" Dinamarquês, o espectáculo está montado e virado para a França, onde os elementos do "não" a Maastricht ameaçam inverter, de certa maneira, o jogo a seu favor.

Na actualidade política portuguesa, a questão mais importante e mais preocupante de momento para a nação deveria ser aquela que se relaciona com o processo de integração de Portugal na CE e em particular, a do Tratado de Maastricht - cuja rectificação os grandes partidos institucionais portugueses se preparam para levar a cabo no parlamento sem prévia audição do povo.

Será que os portugueses não têm o direito de ser informados para, com conhecimento de causa, poderem reflectir e medir as consequências - quer "positivas", quer "negativas" - que um tratado destes lhes pode trazer?!

Na verdade, antes da assinatura do Tratado, em Dezembro de 1991, e nos meses que se seguiram desde então, o Povo português não foi clara e inequivocamente informado do conteúdo exacto nem das consequências de tão importante compromisso internacional e que. portanto, tal informação deve ser prestada e debatida sem quaisquer limitações.

Aliás, todo o processo de adesão à CEE enferna, desde o início, de um défice de genuína legitimidade democrática e de falta de clareza, tendo sido até agora conduzido numa lógica de sucessivos factos consumados que têm vindo a traduzir-se em crescente alienação da nossa soberania nacional, gradualmente transferida para uma Comissão Europeia que ninguém elegeu ou mandatou - isto em troca de uma política subserviente de obtenção de "pacotes" de subsídios a fundo perdido e de um determinado contingente de empregos de eurocratas que os grandes partidos institucionais vão administrando entre si.

Por esta razão, embora propondo a ratificação pelo referendo, não podemos concordar com o CDS quando este propõe que a decisão de ratificar ou não o Tratado de Maastricht seja tomada em função da garantia absoluta de Portugal receber as verbas do Fundo de Coesão Económico e Social da CE.

Este aspecto da posição política do CDS perverte os princípios que deveriam estar na base da condução deste referendo, uma vez que estão em causa questões da soberania nacional que, de forma alguma, e muito menos num referendo, poderão ser entendidas como negociáveis por troca com "fundos de coesão" ou qualquer outros valores ou benesses de natureza material.

Portugal está em presença da sua "mais importante decisão política desde 1640", nas palavras do constitucionalista Dr.º Jorge Miranda.

É pois, com incredulidade e espanto que se assiste ao desfile de opiniões contrárias a que tal decisão seja referendada.

Particularmente graves são as declarações do Sr Primeiro Ministro e de alguns membros do Governo e do Senhor Presidente da República contra o referendo, alegando que está estabelecido em Portugal um forte consenso quanto ao tratado de Maastricht.

Pergunto como pode estar estabelecido tal consenso entre os portugueses se estes desconhecem por completo o conteúdo e as consequências do Tratado, que o Governo nunca lhes facultou.

É realmente de espantar que haja em Portugal tal consenso quando se sabe que em França, por exemplo, a corrente anti-Maastricht atravessa todo o espectro partidário.

E mesmo aqui em Portugal foram já tornadas públicas posições de eminentes figuras do PSD e do PS e de alguns constitucionalistas manifestando-se individualmente pela generalização do debate deste assunto e pela realização do referendo.

Por um lado, se o Governo e a Presidência da República estão convencidos de que há um tão largo consenso, deveriam aproveitá-lo para, através do referendo, legitimar transparente e democraticamente a ratificação do Tratado, e não virem com tanta aparente inocência declarar o referendo supérfluo.

No actual panorama de quase completa ausência de informação oficial sobre o conteúdo exacto e as consequências efectivas do Tratado de Maastricht, vê-se com alguma inquietação circulares informações dispersas referindo que algumas das cláusulas do Tratado - já subscrito pelo Governo - são contrárias à Constituição Portuguesa.

É também com inquietação que se sabe que a constitucionalidade do Tratado do Maastricht é analisada na Assembleia da República "à porta fechada" e que é desse modo que se prepara uma apressada revisão da Constituição para sanar as suas desconformidades com as "exigências de Maastricht".

Ainda com maior inquietação verifica-se que, para além da iniciativa louvável do CDS, não se manifesta no nosso sistema partidário qualquer forma consistente de acção política perante um acto tão indiscutivelmente importante e decisivo para o futuro da Nação portuguesa.

É lamentável que, num momento tão crucial para o nosso Portugal velho de 800 anos, os grandes partidos institucionais - talvez deliberadamente e porventura para atirar poeira aos olhos do Povo - se embrenhem em mesquinhas questões e sórdidas gritarias acerca de défice democrático na Madeira, na RTP, na Secretaria de Estado da Cultura, sobre a "polémica" pala do estádio José de Alvalade, etc, não cuidando de resolver o défice democrático do modo como encaminham os destinos da Nação.

Assim, seria de interesse para Portugal, que o texto do Tratado de Maastricht fosse dado a conhecer amplamente aos portugueses, e que fosse fomentada pelo Estado, por todos os meios, a análise pública e exaustiva, durante o prazo de maio ano pelo menos. Findo este prazo, a ratificação do Tratado seria submetida a referendo.

A pergunta ou perguntas a formular no referendo deveriam ser completamente isentas de condicionantes explícitas ou implícitas.

Manuel Beninger

terça-feira, 15 de setembro de 1992

Jornal Diário do Minho: Os Partidos Tradicionais estão Demasiadamente Envelhecidos - diz a Juventude Monárquica

A juventude Monárquica de Braga divulgou ontem um comunicado em que afirma que "os partidos tradicionais estão demasiadamente envelhecidos, esgotaram todas as suas soluções, e agora merecem um repouso para que uma candidatura jovem se apresente com dinâmica de vitória nas próximas eleições autárquicas".
Começa o comunicado por recordar os preparativos para o campeonato de futebol:

"Transferência de jogadores, contratos de preparadores físicos, treinadores com elevadas capacidades técnicas e tácticas, directores ambiciosos, patrocinadores políticos e comerciais, tudo para montar o espectáculo que eufemisticamente teimam em denominar como desporto-rei".

"O futebol, diz, é um mundo de negócios importantissimo".

"Diariamente tem mais tempo de antena na rádio e televisão, que todos os partidos políticos portugueses juntos, mais o tempo que é conferido aos órgãos de soberania".

Os jovens monárquicos perguntam:

"Que importância têm para Portugal o Tratado de Maastricht, as relações com Africa, o programa do Governo, as propostas da oposição. a segurança internacional, ou o desenvolvimento da luta contra a fome ou as irrelevantes conquistas do conhecimento, mediante o futebol?".

E o comunicado continua:

"De facto, será que os grandes partidos políticos, tão profissionalizados como estão, preparam a "rentrée" com milionésima parte do rigor que se prepara um campeonato de futebol da terceira divisão regional?!!".

E afirma de imediato:

"O que nos atormente não é a dúvida, é a certeza da resposta!".

O comunicado diz que "a Juventude Monárquica não pretende que se invertam nem confundam valores. O que a JM pretende é que reflicta e se aproxime de nós e cuidadosamente participe na elaboração dum programa credível e realizável, que seja uma saudável alternativa à Câmara Municipal de Braga".

terça-feira, 8 de setembro de 1992

Jornal Correio do Minho: JM - Críticas ao Trânsito e Sistema de Sinalização

A Juventude Monárquica de Braga considerou ontem "insensatas" as recentes alterações feitas ao funcionamento do trânsito citadino e "deficiente" o seu sistema de sinalização.
"Corrigir um erro apontado por uma oposição não é uma derrota política, é antes de tudo um acesso de lucidez" - sublinha o comunicado que os jovens monárquicos entregaram ontem à comunicação social, como a justificar a dureza das suas críticas.

O texto foi elaborado com base no que os subscritores do documento observaram durante Agosto último no que se refere à matéria abordada. "Quem não se ausentou de Braga durante o mês de Agosto teve oportunidade de constatar o caos do trânsito citadino, nesta época em que os portugueses inibidos de eleger o chefe de estado nos visitam", ou seja, os emigrantes que não votam para a eleição do Presidente da República.

Para os jovens monárquicos, os problemas de trânsito registados em Agosto ficam a dever-se, entre outros factores, ao aumento do volume de tráfego, uma deficiente sinalização", sublinhando que "as recentes alterações de transito proporcionaram o lamentável incómodo".

As críticas que a Juventude Monárquica de Braga tem vindo a fazer ao executivo local devem ser consideradas "construtivas", e por isso mesmo no documento se acentua a discordância quanto "à bizarra ideia de estreitar os arruamentos da cidade", sugerindo-se a "necessidade de retroceder com esta teimosia absurda".

Os jovens monárquicos esperam agora, neste período de pós férias, que o executivo municipal recupere "o discernimento indispensável para um acto de superior humildade democrática", revogando "a idiotice do atrofiamento das ruas e avenidas", esperando ainda "que seja revisto e corrigido o estapafúrdio trânsito recentemente implementado".