Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

quarta-feira, 16 de dezembro de 1992

Jornal Diário do Minho: JM dá sugestão para melhorar trânsito urbano

A Juventude Monárquica de Braga distribuiu ontem à Comunicação Social um conjunto de sugestões na área do transito urbano que intitula sugestivamente "Viver em Braga poderá ser mais seguro e agradável".
Queixando-se de que a Câmara Municipal de Braga só acolhe sugestões de "paternidade socialista", os jovens monárquicos voltam a referir-se, em primeiro lugar, aos acidentes que repetidamente ocorrem à saida do túnel da Avenida João XXI.

"A Câmara Municipal teima em repor a armadilha da separação em tubo com rede naquela via, sem cuidar de analizas porque é que as viaturas ali se vão acidentar", escrevem.

Sugere, então, a JM que se retire de vez aquele "separador" e se substitua por um duplo risco contínuo em tinta florescente.

"Mas se os serviços municipais continuarem em insistir naquela "obra de arte" camuflada de verde, pelo menos que o repintem de branco para que seja visível", acrescentam.

O segundo ponto, ou segunda sugestão, refere-se às lombas. "Agora é moda em Braga, elevar o piso junto das passadeiras próximas das escolas; porém, seria do mais elementar bom senso que estas fossem precedidas do respectivo sinal, o que não acontece", dizem.

O último reparo vai para uma passadeira junto à Escoala Secundária Sá de Miranda, no início da Rua de Sta Nargarida, "que muito originalmente a Câmara mandou colocar sobre a curva, sem visibilidade e menor utilidade.

"E que tal colocá-la uns 20 metros mais à frente, corrigindo erro tão crasso?" pergunta a Juventude Monárquica de Braga.

A terminar o texto, os jovens monárquicos "recordam ao staff da recandidatura de Mesquita Machado como seria eleitoralmente rentável repor o trânsito da cidade tal qual era antes desta concepção obscura e martirizante".

domingo, 6 de dezembro de 1992

Jornal Diário do Minho: JM considera "incompreensível" ampliação de pista de karting em Palmeira

A Juventude Monárquica de Braga considera "incompreensível" a alegada intenção da Câmara Municipal de Braga de autorizar e auxiliar a ampliação duma pista de karting, "sem significativa utilização" para dentro da pista de aviação do Aeródromo de Palmeira.
Numa nota à Imprensa, a JM diz que a Câmara Municipal de Braga, ao permitir "a insensatez publica" irá destruir definitivamente as potencialidades do aeródromo, promovendo algum risco à segurança de pessoas e aeronaves".

"Talvez mal avisada, já há anos empobreceu aquele espaço aeronáutico, autorizando a edificação duma bancada, que salvo melhor informação só uma única vez foi utilizada", acusam os jovens monárquicos.

"Como não são conciliáveis estas duas actividades no mesmo espaço", sugere a Juventude Monárquica que, a exemplo do que se passa em Vila Real, Vila do Conde e até na cidade do Mónaco, "se escolham as rodovias da cintura de Braga onde, sem comprometer o futuro do aeródromo, se promovam com a indispensável segurança as corridas de automóvel tão desejadas pelos aficionados daquele desporto".

A Juventude Monárquica de Braga lembra o facto de a vereação ter aquele que "é justamente considerado um dos melhores volantes do Clube Automóvel do Minho" para referir que seria oportuna alertar a Edilidade, "que por uma eventual solidariedade clubistica, não comprometa de vez a viabilidade do Aeródromo da cidade".

Lembra também a reconhecida apetência duma infraestrutura aeronáutica pelas cidades da Maia e de Viana do castelo, "que não deixariam de aproveitar esta ocasião para, juntos dos poderes públicos, reivindicar a mudança do estatuto que o aeródromo de Braga de há muitos anos possui".

Os jovens monárquicos aproveitam para dizer que o Aeródromo de Braga tem, ao longo da sua larga existência, cumprido com as finalidades, como servindo de escola de aviação a muitos pilotos que servem o país nas Forças Armadas, quer nas diversas companhias nacionais de aviação.

sexta-feira, 4 de dezembro de 1992

MAASTRICHT - DE SURPRESA EM SURPRESA...; Artigo de Opinião de Manuel Beninger

Jornal "Semanário Minho"

MAASTRICHT - DE SURPRESA EM SURPRESA...
Chegou-me às mãos um exemplar do boletim "Info-Europa" editada em Setembro de 1992 pelos socialista portugueses do Parlamento Europeu. Esta edição é integralmente preenchida com uma descrição e resumo comentado do tratado da União Europeia / Maastricht.

Já tinha lido o Tratado própriamente dito: impenetrável!...

Esta apresentação comentada é útil, mas não deixa de ser hermética - aquele género de texto que, para se perceber alguma coisa, tem de se ir lendo e relendo, anotando, sublinhando, voltando atrás, ver mais à frente, estar atento...

Lido e relido, deixou-me a sensação de que o Tratado está cheio de... surpresas...

Vejamos algumas delas, que muito me inquietam.
O tão falado "princípio da subsidiariedade" tem sido apresentado como a panaceia que impedirá a evolução da União Política para uma federação de Estados diminuídos nas suas respectivas soberanias. Ultimamente apresentado com a nova designação de "principio de proximidade", estabelece que a Comunidade só intervirá em assuntos que não possam ser suficientemente resolvidos pelos estados - membros.

Isto seria sem dúvida bom para o fortalecimento da boa colaboração entre os estados, na medida em que preservaria as respectivas soberanias. Mas para isso seria necessário que tal princípio fosse muito claramente estabelecido caso a caso por decisão unânime, sendo então categórico e vinculativo - e fundamentalmente importaria que a sua aplicação fosse sistematicamente fiscalizada por uma instituição independente ou para tal legitimada.

Ora, parece que não é isso que o Tratado preconiza.

O boletim a que me refiro, ao apresentar o princípio da subsidiariedade (pag. 8), conclui que, de acordo com tal princípio, "a acção da comunidade não deve exceder o necessário para atingir os objectivos do presente Tratado.

Procurando saber quais as garantias de que "o necessário não será excedido", fui estudar as competências das diversas instituições comunitárias, designadamente as do Tribunal de Justiça e as do Parlamento - onde naturalmente deveriam residir tais garantias.

Primeira surpresa. na apresentação das "Disposições Finais" do Tratado (Título VII, art.ºs L e S), é estabelecido que o Tribunal não tem competência para política externa e de segurança comum (PESC).

E o Parlamento Europeu?

Outra surpresa: de acordo com a descrição dos mecanismos de intervenção do PE (pag. 18 e 19), também este órgão, eleito pelos cidadãos, não tem competência nesta matéria. Ela não consta da lista dos assuntos obrigatoriamente sujeitos a parecer do Parlamento (que já vinham dos anteriores Acordos) e continua a não constar da lista dos assuntos que legalmente terão de passar pelo novo processo de "co-decisão" (novo mecanismo criado alegadamente para "reforçar o poder do PE na adopção de actos comunitários").

Ora, logo de entrada (Título I, art.º B), o Tratado define os seus objectivos, entre os que se conta precisamente a referida PESC.

Assim sendo, temos aqui um objectivo do Tratado relativamente ao qual os organismos executivos da Comunidade poderão eventualmente agir sem que qualquer instituição independente ou legitimada nos garanta que "o necessário para o atingir não será excedido".

Eis uma matéria em que a subsidiariedade não se apresenta clara, nem categórica, nem vinculativa - nem a sua aplicação fiscalizadora.

E que matéria esta!
Detenhamo-nos na análise desta Política Externa e de Segurança Comum - PESC.

No boletim em apreço, ao descrever-se a estrutura do Tratado, ficamos a saber que ela é particularmente complexa "devido à ausência de consenso político para integrar no quadro comunitário a PESC" (pag. 4).

Contudo, e surpreendentemente, apesar dessa alegada ausência de consenso político, a PESC aparece como um dos objectivos do Tratado, bem como um dos seus pontos centrais (pag. 21). De acordo com o art.º J4, a PESC poderá conduzir, no momento próprio, a uma defesa comum. A PESC dá à Europa "a personalidade política que sempre lhe faltou e a possibilidade de se exprimir nos assuntos internacionais como uma verdadeira potência, criando a prazo um verdadeiro sistema de defesa capaz de uma intervenção militar"!! (pag. 22).

Para onde não havia consenso é obra!

Entretanto, nova surpresa: estranhamente, apesar da falta de consenso (unanimidade) original, o art.º J4 introduz desde já no domínio das acções da PESC o processo de decisão por maioria qualificada.

O mecanismo para chegar à decisão por maioria (pag. 22) é, no mínimo, subtil: "O Conselho de Ministros determina por unanimidade quais os domínios em que as decisões poderão ser objecto de uma acção comum..." - (por ex.: uma intervenção militar fora do espaço dos 12 ?) - "...podendo em qualquer fase do seu desenvolvimento..." - (uma vez a intervenção militar desencadeada ?) - "...determinar quais os domínios em que as decisões serão tomadas por maioria qualificada." - (a decisão de enviar soldados portugueses para o teatro de guerra pode ser imposta apesar do eventual voto negativo do representante português ?)

quarta-feira, 2 de dezembro de 1992

Jornal Diário do Minho: PPM propõe Frente Alargada contra actual maioria na Câmara

A um ano das próximas eleições autárquicas, o PPM propõe a constituição de uma frente alargada a toda a oposição, contra a actual maioria socialista da Câmara Municipal de Braga, tendo em vista quebrar o ciclo vicioso e viciado instalado, afirmou ontem em Braga Manuel Beninger.
O presidente da Comissão Nacional da Juventude Monárquica falava em conferência de Imprensa destinada a abordar as eleições autárquicas do próximo ano e o dia da Restauração.

Beninger referiu que a gestão socialista tem vindo a comprometer em muitos aspectos, particularmente no que respeita ao crescimento urbanístico, cada vez mais dependente dos negócios particulares do que do interesse público e colectivo.

Para o dirigente do PPM é necessário mudar este estado de coisas, e seria benéfico e possivel construir uma lista de cidadãos unidos, sobretudo pela vontade de servir Braga, que fizessem frente ao Partido Socialista bracarense.

Esta iniciativa que não é fácil, passaria pelo "apagamento" assumido dos restantes partidos e seria um mandato de transição, baseado num programa de compromisso entre os vários partidos, referiu Manuel Beninger.

O presidente da JM disse ainda, que caso esta frente partidária não se concretize, apresentará uma lista própria às próximas eleições para a Autarquia de Braga.

Beninger noticiou com satisfação que o Directório Nacional do Partido Popular Monárquico, entregou aos jovens monárquicos a pasta de liderança para as próximas autárquicas.

Falando sobre o dia da Restauração que hoje se comemora afirmou que é necessário reflectir sobre o drama do povo de Maubere; exigir uma acção mais protagonizada de Portugal para a autodeterminação do povo de Cabinda e tomar uma posição inequívoca em relação à projectada União Política Europeia.

O PPM condena, veementemente, a ocupação Indonésia do território de Timor-Leste e defende o apoio material claro de Portugal à resistência com meios militares, o embargo comercial de Portugal à Austrália, da CEE à Indonésia e a deslocação do secretário Geral da ONU `*a região na procura de uma solução, que garanta o direito do povo de Timor, entre outros.

Manuel Beninger diz que o Governo português está a pôr em causa a sua neutralidade na condução do processo de paz em Angola, quando tem vindo a apoiar, objectivamente, quer interna quer externamente, o MPLA.

Quanto à União Política Europeia, o presidente da JM, entende que esta ofende as legítimas aspirações do povo português que sempre manifestou os mais nobres sentimentos de Liberdade e Independência e nunca se pronunciou sobre esta união.

Manuel Beninger propôs a realização de um vasto debate sobre a União política e a posterior realização de um plebiscito onde todos nos possamos pronunciar sobre tão grave decisão.

Quanto ao dia da Restauração, onde hoje se comemora, referiu que a Monarquia continua a ser a melhor forma de assegurar a soberania popular e defendeu a revisão constitucional que impede a alteração da forma republicana de governo, impossibilitando a realização de um referendo para o povo português escolher entre República e a Monarquia.

terça-feira, 1 de dezembro de 1992

Jornal Correio do Minho: PPM defende "frente alargada" contra gestão socialista da Câmara

O PPM defendeu ontem a "constituição de uma frente alargada a toda a oposição", nas próximas eleições autárquicas, "contra a actual maioria socialista da Câmara Municipal de Braga.
Manuel Beninger, presidente da Comissão Nacional da Juventude Monárquica, garantiu, em conferência de imprensa, "que seria possível constituir uma lista de cidadãos que, unidos sobretudo pela vontade de servir Braga, fizessem frente ao Partido Socialista de Braga".

A proposta, que o próprio Beninger admitiu poder "parecer Bizarra", "passaria, naturalmente, pelo "apagamento" assumido dos restantes partidos, que teriam de abdicar de uma intervenção mais protagonizada" nas eleições de Dezembro do próximo ano.

O líder da Juventude Monárquica explicou que o mandato desta "Frente" seria "de transição, baseado num programa de compromisso entre os vários partidos".

Manuel Beninger não hesitou em propor este acordo alargado a todos os partidos, do PCP ao CDS.

Se tal acordo alargado não se concretizar, o PPM avançará com uma lista própria nas "autárquicas" de 1993. Manuel Beninger considerou ontem que, no próximo ano, não se coloca a hipótese de um acordo dos monárquicos com o PSD, como aconteceu nas eleições autárquicas de 1989.

Para o PPM, "a gestão socialista tem vindo a comprometer, em muitos aspectos, o desenvolvimento harmonioso e equilibrado do nosso conselho, muito particularmente no que respeita ao crescimento urbanístico".



LÍDER AUSENTE



A Comissão Política Concelhia da Juventude Monárquica convocou a comunicação social para a conferência de imprensa para falar das comemorações do 1º de Dezembro, de assuntos de âmbito internacional, nacional e regional, na qual estaria presente o presidente do PPM, Nuno Cardoso da Silva. As habituais "razões de ordem pessoal" foram apontadas como justificação para a ausência do líder dos monárquicos do encontro com os jornalistas.

Considerando que comemorar o dia da "restauração" é também reflectir sobre o drama do povo maubere que em Timor vive a aflição da impossibilidade de sentir a Liberdade e afirmar a sua independência. O PPM de Braga defende que Portugal deve propor ao Conselho de Segurança das Nações Unidas a condenação enérgica da ditadura militar do regime indonésio.

Comemorar o dia da Restauração é também para o PPM "exigir uma acção mais protagonizada de Portugal em relação à autodeterminação do povo de Cabinda" e "tomar uma posição inequívoca em relação à projectada União Política Europeia que contrarie a negação da soberania nacional em detrimento de uma Europa culturalmente heterogénea".

Três séculos e meio após a Restauração da Independência, o PPM continua a defender que "a Monarquia continua a ser a melhor forma de assegurar a vontade popular, pela independência, imparcialidade e participação das instituições representativas que só o Rei garante".