Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

sexta-feira, 27 de março de 2009

AGRICULTURA MINHOTA: UM SILÊNCIO PODRE; por Manuel Beninger

Jornal Diário do Minho
AGRICULTURA MINHOTA: UM SILÊNCIO PODRE

As maravilhas da adesão europeia são mais frutuosas para uns portugueses que para outros.
Já assim era, antes da submissão nacional ao Tratado de Maastricht, mas agora torna-se mais evidente sobretudo com a crise instalada.

O coro de desânimo dos agricultores, sejam novos, velhos ou de meia-idade, tenham a escolaridade mínima ou o curso superior, sejam do norte, do centro ou do sul, é indesmentivelmente unânime.

Na nossa região, já ninguém acredita no futuro agrícola deste minifúndio que, por muitos séculos, foi uma estrutura fundiária que alimentou mais de um terço da população nacional.

Reconhece o agricultor que, pese embora uma minoria de dirigentes e leaders tenham à sombra da Comunidade Europeia conhecido novos mundos e situações de desafogo económico, 99,99% deles tem por futuro a falência, retardada por esmolas que, eufemísticamente, se chamam ajudas comunitárias.

Acreditaram nos políticos, investiram o que tinham e o que lhes emprestaram, e em poucos anos, multiplicaram as produções de vinho, leite, batata, milho, carne, fruta, etc, etc.

Como prémio à pronta resposta dos nossos governantes, que o país necessitava de produzir mais e melhor, é-lhes oferecida a garantia de a curto prazo estarem falidos!!!

Há excesso de leite, o vinho não tem comprador, a carne é paga por valores de miséria, a fruta apodrece nos frigoríficos!

Há planos para acorrer à crise da indústria dos sapatos, do vestuário e dos automóveis, para criar mercados abastecedores, de provavelmente produtos importados, mas para resolver o problema agrícola, de facto, não existe planos credíveis.

Vícios antigos levam os dirigentes regionais da agricultura a auscultarem sempre as mesmas personagens, os mesmos dirigentes cooperativos, os mesmos técnicos, como que para terem a certeza que tudo corre melhor.

Os grandes partidos políticos desgastam-se atirando insultos uns sobre os outros, como se algum deles tivesse a panaceia para o mundo rural. Infelizmente, todos eles estão apenas interessados em vender promessas e colher votos.O silêncio podre que se vive no mundo rural minhoto prenuncia o desânimo que acontece o desmoronar de uma actividade.



Manuel Beninger

Deputado Municipal do PPM
na Assembleia Municipal de Braga

terça-feira, 17 de março de 2009

Jornal Diário do Minho: PPM/Braga pinta de negro cenário da agricultura minhota

O representante do Partido Popular Monárquico na Assembleia Municipal de Braga defendeu ontem que a Direcção Regional de Agricultura e Pescas do Norte deve assumir-se como "advogado da defesa" da Agricultura Regional Norte.
A posição assumida por Manuel Beninger visa que a estrutura sediada em Braga assuma uma causa que, "lamentavelmente, a Direcção Regional de Agricultura de Entre Douro e Minho não soube acautelar com sucesso", por "sempre" ter mantido "a cómoda posição de simples serventuária do poder [central]".

Aproveitando a realização de mais uma edição da Feira Internacional de Agricultura, Pecuária e Alimentação promovida pelo Parque de Exposição de Braga, Beninger centra as atenções na"crise indisfarçável da lavoura minhota", sublinhando que "não há uma única cultura da nossa região que não esteja com graves problemas".

"O vinho vende-se mal e a preços insuficientes, os cereais, pese embora o subsídio anual, continuam a fracassar na economia do agricultor minhoto" e "os subsídios à produção estão envenenados com um labirinto de exigências burocráticas, que só uma minoria dos agricultores da nossa região beneficia dele", refere o deputado municipal monárquico.

Levando mais longe a incursão pelo mau estado em que se encontra a agricultura da região Minho, o deputado do PPM denuncia que "o leite, sector que durante muitos anos foi o sustentáculo das pequenas explorações, atingiu custos de produção que é dificil ao pequeno agricultor insistir na sua produção".

"A bovinicultura foi assacada com doenças que vêm dizimando os efectivos e desvalorizou-se de tal maneira, que só por loucura se pode continuar com os estábulos em produção. A fruticultura, igualmente vítima das leis leoninas impostas pela União Europeia, está no limite da rentabilidade, constatando-se grande dificuldade de concorrer com as contínuas importações de todos os continentes", acentua.

De fora do rol das lamentações também não ficam "a horticultura, os pequenos ruminantes, a floricultura, a avicultura e todas outras pequenas fontes de rendimentos do agricultor deste minifúndio minhoto, que durante séculos foi a menina dos olhos do país [e que agora] está sem presente e sem futuro", nota Manuel Beninger, para quem também a floresta "está a braços com a crise que debilita os preços".

"Com discursos "balofos" da classe política, omite-se que Portugal não negociou devidamente os interesses da lavoura nacional, quer pela ignorância e incompetência dos políticos, quer pela falta de humildade de reconhecer que se errou e que é indispensável exigir uma renegociação equilibrada dos compromissos desatempadamente assumidos", conclui o deputado monárquico na Assembleia Municipal de Braga.