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Manuel Beninger

segunda-feira, 25 de junho de 2012

A piroseira e o ridículo pela gestão do património


No Concelho de Reguengos de Monsaraz, existe uma povoação dentro de uma antiga fortificação construída durante a ocupação da Península Ibérica pelos árabes. Monsaraz é uma das mais preciosas jóias arquitectónicas portuguesas.
Conquistada aos Mouros pelo mítico Geraldo Geraldes Sem Pavor, um dos notáveis homens de armas coevo de D. Afonso Henriques, caiu novamente nas mãos da moirama e só foi reconquistada pelos exército de D. Afonso II, O Gordo, tendo tido Foral concedido por D. Afonso III. É uma beleza, um encanto e tanto os nacionais como os estrangeiros que nos visitam, percorrendo as suas bonitas ruas, pensam estar a viver um autêntico conto de fadas. Não ia lá já há alguns anos. Ao contrário de outros locais, tem tido um desenvolvimento harmónico sem desequilíbrio da sua traça medieval e sem atentados ao património natural e imóvel construído. E aquela antiga guardiã da liberdade portuguesa, contra os avanços dos sarracenos e dos castelhanos, continua a encantar quem a visita, incluindo os nossos “hermanos” e o visitantes oriundos do Norte de África.
Pois bem, este ano ia tendo um ataque de fúria quando verifiquei que na porta de entrada principal da Medieval Monsaraz, existem duas placas de mármore, à falta de uma, instaladas no granito, desfeando o bonito arco de entrada e atentando gravemente contra o património. Nem queria acreditar no que estava a ver.
O que rezavam tais dísticos horrorosos. Nem mais nem menos do que a visita de dois Presidentes da República. Mário Soares em 1987 e Jorge Sampaio igualmente em 1987. Uma aberração bem visível, supinamente pacóvia e de tremendo mau gosto. O fruto edificante das chamadas engraxadelas dos políticos medíocres que temos. Acredito que Mário Soares não saiba deste atentado contra o património edificado, perpetrado em seu nome. Quando lá for Cavaco Silva, lá vai outra horrorosa placa para a portada e assim sucessivamente...!
Havia tanto local dentro das muralhas para prantarem placas a comemorar uma trivial visita de um chefe de estado e foram logo escolher a porta principal para exibirem o seu mau gosto de ignaros e de incultos, manifestações de gente que pensa que a história começou no dia em que foram paridos e acaba no dia em que forem para o Quinto dos Infernos. Grandes filhos da mãe. Não encontro outro adjectivo para os apelidar.
Vou mandar esta carta para a Secretaria de Estado da Cultura. É preciso acabar com este tipo de bandalheiras que afrontam o nosso património e a memória colectiva portuguesa.
António Moniz Palme 2012

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