Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

segunda-feira, 2 de julho de 2012

«PORTUGAL DESDE 1143»

Nas belas terras a norte do Douro existia um condado a que deram o nome de Portucalense, devido não à cidade que servia de capital do condado, mas do local onde, por vontade do Vaticano se construiu uma Sé Patriarcal – a cidade do Porto.
Aliás, foram os nomes de Porto e Gaia quem mais tarde deram o nome ao país construído pelo Infante Afonso Henriques, filho de D. Teresa e de D. Afonso, conde gaulês que veio ajudar os reinos de Leão e Castela a combaterem os mouros, muçulmanos oriundos sobretudo do Norte de África.
Quando morto o pai, Afonso Henriques decidiu combater as forças que dominavam sua mãe, D. Teresa de origem espanhola que pretendia manter-se fiel e vassala dos seus antecessores.
Vendo isso, Afonso Henriques organizou um exército e lutou contra o que obedecia aos sicários de sua mãe, batendo-o na batalha de S. Mamede.
De imediato viu o Castelo de Guimarães cercado pelas forças castelhanas e leonesas, em maior número e impedindo o abastecimento alimentar dos sitiados, surgindo então a intervenção do seu aio, Egas Monis que, saindo das muralhas se dirigiu aos enviados espanhóis, para que levantassem o cerco pois o senhor D. Afonso iria ele próprio prestar vassalagem aos seus senhores.
Foram aceites as suas palavras, o cerco foi levantado e os espanhóis regressaram à sua terra.
Mas, não tinham ainda ido muito longe quando Afonso Henriques decidiu segui-los e fazer-lhes saber, pelas armas, que o Condado Portucalense se tornaria independente, enviando para tal, ao Vaticano, uma delegação que levava a mensagem de que Portugal pagaria ao Vaticano uma certa soma em ouro anual, sendo reconhecido como país independente e fervoroso defensor do cristianismo.
Depois disso, foi só combater os mouros, sarracenos ou árabes ou ainda muçulmanos, chegando a existir uma aliança entre Afonso Henriques e os reis de Castela e de Leão.
Portugal cresceu para sul. E foi no sul que se instalou a capital, numa cidade que dizem alguns foi tomada e baptizada por Ulisses, um grego da Ilha de Ítaca, que Homero tão bem relata na sua Odisseia.
Seria mais lógico que tivesse sido a cidade do Porto a capital do reino, mas devido à influência dos nobres de então, que tinham no porto de Lisboa a sua grande fonte de receita.
Assim, a partir de então, as cortes transferiram-se para Lisboa que se tornou definitivamente a capital do reino de Portugal.
Como é evidente, isso não foi do agrado de muitos, tal como não o é hoje, que tudo seja resolvido em Lisboa e que o resto do país seja considerado simples paisagem.
Durou muitos séculos a monarquia em Portugal, que só em 1910, com a Revolução de 5 de Outubro foi abolida, vindo então a República que, afinal não alterou muito a situação, já que se viveram anos de ditadura, para que pudessem consolidar os ideais republicanos.
Ideais que, com o 28 de Maio de 1926 foram também abolidos, nascendo mais uma ditadura e um novo líder nomeado por uma troika militar que durou 48 anos, sendo abolida com a revolução de 25 de Abril de 1974, através de um glorioso golpe militar liderado pelos não menos gloriosos capitães.
Quando regressaram aos quartéis e entregaram o poder aos políticos, de imediato começou a surgir a corrupção e muitas medidas de austeridade, dada a herança do anterior regime, e também daquele período designado como PREC, em que os portugueses beneficiaram de aumentos salariais e de outros benefícios sociais.
Mas, e hoje? Hoje tudo mudou, e até parece que a velha ditadura está de volta com todos esses tecnocratas que estão a levar o país para o mais profundo abismo que se poderia imaginar.
Muitos foram e são os roubos descarados que, graças à impunidade conferida aos políticos, impede que os portugueses possam viver condignamente, e se vejam crivados de impostos e de direitos constitucionalmente reconhecidos, graças à subserviência dos governos portugueses aos estrangeiros e também a um memorando assinado com uma outra troika, esta económica e financeira, a uma União Europeia que consegue apenas obedecer a uma alemã e a um francês, embora exista, talvez por mal dos nossos pecados, um presidente da Comissão Europeia, alguém que tem engordado demasiado à custa de todos nós.
Tal como antes, o Portugal de hoje deve e presta vassalagem aos estrangeiros, pelo que seria bom que surgisse um novo Afonso Henriques.

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