Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

quarta-feira, 29 de julho de 1992

Jornal Diário do Minho: JM elegeu dirigentes em Braga

Maria Cristina Braga Figueira de Sousa acaba de ser eleita coordenadora do núcleo bracarense da Juventude Monárquica (JM).
Como vogais, o núcleo elegeu Maria do Pilar Barba de Menezes Barbosa, António Miguel Antas de Barros Queiroz Aguiar, Maria Sofia Barba de Menezes Malheiro Barbosa e António Pedro dos Santos Malheiro Peixoto.

quarta-feira, 22 de julho de 1992

Jornal Diário do Minho: Monárquicos voltam a criticar alterações ao transito na cidade

A Juventude Monárquica de Braga voltou ontem a criticar as recentes alterações ao transito na cidade.

Segundo os jovens monárquicos, a Câmara Minicipal não teve a coragem de assumir, "por inabilidade e quiça défice de humildade cívica", que estas alterações são um projecto totalmente falhado, "que deve ser abandonado".

A JM sugere a Mesquita Machado que retroceda e reponha o circuito de trânsito anterior, "pois, mal por mal, é preferível uma pneumonia a uma tuberculose".

Os monárquicos fazem estas sugestões a pensar que "há na organização das cidades muitas acções que não podem ser partidarizadas. Qualquer que seja o partido que detenha o poder municipal procurará melhorar o sistema de abastecimento de água, a distribuição de energia, a limpeza das ruas, a organização do transito, indistintamente da sua origem política"
ELEIÇÕES
A Juventude Monárquica realiza a 26 e 27 do corrente as eleições para os seus órgãos dirigentes para a Comissão Conselhia.

A Direcção da Comissão Regional de Braga da JM é presidida por Manuel Beninger.

terça-feira, 14 de julho de 1992

Jornal Diário do Minho: Monárquicos queriam para o Picoto um Espaço de Lazer bem Arborizado

A Juventude Monárquica de Braga veio ontem a público, criticar o projecto camarário de urbanização do monte do picoto, nesta cidade.
Recuando à última sessão da Assembleia Municipal, onde - segundo os jovens monárquicos - "se repetiu mais uma vez o espectáculo de uma "democracia musculada"", começam por lamentar "que não haja um só socialista daquela Assembleia que manifeste alguma dúvida" sobre tal projecto.

Seria lógico - dizem - que em tão grande número de deputados municipais da maioria houvesse alguém que ousasse pôr em dúvida as certezas e justificações defendidas pelo Eng.º Mesquita Machado.

Para os Jovens Monárquicos de Braga, o facto de um plano ser idealizado por um arquitecto de merecimento reconhecido "não é argumento suficientemente castrador" para que ninguém ouse discordar e visualizarem outra solução.

A JM entende que o monte do Picoto e as áreas adjacentes deverias ser utilizadas na construção duma zona verde paisagisticamente atraente, "onde se harmonizasse a ligação da natureza com a floresta de cimento e asfalto, que hoje é a cidade de Braga".

Esta estrutura política contrapõe ao projecto aprovado pela maioria socialista na Assembleia Municipal de 4 de Julho a plantação de uma mata ajardinada, "aliás, seguindo o exemplo que os nossos antepassados fizeram no séc. XIX no Bom Jesus e que ainda hoje é um dos ex-libris da cidade".

Desta forma, dizem os jovens monárquicos, seriam dimensionadas as áreas de lazer e repouso com a actual população da cidade.

"Não se propugnaria por criar um espaço de negócios para empreiteiros mas tão somente criar um espaço de refúgio onde se plantariam espécies características da região, das quais uma há que reconhecidamente está em vias de extinção", afirmam.

Acrescentam, neste âmbito, o agradecimento que as gerações vindouras fariam ao encontrar bem perto do centro da cidade uma mata de azevinhos, enquadrada por carvalhos e castanheiros, onde, distante do bulício citadino, se pudesse fazer jogging, ler um livro ou, tão simplesmente, gozar o "fru-fru" das folhagens dessas espécies.

É óbvio - concluem -, que esta solução não seria interessante para o mundo dos negócios da cidade, mas seria uma solução bem mais adequada às necessidades de melhoria da qualidade de vida dos bracarenses que lamentamos não ver defendida na Assembleia Municipal de Braga.

sexta-feira, 3 de julho de 1992

Jornal Semanário Minho: Entevista a Manuel Beninger

Líder da Juventude Monárquica Bracarense
BRAGA ESTÁ UMA MISÉRIA

A jovem monarquia bracarense não para. São comunicados atrás de comunicados que revelam um dinamismo político que há muito se pensava ter passado à história. Manuel Beninger, em entrevista ao MINHO, traça as grandes linhas de actuação de PPM, sem esquecer, claro, algumas críticas ao eng.º Mesquita Machado.

Manuel Beninger é o presidente da Juventude Monárquica bracarense.
Sem papas na língua, vai dizendo que esta cidade está uma miséria, que o transito é de loucos, que a cultura nem vê-la e espaços verdes só no Sameiro... até ver.
No que concerne a política internacional. o Tratado de Maastricht é o seu grande fantasma: do pouco que se sabe pode depreender-se, segundo Manuel Beninger, que nada traz de bom; e vai mais longe ao alertar para o perigo que uma unidade política acarreta: o ressurgimento de velhos nacionalismos. Enfim, uma conversa amena mas sugestiva.

MINHO (M): Actualmente, o que significa ser jovem monárquico?
MANUEL BENINGER (MB): Significa muito. Significa abordar de uma forma não tradicionalista um passado histórico que continua em cada um de nós. Ser jovem monárquico é ser naturalista, é ter amor à cultura lusa. Significa a união, o pólo e o símbolo da unificação desta cultura, deste orgulho de ser português.

M: O poder concentrado nas mãos de um só homem, isso não é perigoso?
MB: Não. A monarquia não é o poder de um homem, mas sim de um rei que não é o rei de Portugal mas o rei dos portugueses. Aliás, se olhar-mos para todos os grandes países da Europa ocidental que são monarquias (Espanha, Dinamarca, Noruega, Inglaterra), verificamos que são muito mais civilizados, muito mais avançados social, económica e culturalmente. Sem falarmos no caso dos países republicanos mas com forte sentimento monárquico, de que são exemplo a Áustria, a Itália e a Alemanha. Penso pois, que o líder máximo de um país deve ser independente, neutral e a-partidário. Enfim, deve ser o representante da expressão e da vontade de um povo.

M: Mas o presidente da República também se diz presidente de todos os portugueses...
MB: Bom, há que esclarecer alguns pontos. O presidente da República é eleito por sufrágio universal, e não constitui um dos grandes motores gestão do país, é apenas um símbolo: o da identificação de uma nação. Além disso, um presidente da República não tem a escola política de um verdadeiro chefe de Estado, como os diplomatas por exemplo, e, do meu ponto de vista, para representar um país condignamente é preciso ter escola.

M: Quando vocês apregoam o regresso a uma monarquia, fazem-no com convicção ou por "comodismo"?
MB: Acreditamos profundamente nos ideais monárquicos apesar de sabermos que o PPM é um partido pequeno. Nós não estamos obcecados pelo Poder, mas temos um programa partidário para sermos governo. A nossa grande tarefa do momento é chamar a atenção das pessoas para o que significa a Monarquia, daí a acção pedagógica que temos vindo a empreender, nomeadamente ao nível da distinção entre democracia representativa e democracia directa. Ora, pensamos que a democracia directa é o sistema que melhor pode defender os interesses dos povos, porque emana directamente do referendo, figura que defendemos e que ultimamente tem estado na ordem do dia. Há questões pontuais cuja resolução passa por uma consulta directa do povo: nuclear ou não nuclear; aborto ou não não aborto; monarquia ou não monarquia. Não estou a ver, por exemplo, os deputados da Assembleia da República a decidirem se querem ou não o aborto.

DISCURSO DIFERENTE

M: Imaginemos que um dia viessem a ser governo. Como é que procederiam à alteração de um modelo Republicano, com deputados, ministros, para uma Monarquia?
MB: Mudar de uma República para uma Monarquia não traz qualquer problema, e constata-se que em Portugal, seria muito mais fácil do que noutro país qualquer, como por exemplo no Brasil que vai decidir, para o ano, se quer a Monarquia ou a República. Portugal será mais fácil porquê? Porque temos uma grande tradição monárquica à semelhança da Espanha, cuja transição da República para a Monarquia foi natural e pacífica, facto que se calhar impediu a divisão daquele país e quem sabe a guerra: lembre-se do protagonismo de Juan Carlos no parlamento.

M: No último congresso do PPM, os históricos fundadores do partido apresentaram uma moção em que apelavam à extinção do partido por considerar que o seu espaço de intervenção estava mais do que esgotado. Pelos vistos não é essa a vossa posição.
MB: Bem, há que dizer que dos históricos foram poucos os que saíram, o que mesmo assim é de lamentar. Como sabe, depois da saída de Ribeiro Telles, o PPM caiu numa certa apatia: nos Conselhos Nacionais ou nos Congressos não havia grande movimentação. Até que, no Conselho Nacional de Aveiro apareceu Nuno Cardoso da Silva que decidiu tomar conta do Partido. Graças a esta mudança, o PPM sofreu uma enorme revitalização, sem se desviar dos seus ideais e linhas estratégicas, mas com um discurso diferente, mais incisivo e sobretudo mais jovem. Por outro lado, o PPM está a descentralizar-se, já não é só Lisboa, mas a sua mensagem e actividade expandem-se a outros grandes distritos. A juventude também está a evidenciar enorme dinamismo: Veja-se o caso da Juventude Monárquica de Braga.

M: A ecologia é um dos vossos grandes cavalos de Batalha. Tem sido até qualificada como Humanismo do sec. XXI...
MB: A ecologia é tudo. Quando o PPM falava de ecologia chamam-nos ou antiquados ou pós-modernos e a verdade é que ninguém ligava à ecologia. Depois, toda a gente se pôs a falar de ecologia e foi mesmo a tábua de salvação para alguns partidos, como o PCP com a integração na sua estrutura dos "Verdes". Com efeito, para os partidários do PPM a recuperação de um certo humanismo passa pelas resoluções ecológicas.

BRAGA: UMA CIDADE LAMENTÁVEL

M: Qual vai ser a estratégia eleitoral para as autárquicas de 1993?
MB: A Juventude Monárquica começou já a trabalhar: temos vindo a tomar posição sobre vários problemas que afectam a cidade de Braga. O fruto desse trabalho, e isto é que é importante, está a corresponder a um acréscimo de militantes, que se traduz no fortalecimento do PPM que, como é óbvio, irá concorrer à Câmara de Braga, sozinho ou em coligação.

M: Uma coligação com quem?
MB: Com partidos similares ao nosso, poderá ser o PSD ou o CDS. Com o PS nunca!. Enfim, vamos pensar. Ainda falta muito tempo, Contudo, penso que o mais certo é concorrermos sozinhos.

M: Como avalia a actividade do actual executivo municipal?
MB: Bem, em Braga constrói-se desmazeladamente e sem perfeição. Braga cresce mas não se desenvolve. É uma cidade belíssima e orgulhamos-nos de viver nela, mas pensamos que tem sido muito mal tratado. Veja-se o problema do trânsito: é uma vergonha! Tudo muda e nada melhora. Além disso a Câmara de Braga padece de uma grande perversidade, que é não ter uma visão de futuro. Hoje constrói-se e amanhã faz-se outra coisa em cima. Veja-se o Mercado do Carandá: constrói-se e agora parece que vai ser um hipermercado. Veja-se o caso do Campo da Vinha: constrói-se um parque de estacionamento e ao que parece vão lá construir um correr de lojas. é esta má planificação que nos leva a estar contra esta Câmara que, de resto, não nos merece nenhum crédito.

M: Os simpatizantes do PPM tem sido bastante acutilantes nas críticas ao Eng.º Mesquita Machado...
MB: Não somos acutilantes. Nós temos a nossa maneira de ser que é saudável. Não é a crítica pela crítica: pretendemos ser uma oposição construtiva, já que ela não existe, e quando existe é fraca (é o caso neste momento com os vereadores do PSD). Desde que se formou, a Juventude Monárquica tem evidenciado bastante protagonismo ao procurarmos chamar a atenção para os graves problemas que assolam a cidade.
Li numa das últimas edições do MINHO que a qualidade de habitação em Braga é óptima, mas eu não sou, como diz o outro, a olhar o céu: a habitação é terrivelmente má, não só pela construção em si como a nível arquitectónico. Podemos ver a construção no Carandá, nas Parretas, etc. Isto vai criar problemas no futuro. Zonas verdes? Não as há. O Eng.º Mesquita Machado poderá não gostar das nossas afirmações mas esse já não é o nosso problema. Quanto à questão cultural nem vale a pena falar: basicamente não existe cultura em Braga. Parece uma cidade da periferia.

M: Por razões evidentes o PPM é dos que mais tem criticado o acordo de Maastricht. Finalmente, que perigos se vislumbra para Portugal? A integração na CEE foi um mau negócio?
MB: Convém aqui esclarecer determinados pontos. Em primeiro lugar não somos contra a integração de Portugal na CEE: se agora temos pontes e autoestradas das quais tanto se "gaba" o governo é graças a ela. Não podemos é confundir a unificação económica com a política,. Sobre o Tratado de Maastricht, há que dizê-lo sem rodeios, pouco sabemos e é essa desinformação que nos preocupa.
Por outro lado, e depois de uma interpretação atenta do texto é licito pensar que o acordo de Maastricht poderá fazer ressurgir nacionalismos latentes, isto é, criar atritos entre os vários países e entre as regiões de cada país. O problema da Europa é complexo e por isso não deveriam ser tomadas decisões tão importantes à revelia dos povos, é por isso que exigimos um referendo nacional.