Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

sexta-feira, 30 de outubro de 1992

Jornal Diário do Minho: JM quer saber o que se passou na RGA da UM

A Direcção Distrital de Braga da Juventude Monárquica, está preocupada com a fraca divulgação, quer na Imprensa, quer junto da comunidade estudantil, das posições assumidas durante a última Reunião Geral de Alunos (RGA) na Universidade do Minho.
Esta preocupação foi manifestada num comunicado divulgado à Comunicação Social e em que a Juventude Monárquica solicita à Associação Académica da UM a publicação e explicação do contrato social agora assinado, "para que a comunidade académica fique finalmente esclarecida".

A JM desafia também a Direcção sa AAUM a divulgar, "de uma vez por todas", se é contra ou a favor do aumento das propinas.

Os jovens monárquicos congratulam-se, mesmo assim, com o cuidado demonstrado na defesa de melhores condições das refeições nas cantinas, aumento do montante das bolsas, acréscimo do número de camas disponíveis nas residências universitárias, mais condições nos campos desportivos, cultural e recreativo.

sexta-feira, 16 de outubro de 1992

Jornal de Notícias: Jovens Monárquicos contra Granjinhos

A recente venda, em hasta pública, do terreno dos Granjinhos, em Braga, constitui, segundo a Juventude Monárquica (JM), um "negócio" que empobrece o património municipal, limita as possibilidades de expansão do Hospital de S. Marcos e subverte a hierarquização dos interesses públicos".
Na posição que estendeu assumir sobre o caso, a JM concluiu que, na referida hasta pública, houve, afinal, "um único concorrente" e "dois grandes beneficiários", sendo estes, conforme refere, o Sporting de Braga e o presidente da Câmara, Mesquita Machado.

Enquanto a colectividade "recebe do "generoso" presidente da Câmara um óbolo imerecido e grandioso", Mesquita Machado, através de "uma engenharia financeira assaz invulgar, adquire, a título gracioso, uma apreciação na bolsa da popularidade política"observam, a propósito, os jovens monárquicos.

Com esta "transacção relâmpago", a autarquia "ofertou uma parte da cidade ao Sporting de Braga, ao arrepio de toda e qualquer moral cívica", sublinhando os jovens monárquicos ser

"indispensável" conhecer "o teor do relatório da avaliação" do terreno e "a identificação dos seus subscritores".

Isto porque, segundo a JM, das "estranhas" declarações à Imprensa do adquirente, "infere-se" que ele "comprou o referido terreno com fins absolutamente especulativos".

Para os jovens monárquicos, é de admitir que toda esta precipitada "hasta" pública teve por objectivo criar um valor fictício ao terreno em apreciação, para, mais tarde, o Ministério da Saúde o expropriar por valores muito superior ao das reais potencialidades que o mesmo possui".

quarta-feira, 14 de outubro de 1992

Jornal Opinião Pública: Entrevista a Manuel Beninger

Fala do ressurgimento da Monarquia no Norte; põe em causa esta democracia que não permite ao povo optar por uma Monarquia ou República; mas acha que, afinal, Portugal vive uma Monarquia electiva. E para além de Soares, Mesquita Machado é outro dos seus representantes. Manuel Beninger, presidente da comissão política distrital da Juventude Monárquica admite candidatar-se à Câmara Municipal e adianta que também haverá candidatura em Famalicão. Pelo menos. E fala de Vizela, que deve ser concelho.

OPINIÃO PÚBLICA (OP): A que se deve o "renascer" do Partido Popular Monárquico no distrito de Braga? Aparecem agora com grande força interventiva, especialmente em Braga...
MANUEL BENINGER (MB): "Eu acho que houve um ressurgimento de interesse monárquico em Portugal e principalmente no Norte. E um interesse sobretudo a nível da Juventude. É o caso que se constata no distrito de Braga, que partiu do zero no passado dia quatro de Fevereito e onde agora vamos conseguir eleger cinco "concelhias". Este interesse crescente é, aliás, comum a toda a Europa, com uma identificação cada vez maior das populações com as Casas Monárquicas de cada país como garante da democracia. Veja-se o caso dos países de leste".

OP: Apesar de tudo, a vida interna do PPM, não tem sido pacifica. A contestação à liderança de Nuno Cardoso da Silva é um facto. O último congresso no Porto prova isso mesmo...
MB: "Houve de facto contestação, mas eu acho-a positiva. Isso quer dizer que os monárquicos estão empenhados em modificar Portugal e estão vivos. Se estivesses amorfos a discussão não seria tão acesa e polémica, nem mesmo se proporia a extinção do partido..."

OP: De qualquer forma, os resultados do PPM nas últimas legislativas foram mesmo fracos tendo em conta o empenhamento do seu líder.
MB: Repare que o PPM desde a sua criação oficial como partido político sempre oscilou entre os 30 e 50 mil votos. A variação nunca foi muito grande. Nas últimas eleições houve mesmo um pequeno, mas significativo, crescimento.

OP: Acha que há muitas diferenças entre o PPM de Ribeiro Teles e o PPM de Nuno Cardo da Silva?
MB: "Não muito grandes. As diferenças são de liderança. Com a liderança do "grande" Ribeiro Teles, o PPM caiu numa identificação do partido ao líder e a Lisboa. Nuno Cardoso da Silva não é tão conhecido, mas conseguiu desenvolver uma dinâmica forte que conseguiu implantar o partido em muitos dos distritos. A Juventude Monárquica (JM) em Braga é um exemplo disso mesmo. è um surto explosivo que o PPM sofre neste momento e isso deve-se muito à acção de Nuno Cardoso da Silva. Foi ele quem apelou nas últimas eleições à união de todos os monárquicos, e sondagens recentes têm apontado a existência de 30 por cento de monárquicos dentro da população portuguesa..."

OP: Mas há outras organizações monárquicas. É o caso das Reais Associações, e o distrito de Braga tem uma, que não estão particularmente vocacionadas para questões políticas. O que eu quero saber é se o Manuel Beninger é mais monárquico ou mais político monárquico?
MB: "Eu sou monárquico, mas não se pode dizer que alguém seja só republicana. Numa sociedade defendem-se causas e ideias. Eu defendo a Real Associação. Não a integro, mas defendo que trabalhe e é positivo para a Monarquia que existam muitas associações, muitos movimentos e vários partidos políticos monárquicos".

OP: Isso não prejudica o PPM?
MB: "Não e por uma razão muito simples. Quanto mais se falar de Monarquia maior será o surto de monárquicos e mais se fará pela defesa da causa. Nem só de Monarquia vive o PPM, nem o povo português. Repare que para voltarmos para à monarquia só através de uma causa política. É preciso rever o artigo 290 da Constituição. Os constitucionalistas devem ter chegado ao fim do seu trabalho já um pouco cansados, o que levou a cometerem alguns erros e os últimos artigos são disso exemplo. Esse artigo não revela democracia nenhuma. Que raio de democracia é esta que não permite o povo português optar por uma Monarquia ou República. A alteração deste artigo e a possibilidade do recurso a um referendo - não nos passa pela cabeça restaurar a Monarquia recorrendo a uma revolução - que também não está previsto na nossa Constituição, são questões politicas. Há também outras causas que o PPM defende a par da Monarquia. A defesa do ambiente, da cultura, da juventude, que estão muito mal defendidas em Portugal, são outras questões políticas que preocupam o PPM".

OP: Como é que convenceria alguém a optar por uma Monarquia constitucional? Que vantagens traria ela a Portugal?
MB: "Eu acho que Portugal já vive uma Monarquia electiva. E isso porque o povo português é monárquico por excelência. Repare que quando um povo se manifesta contra um sistema destitui todos os símbolos desse sistema. Veja o caso da Alemanha pós-guerra ou as recentes revoluções no Leste. Todas as estátuas de Lenine e seus pares caíram. Em Portugal, o povo nunca destruiu os símbolos da Monarquia e dos seus Reis. A própria revolução de 5 de Outubro de 1919 foi um golpe palaciano realizado em Lisboa. Não venham dizer os republicanos que foi um golpe popular, que não foi mesmo. O povo ficou a saber depois e assumiu. Ele é apaticamente republicano. Pode-se aqui lembrar as bolsas de resistência pela Monarquia que se viu nessa altura. Para falar em 5 de Outubro, não acha mais importante o de 1143 e se comemorar a Bula Papal que reconheceu a independência do Estado português?".

OP: Faça-me então uma avaliação da República e da figura do actual presidente Mário Soares, também apontado como "Rei Soares"...
MB: "É o exemplo da Monarquia electiva. À excepção dos Estados Unidos da América, não conheço países, com regimes presidencialistas ou semi-presidencialistas, onde se fale e conheça tão bem a primeira dama como em Portugal. Já no tempo do presidente Ramalho Eanes acontecia o mesmo. Agora conhece-se o filho de Mário Soares, a filha, os netos. É uma coisa impressionante. O povo português gosta disso, mas isso não é identificável com a República".

OP: Está a querer dizer que temos um regime republicano "amonarquizado"?
MB: "Exactamente. E isso não se deve ao Presidente da República, mas acontece porque o português assim o quer. O povo português gosta de ver o símbolo do estado numa pessoa. E numa pessoa isenta que não é o caso de Mário Soares que é republicano, laico e socialista. O povo português, maioritariamente não é socialista e muito menos laico. Isso é coisa que não é. Quanto a republicano nem me parece que o próprio Dr. Mário Soares o seja, até porque ele se comporta como um monarca".

OP: Acha então os portugueses monárquicos inconsciêntes ou adormecidos?
MB: "Exactamente"

OP: Qual é o principal ponto da oposição da Juventude Monárquica relativamente ao Tratado de Maastricht. É mesmo a perda da soberania?
MB: "É claro que sim. E a par disso fica em causa a defesa e representatividade de Portugal relativamente ao exterior. De todos os países da Comunidade Europeia, Portugal é dos poucos, senão o único, que têm uma forte identidade própria e sem problemas de minorias, ao contrário dos restantes. É uma Europa que se quer identificar consigo própria".
OP: Acha que Maastricht pode fazer nascer problemas de minorias, nomeadamente étnicas?
MB: "A Europa pode tornar-se numa Jugoslávia em ponto grande".

OP: E em Portugal?
MB: "Portugal é um país de brandos costumes. O problema no nosso país é que seremos subjugados e perdermos a nossa identidade própria. Mas Maastricht deve ser vista como uma questão europeia, e não só portuguesa. Depois há o problema de que foi elaborada por políticos sem a consulta à população em geral. O que a JM defende é a realização de um referendo..."

OP: E a resposta da JM a esse referendo seria não...
MB: "Da minha parte seria não. Mas o maior interesse de referendo para Portugal reside nas explicações ao povo português das consequências positivas e negativas do Tratado de Maastricht".

OP: O grande esforço da JM no distrito de Braga na criação de novas "concelhias" é desde já um "assalto" às eleições autárquicas de 1992?
MB: "É claro que sim. A receptividade à nossa acção tem sido grande. A nossa intenção seria criar secções nos treze concelhos do distrito, que aliás deveriam ser catorze, já que Vizela também deveria ser concelho tal como o PPM sempre defendeu. Mas destes treze concelhos oficiais, há cinco onde a JM tem recebido grandes adesões. Sobretudo Braga onde já há direcção. Em Famalicão, Barcelos e Vila Verde já estão lançadas as bases. Em Guimarães espero que haja eleições ainda este ano, em Famalicão as eleições serão no início do próximo ano".

OP: Pode-se então prever candidaturas nos cinco concelhos onde existirem direcções já empossadas?
MB: "Será difícil. E isto porque a comissão política distrital tem-se empenhado fortemente no concelho de Braga. Aí sim, a concretização de uma candidatura, autónoma - a mais provável - ou em coligação, nas eleições autárquicas do próximo ano é quase uma certeza. Em Famalicão a hipótese, apesar de estar tremida, não é de excluir".

OP: Em caso de coligação, com que partido?
MB: "Com os partidos políticos mais próximos do PPM: o CDS ou o PSD. Com o PS será impossível em Braga e isto porque o PS em Braga não existe. Existe sim o partido do Eng.º Mesquita Machado.

OP: O que quer dizer com isso...?
MB: O PS em Braga é um partido dos tristes. É do Eng.º Mesquita Machado, que é mais um símbolo da monarquia electiva portuguesa.

OP: Como classifica a actuação do Eng.º Mesquita Machado na Câmara Municipal de Braga?
MB: Tem feito algumas coisas positivas, mas lamentavelmente tem tido muitas negativas. Grande parte dos seus vereadores tem feito uma política desastrosa. O vereador do transito é um exemplo; Política cultural em Braga não existe, é deplorável. É também desastroso assitir-se ao plano de expansão urbanístico actual".

OP: O Manuel Beninger admite ser o candidato do PPM, à Câmara Municipal de Braga?
MB: "As portas não estão fechadas. Já foi feita a passagem do testemunho do PPM para a JM para a preparação das eleições autárquicas. É uma hipótese a não excluir".


CANDIDATURA À CÂMARA EM PERSPECTIVA

É presidente da comissão política distrital de Braga da Juventude Monárquica (JM) e, interinamente, responsável máximo nacional pela organização juvenil do Partido Popular Monárquico (PPM), e admite ser candidato à presidência da Câmara de Braga.

Com 27 anos, Manuel Maria Beninger Simões Correia considera-se suficientemente "persistente" para continuar a lutar pelo seu partido "que há-de ser, dos mais pequenos, o maior" e para terminar o seu curso de Engenharia Civil, do qual lhe faltam apenas algumas cadeiras. Mas tese curso que agora se prepara para concluir na Universidade do Minho não é o único que consta do seu "curriculum". Manuel Beninger tem o curso geral de Conservatório e actualmente lecciona guitarra clássica na Academia de Música de Vila Verde. Foi exactamente a sua paizão pela música, com a ajuda da sua ascendência materna (austríaca), que levou este jovem nascido em Lourenço Marques a "emigrar" durante três anos, quase todos passados em Viena, onde se especializou em História da Música, e na Alemanha. O presidente da "distrital" bracarense é também apresentador de um programa diário de música clássica - claro!!! - na Rádio Universitária do Minho e já foi dirigente associativo.

Com uma "vida pacata", Manuel Beninger é católico, apostólico, romano e dá-se "maravilhosamente bem" com Deus. Considera que Portugal tem um "défice" a nível de líderes políticos. Para ele o que há agora é o fenómeno "Homus Cavacus", que em tempo de eleições consegue concentrar as atenções e os... votos. De resto, "não existe mais ninguém". Não esconde a sua tentação em "violar o princípio da Câmara Municipal de Braga e abrir o jogo democrático".

Desportivamente, Manuel Beninger, admite "torcer pelo Sporting de Braga" mas o clube de seu coração é o Futebol Clube Encouradense, da III Divisão Distrital. "Solteiro e bom rapaz", tem como tipo de mulher aquela que o consegue "aturar". Não é grande apreciador de cinema, mas sempre consegue mostrar o seu interesse por aquelas que são "boas actrizes e boas atrás..."

sábado, 10 de outubro de 1992

Jornal Público: Terreno dos Granjinhos já foram vendidos - JM corrosiva

Este assunto esteve na origem dum comunicado da Juventude Monárquica (JM), tornado público na última quarta-feira, e onde se considera que, ao ofertar ao clube "uma parte do património que é de todos os munícipes", se está perante, "apenas, a legalização do concubinato espúrio, que de há muito liga o presidente da Câmara Municipal de Braga com os interesses desportivos do clube, de que foi presidente e é sócio grado". Esta situação, acrescenta a JM, "tem sido tolerada com o silêncio comprometido dos partidos da oposição, que avalizam estas injecções de centenas de milhares de contos".

"Discordando da contumaz generosidade da Câmara Municipal para com o Sporting de Braga, entende a JM que seria muito mais coerente que o Partido Socialista, na pessoa do senhor engenheiro Mesquita Machado, apresentasse uma proposta de municipalização do clube e até o rebaptizamento de Sporting Municipal de Braga". É que "seria muito mais fácil 'administrar' os interesses do clube e até seria lógico que o senhor engenheiro Mesquita Machado, sempre que o Sporting Clube de Braga estivesse em dificuldades financeiras, pudesse lançar mais uma derrama municipal, desta feita a favor do clube de futebol municipalizado. Pela postura passada", concluem os jovens monárquicos, "estamos certos que o PSD, o CDS e o PCP, silenciosamente, aprovariam este absurdo".