Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Mantenha a calma e beba um copo com o Regime

Em época evocativa do 1º de Fevereiro, fatídico dia em que Sua Alteza Fidelíssima o Rei D. Carlos e o Príncipe Herdeiro D. Luís Filipe foram brutalmente assassinados e vivendo nós uma ausência clara de rumo para o nosso país, o PPM - Partido Popular Monárquico irá promover uma iniciativa única no panorama político nacional, relançando para a opinião pública o debate em torno da chefia de estado de Portugal.
A ideia passa por juntar várias personalidades da vida política portuguesa - monárquicos e republicanos - para que em ambiente de tertúlia possam “beber um copo” e discutir abertamente o regime.
A tertúlia “Tenha calma: beba um copo com o regime” terá lugar no próximo dia 3 de Fevereiro, sexta-feira, pelas 22h30, no bar Frágil, no Bairro Alto. A participação estará aberta à comunicação social e a toda a população que esteja interessada em debater o assunto.
Os protagonistas serão pela república o deputado socialista João Soares, o deputado do PSD Carlos Abreu Amorim, o ex-vereador da Câmara Municipal de Lisboa Tomás Vasques e o candidato do Bloco de Esquerda à Câmara Municipal de Oeiras, Francisco Silva. Pela monarquia estarão presentes o ex-deputado e membro do Conselho Monárquico da Causa Real Luís Coimbra, a dirigente do PPM Aline Gallasch-Hall, o publicitário João Gomes de Almeida e o bloguer do 31 da armada Miguel Castelo Branco.
A moderação ficará a cargo do jornalista da TVI24 Filipe Caetano.
Desta forma, os monárquicos abrem novamente a discussão sobre a chefia de regime, estando dispostos a argumentar e expor as vantagens que advogam.
Para mais informações: Aqui

Subsídios congelados? Engana-se.

Pensava eu que os subsídios tinham sido congelados?

Sim foram, mas não para todos. Ora veja.

Filhos do mesmo Deus? Uns mais, outros nem tanto...
E esta, hein?

SAS Dona Maria Adelaide faz hoje 100 anos


A Madre Teresa de Portugal é viva e é Princesa de sangue e espírito

O chefe de Estado assinou o despacho que confere a Ordem de Mérito a Maria Adelaide Manuela Amélia Micaela Rafaela de Bragança, neta do nosso Rei Dom Miguel I e Infanta de Portugal. Resistente ao nazismo, que a condenou à morte por haver acolhido em sua casa muitas pessoas perseguidas pela Gestapo, foi salva in extremis graças à intervenção do Professor Salazar. Depois, dedicou décadas à promoção da ciência e da investigação médica, antes de se consagrar, até limites inumanos de entrega, aos pobres e excluídos. Foi uma mãe para milhares de crianças: recolheu-as das ruas, vestiu-as, alimentou-as, educou-as; em suma, foi assistente social, foi enfermeira, foi cozinheira, foi lavadeira e o apoio moral e espiritual para quantos, condenados pela insensibilidade à rua e à vagabundagem, se tornaram homens e mulheres decentes. São estas as pessoas, de actos e não só de palavras, que salvam a humanidade. São estas pessoas que merecem subir aos altares dos que crêem e aos pedestais daqueles que não crêem. A Infanta Dona Adelaide, cujo aniversário centenário se celebra no próximo dia 31 é merecedora da nossa humilde e insignificante gratidão. Será, talvez, a mais importante portuguesa viva. Ao pé dela, milhões de misseiros e água-benteiros não passam de caricaturas. A Infanta é, exactamente, a Imitação de Cristo.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Monárquicos de Braga rezam pelas vítimas do regicídio - 1 de fevereiro


Um grupo de monárquicos de Braga mandou celebrar uma Missa de sufrágio por alma do rei D. Carlos e do seu filho, o príncipe Luís Filipe, no dia 1 de fevereiro, às 17h30, na Sé Catedral, anunciou em nota ao Diário do Minho.
Esta é uma forma dos defensores do regime monárquico prestarem homenagem ao antigo soberano português e ao seu filho, herdeiro do trono, evocando o assassinato ocorrido precisamente no dia 1 de fevereiro de 1908, na Praça do Comércio (hoje designado Terreiro do Paço), em Lisboa, às mãos de radicais republicanos.
De acordo com a mesma nota, preside à celebração eucarística o cónego José Paulo Abreu, vigário geral da Arquidiocese de Braga.

Diário do Minho, pág. 17

Missa por alma do Rei Dom Carlos e do Príncipe Dom Luís Filipe

Um grupo de monárquicos vai mandar celebrar Missa de Sufrágio por Sua Majestade o Rei Dom Carlos e Sua Alteza Real o Príncipe Dom Luís Filipe, no próximo dia 1 de Fevereiro.
A Eucaristia terá lugar na Igreja da Sé Catedral de Braga, pelas 17h30. Será celebrante o Reverendíssimo Senhor Cónego Doutor José Paulo Leite de Abreu, muito ilustre Vigário Geral da Arquidiocese de Braga e moderador da Cúria.

Manuel Beninger

A canção do momento! LOL

Com todo o respeito por todos os portistas e em especial pelos portistas monárquicos, como o meu amigo Fábio Reis, mas esta é irresistível…

Segundo lugar à vista!

Viva el Rei D. Duarte II !

“Quando deixar Belém, Cavaco terá direito a gabinete com secretária, a viatura com motorista e combustível.
Quando daqui a quatro anos deixar a Presidência da República, Cavaco Silva não deverá poder juntar uma subvenção política às pensões de dez mil euros brutos que agora recebe, mas vai ter direito a um gabinete com secretária e assessor da sua confiança, a um carro com motorista e combustível para serviço pessoal e ajudas de custo para as deslocações oficiais fora da área de residência.
Estes são direitos que a lei dá aos antigos chefes do Estado e que pesam um milhão de euros no orçamento do Palácio de Belém. Feitas as contas, Ramalho Eanes, Mário Soares e Jorge Sampaio custam, cada um, cerca de 300 mil euros aos cofres públicos.”

A MONARQUIA DO NORTE

Sessão solene da proclamação da Restauração da Monarquia na varanda dos Paços do Concelho de Viana do Castelo, a 20 de Janeiro de 1919, fez agora 93 anos.

A 14 de Dezembro de 1918 o major Dr. Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, Presidente da República Portuguesa, foi assassinado a tiro, ao badalar da meia-noite. A partir daqui tudo se complicou e precipitou, quase às claras. A 13 de Janeiro de 1919 estoura em Santarém uma rebelião militar republicana, prontamente esmagada pelo general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva e pelo Ministro da Guerra, tenente-coronel José Alberto da Silva Basto. O poviléu, atrito e gemebundo, assistia a tudo de olho esbugalhado fora da órbita.
Logo de seguida, num domingo radioso de sol, eclodiu a revolta monárquica na cidade do Porto, «agora ou nunca». Durante a parada militar do Monte Pedral, com contingentes de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Metralhadoras e da Guarda Nacional Republicana, às 13 horas do dia 19 de Janeiro de 1919, foi desfraldada a bandeira azul e branca, por entre vivas a Portugal, à Monarquia, ao Exército e a El-Rei Dom Manuel II, tudo sem disparar um único tiro.
Secundada por outros movimentos sediciosos, rapidamente levaram à proclamação da Restauração da Monarquia e a instauração da Junta Governativa do Reino de Portugal sob a presidência de Henrique de Paiva Couceiro, que exerceu, na realidade, o poder nas províncias do Minho, Douro, Trás-os-Montes, parte da Beira Alta e da Beira Litoral até à linha do Vouga.
Formou-se um ministério, o Governo Nacional, com figuras gradas e espírito couraçado com as razões celestes:
Coronel Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro como Ministro da Presidência, Negócios da Fazenda e Subsistências;
Capitão de Cavalaria António Adalberto Sollari Allegro, Ministro dos Negócios do Reino;
Dr. Júlio Girão Faria de Morais Sarmento (Visconde do Banho), Ministro dos Negócios Eclesiásticos, Justiça e Instrução;
Coronel João de Almeida, Ministro da Guerra, Marinha e Comunicações;
Conselheiro dr. Luís Cipriano Coelho de Magalhães, Ministro dos Negócios Estrangeiros;
Coronel eng.º Artur da Silva Ramos, Ministro das Obras Públicas, Correios e Telégrafos;
Dr. Pedro de Barbosa Falcão de Azevedo e Bourbon (Conde de Azevedo), Ministro da Agricultura, Comércio, Indústria e Trabalho.
O coronel João de Almeida, comandante militar de Aveiro, nunca chegou a tomar posse e não tardou a desmarcar-se da«restauração monárquica na presente conjuntura». Tal motivo originou a redistribuição das pastas ministeriais.
A Junta Governativa do Reino de Portugal tentou reorganizar a administração do território nomeando governadores civis para diversos distritos, cujas posse decorreram, na maioria dos casos, a 20 de Janeiro:
Tenente-coronel Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque (Conde de Mangualde) para o distrito do Porto;
Major Martinho José Cerqueira para Viana do Castelo;
Major Egas Ferreira Pinto Basto para Aveiro;
Capitão Arnaldo Ribeiro de Andrade Piçarra para Braga;
Tenente-coronel Carlos Leitão Bandeira para Bragança;
Capitão Victor Alberto Ribeiro de Menezes para Coimbra;
António de Sampaio da Cunha Pimentel para Vila Real;
Tenente-coronel Patrício Xavier de Almeida e Brito para Viseu;
Dr. António Maria de Sousa Sardinha para o distrito de Portalegre;
Coronel Firmino Teixeira da Mota Guedes como governador militar de Braga.
Ao mesmo tempo revogou inúmera legislação aprovada pelo fervor republicano desde Outubro de 1910, criou um órgão oficial, restabeleceu os símbolos da Monarquia Constitucional, a bandeira, o hino, a moeda, os selos, os feriados, a Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa de 1826 e reintroduziu o Código Administrativo de 1896.
O Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, logo no seu primeiro número publicado a 19 de Janeiro, despachou os decretos que restabeleceram a bandeira com as cores reais, o Hino da Carta e revogou «toda a legislação promulgada desde 5 de Outubro de 1910». Entrementes, prosseguiu o afã legislativo da Junta Governativa do Reino de Portugal, com o estabelecimento do livre-trânsito dos géneros alimentícios e a regulação de preços.
Os oficiais, militares e funcionários que tinham sido saneados após o 5 de Outubro foram readmitidos, promulgou uma amnistia para os exilados políticos. À frente da Divisão Militar do Porto foram mantidos o coronel João Gomes Espírito Santo e o capitão António Maria Homem de Sampaio e Mello. A maioria esmagadora das autarquias do Entre-Douro-e-Minho aceitou o facto consumando sem perturbação da ordem e proclamou a Monarquia, sem haver necessidade de nomear novas vereações. Ainda a 19 de Janeiro a restauração da Monarquia foi solenemente proclamada emViseu, São Pedro do Sul, Lamego e em Braga.
A 20 de Janeiro de 1919 o dr. José Maria Nogueira, que já era presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, aclamou a mudança do regime em sessão solene realizada nos Paços do Concelho. Com mais ou menos entusiasmo, e por entre vivas ao Rei e estralejar de fogo-de-artifício, a bandeira azul e branca foi içada em Ponte da Barca, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Melgaço, Vila Nova de Cerveira, Caminha, Guimarães, Barcelos, Vieira do Minho, Fafe, Póvoa de Lanhoso, Cabeceiras de Basto, Esposende e demais localidades minhotas, reconhecendo ipso facto a mudança de regime.
As únicas excepções registaram-se em Viana do Castelo e Valença do Minho, devido à forte presença de guarnições infectadas pelo credo republicano. Formou-se em Braga uma intrépida coluna militar comandada pelo capitão António de Sá Guimarães Júnior, acompanhado do major Martinho José Cerqueira, governador civil indigitado, e pelo coronel Alfredo Ernesto Dias Branco, comandante militar da cidade do Lima, marchou para o Alto Minho e impôs a instauração da Monarquia em Viana do Castelo, ainda a 20 de Janeiro, e em Valença no dia imediato, sem encontrar, afinal, qualquer resistência ou disparar um cartucho. Contudo, a 22 de Janeiro, as canhoneiras da Marinha republicana bombardearam a cidade de Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora, acto intimidatório, para inglês ver.
De seguida a «coluna relâmpago» do capitão Sá Guimarães marchou para o Nordeste e proclamou a restauração da realeza em Vila Real (24 de Janeiro) e em Vidago (30 de Janeiro) e, quando planeava atacar Chaves, retrocedeu primeiro para Mirandela, onde já fora antes restaurada a República, e ali sofreu o primeiro revés, sendo gravemente ferido.
A Coluna Militar Mista do Sul, comandada pelo tenente-coronel de Artilharia João Carlos da Cunha Corte-Real Machado partiu do Porto a 22 de Janeiro e proclamou a Monarquia em Ovar (23 de Janeiro), Estarreja e Albergaria-a-Velha (24 de Janeiro), sendo travada às portas de Águeda, exaurida de reforços, munições, calçado e pitança.
Por isto ou por aquilo, a Monarquia nunca foi instaurada na região Centro do País, o que tornou muito difícil a sua sobrevivência. Somente a 22 de Janeiro de 1919 a rebelião alastrou a Lisboa, com as tropas monárquicas e civis comandados pelo conselheiro Aires de Ornelas e Vasconcelos a acantonarem-se no reduto da serra de Monsanto, donde foram desalojados após violentíssimos combates e gritaria da turba espavorida, que ditaram a derrota monárquica na capital, a 24 de Janeiro. A rebelião no Sul fracassara perante a Escalada de Monsanto, sem rei nem roque.
Para operar na Régua e Lamego foi enviada a coluna monárquica capitaneada pelo major Joaquim César de Araújo Rangel, depois transferido para Trás-os-Montes e ali substituído pelo tenente-coronel Augusto de Sousa Dias, porém, já não era possível sustar o açoite das forças republicanas por muito tempo, a mata-cavalo por trancos e barrancos. A 10 de Fevereiro, apesar do denodo praticado, os republicanos conquistaram Lamego.
A Coluna Mista do Norte, agora liderada pelo major Joaquim Rangel, marchou em direcção a Mirandela, trupe que trupe, depois de receber informações que reforços republicanos iam de rota batida a caminho de Vila Flor. A 9 de Fevereiro de 1919 iniciou-se o feroz combate pela travessia do rio Tua e tomada de Mirandela, nove horas a ferro e fogo e terminou num feroz assalto corpo a corpo nas vielas da localidade, ao cair da noitinha. Com pesadas baixas de ambos os lados, a bandeira real foi ali novamente hasteada. No dia seguinte a Monarquia foi proclamada em Vila Flor, por meio de montes fragosíssimos.
Vitoriosos em Lisboa, os republicanos e o Governo da República apertaram o cerco, mobilizando voluntários civis e colunas militares comandadas pelos generais Abel Hipólito e Alberto Mimoso da Costa Ilharco em marcha forçada com destino ao Norte do País. Depois de fugazes escaramuças e recontros, em especial em Águeda e em Angeja, a breve Guerra Civil iria terminar com a derrota da hoste monárquica, com numerosos actos de valentia de parte a parte.
Os republicanos reocuparam Estarreja (11 de Fevereiro) e Oliveira de Azeméis e Ovar (12 de Fevereiro), e os combates prosseguiam ainda na Ponte de Entre-os-Rios e Paços de Ferreira. Apesar dos últimos esforços na frente de batalha em Lamego e no Vouga de Paiva Couceiro, esforçado paladino dos seus ideais, com tão parcos meios e sem bocado de pão para trincar pela soldadesca, a defesa da Monarquia e do Porto era caso de extrema complexidade, percebeu de salto que a causa estava perdida. A manta era curta, destapava os pés quando cobria a cabeça.
Porém, a Monarquia do Norte ainda persistiu até 13 de Fevereiro, altura em que o capitão de Cavalaria João Maria Ferreira Sarmento Pimentel e o capitão de Infantaria Jaime Rodolfo Novais e Silva, com razões astutas, restauraram a República na cidade do Porto, aproveitando a ausência de Paiva Couceiro e de Sollari Allegro, o que precipitou a marcha dos acontecimentos, ainda com alguns focos esporádicos de resistência monárquica aqui e ali. Aos poucos e pouco, fruto da enorme diferença de recursos, o sonho desmoronou-se e a bandeira rubra e verde foi alçada nas demais localidades.
Ainda a 13 de Fevereiro as forças realistas abandonam Vila Flor, a 14 deixaram Mirandela, retirando em direitura a Bragança. A 17 de Fevereiro foi arvorada o pendão republicano em Vila Real e no dia seguinte terminou a resistência monárquica em Macedo de Cavaleiros. A 19 de Fevereiro de 1919, o conselho de oficiais decidiu abandonar Bragança, o ultimo bastião da Monarquia, e o major Joaquim Rangel, na companha de dez oficiais, cinquenta civis e alguns labregos, atravessou a fronteira e no meio das maiores dificuldades entrou em Espanha a 20 de Fevereiro, depois de andanças por franças e araganças, a descrer da graça divina da Restauração.
Curiosamente, somente a 23 de Fevereiro de 1919 a República foi reimplantada nos Paços do Concelho de Paredes de Coura graças ao major Inácio Soares Severino de Melo Bandeira, comandante do 3.º Batalhão do Regimento de Infantaria de Valença, e ao capitão Antero Moreira da Rosa Alpedrinha, administrador do concelho de Paredes de Coura.
Consumada a derrota azul e branca, eis a leva de presos, represálias de monta, alguns assassinatos esporádicos a enviar monárquicos de presente ao Diabo, saneamento de oficiais, expulsão de funcionários, toda a série de «morras» e«mata» da folia rude da populaça urbana de Lisboa e Porto e mais partes-gagas. As enxovias dos cárceres de Lisboa (Penitenciária, Trafaria, Limoeiro, Lazareto e Forte de S. Julião da Barra), Porto (Aljube e Casa da Reclusão), Funchal, Coimbra, Braga, Ponte de Lima, abarrotaram até ao tecto.
Foram criados o Tribunal Militar Especial de Santa Clara(Lisboa) e o Tribunal Militar Especial de S. Bento (Porto) que julgaram dois mil arguidos civis e militares, em julgamentos que se prolongarem até 1921, com muitas sentenças cochichadas ao ouvido e sobrolho carregado, o látego a fustigar a canalha talassa. Ao mesmo tempo procedeu-se a um vasto saneamento da corporação militar com a expulsão de quinhentos oficiais das Forças Armadas. A República topava inimigos a cada passo, até num sorriso alarve.
O major Martinho Cerqueira, governador civil do distrito de Viana do Castelo na Monarquia do Norte, o capitão Benjamim Gomes de Amorim, natural de Arcos de Valdevez, e o sargento de Artilharia Manuel da Mota, de Viana do Castelo, foram condenados a seis anos de prisão maior celular, seguidos de dez anos de degredo ou à pena única de vinte anos de degredo. O padre Domingos Pereira, cabecilha que em Cabeceiras de Basto desfiava padres-nossos enquanto sustinha o arcabuz da guerrilha, foi condenado a tanta soma de anos, quatro em prisão maior celular, seguidos de oito em degredo, ou a quinze anos de degredo opcional.
O alferes Gualdino Ribeiro Guimarães de Passos, natural de Padornelo (Paredes de Coura), foi punido com quatro meses de prisão por despacho de 15 de Agosto de 1919, decisão que contudo foi anulada por despacho de 4 de Janeiro de 1920,«por não provada por unanimidade» as acusações de «tentar restabelecer a forma de Governo Monárquico em Portugal». Revogada em termos administrativos, depois de ter cumprido a punição.
O dr. António Antas de Barros, de Paredes de Coura, detido no Porto a 14 de Fevereiro de 1919 pelo seu envolvimento na Restauração Monárquica, foi pendurado de cabeça para baixo na Ponte Dom Luís e intimado com risco de vida a gritar “Viva a República”. Não se mostrou manso nem cordato e respondia sempre, com brios de bizarria e durante horas, com um heróico e contumaz “Viva o Rei!”. Moídos de tanta berraria, o homúnculo não cedia pela alma do Demo, foi atirado dois anos agrilhoado para o fundo do calabouço em Ponte de Lima.
António Domingos Teixeira Pinto e António de Oliveira Lima, ambos do concelho de Coura, alistaram-se igualmente sob o estandarte real, a satisfizer o dever sagrado dos seus ideais, com louváveis assomos de coragem. Obviamente, estes casos são tão-só evocativos e não esgotam a questão.
Do Alto Minho, entre outros, participaram na Monarquia do Norte o Manuel dos Passos Couta Viana, de Viana do Castelo, comandante duma bateria de artilharia em Monsanto, preso que foi no Forte de Monsanto e sucessivamente transferido para o Lazareto de Lisboa e depois para o Lazareto do Funchal, sendo de seguida demitido do Exército. João Espregueira da Rocha Páris, de Viana do Castelo, foi obrigado a exilar-se pelo seu papel na restauração monárquica. No rescaldo da mesma foram enclausurados, condenados ou saneados o poeta António de Cardielos e o eng.º José Alves Bonifácio, de Castelo de Neiva. O dr. Francisco de Abreu Pereira Maia, de Ponte de Lima, teve homiziado na Galiza durante anos.
Em Abril de 1920 o Tribunal Militar Especial, por entre alarido das trombetas, condenou os réus da Junta Governativa do Reino que estavam detidos, o conselheiro Luís de Magalhães, Visconde do Banho, Conde de Azevedo e coronel Silva Ramos, a quatro anos de ferros em penitenciária e a oitos anos de degredo, ou, em alternativa, a quinze anos de degredo para as possessões ultramarinas.
Outrossim, em Dezembro de 1920, os réus julgados à revelia e que haviam integrado a mesma Junta Governativa do Reino, no caso de Paiva Couceiro e Sollari Allegro, foram sentenciados a oito anos de prisão maior, seguidos de doze anos de degredo, ou, em alternativa a 25 anos de deportação nas colónias.
A lei de 9 de Abril de 1921 aprova uma amnistia para crimes políticos. Contudo, por decreto 29 de Abril de 1921, tais e tais, ficam proibidos de residir em território nacional pelo prazo de oitos anos, acusados de conspiração monárquica, que se viram excluídos do indulto:
Comandante Henrique Mitchell de Paiva Couceiro;
Capitão António Adalberto Sollari Allegro;
Padre Domingos Pereira;
Capitão António de Sá Guimarães Júnior;
Capitão Arnaldo Ribeiro de Andrade Piçarra;
Inspector José Baldaque Guimarães;
Aspirante Rogério Pais da Cunha Prelada;
Coronel António Teixeira da Rocha Pinto;
António Rodrigues.
Assim terminou um dos episódios mais marcantes da história política e militar do século XX português, a consumar o fado vesgo do destino, enquanto os passarinhos chilreavam recados na natureza, a dar ouvidos ao canto da sereia.

domingo, 29 de janeiro de 2012

Fé não. Pragmatismo monárquico.

Os portugueses têm um estranho vício de olhar para a monarquia como uma utopia, ou se preferirmos uma fé. Não a rejeitam com frontalidade, mas desconfiam sempre de que não é viável. Por isso digo, no nosso país não há verdadeiros republicanos, tirando aqueles que foram presidentes da república, o próprio presidente e alguns políticos que ainda o ambicionam ser. Ser ou não republicano não é sequer um tema sério - principalmente quando analisamos os 100 anos de herança deste regime em Portugal, quem é capaz dos defender?
Podem dizer-me que há vários historiadores que sempre que o tema se levanta correm de imediato às televisões a desenrolar uma série de feitos da república, nomeadamente no ensino, nos direitos das mulheres, na separação da igreja do estado e por aí adiante. Será que estes feitos são realmente da república? Ou será que são feitos de um povo e da força da modernidade? Também não aconteceram noutros países monárquicos? Parece-me que sim.
Mas voltemos ao tema. Ser monárquico hoje em dia não é nada fácil. Somos herdeiros de um passado histórico de vários bravos resistentes anti-república que em muitos casos se aprisionaram (e muitas vezes apregoaram) a um estereótipo do monárquico que ainda hoje permanece na cabeça da maioria dos portugueses. Para a maioria do povo, somos todos aristocratas ou com pretensões a tal, betinhos, católicos radicais, antiquados, estudámos em colégios e temos como grandes hobbys a tourada e o hipismo.  A verdade é que ser monárquico já não é nada disso e a única coisa que nos une enquanto monárquicos é apenas uma: achar que a chefia de estado devia estar entregue a um rei. De resto, somos todos diferentes. Muito, acreditem.
Ser monárquico no século XXI mais não é do que uma questão de pragmatismo, puro e duro. Trata-se de fazer um simples exercício de análise política e constatar que a chefia de estado deveria funcionar como uma força moderadora do regime e da sociedade, ou como o próprio presidente da república o chamou: "um provedor do povo". Fazendo esta análise e recordando a nossa história recente, verificamos facilmente que a chefia de estado republicana por e simplesmente não cumpre essa função. E porquê? É simples, porque nenhum presidente pode ser verdadeiramente independente quando dependeu não só de votos, mas também de apoios, financeiros e políticos, para chegar ao seu cargo - esses apoios, ou se preferirmos favores, mais cedo ou mais tarde são pagos e é aí que a independência do cargo se esvai no jogo político.
O Rei, pelo contrário, ao nascer Rei, tem sobre ele a responsabilidade, a educação e a independência necessária para poder ouvir verdadeiramente o povo do seu país e funcionar como um verdadeiro árbitro do sistema político democrático, sem depender de nada nem de ninguém - apenas do povo, que tem sempre o ónus do poder destituir, como já fez na história de vários países. Isto é pragmatismo político e não uma utopia. Prova disso mesmo é que funciona, principalmente nas mais antigas democracias europeias, muito mais estáveis politicamente do que a maioria das repúblicas.
Há ainda aqueles que em desespero de causa afirmam que Portugal não tem um verdadeiro Rei. Novamente estão enganados. Os monárquicos portugueses há muito que se uniram na figura do legítimo e único pretendente ao trono português, D. Duarte de Bragança. Homem de reconhecida seriedade e de grande apego ao seu país, que como todos os seus pares (o povo português) estudou, serviu no exército, opôs-se ao fascismo e foi para a guerra. Português reconhecido pela sociedade por ter abraçado várias causas, como por exemplo a de Timor e por ser uma pessoa ponderada nas suas opiniões e ainda mais nas suas acções. Um grande português, que conhece Portugal e o mundo lusófono, que está pronto a servir o seu país e que há muito é reconhecido pelo próprio estado republicano como o legítimo pretende ao nosso trono.
Como ficou provado, a monarquia é um tema pragmático e actual, que nada tem de utópico. Utopia é pensarmos que se ficar tudo na mesma o nosso Portugal consegue voltar a ser um grande país.

Real Confraria de São Teotónio: Jantar de Natal 2011


Ulisses Pauleta Rolim, Conde de Rolim e Reigada

António Meireles
Ulisses Pauleta Rolim e o Padre João de Oliveira Lopes
Ulisses Rolim e Manuel Lopes
e com Adrião Gonçalves

sábado, 28 de janeiro de 2012

Situação da pobreza nos Açores domina plenário

O combate contra a pobreza nos Açores dominou o início da sessão plenária da Assembleia Legislativa regional, que ficou marcada pelas críticas da oposição ao facto de o Governo Regional afirmar que "não há mais pobres” na região.
A interpelação parlamentar sobre esta matéria foi promovida pelo PPM para “unir consciências e vontades”. A pobreza “é um problema de todos, todos devemos ajudar e não estamos a fazer tudo o que podemos fazer”, defendeu Paulo Estêvão, deputado e líder regional do partido.
Paulo Estêvão defendeu a necessidade de apoiar idosos, jovens, desempregados e deficientes, frisando que, se faltar dinheiro, ele pode ser encontrado “esgravatando no último cais de cruzeiros ou na última campanha de promoção turística”.
Para combater a pobreza, avançou propostas como a promoção de políticas de proximidade através das juntas de freguesia, a abertura das cantinas escolares ao fim de semana e nas férias, a criação de bolsas de mérito para alunos socialmente desfavorecidos e uma rede de excedentes alimentares para distribuir pelas famílias carenciadas.
Fonte: AO

Linha do Corgo

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cavaco e a "figura triste" que fez sobre as suas pensões

Até os “camaradas” não vão à bola com o Cavaco. No Congresso dos CGTP’s, o Silva – Carvalho -, falou do outro Silva - o Cavaco-. O sindicalista deixou um reparo "à figura triste" que Cavaco Silva fez sobre as suas pensões.
Perante os apupos soltos que se ouviram da plateia, Carvalho da Silva saiu do roteiro do seu discurso para dizer que "respeitava a função e a pessoa", mas que o que estava em causa nas palavras do Presidente da República era "falta de perceção sobre a atual situação dos portugueses". E criticou o facto de Cavaco ter optado, "apesar de estar na lei", por receber as suas reformas em vez do vencimento de Presidente, o que "não dignifica" a função.

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Exportar Mais ou Importar Menos?

Por mim, por cada 1€ que o Estado gasta a apoiar as Exportações devia gastar 2 a diminuir as Importações!
Seguramente que Portugal precisa de Exportar cada vez mais para crescermos economicamente e conseguirmos pagar as nossas dividas, mas ao assistirmos a um discurso e uma prática politica quase exclusivamente focada nas exportações, perguntamos a nós mesmos se será esta a estratégia a seguir.
Para Exportar não há dúvida que em primeiro lugar temos que ter produtos competitivos, mas também é preciso que haja quem compre e ainda mais importante quem pague. Ora com a crise em curso, apesar de termos tido nos últimos meses bons indicadores, julgo que ninguém dúvida que esta tarefa será cada vez mais difícil e mais arriscada por esse Mundo fora.
Por outro lado, muito se fala e bem das exportações da Auto Europa mas já repararam que esta mesma Auto Europa é a terceira empresa que mais importa em Portugal, só ultrapassada pela Galp e pelo Gaz de Portugal? Não seria preferível que esta empresa exporta-se menos 10% mas incorporar-se no seu produto final mais 10% de produtos nacionais?
Soluções?
Porque é que o Estado não cria no INE um local on line onde torne visível a todos nós quais são as importações que fazemos semanalmente em cada sector?
Porque é que o Estado não cria um programa a que podia chamar de IMPORMENOS, para apoiar projetos vocacionados para a substituição de importações?
Porque é que o Estado não chama as diferentes Associações Profissionais, Associações de Produtores , Industriais, etc. e lhes pergunta: Como podemos ajudar?
Porque é que o Estado não chama a Grande Distribuição – Continente, Pingo Doce, e outros - e não lhes pergunta: O que precisam de nós para diminuirmos as vossas Importações?
Por outro lado porque é que o Estado não impõe melhorias na rotulagem das embalagens, onde fique bem claro para todos a verdadeira origem dos produtos comercializados?
E se quisermos ser ainda mais duros...mas se calhar apenas realistas:
Como se sabe o Petróleo é o produto que mais importamos por isso porque é que o Estado não decreta a proibição rotativa de circulação dos automóveis ligeiros particulares aos fins de semana? (1º Fim de Semana de cada mês as matriculas terminadas em 0, 1 e 2 não circulam... e por ai fora).
E se for necessário ir ainda mais longe, como julgo que sim, e havendo coragem para tal, porque não estabelecer igual tipo de proibição para os dias da semana, aqui talvez só para os automóveis ligeiros de particulares?
E porque não apoiar de forma equitativa tanto a produção, ( que já faz) como o consumo (que pouco faz) das energia alternativas, nomeadamente apoiando o transporte em bicicletas (eléctricas tb), a construção de ciclovias em todas as capitais de distrito, o transporte animal, o abate de veículos com grandes consumos, etc.?
E nós cidadãos, individualmente o que podemos /devemos fazer?
Podemos com pequenos gestos, contribuir decisivamente para a diminuição drástica das importações.
Pessoalmente tenho feito esforços para diminuir o uso do automóvel e tenho diminuído a velocidade média de circulação em viagem mas sinto que podia e devia fazer muito mais... 
Deixei por exemplo de comprar bananas importadas, passando a comprar banana da Madeira ou em alternativa outras frutas nacionais. Deixei de comprar uma marca de manteiga importada e passei a comprar manteiga nacional e muito agradecia que a verdadeira origem dos produtos fosse mais visível na rotulagem dos mesmos para poder...
Comprar Mais Portugal
e quanto a exportar, o Senhor Ministro da Economia, Dr. Álvaro Pereira que me perdoe, mas em relação aos Pasteis de Belém, os pasteis comia-os por cá, exportava só mesmo “Belém” e reimportava uma Monarquia! Todos ficávamos a ganhar.

Melhores cumprimentos
Paulo Corte-Real Correia Alves
Presidente da Mesa do Congresso e do Conselho Nacional do PPM

A menina que calou o mundo por 6 Minutos !

Todos os dias aprendemos... incluindo o que as crianças nos ensinam...
Passem e pensem naquilo que estas crianças nos dizem.

quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Intervenção de Sua Majestade em Braga


Intervenção de SAR, o Senhor Dom Duarte de Bragança, no Jantar de Reis 2012, em Braga.

Quem está no Padrão dos Descobrimentos?

Para mostrar aos netos? E os pais e os avós também não perdem nada com isso!!!!!!!!!!! 

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

CARTA AO PRESIDENTE DA REPÚBLICA*

Ex.mo Sr. Presidente da República,

Sempre os Portugueses se habituaram a ver nos chefes de Estado, tanto em monarquia como na República, não apenas a figura paternal, daquele que está com eles nos bons e maus momentos. Uma figura que pudessem identificar como protector, que combatesse com eles, e fosse à sua frente, nas guerras contra inimigos externos e internos. Que os amasse. Mas também a quem amassem, em quem vissem um exemplo de conduta e ética, de casamento feliz entre valores e conduta.
O Sr. Presidente pretendeu inserir-se nessa linha de mito, procurando transmitir de si a imagem de pessoa honesta, e última reserva moral da Nação. O Sr., porém, tem-nos grandemente decepcionado. Foi obrigado a renunciar ao seu vencimento de Presidente, em virtude uma lei que, justamente, impedia os detentores de cargos públicos de acumular vencimento com pensões. Fê-lo por isso, claramente, porque a tal foi obrigado. E escolheu o valor que maior rendimento lhe dá: a acumulação de pensões. Esperava-se do detentor da mais alta magistratura nacional o exemplo pró-activo, que o tivesse feito antes da implementação da tal lei, voluntariamente. Isto, sim, constituiria um exemplo. Isto, sim, daria um sinal aos seus concidadãos de que se identificaria com eles, e que se poderiam identificar com o senhor. Mostrou, afinal, que é um cidadão como os outros: nem melhor nem pior, que até se pauta pela conveniência pessoal, e segundo este padrão usa a lei. Tivesse-o feito, teria dado prova de sensibilidade, de generosidade, de sabedoria, de virtude cristã, de que é Presidente para servir, não para ser servido. Todavia, o cidadão, que é Presidente, que dá lições aos outros era um dos tais que acumulava, e só deixou de o fazer porque, infelizmente para ele, a tal foi legalmente obrigado.

Mais recentemente, antes da aprovação do Orçamento de Estado, manifestou apreensões quanto aos sacrifícios impostos aos cidadãos a que obriga a aplicação do mesmo. Porém, tendo tido a oportunidade de agir em consciência e em concordância com as suas declarações e apreensões, vetando-o, suscitando a fiscalização preventiva da respectiva constitucionalidade, não o fez, tendo-o promulgado liminarmente. Donde, a sensação que fica para os Portugueses é de o seu Presidente ser uma figura que custa muito dinheiro ao erário público, que fala, por vezes bem, mas que não age quando se impõe. Uma magistratura inútil, inepta, e pior, inconsequente, pois, ao falar, espera-se que aja em conformidade. E abstém-se de o fazer.  As suas últimas declarações, contudo, excederam as expectativas. O senhor disse, e cito o que vem transcrito pelos órgãos de comunicação social: "tudo somado, o que irei receber do Fundo de Pensões do Banco de Portugal e da Caixa Geral de Aposentações, quase de certeza, não vai chegar para pagar as minhas despesas, porque como sabe eu também não recebo vencimento como Presidente da República." O que o senhor recebe de pensões, acumulado, são, ao que consta, 10 042 €. A este montante acrescem outros rendimentos seus, publicamente divulgados. Não há memória de tal honestidade nas palavras de um político em Portugal, que assim mostra o íntimo da sua alma. E de tão grande afronta e insulto aos milhares e milhões de concidadãos, que vivem com 5 % mensais ou menos do que isso, e com isso têm de sustentar famílias, pagar rendas, comer, tratar da sua saúde. Ou aos que nem isso têm, pois se vêem no desemprego de longa duração. Aos que, mesmo trabalhando, têm mais despesas do que receitas, e por isso passam fome. Como podem esses Portugueses fazer face às suas despesas, se o senhor, com os seus rendimentos mensais, não consegue? Permita que lhe diga, Sr. Presidente: não será caso para pensar que, quiçá, o senhor não tem vivido acima das suas possibilidades? Não será caso para, como cidadão, fazer o mesmo que os seus concidadãos: reduzi-las?

Não há comentários possíveis à inenarrável declaração de V. Exa.. É bom que saiba, Sr. Presidente, que o sr. acabou por dar o golpe de misericórdia na já pouca confiança e ligação que os cidadãos tinham com os políticos que os têm governado.  E é em nome da liberdade de consciência e de expressão, e do sobressalto cívico que V. Exa. invocou aquando da tomada de posse para o seu segundo mandato, que, como cidadão livre, e por acaso que se identifica com a área político-ideológica da qual V. Exa. é oriunda, que apelo a que resigne ao cargo. V. Exa. deixou de ser o Presidente de todos os Portugueses. As relações entre Presidente e os seus concidadãos ficam manchadas pela vergonha, pelo sentimento da traição daquele para com estes. Deixou moral e politicamente de ter condições para tal. A menos, evidentemente, que V. Exa. tenha uma explicação para dar aos Portugueses. A menos que se tenha expressado mal, por omissão, e não se estivesse a referir às suas despesas pessoais e familiares, mas às inerentes com o cargo e o sustento dos serviços agregados à sua Casa Civil e das instalações que, por inerência de cargo, ocupa. Dou-lhe este benefício da dúvida, e honestamente tenho, como têm os meus e seus concidadãos, de considerar a hipótese do contraditório. Mas, se nada for dito da sua parte, se se mantiver o silêncio, se nada tiver a nos dizer, é minha opinião (e estou certo de que da generalidade dos Portugueses) que V. Exa. faria bem a si próprio, e a todos os Portugueses, em poupá-los a quatro longos e penosos anos deste sentimento de vergonha, até ao fim do seu mandato, resignando de imediato ao cargo de Presidente da República Portuguesa.   Com os melhores cumprimentos,
Fonte: Rui Duarte


*Texto enviado por correio electrónico para a Presidência da República: belem@presidencia.pt. Coloquei no assunto "exemplo".

Europa monárquica. E Portugal, porque não?

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

Petição a pedir a demissão de Cavaco Silva

Cerca de 12.000 pessoas já assinaram a petição online que pede a demissão do Presidente da República, considerando que perante a "falta de senso e respeito" das declarações sobre as suas pensões não reúne condições para representar os portugueses.
No texto da petição, são recordadas as declarações do chefe de Estado na sexta-feira, quando Cavaco Silva afirmou que aquilo que vai receber como reforma "quase de certeza que não vai chegar para pagar" as suas despesas.
"Estas declarações estão a inundar de estupefacção e incredulidade uma população que viu o mesmo Presidente promulgar um Orçamento de Estado que elimina o 13.º e 14.º meses para os reformados com rendimento mensal de 600 euros", lê-se no texto da petição.
Perante "tão grande falta de senso e de respeito para com a População Portuguesa", é ainda referido na petição, o Presidente da República "não reúne mais condições nem pode perante tais declarações continuar a representar a população Portuguesa".
"Peso isto bem como o medíocre desempenho do senhor Presidente da República face à sua diminuta intervenção nos assuntos fundamentais e fracturantes da sociedade portuguesa, os cidadãos abaixo assinados vêm por este modo transmitir que não se sentem representados, nem para tal reconhecem autoridade ao senhor Aníbal António Cavaco Silva e pedem a sua imediata demissão do cargo de Presidente da República Portuguesa", é ainda referido.

PPM espera "arrependimento público" de Cavaco Silva

O PPM manifestou hoje “condenação e repúdio” pelas declarações do Presidente da República relativamente ao valor das suas reformas, solidarizando-se com os que se indignaram com essas declarações, de que espera "arrependimento público"
 “Sabendo que o rei D. Carlos doava 20 por cento da sua dotação em 1892 como forma de se solidarizar com o país no âmbito do combate da crise que então o assolava, é triste ver que, 120 anos depois, o representante máximo da nação, ao invés de mostrar um esforço semelhante, como demonstração de solidariedade para com todo o povo português, queixa-se”, refere o PPM em comunicado.
O documento, assinado por Paulo Estêvão, presidente do partido, recorda que “Portugal e os seus cidadãos estão estrangulados por políticas de contenção orçamental e austeridade que deixaram uma parte significativa da população à mercê de uma forma de pobreza, em alguns casos camuflada, mas em outros, bem explícita”.
“O cidadão Aníbal Cavaco Silva, que é Presidente da República, veio dizer que a sua reforma não chegará para cobrir as suas despesas, não tendo em conta os milhares de Portugueses que são obrigados a sobreviver, pelas circunstâncias da vida e das sucessivas políticas mal geridas que o país sofreu, com uma soma muito inferior ao seu montante mencionado”, salienta o PPM.
Os monárquicos manifestam ainda a esperança de que Cavaco Silva “se arrependa publicamente daquilo que disse e restitua a dignidade ao cargo que ocupa, já que não tem contribuído com as últimas declarações para unir e dar esperança aos portugueses”.
Sexta-feira, no Porto, Cavaco Silva disse que aquilo que vai receber como reforma "quase de certeza que não vai chegar para pagar" as suas despesas, valendo-lhe as poupanças que fez, com a mulher, ao longo da vida.
Na altura, Cavaco Silva, que não aufere vencimento como Presidente da República, referiu ainda que irá receber 1.300 euros por mês da Caixa Geral de Aposentações e um montante que disse desconhecer do Fundo de Pensões do Banco de Portugal.
As declarações de Cavaco Silva provocaram uma onda de comentários na rede social, nomeadamente na própria página oficial do Chefe de Estado no Facebook.