Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Monarquia espanhola é a mais barata da Europa, diz estudo

Famílias reais de Luxemburgo e da Noruega são as mais caras. Rei da Espanha ganha R$ 400 mil, bem menos que a rainha da Holanda
A rainha da Holanda ganha cinco vezes mais que o salário anual líquido do rei Juan Carlos da Espanha, de 175.622 euros (cerca de R$ 404 mil), enquanto o monarca noruguês ganha sete vezes mais.
O orçamento da Coroa espanhola é o mais barato das monarquias europeias. Esta é uma das conclusões do relatório "O custo orçamentário das monarquias na Europa", realizado em 2011 pelo professor belga de Administração e Finanças Públicas Herman Matthijs e divulgado neste domingo na Espanha.
O estudo analisa os gastos das oito monarquias europeias - Noruega, Dinamarca, Holanda, Bélgica, Suécia, Reino Unido, Espanha e o grão-ducado de Luxemburgo - e das Presidências de França e Alemanha - as duas maiores potências republicanas do continente.
A conclusão é de que, em números proporcionais aos respectivos níveis de PIB e população, a monarquia espanhola é a mais barata, enquanto a luxemburguesa e a norueguesa são as mais caras.
Após a Espanha, o país com as menores despesas relacionadas à chefia de Estado - entre os analisados neste estudo e sempre segundo o PIB e a população - é o Reino Unido, seguido de França, Alemanha e Suécia.
Entre as nações com os orçamentos mais caros, estão Luxemburgo, Noruega, Dinamarca, Holanda e Bélgica.
Se comparados simplesmente em números absolutos, os gastos mais elevados dentre as dez chefias de Estado analisadas são os da França (112 milhões de euros), Reino Unido (45,6 milhões), Holanda (39,1 milhões), Alemanha (28,7 milhões) e Noruega (25,1 milhões), enquanto os mais baixos são da Espanha (8,4 milhões).
Quanto aos salários anuais dos chefes de Estado já descontados os impostos, os 175.622 euros do rei Juan Carlos constituem a retribuição mais baixa, enquanto o rei da Noruega é o que mais ganha (1,2 milhão de euros), seguido da rainha da Holanda (829 mil) e do grão-duque de Luxemburgo (645 mil).

Timor com herdeiro do trono

S.A.R. o Senhor D. Duarte, Duque de Bragança, único e legítimo Herdeiro do Trono de Portugal, foi distinguido de maneira especial na sua última presença em Timor-Leste. Entre outras, aquela que se seguiu em novo vôo, da Austrália, face à recusa do então Presidente da República Jorge Sampaio de ir no mesmo avião em que o Senhor D. Duarte transportava a oferta da Cruz Vermelha, um hospital.
É fácil perceber o motivo: o Sr. Presidente recearia – aliás com razão – ser obliterado pela presença do Herdeiro dos seus Reis, que os timorenses não esquecem. Timor, um Portugal longínquo, como o Estado Português da Índia, com centenas de anos, que a política subserviente do “Sr. Presidente do Conselho” face aos nossos “velhos aliados” e a um país, aliás já uma grande potência terrestre, com 20 anos de existência; como o Território Autónomo de Cabinda, directamente ligado ao Rei de Portugal, que a “exemplar” descolonização entregou ilegalmente, à R.P. de Angola com as consequentes lutas e morticínios ainda em curso. Quantos portugueses souberam da ida a Timor da S.A.R.? Outra espécie de censura.
(IN)JUSTIÇA – Mais uma vez, com a habitual frontalidade, o bastonário Marinho e Pinto tocou noutro ponto (muito) fraco da (in)justiça em Portugal: “Ajuda muito ter um juiz na família!…” (os criminosos, como é óbvio).
OS PIADÉTICOS – Há muitos por aí e alguns na rádio, em grupo, e riem:”… restaurar a Monarquia? … Não, acho melhor criar uma associação de idosos com gota!”. Aplaudo, se nos estatutos os tais forem obrigados a lubrificar as línguas, com as “gotas” de ácido úrico recolhidas aos idosos.
(Mais uma) DERROCADA – De terras, na construção de uma autoestrada. Uma casa caiu e um casal de idosos vive há oito anos ali perto dentro de um “luxuoso” contentor! (In) Justiça? Nada! E, agora o dono do terreno para onde deseja guindar o dito e os idosos?
Pignatelli Queiroz

Emma Thompson na pele de Rainha Isabel II

Conhecida pela diversidade de papéis que escolhe interpretar, Emma Thompson já foi a excêntrica e pouco atraente Nanny McPhee, bem como muitas outras personagens no mundo da Sétima Arte.
próximo grande desafio da actriz será o de interpretar a Rainha Isabel II num telefilme que pretende retratar um dos episódios mais caricatos do reinado desta monarca.
Trata-se da noite em que Isabel II foi surpreendida pela presença de um intruso no seu quarto, com quem ficou a conversar durante alguns minutos. Tal intruso conseguiu iludir o dispositivo de segurança do Palácio, visto que o segurança destacado se encontrava a passear os famosos cães da rainha.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

PPM e MPT vão disputar eleições regionais em coligação alargada a independentes


O Partido Popular Monárquico (PPM) e o Movimento Partido da Terra (MPT) anunciaram hoje o lançamento de uma coligação, aberta a independentes, para concorrer às eleições regionais que se realizam em outubro nos Açores.

O presidente do PPM, Paulo Estêvão, afirmou, numa conferência de imprensa em Ponta Delgada, que a denominada Plataforma da Cidadania, apesar de integrar dois partidos, vai "começar do zero" na preparação do seu programa eleitoral, apontando a promoção da participação política e consequente "aprofundamento da democracia" como principal objetivo.
A Plataforma da Cidadania pretende "melhorar o sistema", acrescentou Manuel Moniz, do MPT, assegurando que, se a coligação conseguir eleger deputados, o seu grupo parlamentar na Assembleia Legislativa dos Açores manterá uma "permanente ligação aos eleitores", com quem debaterá os problemas concretos.
O documento de apresentação desta coligação refere que a iniciativa visa o lançamento de um "espaço aberto a todos os cidadãos que não se reveem no atual sistema político partidário e que têm optado pela abstenção e pelo voto em branco".
Nesse sentido, a Plataforma da Cidadania pretende provocar a "primeira brecha no monopólio dos partidos políticos ao nível das legislativas regionais".
A defesa de alterações legislativas que permitam a participação de grupos de cidadãos nas eleições regionais e o combate ao desemprego, sobretudo jovem, e à pobreza são alguns dos compromissos assumidos por esta coligação, que também se manifesta preocupada com as questões ambientais e com o desenvolvimento de "políticas económicas sustentáveis" e a "reposição das igualdades e justiça social".
Na conferência de imprensa realizada em Ponta Delgada para apresentar a Plataforma da Cidadania, Paulo Estevão, que é líder nacional e regional do PPM, revelou que será candidato nas eleições regionais pelo círculo do Corvo, por onde foi eleito para o parlamento regional em 2008.

“O professor sabe o quanto é insubstituível na educação”

Paula Carqueja, mulher de armas e de causas, uma verdadeira Maria da Fonte, candidata pelo PPM nas eleições legislativas passadas pelo círculo eleitoral de Vila Real, foi entrevistada pela educare neste seu novo projecto como presidente da Associação Nacional de Professores.
Aconselho a leitura atenta da entrevista.
Força ! Continua.

Bem hajas Paula
MB

Paula Carqueja, presidente da Associação Nacional de Professores, espera que o Ministério dedique atenção à calendarização do pré-escolar e que a revisão curricular seja uma reforma "sensata".
Paula Carqueja é a primeira mulher a liderar a Associação Nacional de Professores (ANP). Assumiu o cargo em janeiro e mantém o empenho da ANP na autorregulação da profissão docente. Professora-bibliotecária na EB2,3 Adriano Correia de Oliveira, em Avintes, formadora em Tecnologias da Informação e Comunicação, e vogal da ANP de 2007 até assumir a direção, é mestre em Educação Multimédia, pós-graduada em Especialização Interdisciplinar em Direito das Crianças e doutoranda em Educação.
Na sua opinião, ainda há muito trabalho a fazer nas escolas. Acredita que a reforma curricular será uma reestruturação sensata que não conduzirá ao despedimento de professores, mas admite que a contratação de docentes caminha para uma significativa redução. Depois da revisão curricular, a presidente da ANP pede atenção do Ministério da Educação para os primeiros níveis de ensino.
A avaliação da classe deu que falar. A presidente da ANP afirma, a propósito, que faz sentido dar notas aos professores quando essa avaliação tem como objetivo "reforçar a qualidade, o rigor e a exigência". Mas avisa que não é esse o percurso para alcançar os resultados esperados. E os docentes continuam a ter um dedo apontado. "Os sucessivos governos foram imputando publicamente deveres à escola esquecendo-se de lembrar dos deveres paternais. De repente, temos uma sociedade desrespeitadora do profissional de educação, uma sociedade em que se vitimiza e culpa os docentes praticamente de tudo", refere.
EDUCARE.PT: Os sindicatos do setor educativo temem que a revisão curricular signifique despedimento de professores. Preocupada com essa situação? 
Paula Carqueja: A Associação Nacional de Professores (ANP) analisou, participou, contribuiu e manifestou a sua opinião na Assembleia da República sobre a proposta-base da revisão curricular, mas que nós entendemos denominar de redesenho curricular. Quanto a temer despedimento de professores, penso que não devemos estar tão apreensivos, pois o senhor ministro e toda a equipa têm sido perentórios nas suas afirmações ao declararem que não haverá despedimentos. Aguardamos com serenidade o assumir dos seus compromissos.
E: As propostas desta reforma curricular parecem-lhe sensatas? 
PC: A educação deve ser uma aposta decisiva para todo e qualquer governo. Este governo decidiu, e bem, preparar uma reforma curricular, alterando a carga horária das disciplinas consideradas estruturantes, centrando a aprendizagem. É evidente que seria muito mais interessante poder não hipervalorizar estas disciplinas, mas dar a todas a mesma importância. Infelizmente sabemos, através do PISA e dos resultados das provas de aferição, que ainda há muito, mas muito trabalho a fazer nas escolas, nomeadamente com um melhor desempenho dos nossos alunos. A reforma, com ajustes pontuais, será uma reforma sensata. Aliás, só o poderá ser! Foi apresentada às sociedades científicas, associações profissionais e Conselho de Escolas e foi alvo de intenso debate na comunidade.
E: O que manteria e o que mudaria?
PC: Nesta reforma, manteria a área curricular não disciplinar de Formação Cívica (com esta ou outra designação), lecionada pelo diretor de turma, e com o objetivo claro de tratar de relações humanas e sociais. Ou seja, uma área ligada à cidadania.
Incluía a disciplina TIC no 2.º e 3.º ciclos, com docentes do grupo 550 (Informática). Haveria uma continuidade no desenvolvimento de competências e literacia digital nos alunos. Fomentar-se-ia a utilização das TIC nos processos de ensino e aprendizagem e na utilização dos conhecimentos no quotidiano, tendo em conta a exigência diária do domínio das tecnologias, com a necessidade de fazermos parte da sociedade do conhecimento digital, e dos pressupostos existentes no Tratado de Lisboa.
Na disciplina de Educação Física, atendendo à importância desta área curricular na formação global do aluno, todas as aulas deveriam ser de 90 minutos (totalizando dois blocos de 90 minutos no ensino básico e secundário).
Por último, suprimia o Apoio ao Estudo em todos os níveis de ensino, autonomizando os docentes para avaliarem da necessidade de apoiar os alunos individualmente, em pequenos grupos de acordo com os seus resultados, metas e objetivos previamente definidos.
E: A avaliação da classe docente sempre foi um tema polémico. Satisfeita com o atual modelo?
PC: A avaliação da classe docente só foi um tema polémico quando com essa avaliação se procurou impor consequências (não progressão na carreira) que não decorriam diretamente do resultado da avaliação, nomeadamente a questão das quotas. Tendo em conta que a avaliação docente veio para ficar, sem dúvida que o atual modelo não é ainda o perfeito, mas realmente é melhor do que o modelo anterior. Deixou de ser tão burocrático e avassalador da atividade dos docentes nas escolas e veio trazer a pacificação tão necessária!
E: Dar notas a professores é um método que se justifica?
PC: Justifica-se quando a avaliação tem como objetivo reforçar a qualidade, o rigor e a exigência. De qualquer modo, refira-se, que não é por este caminho que se obtêm os resultados esperados. Antes, deveria haver uma aposta no envolvimento e apoio aos professores para que estes pudessem superar os problemas que sentem, na maior parte das vezes derivados dos contextos sociais, económicos e culturais em que se encontram inseridos.

E: O Estatuto da Carreira Docente está bem desenhado? O que poderia ser diferente?
PC: O Estatuto da Carreira Docente é um instrumento necessário, decisivo e orientador. No entanto, o ECD deveria antes ser um quadro de referências e o normativo das condições de trabalho dos docentes. Para além do ECD, deveria existir um código deontológico, um código de ética profissional, assumido pelos professores, através de uma entidade de autorregulação, que definisse a dimensão ética da profissão.
E: Os professores contratados terão a vida cada vez mais complicada?
PC: Não querendo ser pessimista, penso que ser professor contratado nesta fase é muito complicado: menos alunos, aumento de alunos por turma, menos horários. Logo, tudo caminha para uma diminuição significativa de contratação de mais docentes.
E: Um concurso extraordinário poderia dar-lhes algum fôlego?
PC: Parece que não. Não havendo vagas, isto é, horários disponíveis, o concurso por si só não resolveria nada. No entanto, a existência de um novo concurso, quando se está a estabilizar a rede escolar, depois das profundas alterações que ocorreram nos últimos anos, seria uma boa ocasião para reordenar as preferências de muitos dos docentes e moralizar algumas das colocações que entretanto foram realizadas.
Aliás, conforme defendemos em tempo, primeiro deveria ter sido realizada a reestruturação da rede e só depois se devia efetuar o concurso. Porém iniciou-se o processo ao contrário, primeiro os concursos e depois a alteração da rede, dando as confusões que se conhecem.
E: Os professores estão, de facto, a perder autoridade? O que se passa?
PC: Considero que há uma falta de valores generalizada na nossa sociedade. Responsabilizou-se demasiado a escola ao mesmo tempo que se desresponsabilizava os pais. Os sucessivos governos foram imputando publicamente deveres à escola esquecendo-se de lembrar dos deveres paternais. De repente, temos uma sociedade desrespeitadora do profissional de educação, uma sociedade em que se vitimiza e culpa os docentes praticamente de tudo.
Os alunos são mal-educados, a culpa é do professor!... Os alunos têm maus resultados, o professor não ensina!... Neste momento, os nossos alunos passam demasiado tempo na escola, demasiado tempo sozinhos, vivem em famílias muitas delas desestruturadas, muitas das vezes são "endeusados" e, claro, é mais fácil responsabilizar o professor, "agredi-lo", do que assumirem em conjunto que escola e família devem estar num movimento único de assunção no processo educativo e formativo do aluno. Neste processo é fundamental que cada um e, sobretudo, que a sociedade entenda o papel do professor e o papel do aluno: um tem a missão de ensinar e o outro a tarefa de aprender.
E: Há docentes agredidos nas escolas... A ANP tem recebido queixas?
PC: De facto são situações que, infelizmente, se mantêm regularmente e com uma "normalidade" preocupante. A ANP tem recebido muitas queixas e tem tentado contribuir para a superação dessas situações.
Os resultados destas queixas aparecem em relatórios desta instituição até 2009, ano em que se deu por encerrada a linha SOS Professor, por se achar que a linha tinha, até então, cumprido o seu papel - alertar o poder político e a sociedade para os acontecimentos estranhos que ocorriam nas escolas.
E: Que pode ser feito para tentar evitar esses casos?
PC: Prevenção, sensibilização e formação. Encontros com as associações de pais, pais e encarregados de educação, com equipas multidisciplinares a fim de permitir uma articulação adequada entre os diferentes atores. Claro que para isso serão necessários recursos humanos e, neste momento, as escolas estão desfalcadas, nomeadamente de psicólogos, o que complica todo um trabalho a desenvolver.
E: A educação sofrerá um significativo corte orçamental em 2012. A qualidade do ensino poderá sofrer com essa contenção?
PC: Em termos de qualidade da parte dos docentes, não. Digo um não perentório, na medida que os docentes sabem qual é o seu papel, a sua responsabilidade e a sua missão.
E: Acredita, como disse Nuno Crato, que é possível fazer mais com menos?
PC: Se falarmos na falta de recursos, claro que é impossível. Mas se falarmos em menos burocracia e mais confiança no trabalho dos professores, no seu desempenho docente, na sua missão de "ser professor", acredito que sim, que realmente é possível fazer mais, porque o professor sabe o quanto é "insubstituível" na educação.
E: A autorregulação da profissão continua a ser um dos objetivos da ANP?
PC: Sem dúvida, continuamos empenhados na concretização de um código deontológico da profissão, ou seja, a autorregulação da profissão docente. Aliás, na nossa linha editorial temos a publicação do estudo, que foi desenvolvido pelo professor doutor A. Reis Monteiro, do Centro de Investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, intitulado "Autorregulação da profissão docente - para cuidar do seu valor e dos seus valores", onde são apresentados os benefícios públicos, políticos, profissionais e pessoais. Remetendo-me apenas aos benefícios profissionais, o que posso afirmar, tomando por referência os países em que ela já existe e as profissões já autorreguladas em Portugal, contribuiu de forma decisiva para elevar o estatuto da profissão, o reforço da sua competência profissional, da sua autonomia, confiabilidade e respeitabilidade na classe e na sociedade.
E: Quais os assuntos que a ANP tem, neste momento, entre mãos?
PC: Preparar um espaço de debate com todos os associados e contar com a participação de todas as organizações profissionais para o incremento da autorregulação. Redigir e aprovar um código ético que possa vir a ser adotado pelos professores.
E: Quais as expectativas com este Ministério da Educação?
PC: Todas. Sobretudo pela forma como tem tentado dirimir alguns problemas "herdados"; como se tem envolvido com toda a comunidade educativa; como tem promovido os debates de proximidade com as escolas.
Penso que este Ministério está a preparar um ensino de futuro, com a preocupação de fornecer as ferramentas adequadas, para os nossos jovens enfrentarem o futuro no mercado de trabalho. Assim, gostaria que a reforma não ficasse só pelo documento apresentado. Espero que o Ministério dedique também a atenção devida à Educação Pré-Escolar e ao 1º Ciclo. Essa atenção deverá ter como foco principal a calendarização da educação pré-escolar e a avaliação das atividades extracurriculares (AEC) numa perspetiva de evitamento da sua "curricularização". Atenção devida à carga letiva dos alunos/crianças, ao número de horas que permanecem nos estabelecimentos de ensino, em que muitas delas ultrapassam um horário de 60 horas por semana, para dar resposta a demandas sociais.
Por outro lado, aguardamos com expectativa documentos orientadores e esclarecedores sobre os percursos escolares alternativos: Educação Especial (EA), os Currículos Alternativos (CA), os Cursos de Educação e Formação (CEF), Cursos de Ensino Profissional (CEP) e por fim os Cursos de Educação e Formação de Adultos (CEFA). Terminado este périplo sobre a reforma curricular, seria de todo valioso que o Ministério da Educação repusesse a confiança nos docentes, e, por último, que realmente a disciplina, o rigor e a dignidade voltem à escola!

Quem paga a vida de luxo do ex 1º Ministro de Portugal em Paris???

1 - Mora num bairro de luxo;
2 - Frequenta os sítios mais caros;
3 - Na zona onde mora, três ou quatro assoalhadas custam cerca de 4 mil euros mês;
4 - A Candidatura a Universidade terá sido recusada 3 vezes;
5 - Não fez exame nenhum de admissão;
6 - A forma como entrou na Universidade deixa algumas duvidas;
7 - Quem paga a vida de luxo do ex 1º Ministro de Portugal em Paris???
AQUI HÁ GATO....

«Sou burro por não ter percebido»

Marcelo Rebelo de Sousa considerou, com tom irónico, que deve ser «burro» ou que deve ser da «sua estupidez», o facto dos deputados terem concluído que fica mais caro utilizar água da torneira no Parlamento do que água engarrafada.
«Eu aí também não percebi. Não percebi, mas deve ser a minha estupidez. Estava eu convencido que é mais barata a água da torneira do que a engarrafada, apesar de haver engarrafada barata».
Marcelo Rebelo de Sousa explicou que «os deputados acham que não, por causa dos jarros», mas insistiu que não entende a posição dos parlamentares.
«Eu gostava que alguém me explicasse isso muito bem explicado para eu não ficar com a ideia de que sou burro por não ter percebido uma coisa que afinal é óbvia para os deputados, mas que para mim, modesto cidadão, não é óbvia», disse.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

EUROPA: ano 2022

Europa vai mudar nos próximos dez anos.
Eis ... a Europa de 2022.
Se você souber de outros mapas futuros do mundo, por favor, reenvie-nos. Obrigado!

Princesa Estelle, filha de Victoria e Daniel da Suécia

A princesa Estelle, filha dos príncipes Victoria e Daniel da Suécia, foi apresentada ao mundo.
Depois do rei Carlos Gustavo ter anunciado o nome, chegou a vez da casa real divulgar as primeiras imagens de Estelle, filha de Victoria e Daniel da Suécia, que nasceu no passado dia 23, no hospital de Karolinska.
Há muito que o povo sueco aguardava este momento e têm sido bastantes as mensagens de parabéns e presentes que têm chegado ao palácio. Estelle é a segunda na linha de sucessão ao trono da Suécia.
Com apenas 4 dias, a pequena princesa foi fotografada oficialmente no palácio de Haga, em Estocolmo, para ser apresentada. O casaco que a filha da princesa Victoria veste para a fotografia foi feito pela princesa Alice, avó da princesa herdeira.
Recorde-se que Estelle é o primeiro bebé real em 30 anos, a primeira filha dos príncipes da Suécia, a primeira neta dos reis Carl Gustaf e Sílvia, e a segunda herdeira do trono sueco.

Vale a pena recordar como se comportava...

...o senhor que nos governou durante seis anos e nos trouxe até ao buraco onde estamos. Vão-se sempre descobrindo bocados da verdade...

Diana de Cadaval e Charles-Philippe d'Orléans encantados com a filha.


Isabelle, a primeira filha dos duques d'Anjou, nasceu no passado dia 22 de fevereiro.

Diana de Cadaval com a filha, Isabelle

Diana de Cadaval e Charles-Philippe já levaram a filha para casa: a princesa Isabelle D'Órleans

Comunicado onde o príncipe Charles-Philippe d'Orléans, duque d'Anjou, anunciou que sua esposa, a Princesa Diana, duquesa de Anjou e Cadaval, deu à luz, no dia 22 de fevereiro de 2012, o seu primeiro filho.
A homenagem do príncipe Charles-Philippe d'Orleans à sua falecida avó Isabel, condessa de Paris.

Diana de Cadaval e o marido, o príncipe Charles-Philippe d'Orléans foram pais de Isabelle d'Orléans, no passado dia 22 de fevereiro. A bebé nasceu com 3,610 kg na Cuf Descobertas, em Lisboa e o casal esperou até ao último momento para saber se seria menino ou menina. Quatro dias depois mãe e filha tiveram alta e a duquesa de Cadaval fez questão de partilhar a sua felicidade: "Correu tudo muito bem e estou muito feliz. Ficámos muito felizes quando soubemos que era uma menina, pois o Charles-Philippe sempre desejou que assim fosse. Estamos encantados, ela é muito tranquila e bem-disposta. É muito difícil descrever a felicidade que estamos a sentir".
Também Charles-Philippe partilhava do mesmo sentimento: "Dizem que as meninas são muito ligadas ao pai [risos]. Vamos ver... Está a ser uma nova aventura, mas uma experiência fantástica. É realmente o melhor do mundo".
Recorde-se que este é o primeiro nascimento em Portugal dum filho duma duquesa de Cadaval desde que, em 1834, há 178 anos, o 6.º duque de Cadaval e sua família partiram para o exílio com o rei Dom Miguel.
O nome da bebé foi uma homenagem prestada à sua bisavó paterna.
Diana e Charles-Philippe casaram-se em Junho de 2008 na Catedral de Évora, numa cerimónia marcada pela presença de vários membros da realeza europeia.

Os Ricos que queremos e os oportunistas que não queremos.

A disparidade escandalosa no leque dos vencimentos públicos em Portugal
Não vou falar dos portugueses que têm muitos bens, pelo facto de os terem herdado e multiplicado ou por terem tido significativo êxito nas suas profissões e nas suas empresas. Esses são os que considero verdadeiramente ricos, na verdadeira acepção do termo, e que bem precisos são neste país, pois são fonte de enriquecimento da comunidade, criando emprego e desenvolvimento.
Bem diferentes daqueles que, apesar do muito dinheiro que possuem, em nada beneficiam a sociedade onde vivem. Têm dinheiro, lá isso têm, mas não são ricos, pois os seus bens são improdutivos, em nada contribuindo para o bem estar do próximo e do país, como refere o escritor moçambicano Mia Couto.
As revistas mundanas e os jornais sensacionalistas procuram muitas vezes fazer críticas mordazes a quem está na berra devido ao êxito das suas empresas ou da sua actividade profissional, quando deviam preocupar-se sim com os que têm enriquecido escandalosamente no exercício de cargos políticos ou no desempenho de funções nas Empresas do Estado.
Esses é que deviam ser o alvo das suas críticas. Mas não. Há muito medo por aí escondido e por vezes o silêncio corresponde a um torpe capital de troca disponível para recebimento de futuras vantagens. No fundo, tais escribas, não criticam, apenas lamentam não estar igualmente agarrados aos desgraçados úberes das empresas públicas.
Pela minha parte estou livre e alodial para dizer o que sinto. No Parlamento, manifestei-me contra as reformas especiais estabelecidas para os políticos e contra os aumentos dos seus vencimentos num ano em que os salários da função pública se ia manter. Por esse motivo, estou plenamente à vontade para levantar uma questão que todos podem vislumbrar sem grande esforço mental, trazendo à colação as diferenças abissais existentes no leque salarial da função pública e das empresas públicas, entre a generalidade dos trabalhadores, por um lado, e os que foram nomeados por motivações políticas para os lugares cimeiros das hierarquias, por outro.
Em Coimbra, no meu tempo de estudante, em conversas de amigos, quando saltava à baila a situação social na URSS, ficava abismado com o amplo e exagerado leque salarial que via aí existir. Na realidade, verificava-se uma enorme diferença entre os salários da gente do partido e os dos cidadãos comuns que igualmente exerciam profissões técnicas de responsabilidade, isto já para não fazer comparações desses milionários estaduais da foice e do martelo com os simples operários especializados, com os trabalhadores indiferenciados ou com os que trabalhavam na agricultura das granjas colectivas. E eu ficava chocado com essas gritantes diferenças que os meus amigos marxistas não me conseguiam explicar à luz das cartilhas conhecidas, sempre acabando por se amofinar com a minha incómoda impertinência. Pelo menos, numa economia de mercado, pensava eu na minha ingenuidade, ou alguém é muito bom, profissionalmente falando, e por essa razão aufere um vencimento fora de contexto, ou cai na tabela normal de salários, de ordenados e de vencimentos, determinados nas especificações contratuais, que nunca poderão ter diferenças escandalosas. E na função pública e nas respectivas empresas nem se fala, assim deduzia eu.
Porém, ao longo dos tempos, ficámos em Portugal com uma situação idêntica, em matéria de disparidades salariais. As diferenças imorais dos vencimentos dos titulares dos cargos, nomeados pela política, com os dos restantes trabalhadores, num país da União Europeia, são afinal parecidas com a situação de desigualdade que existia entre a gente do partido e os vulgares profissionais nos países do “Comecon”, isto é, na União Soviética e nos Países Satélites... Claro que alguns bons técnicos que estavam na vida privada e foram chamados para lugares na função pública, para beneficiar os interesses de todos nós, têm que receber um pagamento excepcional para se poderem manter ao serviço do Estado. Mas esses são casos excepcionais que se contam pelos dedos e cujas situações têm servido de cortina de fumo para a inflação galopante dos vencimentos dos gestores públicos nomeados pela partidocracia. Acresce ainda, criticar veementemente a multidão de meninecos acabados de formar, assessores com pouca ou nenhuma prática, secretárias sem currículo que se veja, entrados nos lugares por influência política e que têm vencimentos chocantes, desajustados das suas experiência e capacidade profissionais e incomportáveis num país sem tostão e a pedir à comunidade sacrifícios sem fim. Se nisto não acreditarem, vão consultar as nomeações que até há bem pouco tempo têm aparecido no Diário da República. Ainda por cima, os nomeados são quase sempre familiares de políticos no poleiro ou arredores.
Não é que esses vencimentos de favor e desajustados da situação económica do país, vão pesar grandemente na nossa dívida externa mas, mais que não seja, existe um problema de justiça relativa, pela qual os responsáveis governamentais têm que zelar, atendendo aos princípios da equidade e do equilíbrio social por que se devem pautar.
Tais atropelos nessas nomeações, sob pena de descredibilização das hierarquias, têm que acabar. Se não, temos o caldo entornado.
António Moniz Palme

"MAFALDA", A INTENSA VIDA DE UMA INFANTA DE BRAGANÇA

Livrou-se da morte por Salazar lhe ter concedido passaporte diplomático. Foi salva da deportação para a Sibéria por ter ajudado comunistas austríacos. Quando regressou a Portugal, deparou com o despovoamento intelectual da classe dirigente. Um exemplo da convivência difícil de monárquicos e católicos com o regime nos anos 50.Maria Adelaide de Bragança van Uden, neta do rei D. Miguel, morreu na sexta-feira, na Caparica. Tinha feito 100 anos a 31 de Janeiro.
Foi condecorada como Grande Oficial da Ordem de Mérito pelo Presidente da República, Cavaco Silva. Neta do rei Dom Miguel, tem uma história impar. Viveu e sofreu as duas guerras mundiais do século passado. Participou na resistência ao nazismo. Lançou inovadoras obras sociais em Porto Brandão, no início da industrialização da margem sul. "Mafalda" – nome de código na Resistência –, infanta de Bragança, foi protagonista de uma intensa vida.
"Ela nunca nos falou disso abertamente, só com a idade e com alguma pressão começou a falar, lá de vez em quando vai contando", diz Nuno van Uden, filho de Maria Adelaide de Bragança. "Disso" é o resumo de anos de risco. Correu-os seguindo o princípio de ultrapassar o temor: "Ter medo de ter medo." Na Áustria enfrentou a ocupação nazi. Com todas as consequências. Em 1944, com a sua irmã Maria Benedita foi presa e condenada à morte por ouvir a BBC. As pressões de Oliveira Salazar junto do Reich e a concessão de passaporte diplomático português salvaram-lhes a vida.
"Esteve detida durante mais de cinco meses", calcula o filho. Terão sido nove os meses de cativeiro. Então, na cela ao lado da prisão de Viena estava o conde Claus Schenk von Stauffenberg, que liderara o atentado falhado contra Hitler. "Tudo o que vi obrigou-me a empenhar-me a sério na Resistência", confirmou a Raquel Ochoa, autora da biografia A Infanta Rebelde (Oficina do Livro, 2011).
Nas mãos da Gestapo
Foi assim que passou a integrar a rede da organização O5. Se a entrada dos nazis em Viena e a anexação da Áustria, em 1938, impediram que concluísse o curso de Enfermagem no hospital de Rudolfinerhaus, a resistência ganhou um elemento determinado e corajoso. Uma activista católica formada em assistência social. "Cheguei a saber onde iam ser lançadas as armas para a nossa e outras organizações a que estava ligada", recordou no livro. Entre elas, entidades austríacas de apoio a judeus, britânicos e comunistas.
Dava apoio a clandestinos, organizava transportes de armas e alimentos que os ingleses lançavam. Tinha o nome de código "Mafalda", em homenagem a uma sua irmã já falecida. Perto do final da guerra é novamente detida pela Gestapo. No bolso de um militante comunista foi encontrado o seu número de telefone e, apesar de ter fugido da sua casa na localidade de Seebenstein, acaba por ser capturada em Viena. A repressão nazi encheu a prisão de resistentes, alguns dos quais passaram a estar detidos num hotel ocupado para este efeito pelos alemães. Foi aqui que viveu quatro meses de cárcere com inquietação e perplexidade. Não muito longe do quarto onde a encerraram estavam armazenados os registos dos militantes a eliminar pelas tropas alemãs.
"Estava muito interessada em que esta lista desaparecesse", refere no livro de Raquel Ochoa. "Por isso dei a indicação onde deveria cair a bomba." O bombardeamento foi certeiro. E a actividade de "Mafalda" ganha, assim, outros contornos, para além de resistente. A sua colaboração com os ingleses era estreita. "Há uma série de coisas que quem está na resistência tem de esquecer, porque nos interrogatórios pode ceder e pôr em causa a organização", explica Nuno van Uden. Aqui encontra a razão para que a sua mãe só de "vez em quando" se recorde deste passado. São fragmentos. Episódios. Longe de um relato.
A entrada das tropas do Exército Vermelho em Viena não lhe devolveu a liberdade. Por ser resistente não comunista e aristocrata, tinha a rota marcada: a deportação para a Sibéria. A tão desejada destruição dos arquivos nazis por uma bomba teleguiada pelas suas informações impedia, agora, a confirmação do motivo da sua prisão. No entanto, a explosão não destruíra todos os documentos. Por acaso e muita sorte, um oficial russo encontrou a ordem de prisão da Gestapo. Na ficha constavam as razões da detenção de "Mafalda": o seu relacionamento com um comunista. Dois dias antes de ser deportada, foi libertada. "Foi assim que me safei", relatou na sua biografia.Com a entrada das tropas aliadas em Viena, em liberdade numa cidade destruída, integrou as equipas da Cruz Vermelha Internacional que auxiliavam feridos e doentes. Nessa missão de enfermeira com curso inacabado, faltava-lhe a última cadeira, conheceu Nicolaas van Uden, um jovem estudante de Medicina holandês. Com ele se casou sem luxos de infanta.
A descoberta de Portugal
A África era o destino sonhado pelo casal. A Etiópia seria a primeira paragem de um percurso desejado para assistir as populações locais. Contudo, em 1948, pela primeira vez na sua vida, pisou solo português. Aterrou no aeroporto de Lisboa com o marido e dois filhos. Foi o fim do exílio. Acabam por instalar-se numa quinta em Murfacém, na Trafaria, que pertencera a Nuno Álvares Pereira.
Maria Adelaide de Bragança descobre o seu país. Um país pobre, de múltiplas carências. Visita as barracas de Porto Brandão, os galinheiros onde vivia a mão-de-obra nos primórdios da industrialização da margem sul. Cenários de muitas necessidades. De profunda miséria. Uma revelação que a incomoda. Lança uma obra social, à margem dos usos e costumes do regime. Com sentido prático e sem pose. Chamou-lhe Fundação Don Nuno Álvares Pereira. E descobre também o despovoamento intelectual do regime. Uma confrangedora falta de ideias e iniciativas para quem, nascida em 31 de Janeiro de 1912 em Saint-Jean-de-Luz, junto à fronteira hispano-francesa, sempre vivera na activa Europa central da primeira metade do século passado.
Agradecida a Salazar por a ter salvo das garras da Gestapo em 1944, vivia uma contradição pessoal. "Caiu-me muito mal saber que ele trouxe um oficial da Gestapo para ensinar a PIDE a reprimir os comunistas e todos os seus opositores", admite a Raquel Ochoa.
A sua perplexidade não é caso único entre monárquicos e católicos. "Nos anos 50, a frente política criada por Salazar começa a desfazer-se", refere o historiador Fernando Rosas. "Dessa frente faziam parte monárquicos, católicos e militares." Com o fim da II Guerra Mundial e o início das transformações económico-sociais do regime aparecem as contradições. Adelaide de Bragança anota-as na sua observação do quotidiano de dificuldades de quem ajuda em Porto Brandão. Afinal, a sua experiência na Europa central era de outras práticas sociais e de um desenvolvimento diferente.
"Como o país está a industrializar-se, tornou-se mais patente a injustiça da distribuição, à sensibilidade católica choca a pobreza", anota Fernando Rosas. A infanta não está apenas chocada. Nem reserva só para si as imagens que vê. Filma-as para despertar a consciência da gente da sociedade. São os tempos de outros "despertares" e do consumar de dissidências. "É o caso de Humberto Delgado, Norton de Matos e do padre Abel Varzim", exemplifica Rosas.
A aspiração de D. Duarte
O incómodo de Maria Adelaide tinha ainda outros motivos. Sendo neta de D. Miguel, portanto monárquica, via que o papel dos seus no regime de Oliveira Salazar não estava definido. "A política de Salazar jogou com monárquicos e republicanos, tentando reter o apoio dos monárquicos sem alienar os republicanos", refere o historiador Rui Ramos. Até porque, acrescenta, o ditador "não é monárquico nem republicano". Para ele, é indiferente a questão do regime que marcara o fim do século XIX e as primeiras duas décadas do século XX.A infanta também não desconhecia que uma hipotética restauração da monarquia não estava na agenda política do regime. Afinal, que o seu irmão Duarte nunca reinaria. "Salazar utilizou a divisão da família real entre miguelistas e constitucionalistas para conseguir o máximo consenso com o mínimo custo", alerta Ramos. E recorreu a um expediente tradicional, uma forma de controlo primária, mesmo grosseira mas eficaz. "Salazar teve sempre muito cuidado para que a família r eal não tivesse meios, de que nunca conseguisse ter autonomia financeira, pelo que não deixou que herdassem os bens de Don Manuel", acentua. Em síntese: queria a realeza "dependente e vulnerável".
Não era única a contradição pessoal de Maria Adelaide de Bragança com o regime salazarista: no seu agradecimento, enquanto "Mafalda", pela concessão do passaporte diplomático que a salvara do fuzilamento; na limitação das suas aspirações como infanta; no seu olhar crítico como cidadã. De algum modo, expressava a dúvida maiúscula de alguns sectores monárquicos. "Perguntavam-se se a melhor situação era estar ao abrigo do Estado Novo", explicita o historiador Rui Ramos. É quando no seio dos que apoiaram o regime aparecem as primeiras dúvidas.