Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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quarta-feira, 8 de abril de 2015

"DESTAQUE (Nacional): Convenção de autarcas monárquicos sábado no Porto"

A Associação Portuguesa dos Autarcas Monárquicos (APAM) realizará no próximo sábado, a sua primeira convenção nacional, no Porto.

A convenção terá as presenças entre outras personalidades, do arquitecto Ribeiro Telles, do engenheiro Francisco Calheiros (Conde de Calheiros) e ainda do advogado portuense António Moniz Palme.

Segundo a APAM, a convenção «será o culminar dos primeiros meses de trabalho desta associação». Manuel Beninger afirmou que «pretendemos unir, debater e lançar as bases de trabalho para o futuro».


A Convenção realizar-se-á no próximo sábado, dia 11 de Abril, entre as 14h00 e as 18h00, na Casa do Infante, situada na Rua da Alfândega, junto à Ribeira do Porto. O programa será o seguinte: sessão de abertura e boas vindas, intervenção de figura ilustre convidada sobre a Convenção e o ser Monárquico, Painel I – “Património e Turismo – A Economia do Futuro em Portugal”, Painel II – “Ser Autarca e Monárquico nos dias de hoje e, finalmente, a sessão de encerramento.

sábado, 13 de setembro de 2014

Um Vice-Rei do Norte, Campeão da Liberdade Democrática

O general António Elísio Capelo Pires Veloso, um simpática beirão nascido em Gouveia, partiu deste mundo, deixando um rasto de bondade, de inteireza e de valentia por todos os sítios por onde passou ao serviço da comunidade, de aquém e de além- mar, não falando já da profunda desolação na boa gente portuguesa, nomeadamente nos milhares de compatriotas que com Ele participaram nos trabalhos dos tempos conturbados anteriores ao 25 de Novembro. Era uma espécie de cavaleiro andante da Era Actual, de montante erguido em defesa da Liberdade do Povo, dos mais fracos, dos mais pobres, dos perseguidos injustamente por motivações políticas e, nomeadamente, da gente que, de sol a sol, trabalha o agros português.
Convém não esquecer que foi mandado para S. Tomé, após o 25 A, como governador daquele novo país de expressão portuguesa, onde procedeu a uma descolonização verdadeiramente exemplar, dando o peito a todos os contratempos, sem ter precisão de mandar disparar um tiro ou de marginalizar qualquer grupo, aparecendo em todas as concentrações de caracter político e não permitindo que a demagogia de determinados sectores, alguns mesmo vendidos a interesses geoestratégicos estrangeiros, criasse a necessária instabilidade que possibilitasse as suas torpes manobras. Na verdade, a sua intuição fazia que previsse antecipadamente como tais elementos iriam actuar. Sabia perfeitamente o que esse tipo de gente buscava em S. Tomé, apenas para a satisfação de simples interesses pessoais, mesmo à custa da harmonia social que, na prática, se vivia, impedindo deste modo que atirassem, naquele pequeno território, irmãos contra irmãos. Na verdade, em plena confusão, sempre poderiam semear a cizania, a discórdia e o ambiente necessário à obtenção dos seus mesquinhos fins.  E Pires Veloso estava permanentemente consciente dessa circunstância.
O seu exemplo na ajuda dos mais necessitados, tornou-o num exemplo significativo para toda a comunidade, arrastando atrás de si todos os que de boa vontade queriam fazer crescer um novo país na Liberdade, na Democracia e na Paz Social A sua actuação foi dada como exemplo pela própria Igreja e Pires Veloso foi aceite e querido pela esmagadora maioria da população, que nesse sentido se tem manifestado insistentemente.
Claro que não deixou de fazer críticas acerbadas à descolonização levada a cabo pelos camaradas de armas nos outros territórios coloniais, nomeada mente em Angola e à infame subordinação do enclave autónomo de Cabinda aos interesses de Angola e das grandes potências que tutelavam os seus dirigentes. . Igualmente o Conselho de Revolução esteve na mira das suas desabridas acusações, insurgindo-se por esse órgão parasita da Revolução de Abril, altamente responsável pelos termos da descolonização, pretender reunir, na sua mão, por motu próprio, a competência do exercício dos três poderes de soberania, executivo, legislativo e judicial, o que estava a transformar o movimento dos militares numa segunda ditadura. Prontamente saiu do Conselho de Revolução por onde aliás passou episodicamente transformando-se com essa atitude em objecto preferido de quanta perseguição se possa imaginar.  Recordo o episódio da queda do helicóptero, quando era comandante da Região Militar do Norte. O aparelho onde viajava em serviço começou a perder altura, por razões ainda hoje não esclarecidas, e inevitavelmente  ir-se-ia  espatifar no solo, provocando uma
enorme explosão que trucidaria todos os tripulantes. Porém, Pires Veloso, com um sangue frio notável, a cerca de trinta metros ou mais do solo tomou a decisão de saltar para terra. Na explosão que então se verificou,  todos morreram menos Ele. Ficou com múltiplas fracturas e escapou  devido à forma cuidadosa e pronta como foi socorrido e tratado. Esteve muito tempo entre a vida e a morte, mas sobreviveu, graças à sua coragem e ao seu poder de decisão.
Como comandante da Região Militar do Norte, meteu na ordem o exército, absolutamente minado por forças partidárias, cujos representantes serviam interesses que não eram os do País. Porém, Pires Veloso prontamente modificou tal situação com o apoio da esmagadora maioria do exército e de toda a população do Norte e do Centro do País, colocando novamente as forças armadas ao serviço da comunidade portuguesa. Foi então justamente considerado o Vice-Rei do Norte, tendo a população do País demonstrado exuberantemente estar ao seu lado na defesa da Liberdade e da Verdadeira Democracia. E a sua actuação clarividente, culminou no 25 de Novembro. tendo sido  afastado definitivamente o perigo de uma nova ditadura. Na altura, numa gigantesca manifestação na Avenida dos Aliados, no Porto, foi entregue à sua Família, pois como militar não podia estar presente, uma valiosa espada, penhor da gratidão dos portugueses de todos os estratos socias e condições.
Entrando Portugal finalmente na vida democrática, Pires Veloso soube retirar-se de cena, passando a tratar da sua agricultura, a ajudar os seus conterrâneos em todas as iniciativas para melhorar as suas vidas e a colaborar com todas as entidades de solidariedade que lhe pedissem ajuda. A sua vida foi um exemplo constante.
Ultimamente, tinha uma tertúlia, composta por gente de todas as cores políticas e de diferentes actividades profissionais, com quem se aconselhava e a quem confidenciava os seus temores pelos caminhos que a democracia portuguesa estava a levar. As reuniões com, militares de todas as armas e com políticos de todas as matizes ideológicas eram permanentes. Além da agradável convivência  que proporcionava o seu espírito aberto e sociável, ia dando recados muito concretos, referindo a necessidade de alterar a lei eleitoral, a própria organização democrática e a necessidade urgente de se por cobro à corrupção republicana que coloniza o nosso Povo. Em recente entrevista colocou mesmo a possibilidade de os Bons Portugueses fazerem um novo 25 de Abril para acabar com as causas que prejudicam e tornam infeliz a nossa gente….
Como seu amigo e seu admirador, sinto uma grande saudade por uma personalidade que se assumiu como campeão da defesa de todos os valores queridos pela maioria do povo português e que forças que não nos representam têm andado a tentar destruir. Desapareceu um autêntico CID o Campeador dos nossos tempos, que será sempre um esteio para os seus seguidores e um exemplo para os que combatem debaixo da mesma bandeira e dos mesmos princípios

António Moniz Palme-2014

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Presença de SAR D. Duarte, Duque de Bragança no debate “RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA, LUSOFONIA E FUTURO”

Recepção a S.A.R. Dom Duarte de Bragança pelos alunos do ISAG.
Visita de S.A.R. Dom Duarte de Bragança às instalações do ISAG.
Recepção a S.A.R. Dom Duarte de Bragança pela Direcção do ISAG.
Eng.º Abílio da Cunha Vilaça
O Conselho de Direcção, Dr. Joaquim Alberto Hierro Lopes (presidente), Prof. Doutora Elvira Pacheco Vieira e Eng. Abílio da Cunha Vilaça (vogais).
S.A.R. Dom Duarte Duque de Bragança com o Presidente do ISAG Senhor Vitor Costa.
Os populares monárquicos Luiz Correa de Sá e António Moniz Palme.
S.A.R. Dom Duarte de Bragança com a Dr.ª Ana Maria Príncipe, Assessora do Presidente da Conselho de Administração do Hospital São João.
César Braia e Fábio Reis - a TV Monarquia Portuguesa marcou presença no evento.
Debate subordinado ao tema “RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA, LUSOFONIA E FUTURO”.
Debate com S.A.R. Dom Duarte Duque de Bragança e Prof. Doutor António Vilar, moderado por Eng.º Abílio da Cunha Vilaça.
S.A.R. O Senhor Dom Duarte Duque de Bragança
Prof. Doutor António Vilar
MINIATUNA – Tuna Feminina do ISAG

Taisag - Tuna Académica do ISAG
SAR Dom Duarte de Bragança com a Miniatuna

quinta-feira, 16 de maio de 2013

Os Papas não são escolhidos pelos ditames da roleta - 2ª Parte


Os Papas não são escolhidos pelos ditames da roleta
O Poder Político e o Poder Religioso e a Interferência do Divino Espírito Santo

Utilizo esta expressão que pode parecer crua, mas tem a finalidade de chamar a atenção dos leitores para determinadas circunstâncias especiais que determinam a escolha do Papa.
Antes de entrarmos na eleição propriamente dita de um novo Papa, convém referir que em diversas épocas da história, para os cristãos não bastava deixar de ser perseguido e possuir Liberdade Religiosa, pois havia um outro problema que afligia a Igreja. Na verdade, o Poder Temporal invadia permanentemente o campo da competência e de actuação da Igreja, em matéria religiosa, criando conflitos gravíssimos com a Cúria Romana. Assim, não se limitava a exercer a soberania nas coisas temporais e, por sistema, imiscuía-se na esfera do exercício das funções puramente religiosas das igrejas locais, apesar de ameaçado pelos Papas com uma excomunhão ou mesmo com a aplicação desse terrível castigo. Mas tal, por vezes, não impedia nem estancava a invasão abusiva do Poder Temporal no âmbito do Religioso. Bastam alguns exemplos para se verificar a gravidade desse género de conflitos de competência. Por causa da Ordem dos Templários e das perseguições de que foram vítimas os seus membros, pelo rei francês Filipe O Belo, o Papa Bonifácio VIII foi vítima de um rapto miserável por parte de mandatários militares do soberano francês, tendo sido salvo pela valente população local. Porém essa terrível desfeita acabou por O matar, pois não resistiu às atribulações violentas sofridas e o Papa seguinte, Bento XI, que se opôs frontalmente a Felipe o Belo, mantendo a excomunhão ditada pelo Papa anterior, sucumbiu envenenado pelos esbirros do mesmo monarca.
Aliás, os cismas foram sempre ocasionados por interferências do Poder Temporal na vida da Igreja, tentando o poder político, à revelia da hierarquia religiosa, impor bispos da sua escolha para chefiar a Igreja Local, ou interferir na escolha de Papas que fizessem o seu jogo político e aceitassem de bandeja as suas vontades e caprichos.
De tal modo os Papa se viam assediados pelo Poder Temporal que, no Século Nono depois de Cristo, o Papa Leão IV mandou levantar muralhas bem sólidas à volta do Vaticano, com excepção do lado da Praça de S. Pedro. E nem calculam o número de vezes que ficaram os Papas prisioneiros dentro do Vaticano, sem poderem sair e completamente isolados da Igreja que deviam dirigir. Foi aliás esse o motivo por que, através do Tratado de Latrão, em 1929, a cidade do Vaticano se converteu num Estado Independente. Simbolicamente, o único modo de a Igreja obter o respeito e a protecção internacional dada aos estados soberanos.
Claro que os Papas, na sua Mensagem de Paz, perante os conflitos entre países e entre blocos, como aconteceu nas duas Grandes Guerras, procuravam não fechar a porta a qualquer uma das partes beligerantes, para tentarem obter um compromisso de paz que pusesse fim ao conflito e protegesse populações inteiras das desgraças das guerras. Pio XII bem tentou diplomaticamente não cortar com qualquer das trincheiras em luta, sempre esperançado em estancar o desfiar de dor e de desespero que a Guerra estava a causar. Na verdade, o dia seguinte era sempre pior do que a véspera. Assim, havia sempre esperança que o amanhã não chegasse e o pior não acontecesse. Claro que tal estratégia da Igreja, após o conflito, motivou que não católicos criticassem o Papa por não ter tomado uma posição radical contra um dos lados. Aproveitando-se da ignorância da generalidade das pessoas daquilo que na realidade aconteceu e da existência de fotografias dos Papas com representantes políticos deste ou daquela potência em conflito. No fundo, a crítica fácil para tentar denegrir a Igreja, que ainda hoje se faz ouvir.
E um pouco por todo o lado, tais situações eram criadas aos ministros da Igreja de toda a hierarquia, como aconteceu com o Beato João Paulo II, que na sua juventude até num campo de concentração esteve. Bento XVI saiu do exército para poder defender as populações contra as prepotências nazis e o actual Papa Francisco teve que conviver com o ditador Vilela da Argentina para poder exercer alguma influência nas tentativas de apaziguamento e de salvaguarda dos direitos do seu povo. Alias, em relação à presidente da Argentina, na minha perspectiva, uma boa representante do populismo corrupto da América Latina, após lhe ter feito acusações e críticas violentas em público, na defesa dos direitos dos mais pobres, o que lhe acarretou ter sido objecto de ameaças tremendas, o Cardeal Jorge Bergoglio, após ser eleito Papa, na sua nova Missão de Paz, selou tais dissensões com o chefe temporal da sua pátria com um ósculo da paz, certamente esperando que o poder político da sua terra seja influenciado pelos bons princípios da seriedade e da solidariedade cristãs. Já se sabe que foi pedido ao novo Papa que, junto do Governo Inglês, interceda pela resolução do intrincado problema das Malvinas
Mas ainda é oportuna uma pequena e significativa chamada de atenção. Pois, sendo a Igreja formada por Homens e Mulheres, acaba a mesma por adquirir as virtudes e os defeitos do complexo humano que a forma. O Vaticano é um estado, sendo o exercício de muitas funções desse estado, entregues a pessoas que por vezes acabam por não ser consideradas as adequadas para o exercício dessas mesmas funções, quer por incompetência ou mesmo por corrupção. E os chefes da Igreja têm combatido e combatem tais situações, mesmo que sejam obrigados a criticar publicamente elementos do clero e da própria hierarquia, como aconteceu com o crime de assédio sexual praticado por elementos da Igreja. Mas tal não belisca a essência da própria Igreja, formada por homens com virtudes e com defeitos. Ora, na eleição de um Papa, além dos defeitos dos membros da hierarquia, debatem-se muitas vezes diferentes princípios, formam-se grupos mais conservadores, outras mais progressistas, que se digladiam intelectualmente, tentando impor as suas concepções para a Missão da Igreja. Esses diferendos desenrolam-se do mesmo modo que na política normal. Simplesmente, na escolha de um novo Papa, existe uma circunstância diferente, decorrente da Trilogia Pai, Filho e Espírito Santo.
O Espírito Santo é a presença de Deus no mundo. É o chamado Paráclito, repito, a presença de Deus no meio dos Homens. Eu vou tentar explicar sem cometer qualquer heresia:- Quando Jesus falou aos seus discípulos durante a Ultima Ceia, anunciou que voltaria de novo independentemente da Sua Vinda no Fim dos Tempos. Pela sua intercessão, Deus concedeu aos homens, o Paráclito, isto é a descida do Espírito Santo sobre a cristandade. Pelo Mistério da Santíssima Trindade, o Espírito Santo estará no meio de nós. Durante a escolha do Papa, nas suas orações a Deus, os crentes pedem a descida do Espírito Santo, isto é do Paráclito, que ilumine os Cardeais. Apesar das suas diferentes opiniões, os eleitores, iluminados pelo Espírito Santo, escolhem o melhor Pastor para a Cristandade e para o Mundo. Assim o creio firmemente.

António Moniz Palme – 2013 (Publicado na Gazeta da Beira de 9 de Maio de 2013)

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Os Papas e o historial de perseguições aos cristãos – 1ª Parte


O Papa é o chefe da Igreja, escolhido por sufrágio dos seus eleitores, os cardeais reunidos em Conclave, órgão da Igreja convocado exactamente para essa Eleição. O Primeiro Papa foi S. Pedro, e mais 266 outros Chefes da Igreja se lhe sucederam até aos nossos tempos.
Todavia, os cristãos, como todos sabemos, viviam na clandestinidade e, quando eram apanhados a realizar práticas religiosas ou reunidos para simplesmente orar ou meditar, eram passados pelas armas, encarcerados, crucificados, queimados, deitados às feras no Coliseu ou nos anfiteatros espalhados pelo vasto Império Romano. Os primeiros Papas, na generalidade santificados pela Santa Igreja, foram perseguidos e imolados em nome da sua crença religiosa. O Primeiro Chefe da Igreja, o nosso S. Pedro, orago da minha terra natal, inaugurou a série interminável de Papas martirizados e suprimidos violentamente das suas funções.
Ora bem, até ao Imperador Constantino, os pobres cristãos, igualmente como os seus guias supremos, foram perseguidos sem dó nem piedade. Viviam em Catacumbas em diversas regiões do Império Romano, num perfeito secretismo, pois a sua religião ofendia as crenças do Estado Romano, crenças politeístas que tinham assimilado não só os deuses gregos como igualmente os deuses de todos os territórios anexados através dos tempos.
Claro que o Cristianismo, religião monoteísta, com a sua mensagem de igualdade de todos perante um Pai Comum, fosse qual fosse o seu estrato social, e de equiparação entre Homens e Mulheres, embora escandalizando os bem pensantes da época, alastrou-se num ápice por todo o Império, extravasando mesmo as suas fronteiras e influenciando decisivamente todas as comunidades onde chegava. Primeiro os escravos e a gente mais modesta e, posteriormente, a classe mais culta, acabando por ser aceite pelos mais poderosos e pelo patriciado romano. Todos abraçaram a mensagem de Jesus Cristo e a pouco e pouco tornaram-se cristãos. Na verdade, o Cristianismo era representado por um Deus cujas relações com o Homem se baseava no Amor, no Perdão, e a sua doutrina apontava a cada um a entrega total ao Bem e à Entre Ajuda e Solidariedade. Com estes princípios, numa sociedade violenta e com desigualdades profundas, o Cristianismo não podia deixar de ter o maior êxito. Deste modo, por força da pregação dos Apóstolos e dos seus Seguidores formou-se uma Igreja Católica, chefiada pelo Papa, que, de Roma, dirige mundialmente a actividade da Igreja, através de braços constituídos pelo Clero Secular, com as suas linhas hierárquicas formada por Cardeais, Bispos e Padres e pelos braços constituídos pelo Clero Regular, com as suas linhas hierárquicas formadas por Abades, Monges e Frades.
Pela lista dos Sucessores de S. Pedro, verifica-se facilmente o fim violento que tiveram muitos Papas, pois muitos acabaram por ser canonizados e considerados Santos, por terem sido considerados mártires e vítimas das suas convicções religiosas que nunca negaram.
Mas, finalmente, as perseguições aos cristãos terminaram, no Império Romano, com o Édito de Milão, da autoria do Imperador Constantino, talvez o primeiro Imperador a converter-se ao Cristianismo.
Infelizmente, nos nossos dias, as perseguições continuam, sendo assassinadas populações inteiras por professarem o cristianismo. Tanto na Ásia como em África, não há dia nenhum que não sejam martirizados e mortos cristãos por fundamentalistas que não respeitam a religião do próximo. Mas além do extremismo muçulmano e de outros credos, o poder político, em diversas partes do hemisfério, quando é incomodado pela Igreja, vai abatendo à socapa elementos da sua hierarquia e simples cristãos que se opõem às prepotências, à corrupção e às tentativas de supressão da Liberdade Religiosa. Esta situação é preocupante e resta a nós homens livres e cristãos dar o exemplo de Boa Convivência, favorecendo a harmonia entre todos os credos e orando pela Igreja do Silêncio, que ainda actualmente muito sofre.

António Moniz Palme – 2013 (Artigo publicado na Gazeta da Beira de 24 de Abril de 2013)

sábado, 13 de abril de 2013

“Depois de fugir o coelho, toma o vilão o conselho”; por António Moniz Palme


“Depois de fugir o coelho, toma o vilão o conselho”. Este conhecido provérbio, ainda hoje usado pela gente do Interior, equivale a um outro ainda mais generalizado - “Casa Arrombada Trancas à Porta” E os seus significados são bem lapidares. Pessoas existem, de tal imprudência e arrogância balofa, que não se deixam convencer por palavras, só se rendendo aos fatos consumados. Isto é, com a sua obstinação, vão causar altíssimos prejuízos e sofrimentos que poderiam ter sido facilmente evitados. Ora, como todos sabemos, andam por aí uns “lapus cuniculus” de rabo alçado a desgovernar o País e que não ouvem ninguém, nem aceitam as recomendações até de gente da mesma cor politica. Na verdade, a sua teimosia é do tamanho das próprias orelhas. Perante esta situação, quando a “coelheira” desistir, por falta de meios e de credores que abram os cordões às bolsas, teremos nós, as inocentes vítimas, batido fragorosamente no fundo.
Entretanto, os responsáveis, candidamente desenfiam-se para outras paragens, com dinheiro amealhado apesar da crise, e vão gozar os rendimentos para outros países. É o costume…! E o pobre Povo que nós somos ficará ainda mais órfão e mais desamparado.
Temos tido manifestações várias de rua, de quadrantes políticos e sociais diversos. Mas tirando a vertente folclórica, nada adiantam para a resolução dos problemas, perante as orelhas moucas a quem as mesmas se destinam. Basta olhar para o panorama político português.
Se por um lado as previsões governamentais saem sempre furadas, matando a esperança da colectividade que tem estado aberta aos sacrifícios impostos, por outro lado, até agora ninguém veio trazer soluções alternativas credíveis, a não ser frases feitas que já todos conhecemos. Não basta a austeridade, é necessário o crescimento e a expansão da nossa economia, bem como a criação de emprego, declara solenemente a oposição. Pois é, mas tal verdade de La Palisse sabemos todos nós. O que pretendemos saber é quais as artes que usarão para motivar tal crescimento. Como farão tal? Aí as pitonisas partidárias calam-se como múmias paralíticas, permanecendo completamente mudas e, logicamente, nada farão para inverter o curso dos acontecimentos. Assim, se ganharem as próximas eleições, saberemos de antemão que serão um mero “repeteco”, um autêntico “déja vue” da actuação da governação anterior.
E os que fazem mais barulho por não concordarem frontalmente com a austeridade e com os ditames europeus, não trazem igualmente à ribalta nenhuma ideia e solução viáveis, atendendo à conjuntura que nos envolve e ao espartilho económico em que nos metemos.
Para entreter o pobre cidadão, os governantes bem continuam a falar no lenitivo da reforma da sociedade, mas não mexem uma palha nesse sentido, limitando-se a cortar as pensões dos indefesos reformados e os vencimentos dos funcionários, bem como a agravar os impostos.
Pois, quanto ao estabelecimento de um tecto salarial para os políticos e gestores de empresas públicas, para dar um salutar exemplo a todos que andaram a gastar demais, isso nicles… Quanto ao corte nas regalias de actuais e antigos presidentes da república, de políticos, de deputados e de gestores, está quieto ó melga…Quanto à diminuição do número de deputados, isso não, que incomoda muita gente…, Quanto ao congelamento das contas e à apreensão dos bens dos figurões de diferentes cores partidárias que toda a gente sabe deitaram a mão aos bens alheios e não prestaram contas à colectividade, isso é politicamente incorrecto na perspectiva dos próprios… E, claro está, uma nova lei que actue sobre o enriquecimento sem causa, nem pensar…pois iria meter a ferros grande parte da politicagem…e causaria transtornos e sensaborias a muito boa gente. Lá isso é verdade mas, pelo menos e sem excepção, brotava em catadupa o comprazimento de toda a população!!!.
Perante este brilhante panorama, só nos resta pedir o valimento da Virgem Santíssima, antes de justa e legitimamente deitar a mão a um bom e profilático marmeleiro purificador....
António Moniz Palme-2013

sábado, 30 de março de 2013

Estão a matar a Alma Ferroviária


Bons Amigos:
Fui dos primeiros que lutou contra a UNICIDADE SINDICAL e contra os SANEAMENTOS na C.P., feitos pela Intersindical. Tenho criticado os Sindicatos, nomeadamente o dos Maquinistas, pelas greves a despropósito que têm feito. Agora, não podia deixar de vir a terreiro defender os ferroviários reformados, quando lhes cortaram o direito de viajar em qualquer comboio, tirando-lhes um direito que já vinha do tempo da Monarquia e que nenhum transtorno causa à C.P.
Espero que gostem do artigo
António.

A profissão de Ferroviário sempre teve, ao longo da sua história, facetas muito especiais, criando um espírito peculiar nos seus agentes, bem diferente das demais actividades profissionais. Os Ferroviários vivem o seu trabalho e o casamento com comboios e ferrovia com autêntica paixão, até ao fim das suas existências. Não fiquem chocados com tal circunstância. Quando iniciei a minha vida de ferroviário, ficava espantado quando, nas estações e depósitos, via os maquinistas a limparem com a manga do casacos os amarelos da máquina e os reformados, com o seu lenço tabaqueiro, a fazerem desaparecer possíveis manchas dos anteparos das portas das carruagens, lançando um ar crítico ao pessoal de circulação, possível responsável daquelas faltas. Na verdade, o material ferroviário fazia parte para todo o sempre das suas vidas. Comecei então a compreender melhor a mística dos Caminhos-de-Ferro e a perceber bem o espírito que decorre do romance “Os Velhos”, que na altura deu brado, da autoria do aristocrata ferroviário, D. João da Câmara. E como se deduz claramente, esses bom entendimento, principalmente com o material ferroviário, mantinha-se após a inevitável reforma. Era assim a camaradagem nos caminhos-de-ferro
Porém, o centralismo feroz feito na C.P., acabando com as Regiões que operavam com muita menos agentes e com o mínimo de burocracia, veio atenuar e destruir as virtualidades desse espírito, pois deixou de haver uma mediação permanente entre superiores e subalternos, sendo destruída uma certa cumplicidade que ao longo dos anos florescia entre todos os graus da hierarquia, apesar de possíveis injustiças e de situações de compadrio em nomeações, que por vezes aconteciam. E tal centralismo era levado a cabo para não se ver a multidão de funcionários que ocupavam enormes edifícios nas instalações ferroviárias em Lisboa e ninguém sabia em que ocupavam o tempo. Pelo que eu conhecia, passavam o tempo a escrever cartas uns aos outros, sem qualquer utilidade prática, criando permanentes impasses na solução dos problemas operacionais, isto apesar de, por vezes, terem gabinetes no mesmo andar, com portas contíguas. Daí a velha graça revisteira do Parque Mayer, que a população tanto gostava –“Se na C.P. derem cabo de um técnico por dia, por muitos anos ninguém dará conta…!
Mais tarde, outra grave machadada foi dada no modo de ser ferroviário e que desuniu a família da ferrugem, como era conhecida a colectividade ferroviária. Na verdade, a divisão da empresa dos caminhos de ferro em C.P. e REFER, sem qualquer necessidade, veio duplicar os lugares de chefia e as despesas fixas em relação aos gastos da empresa única anterior, tendo ainda o condão de criar desuniões entre ferroviários que passaram a pertencer a empresas distintas, com objectivos diferente, deixando de haver o espírito de solidariedade e de entre ajuda que, através dos tempos, sempre tinham caracterizado as suas relações laborais.
Mas, apesar das malfeitorias feitas ao espírito ferroviário, este ia resistindo, perante o continuado centralismo lisboeta, que com ele tentava acabar, pois era considerado incómodo e rebarbativo nas suas contestações e reivindicações.
Todavia o golpe final foi agora dado. Os Reformados que sempre trabalharam, recebendo menos vencimento do que em outras actividades, para gozarem de um passe de caminho de ferro mesmo após a sua reforma, vêm ser retirada essa sua regalia numa altura da vida em que já não têm condições para se poderem defender eficientemente. E essa situação de impotência vai minar-lhes as entranhas e matar-lhes a Alma. Vão estiolar e murchar como as flores. Nada poderia ser mais brutal do que a retirada do direito de viajarem nos seus comboios, quando têm tempo para o fazer. Um autêntico crime praticado contra gente indefesa.
Será bom recordar que desde a Ordem da Direcção Geral de 30 de Novembro de 1894, no tempo da Monarquia, começaram a ser dadas regalias aos ferroviários nos transportes de comboio para compensar os vencimentos baixos, os longos horários, o trabalho extraordinário à sobre posse, o excesso de calor e de frio que apanhavam, a ausência permanente do seu agregado família, enfim, a demasia de sacrifícios que a profissão lhes exigia. E as concessões, após a reforma, além de serem um lenitivo para a sua difícil vida, faziam parte de uma das cláusulas do contracto de admissão na empresa. Virem agora o Governo e a Administração tomar decisões sobre esta matéria, com efeito retroactivo, é intolerável e inconstitucional, mais que não seja. Ainda por cima, logo que os reformados não ocupem lugares nas carruagens de primeira e nos comboios mais rápidos, às horas e dias de maior movimento, qual o prejuízo para a empresa? Quando o transporte de um reformado pode prejudicar a venda de um bilhete, ainda se compreende, caso contrário não. Que prejuízo sofre a C.P. e a Refer com os passes dos reformados? Na verdade, estão a ser vítimas de uma autêntica infâmia!!!
Quando me deslocava de comboio para a Régua, para ir a julgamentos a Lamego, muitos reformados iam até ao Tua, em carruagens onde só eles viajavam, com a desculpa de irem comprar o bom pão lá feito. No fundo, iam encontrar amigos e fazer uma patuscada, gastando os últimos anos de merecido repouso da sua reforma do modo que mais lhes agradava, andar de comboio de um lado para o outro. E tal acontecia e acontece um pouco por toda a parte do Mundo Ferroviário.
A crueldade agora cometida não tem qualquer justificação, pois as empresas não sofrem prejuízos com o transporte dos reformados, feito com as devidas limitações. Como ferroviário reformado, de que me honro ser, tenho vergonha que alguém considerado responsável tenha procedido desta maneira gratuita e violenta, matando ignobilmente a Alma Ferroviária, sem qualquer proveito para as finanças das empresas e sem qualquer vantagem para a colectividade. É demais.
Ainda por cima, se tivessem legislado apenas para o doravante, ainda se podia compreender, mas tirar direitos adquiridos com disposições retroactivas, só comete tal acto quem tem pouca cabeça e não sabe o que anda a fazer.
António Moniz Palme – 2013

quarta-feira, 13 de março de 2013

SECRETISMO NA VIDA POLÍTICA, UMA RELAÇÂO INDECOROSA NUMA SOCIEDADE DEMOCRÁTICA


Desde sempre, situações houve em que os apaniguados de determinado ideário político ou crença religiosa eram ferozmente perseguidos, enfiados nas masmorras e mortos. Basta lembrar o drama dos primeiros cristãos, perseguidos pelo Império Romano, e que actuavam com inteiro secretismo, reunindo-se para orar nas célebres catacumbas, existentes em todos os cantos onde as legiões romanas dominavam. São conhecidas actualmente as de Roma e da Capadócia, para aqui invocar pelo menos as mais conhecidas. E mesmo quando ostensivamente declaravam ser cristãos e acabavam presos ou no Coliseu comidos pelas feras, os que escapavam lá se refugiavam para colectivamente e em segredo viverem os seus desgostos no bálsamo dado pela Paz de Cristo e pela religião que tão ardentemente professavam. Mais tarde, eram os judeus, transformados à força em cristãos novos, que se escondiam para a prática do seu culto, longe das vistas indiscretas, nos territórios onde imperava a Inquisição. E politicamente, nos regimes não democráticos, em que não há liberdade de reunião e de expressão, ou no caso de invasões de um país soberano por outro, respectivamente a oposição e a resistência sempre se mantêm na protectora sombra do segredo. Vejam o que aconteceu durante o domínio filipino até à Restauração, onde os que conspiravam eram perseguidos e mortos e, nos “maquis” da resistência, na França ocupada pelos Nazis, e com os elementos dos movimentos independentistas nos países soberanos metidos à força na Cortina de Ferro. Nessas situações, o Secretismo era legítimo, pois era um modo de Sobrevivência de quem se atrevia a pensar de modo diferente. Muitos outros exemplos poderiam ser dados e que infelizmente ocorrem actualmente, por todo este Mundo de Cristo, cheio de perseguições abomináveis de carácter religioso, rácico e político.
Agora, num Estado de Direito, com uma democracia institucionalizada e em que cada um, em princípio, pode dizer o que bem lhe apetece e reunir com quem lhe der na cabeça, o caso muda totalmente de figura.
Por essa razão, as seitas secretas agora existentes, num país que respeita as Liberdades Fundamentais, bem como todos os Credos professados por cada um, só podem ter uma finalidade inconfessável e ilegal. Com essas sociedades, passamos a ter uma sociedade invertida, como diria o Papa Leão XIII, em 1902, na Humanum Genus”, isto é, um poder público democrático, eleito pela comunidade, e um poder oculto, secreto, invisível aos olhos do vulgar cidadão. Um autêntico Estado Invisível e Irresponsável, desconhecido da colectividade, dentro do Estado Legítimo Democrático. Para cúmulo, com objectivos próprios que não são os objectivos do país, nem respeitam os valores vigentes por serem aceites pela maioria da população. Nem mais.
Para atingirem os seus fins, como um polvo, sub-repticiamente, os lugares chaves da administração, dos órgãos de comunicação social e das empresas públicas vão sendo preenchidos pelos elementos da seita, numa perspectiva de compadrio ou para atingirem objectivos que a generalidade do cidadão desconhece. Isto é, os membros dessa sociedade exercem uma soberania oculta sobre a sociedade reconhecida e constituída democraticamente.
E já estou como alguém de uma conhecida seita referiu:- A Nação é um grande rebanho que apenas sonha em pastar e que o pastor, ajudado por bons cães, manipulará a seu belo prazer, fazendo com que a Nação faça aquilo que ela nunca pensou. Enfim, a descarada manipulação das massas. Desde os tempos da Monarquia Liberal, por acção das seitas que actuam à revelia da vontade da maioria, a sociedade civil não mais encontrou a sua estabilidade. Basta olhar para o passado recente e podemos constatar essa triste realidade.
Os portugueses têm que deixar de actuar como carneiros e terão que corajosamente se assumir e proclamar um rotundo não aos pastores que ninguém escolheu para os lugares políticos e de gestão pública, ainda por cima, na grande maioria, uma cambada de incompetentes apesar da falsa aureola de iluminados. As próprias estruturas partidárias têm que se libertar das pressões das seitas e do poder económico que tem actuado através das mesmas. O Povo tem que acordar e não descansar comodamente à sombra da bananeira, permitindo que gente que não possui os seus valores fundamentais, faça o que muito bem lhe apetece para servir os seus interesses ocultos e, designadamente, os seus interesses económicos.
 Não acreditam neste cenário? Vejam uma das consequências da falta do nosso controlo sobre o panorama político:- a paradigmática e vertiginosa transformação da situação económica que os políticos têm quando entram na vida pública. Na realidade, mesmo passado pouco tempo, convertem-se em pessoas de teres e haveres que ninguém percebe como foram adquiridos. Portugal está farto de secretismos e da corrupção. Abaixo o ocultismo que nos domina na sombra e que rouba o pão nosso de cada dia da nossa gente e está a dar cabo da Democracia e do País.
António Moniz Palme - 2013

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Divagações sobre o Mundo Laboral e a Igreja


O Provérbio Hindu que me aconselha a falar somente quando as minhas palavras forem melhores do que o Silêncio, têm sido para mim um lema que respeito, principalmente quando as matérias são mais melindrosas. Na verdade, Confúcio tinha razão “O silêncio é um amigo que nunca nos trai”
Mas, quando constato a ignorância de muito boa gente da nossa praça sobre o papel fundamental da Igreja, na procura da melhoria das condições dos trabalhadores por conta de outrem, fico espantado e mesmo chocado com situações em que uma visível orientação anti-religiosa de uma qualquer seita secreta, provoca o esquecimento propositado de factos históricos primordiais.
Por essa razão, convém esclarecer os incautos…
No começo da industrialização europeia, em pleno “laissez faire, laissez passer”, isto é no auge do liberalismo, a doutrina de “avant-garde” que estava na moda, os políticos mais avançados e os intelectuais de então foram completamente ultrapassados pelas circunstâncias. Alguns anos seguidos de terríveis secas, na Europa, empobreceram gravemente a agricultura, atirando os rurais para a necessidade de procurar trabalho nas grandes cidades, centro das recém aparecidas indústrias, na procura de mão de obra.
Londres, para não se ir mais longe, tinha determinado parque habitacional, com um desenvolvimento adaptado à alteração lenta do aumento demográfico. Com a nova invasão de famílias inteiras, vindas dos campos, as casa não chegaram para todos os que as procuravam. As rendas, pela concorrência crescente, subiram vertiginosamente, e tal motivou o aparecimento de múltiplos bairros de lata, onde os habitantes dormiam uns em cima dos outros, ou em casas superlotadas, com pais e filhos e irmãos a utilizarem a mesma enxerga, estalando explosiva e repentinamente a consequente degradação moral e social. Ainda por cima, toda essa gente, com a deslocação do seu terrunho natal, saiu da sombra protectora da igreja, deixou de ouvir o sino orientador da sua paróquia, desenraizou-se de relações de convivência e de costumes ancestrais que lhe traziam o conforto e o necessário equilíbrio.
E os políticos mais progressistas da altura, não sabiam como pegar na situação social que se desdobrava dramaticamente perante os seus olhos. Mas, nada de interferirem nas relações estabelecidas entre patrões e operários. O governo era uma espécie de polícia que apenas actuava no não cumprimento da lei. Quem dirigia esse relacionamento era apenas e só apenas a Lei da Oferta e da Procura. Qualquer interferência nesse princípio, seria visto politicamente como um crime de lesa-majestade. E as nascentes associações de trabalhadores ainda tinham insignificante influência na vida laboral, apesar de virem a agravar progressivamente o mal estar e a agitação social. Mas, esta era uma situação apenas de polícia, assim se pensava. O facto de os trabalhadores não arranjarem local decente para dormir e tanto homens como mulheres e crianças trabalharem horas seguidas sem cessar e não ganharem o suficiente para comer o essencial, tal situação não era tratada por uma nova legislação que abarcasse esta imprevisível situação e nem, muito menos, pelo poder executivo. Essa era a verdade nua e crua. Uma incapacidade total para se ultrapassarem rígidos princípios económicos e políticos, completamente desfasados da realidade.
Até que o Papa Leão XIII não hesitou em proclamar e defender os legítimos interesses dos operários, fazendo tábua rasa do pensamento politicamente correcto da altura e que se traduzia na não interferência dos governos na vida dos cidadãos!!!.
Assim, em 1891, Sua Santidade o Papa deu à estampa a Encíclica “Rerum Novarum”, autêntica pedrada no charco daquilo que entendia a política liberal de então. Proclamando energicamente que os Estados deviam intervir a favor dos mais pobres e, consequentemente, dos mais fracos na relação laboral, apoiando a actuação dos sindicatos na defesa dos trabalhadores assalariados, proclamando uma melhor distribuição da riqueza e acentuando a função social da propriedade privada. Com a política liberal seguida na altura, o mais forte acabava sempre por escravizar o mais fraco, isto é, os que viviam do seu trabalho. No fundo, deu azo ao aparecimento dos novos princípios de Justiça e de Caridade Social, com a redução dos horários de trabalho, com a protecção das mulheres e das crianças trabalhadoras, com o princípio do salário justo, únicas vias de se obter a Ordem Moral e de se satisfazer a Exigência do Bem Comum, estabelecidas pela Doutrina da Igreja.
Com este documento, os políticos foram acordando da letargia em que se encontravam e novas correntes de opinião começaram a despontar em todos os países, revestindo a roupagem de uma democracia cristã ou de uma social democracia, ou até de um socialismo em liberdade, na peugada desta encíclica. E os governos passaram a incluir, nos seus programas, normas que defendiam os direitos dos mais fracos e dos trabalhadores È bom esclarecer que o Papa sofreu duras críticas de políticos de todas as cores que protestavam por se estar a tocar num princípio económico, escolhido politicamente pelas maiorias, e que a encíclica atacava a sacrossanta propriedade privada…
Com esta iniciativa da Igreja, a Europa que não caiu nas mãos do marxismo-leninismo, evoluiu rapidamente, criando sociedades mais justas, como reflexo das orientações da Cúria Romana.
Passados quarenta anos, em 1931, o Papa Pio XI, na Encíclica “Quadragésimo Anno”, veio afirmar os mesmos princípios, referindo que a unidade do Corpo Social não pode basear-se na luta de classes, não se podendo deixar a Livre Concorrência governar o Mundo, sem regras apropriadas. Tal era fonte de graves injustiças sociais, não se cumprindo os preceitos da Santa Madre Igreja.
A Caridade e a Justiça Social devem ser a Alma da Nova Ordem, defendida pela autoridade pública, que não pode tolerar a livre concorrência sem legislação adequada. E mais, acrescentou claramente que a acumulação do poder e dos recursos nas mãos de uns poucos, sejam privados ou públicos, que os manejam no seu exclusivo interesse, provocam, inexoravelmente, a infelicidade da colectividade. Na verdade, duras críticas ao capitalismo desenfreado e ao comunismo.
E para ultimar toda esta intervenção da Igreja, no Mundo Laboral, o Papa que convocou o Concílio Ecuménico Vaticano Segundo, Beato João XXIII, em 15 de Maio de 1961, fez publicar a Encíclica “Mater et Magistra”, que reafirma a doutrina propalada, nesta matéria, desde Leão XIII. E nela é revelada veementemente a preocupação da Igreja com a vida quotidiana da comunidade, com o seu sustento e condições de vida. Preocupa-se claramente com as exigências materiais dos Povos. No fundo o “Milagre da Multiplicação dos Pães e dos Peixes” para saciar a fome da multidão que seguia Jesus Cristo, não é mais do que a revelação do desejo da Igreja em relação ao Bem-Estar de Todos.
À Liberdade do Mercado sem regras, como se tem verificado, sucedeu-se a hegemonia económica, a sede imparável do lucro, a cobiça desenfreada do predomínio. Toda a Economia se tornou opressora, escravizando os poderes públicos aos interesses de grupos e desembocando no imperialismo internacional do dinheiro, tenha ele a cor política que tiver. A Igreja pretende que os governantes, no seu desempenho, cumpram as Regras da Justiça e da Caridade Sócial, pois sempre se preocupou com o equilibrado relacionamento do Homem com o Homem.
Esta a razão porque, como católico, cometeria uma falta grave se não evocasse o historial da Igreja, na resolução dos problemas que afligem a economia das populações, perante a situação aflitiva que actualmente vivemos.
António Moniz Palme - 2013

quinta-feira, 14 de fevereiro de 2013

FUNDAMENTALISMO RELIGIOSO


Tanto se fala de fundamentalismo e de terrorismo, que não posso deixar de fazer um pequeno comentário ao desaparecimento recente de Bin Laden. Estava nessa altura a visitar a Turquia, quando foi noticiada a sua morte, razão porque tive a possibilidade de aquilatar a reacção da população turca à notícia profusamente difundida. Contudo, penso ser necessário fazer um prévio esclarecimento. A Turquia, de forma incipiente ou não, tem um sistema democrático que permite a discussão de todos os problemas que afligem a sua comunidade, incluindo os de carácter religioso. Mustafá Kemal, depois conhecido por Ataturk, o pai dos turcos, estabeleceu, em 1923, um estado laico, democrático. A Basílica de Santa Sofia foi então transformada em Museu, podendo todas as confissões religiosas lá orar livremente, sem ninguém ser importunado.
O Papa Bento XVI, visitou Istambul e teve oposição das autoridades religiosas muçulmanas por pretender ir à Catedral de Santa Sofia, pois a sua presença ali poderia levantar o problema da ligação daquela belíssima construção `a Igreja Católica. Ainda por cima, após ter sido criticado pelo fundamentalismo árabe, por se atrever a dizer a verdade, num congresso de intelectuais, que Maomé converteu populações inteiras à ponta da espada, no regresso de Medina para onde fugiu após não ter tido êxito com o primeiro ensaio da força como meio de catequização. Na verdade, no regresso a Meca, a sua terra natal, matou todos os que se opuseram à arabização religiosa. Foi o chamado baptismo não no amor ao próximo, preconizado na sua doutrina, mas no sangue e na dor.
Pois o Papa, quando foi a Istambul, perante todos estes entraves, foi à lindíssima Mesquita Azul, onde rezou piedosamente, referindo que o Deus dos Muçulmanos era o mesmo Deus dos Cristãos. Com tal comportamento teve o imediato e profundo respeito de toda a população turca seguidora de Maomé. Pena é que a imprensa europeia muito pouco ou mesmo nada tivesse dito, talvez por orientação das seitas que na sombra mandam nos meios de comunicação.
Aliás, a religião de Maomé tem sido deturpada pelos fundamentalistas, através de interpretações literais, principalmente com base nos “Sunanah”, exemplos práticos que Maomé dava para resolver problemas religiosos concretos e que até podiam ser aceites na conjuntura social desses tempo. Essas interpretações agora trazidas à ribalta têm muitas vezes finalidades não religiosas, mas de conquista de territórios outrora considerados árabes. Nas suas purgas internas, houve um Emir, o Omíada Abdul RahMann que fugiu para o Al-Andaluz e reconstituiu lá o califado de Córdova. Ora, os Extremistas actuais proclamam que voltarão á Península Ibérica para retomar o território que então lhes pertenceu.
Os Sufitas mantiveram-se fieis à sua doutrina, pregando o Amor, a Paz e a Espiritualidade, regras que são ainda a base do ideário da maioria muçulmana. Mas, os fundamentalistas acusam os sufitas de terem sido influenciados pelos cristãos e amolecido o seu ideário. O que é certo é que os turcos ficam ofendidos quando os chamam árabes e se de qualquer modo os relacionam com o extremismo. Lá têm a sua razão. A maioria dos seguidores do Islão têm um grande respeito por Jesus Cristo, que consideram apenas um simples profeta, e pela Sua Mãe Maria Santíssima, que é venerada pelas comunidades muçulmanas.
Quando, na Turquia, tivemos notícia da morte do Bin Laden, verificámos que não houve qualquer manifestação a favor dessa tenebrosa figura, ao contrário do que aconteceu na Palestina e noutros países muçulmanos. Um companheiro nosso, no dia seguinte, foi assistir a uma sessão de orações numa Mesquita ao fim do dia. Sabiam que era estrangeiro e cristão. Nada disseram. Não houve qualquer comportamento hostil para aqueles cujos países condenavam o terrorismo. Apenas ainda duvidavam da veracidade da notícia. O que é certo é que nada pressentimos ou vimos que nos pudesse levar a pensar que era um perigo andarmos a deambular pelas ruas e pelos castiços bazares da Turquia.
Não posso deixar de concluir que em todos os países com instituições democráticas, a política tem sido o veículo, o local e um meio  de compromisso. Lá são feitas críticas ao poder e até à religião, como foi o que aconteceu com a Inquisição na Europa. Ora, na maior parte dos países árabes não existem estruturas políticas onde as discussões sistematicamente se possam desenrolar e a luz nasça do encontro e das necessárias trocas de ideias. Em muitos países muçulmanos apenas existem as mesquitas como local de encontro, onde a política e a religião se misturam para prejuízo de ambos os campos, estando qualquer diálogo condicionado pela ortodoxia religiosa fiscalizada pelas próprias paredes dos templos.
Nos países árabes que têm um laivo de democracia, existe um progresso social significativo, bem diferente do resto do mundo muçulmano. As mulheres têm direitos, podem exercer as suas actividades profissionais, começando a ser tratadas com igualdade pela lei e pelos homens, não sendo vistas como simples objectos sem qualquer vislumbre de liberdade e de dignidade.
Por outro lado, as conversões não podem perder de vista a liberdade de pensamento de cada um. E os crentes das diversas religiões, principalmente das monoteístas, sabendo que o mesmo Deus é adorado pelos crentes de outras religiões de forma diferente, terão que se abrir aos seus irmãos, quer sejam cristãos ou judeus, cujas crenças apenas têm uma roupagem diferente, muitas vezes determinada pela simples conjuntura geográfica e cultural.
António Moniz Palme - 2012

domingo, 27 de janeiro de 2013

Democracia dos tempos actuais; por António Moniz Palme


Não diz a cara com a careta - Os Partidos Políticos e o seu Estranho Conceito Actual

Utilizando uma explicação bem simples, diremos que os Partidos Políticos são grupos organizados de cidadãos que procuram intervir na vida política de cada país, exibindo no respectivo programa de acção a sua linha de pensamento. As soluções que oferecem à colectividade têm como objectivo conquistar a opinião pública, único modo de captarem o eleitorado e, consequentemente, terem acesso ao exercício do poder, participando no funcionamento das instituições. Já se sabe que, de qualquer modo, os nossos partidos políticos expressam congéneres grupos de pressão ideológicos e de interesses, existentes pela Europa fora. Feito este reparo, não posso deixar de me espantar com a grande confusão que reina, nesta matéria, na cabeça de cada um. Confusão perigosa e que coloca em risco a própria democracia já institucionalizada. Muitos tratam tais organizações políticas como um autêntico clube de futebol. E a defeituosa visão dessa realidade transforma os partidos, sem sombras de dúvida, em organizações Potenkin, como refere Fareed Zacaria, no seu livro “O Futuro da Liberdade”, isto é, em organizações blindadas, fechadas em si próprias, uma espécie de propriedade particular de meia dúzia de fulanos que gerem a organização a seu bel prazer, protegendo interesses pessoais e não admitindo a concorrência perturbadora da inovação intelectual. E se a nível nacional haverá uma certa dificuldade em fazer tal diagnóstico, a nível local, salta esta verdade pelos olhos dentro. Ora os partidos políticos, para servirem verdadeiramente a Democracia, têm que facilitar a constituição de correntes de opinião.
É esse o seu papel histórico. Para isso não se podem fechar em si mesmo, hostilizando as ideias de qualquer pessoa recém chegada ou que não esteja filiada no partido. Além do mais, este comportamento e esta mentalidade, desencadeiam desnecessárias e terríveis lutas internas, não para zelar os verdadeiros interesses do partido, isto é, para criar a dinâmica da formação de uma corrente de opinião, mas muito simplesmente para assegurar prebendas partidárias de grupos e a reserva da melhor rampa de lançamento no caso de uma vitória nas eleições. De resto, tudo passa olimpicamente ao largo. A experiência que tenho tido, nos contactos com as organizações partidárias, na tentativa de discutir problemas que afligem a agricultura ou as regras da PAC, que em 2013 entrarão em vigor, tem sido paradigmática. Tais problemas só fazem parte dos objectivos dos responsáveis partidários nos transes eleitorais. De resto, não interessa ouvir nem intrusos, nem pessoas com ideias. Esse género de gente constitui um perigo significativo para a sua estabilidade. Deste modo, os partidos estão a transformar-se em meros recipientes à espera de serem cheios com as preferências ocasionais do público, vogando ao acaso num atoleiro ideológico, incapazes de criar um espírito novo que galvanize a colectividade. Assim, o principal motor de mudanças sociais acaba por ser a pressão das massas, limitando-se os partidos a actuar por arrastamento, quando são encostados à parede, sem terem planeado antecipadamente o que é preferível globalmente para a colectividade e traindo o principal objectivo da sua existência. E tal objectivo fundamental, continuo a dizer, é constituir um alfobre dinâmico de ideias que fomente a criação de correntes de opinião que catapultem o país na senda do desenvolvimento, do progresso e do bem-estar.

António Moniz Palme - 2012