Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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sábado, 8 de junho de 2013

The United States, United Nations & African States Legal Obligations in Cabinda


U.S. President Barack Obama is on an official visit to three African countries, namely Senegal, South Africa and Tanzania within the month. The visit is intended to highlight the importance of close U.S. ties to Sub-Saharan Africa. Thus, it is appropriate to remind President Obama that the United States of America is since 1975 failing to fulfill its legal and moral obligations with regard to Cabinda and Africa at large.
Furthermore, as long as Western European nations’ very existence depends on the resources of Africa and the continued control exercised by the Western European powers over this Continent, Western European powers will never contribute to the fulfillment of international order of justice and peace! Thanks for daring to open the related link above and read its content.
Bartolomeu Capita
Charman, Cabindan National Movement

sexta-feira, 14 de dezembro de 2012

Não serão os DEMOCRATAS AMERICANOS que em África minam a justiça e paz mais do que os Republicanos ?

 
Esta questão pertinente vem de Africanos e Africano-Americanos que agora estão familiarizados com o problema de CABINDA! ANGOLA não tinha relações formais com os EUA até 1993, quando a Administração Clinton reconheceu o governo de Angola em 19 de maio de 1993. Isto equivale a dizer que os Democratas Americanos aprovam a ocupação ilegal e ilegítima de CABINDA por ANGOLA, e aprovam a pilhagem sendo infligida a esse 39.° país da OUA. Como é que os EUA nada dizem sobre um país ilegalmente ocupado, cuja produção petrolífera está prestes a atingir 2 milhões de barris por dia (além de seus diamantes, urânio, ouro, madeira, etc.) e cujos nativos são forçados a viver com menos de $1 americano por dia? Mobutu Sese Seko foi um déspota e um agente ocidental em África de quem o derrube em 1997 foi por todos nós aplaudida, na crença de que era o fim do neocolonialismo no Continente de Macongo, Mangoio e Maloango. Infelizmente, a queda de Mobutu, orquestrada pela Administração Clinton só veio a piorar a situação com mais de seis milhões de Congoleses mortos até ao momento." Os Africanos e Africano-Americanos concordam que "uma vez que há um interesse vital dos EUA em jogo naquele país ocupado, isto é, em CABINDA, os EUA são chamados a fazerem o necessário para que PORTUGAL possa finalmente assumir os seus compromissos políticos, jurídicos e morais em CABINDA.

"EUA consideram situação humanitária no Congo a mais volátil de África"

Bartolomeu Capita 

Bartolomeu Capita

terça-feira, 25 de setembro de 2012

O mortífero silêncio de Portugal sobre a ocupação colonial de Cabinda por Angola

Por detrás da crise política e do interesse internacional na Guiné-Bissau esconde-se uma espécie de "Conferência de Berlim", cujo objectivo é a redistribuição da África negra entre as potências coloniais tradicionais e as potências em emersão com grande apetite imperialista. Nessa partilha criminosa da África, em que nações inteiras e respectivos países estão a ser discretamente vendidos à potências poderosíssimas, Portugal e Angola (e mesmo a CPLP) hão de surgir na História como sendo as entidades que hipotecaram países lusófonos da África e que tornaram possível a re-escravização das populações respectivas. O mortífero silêncio de Portugal sobre a ocupação colonial de Cabinda por Angola e a crescente imponência militar angolana noutros países Africanos, assim como o assustador grau de corrupção tanto em Angola como em Portugal, sugerem que os Estados Português e Angolano estão a desempenhar um papel feíssimo, i.e. o de mercenários encarregados de facilitar a pilhagem dos países lusófonos vítimas da "venda".

Bartolomeu Capita

domingo, 27 de maio de 2012

Cabinda, um acto miserável da Descolonização - 2ª Parte

Quando em 1960 começou a guerra colonial, apareceram a público movimentos angolanos a reivindicar a independência (MPLA, FNLA e UNITA). Igualmente, em Cabinda surgiram vários movimentos, que nada tinham a ver com os angolanos, a pretender a total independência do território Cabinda. Em 1963, esses movimentos fundiram-se num único, a FLEC (Frente de Libertação do Enclave de Cabinda), chefiado por Luís Ranque Franque, que representava de facto toda a população. Em 1974, na altura do 25 de Abril, esse movimento era chefiado por Henrique Tiago N´Zita. Como já se referiu, os movimentos que pretendiam a independência de Angola nada tinham a ver com Cabinda, não tendo lá qualquer delegação nem qualquer tipo de apoiantes.
Quando se iniciou a desastrada descolonização, após a queda da Segunda República do Estado Novo, verificou-se que a mesma já tinha sido ultimada nas costas dos portugueses, fora da mesa das negociações, por alguns dos militares revolucionários que, dando cobertura às exigências da internacional comunista, não defenderam os interesses dos povos coloniais, mas sim os apetites das grandes potências, nomeadamente da União Soviética. E não pensem que estou a dar qualquer novidade. Estou a revelar o que todos sabem. Basta lerem um discurso significativo do General Galvão de Melo na Primeira Assembleia Constituinte, bem como os bem documentados livros de Almeida Santos, “Quase Memórias”, para chegarem a essa conclusão. E tais traidores dos interesses portugueses e dos povos que se pretendia libertar, tiveram o descaramento de não chamar para a mesa das negociações a FLEC, única representante da População de Cabinda, resolvendo os problemas que lhe diziam respeito à sua revelia, com os três movimentos de Angola, que nada tinham com o assunto. Foi então declarado que Cabinda era parte integrante e indivisível de Angola. Nem mais…! Os elementos da delegação portuguesa que não concordaram com a situação, que estava a ser imposta e não concertada por todas as partes interessadas, naturalmente por prosaico medo físico, não se opuseram a esta tratantada, dizendo um necessário e rotundo não e batendo energicamente o punho na mesa das negociações. E com essa posição pusilânime dos representantes portugueses, a liberdade que o Povo Cabinda vinha auferindo de facto, foi lhe criminosamente roubada. As desculpas dadas na altura para deitar areia nos olhos da esmagadora maioria dos portugueses não servem, como foi o argumento de que tudo estava já tratado e nada havia a fazer. Tudo muito bonito. Não havia exército para fazer cumprir o que quer que fosse, é bem verdade. Na realidade, o que dele restava, gravemente contaminado politicamente, estava manietado pelas instruções da internacional comunista e até, em alguns casos, foram entregues as próprias armas ao inimigo do passado, antes de qualquer negociação oficial. Uma vergonha. Apesar de tal, nada deviam ter assinado, fossem qual fossem as desculpas. Assinando, hipotecaram a liberdade de toda uma população que tinha convivido fraternalmente com os portugueses e, para cúmulo, tinha confiado no Estado Português e no conteúdo do Tratado de Simulambuco, bem como nos princípios aceites pelo mundo civilizado que queria a emancipação colonial. Uma infâmia. Esses intelectuais de pacotilha nem sequer se lembraram do determinado na Carta das Nações Unidas, no seu Art.º 73, que estabelecia o compromisso de serem tomadas em consideração as aspirações políticas das populações. Aliás o Decreto-lei nº 203/74 de 15 de Maio, determinava claramente que os Territórios do Ultramar Português deviam poder decidir sobre o seu futuro, respeitando-se o princípio da autodeterminação. Eu sei que os negociadores  podem dizer que não queriam cumprir a letra de uma Constituição elaborada durante o regime que tinha sido derrubado. Mas, até à entrada em vigor de uma nova Constituição, era a de 1933 que tinha que ser aplicada nos casos duvidosos. Ora, nas Garantias Fundamentais, é citada Cabinda de maneira totalmente distinta de cada uma das outras parcelas coloniais, nomeadamente de Angola. Mas perdurou a vontade de Rosa Coutinho que infelizmente não chegou a ser julgado por um Tribunal Internacional, porque entretanto morreu, não respondendo neste mundo pelos actos contra os direitos humanos que andou a planear e a perpetrar contra populações indefesas. Mas não falemos do lastimável almirante.
Que fazer perante a situação de facto existente e que tirou a liberdade a toda uma população? Como proceder agora para tentar conquistar essa liberdade? A actual situação envergonha toda a comunidade portuguesa e enxovalha a nossa história, tirando a respeitabilidade e a credibilidade a Portugal. Assim sendo, teremos que reagir como fizemos com Timor até se obter a sua independência. Teremos que pressionar a opinião pública mundial e os organismos internacionais até os mesmos abrirem as portas ao desejo de Cabinda de se separar politicamente de Angola. Há alguns anos, juntamente com o escritor e filósofo Henrique Barrilaro Ruas e outros meus companheiros de actividades políticas, tivemos um encontro e uma profunda e discreta conversa com responsáveis da FLEC, que clandestinamente nos procuraram, pois os mesmos tinham medo de serem suprimidos mesmo em território português. Lamentaram veementemente a atitude portuguesa na descolonização, que tinha traído os seu irmãos de Cabinda. Andavam fugidos para não serem abatidos e a sua voz reduzida ao silêncio sepulcral, pois era esse o fim esperado por todos os intelectuais que teimavam em não ultrapassar a fronteira ou que, mesmo fora dela, protestavam publicamente contra a subordinação do seu território a Angola. A População Cabinda ainda está apegada ao conteúdo do Tratado de Simulambuco, vendo nele a sua saída para a Liberdade a que tem direito, lamentando a injustiça de que foi vítima e frisando a deslealdade e a falta de palavra dos seus amigos portugueses. Cabinda, após a independência de Angola, foi invadida por militares cubanos que mataram a torto e a direito, roubaram o que puderam e violentaram as suas mulheres. Perante estas atrocidades, os Estados Unidos, tão lestos no passado a prometer a liberdade às populações das colónias portuguesas, fizeram e fazem agora orelhas moucas às queixas permanentes dos Cabindas. Estão calados de uma forma ignóbil e torpe por causa das jazidas de petróleo e de diamantes que já estão em exploração e pelas reservas de fosfatos e de manganês que se sabe ali existirem e a que têm acesso garantido pelo governo Angolano. A liberdade de Cabinda que se tramasse…! Quando revelei a conversa havida ao meu amigo Zeca Afonso, numa animada discussão sobre as virtudes da descolonização, nem queria acreditar no que estava a ouvir. Bem meditou nesta situação que ultrapassou tudo o que achava possível acontecer com os antigos territórios coloniais portugueses. Para Ele, a única solução era abalarmos como voluntários para as matas de Cabinda e juntarmo-nos de armas na mão aos que lutam pela Santa Liberdade contra o exército cubano e angolano. E dava o exemplo do bem pouco motivador e desastrado ensaio de Guevara no Congo. Mas, o bom senso, nestas matérias, era difícil meter na cabeça do poeta Zeca Afonso, pois além de morrermos como verdadeiros homens, nada de útil iríamos fazer em prol daquela gente. A solução eficiente estava no esclarecimento da Opinião Pública Portuguesa, libertando-a dos pruridos em relação ao actual governo Angolano e do temor reverencial que cada um de nós pudesse ter..!. Entretanto, a doença começou a minar Zeca Afonso e a sua comparticipação no sonho da restauração da verdadeira liberdade africana em Cabinda desvaneceu-se e esfumou-se como a sua própria vida. Sem essa mola romântica e com o trabalho e a rotina diários, os meus ideais de cavaleiro andante em defesa do Povo de Cabinda foram para um canto do esquecimento. É triste, mas fui-me acomodando à situação, esquecendo as minhas obrigações. Porém, as comemorações dos vinte e cinco anos do desaparecimento físico de Zeca Afonso, soaram como um despertador na minha consciência e fizeram-me cair em mim com o remorso por nada ter feito em prol da causa de Cabinda. As nossas animadas conversas e as intenções generosas, congeminadas na altura, tinham ido para os Quintos do Inferno do Egoísmo. Para cúmulo e para agravar o meu mal estar, houve a coincidência de um encontro fortuito com um angolano de Cabinda, desesperado com a infelicidade dos seus e com o desgraçado panorama da sua terra escravizada. Tive vergonha do meu silêncio. Nada fiz após o desaparecimento dos meus amigos Henrique Barrilaro Ruas e Zeca Afonso. Perante o comportamento interesseiro americano na conjuntura africana, resta a força da opinião pública portuguesa a esgrimir as armas diplomáticas que estão ao nosso alcance, isto é, exigir que os nossos responsáveis, para se redimirem da situação criada pela descolonização, através das organizações internacionais, consigam que seja conhecida a vontade da população de Cabinda e a situação clamorosamente injusta que está a viver. Só desse modo poderemos lavar a nossa testada, suja pela falsa descolonização que demos àquela infeliz gente. A única solução possível para acabar com este drama, será a realização de um Referendo organizado em Cabinda, devidamente controlado pela ONU, com a interferência inevitável da OUA. Nesse referendo, deviam poder participar todos os nascidos em Cabinda, mesmo os que neste momento se encontram refugiados noutros países. A comunidade Internacional terá que possibilitar ao Povo Cabinda dar resposta livre à simples questão :- Integração em Angola: SIM ou NÃO.
António Moniz Palme - 2012

sábado, 26 de maio de 2012

Cabinda, um acto miserável da descolonização. Sua situação geográfica e a sua História -1ª Parte

Antes de mais, vou tentar informar e esclarecer os leitores com os elementos essenciais que lhes possibilite fazer um juízo de valor abalizado sobre o que se passou e actualmente se passa em Cabinda.

Cabinda é um território de cerca de dez mil quilómetros quadrados situado na costa ocidental de África, encravado entre a República Popular do Congo (Congo Brazzaville) e a República Democrática do Congo (Zaire), com cerca de 300 mil habitantes a viver no território, pois tem havido uma grande fuga de cabindas, isto é, de naturais de Cabinda, para os Países Africanos vizinhos, para a Europa e para os Estados Unidos, por razões da sua injusta dependência em relação ao Estado Angolano. Na verdade, cerca de um terço da população, para cúmulo a sua parcela mais culta, está em diáspora por motivações políticas e para não ser vítima de perseguições. Como se verifica, pelo mapa junto, o território de Cabinda está separado e isolado do território angolano por uma faixa de terreno Zairense com uma largura de cerca de sessenta quilómetros. Um natural de Cabinda, para tratar de um qualquer serviço burocrático, em Angola, tem que atravessar o território de um país vizinho, bem como o Rio Zaire, com todas as dificuldades daí resultantes. Devo esclarecer que essa estreita porção de terreno zairense é a única comunicação e acesso que a República Democrática do Congo (Zaire) tem com o mar, acompanhando a margem Norte do curso inferior do Rio Zaire até à foz, por onde faz o trânsito de todo seu comércio e navegação. Claro que essas dificuldades para a população Cabinda, no acesso a Angola e aos serviços centrais angolanos, nunca poderão ser banidas do mapa com uma hipotética anexação e consequente integração no território de Angola. Na verdade, o desaparecimento desse corredor Zairense é impensável. Aliás, qualquer disputa entre Angola e o Congo-Zaire, sobre esse território, poderia despoletar um grave conflito armado naquele continente, semelhante ao provocado pelo Corredor de Dantzing, entre a Polónia e a Alemanha e que foi um dos detonadores da Segunda Guerra Mundial de triste memória. Convém ainda lembrar que a população de Cabinda sofre uma natural influência dos dois países congoleses que fazem fronteira com o seu território, que muitos procuram para trabalhar, falando francês a par do português e nada querendo com Angola, onde foi metida à força pela descolonização exemplar que violentou a sua identidade e a escravizou. Mas passemos aos antecedentes históricos :-

Como todos se lembram da boa e sólida instrução primária que os da minha idade tiveram, Diogo Cão andou a explorar a costa ocidental de África, implantando em diversos pontos “Padrões” com as armas portuguesas, desde os antigos Reinos de N´Goio e de Kakongo, passando pela Costa do Marfim e atingindo regiões muito ao Sul da Foz do Rio Zaire, com a legitimidade conferida por diversas Bulas Papais. As relações com o Povo Cabinda foram sempre feitas pelos navegadores portugueses, em pé de igualdade com as autoridades gentílicas, que recebiam com toda a simpatia e abertura o clero português e os comerciantes que lá se fixavam. Sempre foi mantido um elevado nível de respeito pelos chefes locais, a quem os nossos reis enviavam presentes e o penhor da consideração tida pelas suas pessoas, instituições e autonomia. Situação esta bem diferente da que se passava com as populações de Angola que além de se guerrearem umas às outras, capturando-se reciprocamente para escravizar e vender a comerciantes árabes e, mais tarde, a esclavagistas europeus, levantavam igualmente problemas quando os nossos colonos e militares penetravam mais para o interior e se aventuravam a sair do raio de protecção costeira e da sombra das feitorias comerciais e fortificações militares. Tal compreende-se bem pelo facto da Etnia Cabinda ser bem diferente das múltiplas Etnias Angolanas e nada terem em comum com as mesmas. A sua convivência espontânea com as Etnias Angolanas, se não estivessem isoladas e separadas pelo Congo (Zaire) e pelo Rio Zaire, não seria nenhuma e a pouca que se estabeleceria, seria certamente conflituosa e difícil. Aliás, é bom que se saiba que, ao contrário do que alguns políticos pouco sérios tentam propalar, os três Movimentos de Libertação de Angola que pretendiam a independência em relação a Portugal, FNLA, MPLA e UNITA, jamais algum dia tiveram qualquer delegação em Cabinda, não tendo nesse território qualquer apoiante e o necessário suporte humano, nunca lá tendo sido feita propaganda antes da independência angolana. Por outro lado, o respeito havido entre a Nação Portuguesa e a Nação Cabinda perdurou de facto durante séculos, com uma convivência exemplar entre a lusitana gente e os cabindas, relacionamento esse consagrado em tratados assinados pelas autoridades indígenas e o reino português. E esta situação acabou por ser reforçada por motivos exógenos. Quando a Conferência de Berlim, em 1885, começou a fixar as fronteiras dos diversos territórios coloniais, houve uma grande movimentação das potências colonizadoras. Na costa ocidental africana, a interferência de Sauvorgnam de Brazza e de Stanley com as suas pretensões colonialistas de espaço vital, criou uma situação de instabilidade no Povo Cabinda. Mesmo antes de ser publicada a Acta da Conferência de Berlim, as autoridades gentílicas quiseram fazer um novo tratado com os portugueses, que revogasse os anteriores e que impedisse a ocupação do seu território, pretendendo com esse novo instrumento diplomático manter a autonomia e a liberdade de actuação, como até à data tinham tido com o beneplácito português. Assim, temerosos que alguma ingerência na sua vida política pudesse acontecer, apressaram-se a assinar uma petição conjunta com Portugal, para que a conferência de representantes europeus em Berlim, reconhecesse um tratado pelo qual Cabinda ficasse sob protectorado, tornando-se súbdita da coroa portuguesa, como já o era de facto desde há séculos. Este tratado que então se propunha era mais claro do que os anteriores, comprometendo Portugal a garantir claramente à População de Cabinda o direito de dispor de si própria. Assim seria satisfeito o pedido dos príncipes, governadores e notáveis de Cabinda, que manifestavam o desejo de se colocarem debaixo da bandeira Portuguesa, para se protegerem. Esse Tratado de Simulambuco, foi assinado no lugar de Simulambuco, aos 22 de Janeiro de 1885, tendo sido aí erigido, posteriormente, um padrão comemorativo. Portugal confirmava a autoridade dos chefes reconhecidos pelos seus povos, segundo as suas leis, usos e costumes, prometendo o necessário auxílio e protecção. E para afastar qualquer ideia de anexação, chegou ao ponto de comprar os necessários terrenos para instalar os seus serviços administrativos e edificar os seus estabelecimentos militares e particulares, mediante o pagamento pedido pelos legítimos donos, para se evitarem complicações futuras. Assim, obrigava-se a fazer manter a integridade dos territórios agora colocados sob o seu protectorado, bem como a respeitar e a fazer respeitar o direito consuetudinário do país.

Este tratado foi assinado, pelo lado de Cabinda, pelas principais autoridades locais. Entre outras, o Rei Ibiala Mamboma, a Princesa Maria Simba Mambuco, José Manuel Puna, que mais tarde recebeu o título português de Barão de Cabinda, o Príncipe Iango Franque e muitas outras personalidades. Pelo lado português, o tratado foi assinado pelo representante português, o Capitão Tenente Guilherme Augusto de Brito Capello, comandante da corveta “Rainha de Portugal”, mandatário do governo de Sua Majestade Fidelíssima, El-Rei de Portugal, atendendo ao desejo manifestado pelos Príncipes de Cabinda em petição devidamente assinada.
António Moniz Palme (1ª parte) - 2012

terça-feira, 24 de abril de 2012

ANGOLA, FALA SÓ - Raúl Tati: Igreja de Cabinda é "instrumento de dominação"

O activista e antigo vigário-geral de Cabinda, Raúl Tati, disse que a hierarquia da Igreja Católica está a ser usada pelo governo de Angola como "instrumento de dominação em vez de instrumento de libertação".
Respondendo aos ouvintes da Voz da América, no programa Angola Fala Só, Raul Tati disse, ainda, que desde a chegada do novo bispo de Cabinda, a igreja "vai ao encontro dos intentos do regime".
Raul Tati, durante anos vigário-geral da diocese de Cabinda, foi afastado em Abril de 2011 do exercício dos sacramentos, assim como outro sacerdote cabindês, Casimiro Congo. Esse afastamento foi o corolário de um período de tensão com a hierarquia religiosa iniciado em 2005, quando D. Filomeno Vieira Dias sucedeu a D. Paulino Madeca como Bispo de Cabinda.
Tati disse que se considera uma "vítima da crise na igreja de Cabinda".
"Sempre defendi uma igreja profética, uma igreja dos oprimidos, uma igreja dos abandonados, uma igreja dos marginalizados, uma igreja dos pobres, uma teologia que fosse ao encontro dos homens oprimidos, não uma teologia que fosse ao encontro dos poderosos, uma teologia feita do chão da vida, não uma teologia feita a partir dos palácios", declarou Tati.
Sustenta que, "infelizmente, há novos rumos na igreja de Cabinda" e que "com a mudança do novo bispo nós constatanos que já não é aquela igreja que nós tivemos há tempos, e isto vai exactamente ao encontro dos intentos do regime que sempre procurou silenciar os profetas desta terra. E está a consegui-lo fazendo da igreja um instrumento da dominação e não um instrumento de libertação", afirmou Raul Tati, salientando que falava da hierarquia da Igreja Católica em Angola e na Santa Sé, mas não dos leigos e dos fiéis.
Tati, tal como fez em 2008, volta a encorajar os angolanos a não votarem nas eleições deste ano, frisando que esse exercício é reservado aos homens livres. "Quem não é livre não pode exercer" o direito de voto, disse, esclarecendo que Cabinda é uma colónia de Angola.
Pode consultar o nosso arquivo abaixo, para ouvir, na íntegra, este e todos os outros programas, transmitidos em...
17h30 às 18h00: frequências de 9805 - 13865 – 17820
18h00 às 18h30: frequências de 1530 - 9800 - 15740
Raul Tati, ex-vigário geral de Cabinda

segunda-feira, 19 de março de 2012

Cabinda, uma nação luta pela sua liberdade



Mittwoch, 21. März um 19.30 Uhr (nach der Abendmesse von 18.30 Uhr), „Cabinda, ein Volk kämpft um seine Freiheit“ mit Bartholomeu Capita. Der 1962 in Cabinda geborene Freiheitskämpfer studierte Internationales Recht und Military Engineering. Seit 2008 lebt er als politischer Flüchtling in der Schweiz. Er spricht gut deutsch. In Bern und Genf setzt er sich bei den internationalen Organisationen und den Regierungen für die Unabhängigkeit der angolanischen Exklave zwischen der Republik Kongo und der Demokratischen Republik Kongo ein. Cabinda hat 300‘000 Einwohner und ist so gross wie der Kanton Bern. 1885 wurde es eigenständiges Gebiet, 1975 aber von Angola annektiert. Über 400‘000 Cabinder sind zudem auf der Flucht. Das Land ist reich an Bodenschätzen (Erdöl, Diamanten, Uran). Der Abend steht unter dem Patronat der Kontaktpersonen zum christkatholischen Hilfswerk Partner sein der Christkatholischen Kirchgemeinde Bern. 

Desde 2008 Bartholomeu Capita vive, como refugiado político, na Suíça. Nascido em 1962 em Cabinda, este combatente da liberdade estudou Direito Internacional e Engenharia Militar.

Em Berna e Genebra, senta-se entre os governos e organizações internacionais para atingir a independência do enclave angolano.
 Cidade de Cabinda
 Tratado de Simulambuco
Bartholomeu Capita

quarta-feira, 13 de janeiro de 2010

Jornal Diário do Minho: PPM/Braga defende referendo para Cabinda

A Comissão Política Regional de Braga do Partido Popular Monárquico (PPM) defende que o Governo deve desenvolver todos os esforços para garantir o direito do povo de Cabinda à auto-determinação.
Em comunicado, o PPM lamenta os trágicos incidentes registados com a selecção togolesa, mas considera que Portugal deve promover iniciativas que "levem à realização de um referendo organizado pela ONU ou pela OUA".

No mesmo comunicado, o PPM de Braga recorda que Luanda "continua sem responder às propostas de negociações com as várias FLEC's para por termo à guerra, continuando a manter a presença de mais de 40 mil militares em Cabinda".

terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Comunicado - PPM Braga: Cabinda

A Comissão Política Regional de Braga reuniu no dia 11 de Janeiro de 2010, para analisar a os últimos acontecimentos em Cabinda, após um atentado da FLEC/PM contra um autocarro que transportava a delegação togolesa para o Campeonato Africano das Nações (CAN) e que vitimou um angolano e de duas pessoas da delegação do Togo.

O PPM-Braga lamenta a tragédia sucedida em Cabinda mas recorda que Luanda continua sem responder às propostas de negociações com as várias FLEC’s para por termo à guerra, continuando a manter a presença de mais de 40 mil militares em Cabinda.

O enclave de Cabinda, de onde provém mais de 80 por cento da produção petrolífera de Angola, é palco desde 1975 de uma luta armada independentista liderada pela FLEC.

O PPM-Braga reafirma a sua solidariedade para com o povo de Cabinda pelo que defende o seu direito à auto-determinação.

Cabinda é um território étnico, cultural, linguística e geograficamente distinto de Angola.

Cabinda é um enclave situado entre a República Democrática do Congo (antigo Zaire) e a República do Congo, que através do TRATADO DE SIMULAMBUCO, de 1 de Fevereiro de 1885, por requerimento dos Príncipes e Governadores se colocou sobre a protecção de Portugal.

A Constituição de 1933 consagrava a distinção entre Província Colonial de Angola e o Protectorado de Cabinda.

Só em 1956, ditada por necessidades de ordem burocrática, se procedeu à união administrativa.

O acordo celebrado entre Portugal e os representantes de Angola (MPLA, UNITA e FNLA) em 15 de Janeiro de 1975 – acordos de Alvor – é um acto inconstitucional, ilegítimo e sem qualquer validade por declarar Cabinda parte integrante de Angola.

Tanto como Alvor, Cabinda foi esquecida em Bicesse.

Deve o governo português desenvolver todos os esforços para garantir o direito, que é um princípio de direito internacional, deste povo à autodeterminação promovendo as iniciativas que levem à realização de um referendo organizado pela ONU e pela OUA.

Vem a propósito lembrar todas as responsabilidades que ainda hoje se assacam a Mário Soares e Almeida Santos, pelo processo de descolonização que promoveram…

Também aqui, como também o foi em Timor, Portugal tem responsabilidades.


Pela Comissão

Manuel Beninger