Mudar o regime Servir Portugal
Manuel Beninger
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sexta-feira, 1 de junho de 2012
domingo, 27 de maio de 2012
MORREU EM PONTE DE LIMA O EMBAIXADOR JOÃO DE SÁ COUTINHO, 4º CONDE D’AURORA
João de Sá Coutinho Rebelo de Soto Maior, 4º Conde d’Aurora, nasceu em
Ponte de Lima a 8 de Outubro de 1929. Formou-se em Direito pela Universidade de
Coimbra e ingressou na carreira diplomática, tendo sido nomeado como primeiro
Embaixador de Portugal junto das ex-colónias portuguesas, primeiro na
Guiné-Bissau, em 1974, onde acumulou o cargo com o de Embaixador também em
Dakar, na Mauritânia, em Cabo Verde e na República Popular do Congo, passando
depois para Angola em 1977. Como Embaixador em Madrid, foi ele que convenceu,
ao longo de várias horas de negociações pela noite dentro, Rui Rodrigues a sair
do avião que tinha desviado de Lisboa para Barajas em Maio de 1980. Acabaria a
carreira como Embaixador junto da Santa Sé, ainda no tempo de João Paulo II. Ao
longo da sua carreira, João de Sá Coutinho foi agraciado com importantes
condecorações de vários países, incluindo a Grã-cruz da Ordem Militar de
Cristo. Com um dom natural para a diplomacia e senhor de um refinado sentido de
humor, deixa amigos nos quatro cantos do Mundo. Morreu na sexta-feira na sua
Casa de Nossa Senhora d’Aurora, em Ponte de Lima.
A missa de corpo presente realiza-se na segunda-feira, às 11h30, na
Igreja da Misericórdia de Ponte de Lima.
Embaixador João de Sá
Coutinho
Conde d’Aurora
Missões Diplomáticas
Cônsul em Belo Horizonte, Brasil, em
1960
Secretário da Embaixada em Otawa,
Canadá, em 1965
Secretário da Embaixada em Roma, em
1968
Conselheiro na Embaixada em Londres,
em 1973
Embaixador na Guiné Bissau, em 1974
Embaixador em Dakar, em 1975
Embaixador na Mauritânia, em 1975
Embaixador em Cabo Verde, em 1975
Embaixador na República Popular do
Congo, em 1976
Embaixador em Angola, em 1977
Embaixador em Madrid, em 1980
Secretário do Ministério dos
Negócios Estrangeiros, em 1984
Embaixador junto da Santa Sé, em
1986
Embaixador junto da Ordem Soberana e
Militar de Malta, em 1986
Distinções Honoríficas
Cavaleiro de Honra e Devoção da
Ordem Soberana e Militar de Malta
Grã-cruz da Ordem Militar de Cristo
Grã-cruz da Ordem do Infante D.
Henrique
Grã-cruz da Ordem Real de Dannebrog,
da Dinamarca
Oficial da Ordem do Cruzeiro do Sul,
do Brasil
Grã-cruz da Ordem da Coroa de
Carvalho, do Luxemburgo
Grã-cruz da Ordem do Império
Britânico, da Grã-Bretanha
Grã-cruz da Ordem do Mérito Civil,
de Espanha
Oficial da Ordem do Mérito, da
Itália
Grã-cruz da Ordem do Mérito, da
Áustria
Grã-cruz da Ordem do Mérito, de
Portugal
Grã-cruz e Cavaleiro da Ordem de
Piani, da Santa Sé
Grã-cruz da Ordem de Pio IX
Grã-cruz da Ordem Pró Mérito
Melitense
quinta-feira, 19 de abril de 2012
O ESCRITOR LIMIANO JOSÉ DE SÁ COUTINHO, 2º CONDE D'AURORA, NASCEU HÁ 106 ANOS!
O escritor José de Sá Coutinho, 2º Conde d’Aurora, José de Sá Coutinho, nasceu em Ponte de Lima em 19 de Abril de 1896. Em 1919, por ocasião da Monarquia do Norte, partiu para o exílio tendo vivido em Espanha, no Brasil e Argentina. Em 1921, fundou o periódico “Pregão Real”. Licenciou-se em Direito pela Universidade de Coimbra e foi juiz do Tribunal do Trabalho.
A sua obra reparte-se por vários géneros literários, caracterizando-se pela defesa dos valores culturais tradicionais dentro dos moldes estéticos do realismo, na senda de Eça de Queirós. Marcadamente nacionalista e claramente crítico em relação à Primeira República, o Conde d’Aurora dedicou ao Minho – aqui entendido como a região de Entre-o-Douro-e-Minho – grande parte da sua obra literária.
A seu respeito e do meio onde nasceu e viveu, o poeta António Manuel Couto Viana referiu o seguinte: “…é também esse ambiente que permitiu o nascimento de José de Sá Coutinho e lhe deu o dom da escrita, para que fosse fiel intérprete literário da belezas e riquezas etnográficas que o cercavam, num abraço de luz, de cor, de emoção estética, de harmonia d’alma, de tradição fértil, sentidas pela sua sensibilidade de eleição e pelo pode da sua inteligência criadora”.
Como evocação da sua memória, transcrevemos um extracto da sua obra literária na qual dá-nos um retrato de como então vivia o minhoto.
“Ora para bem admirarmos esta linda e pitoresca província temos de saber o que ela é, com ali se vive, se trabalha, se cultiva – porque todos no Minho vivem da terra. Vejamos rapidamente. Trabalho da terra é uma maneira de falar, porque todos os trabalhos no Minho são divertimentos e tudo se passa em descantes, velhas usanças, cantigas e namoricos. No Minho é tudo pequenino, tudo é de brincar, tudo é teatral como um presépio, tudo é graça, tudo é beleza.
O pequeno casal minhoto basta-se a si próprio; as despesas são quase nulas; é frugal e colhe poucochinho de tudo. O gado toma-o a ganho. Para qualquer contita da tenda (venda se diz), lá manda a mulher à feira com o que calha. E o resto vá de folgar. De jornas, jornais, quem fala. Aqui é tudo de favor, só pela comida, e assim se ajudam uns aos outros na mais exemplar das comunidades nesta província onde todos são proprietários.
E por todo o ano adiante é uma série contínua de festas dionisíacas onde a alegria cristã canta Deus na natureza – porque o velho Pã nunca viveu no Minho. Começa o ano com as vessadas, o lavrar da terra. Terra negra, funda, leve, cheia de húmus, terra de aluvião sem calcário algum, tão fácil de virar.
Para preparar o maior dos seus campos (4 a 5000 m o muito, e excepcionalmente), chama o lavrador 20 pessoas; dá-se de comer e de beber à farta a todos; metem-se 2 ou 3 juntas á charrua (e quando era o velho arado de pau, imutável desde os romanos, chegava a 4 juntas, assim chamas: pé, trilho,picadoiro e guia). O grito do boeiro corta o ar e ouve-se no azul, a grandes distâncias, vale em flora. E nunca sai um rego direito na terra – há que traçar de quando em vez uns filhos ou netos (regos suplementares).
Beleza do Minho! Porque na natureza não há linhas rectas, e o minhoto é como ela: incapaz de desenhar uma linha recta, oh! Pintores modernos!
Canecas de vinho verde e cantigas alegres escorrem sem parança – e tudo são risadas. E todos os trabalhos são uma festa, um encadeado delas. É a sacha, é a monda – vinte, trinta cachopas de cores vivas e chapeirões de palha, cantando a cinco vozes, de sol a sol.
São os mil trabalhos do linho – como a rebolada, acasalados os pares antes do arranque. É a espadelada. É a desfolhada com as estúrdias e os mascarados e a espiga de milho-rei, sorte grande ao namorado – e a roçada no monte, nos altos píncaros baldios donde o carro, velho carro sabino, desce pela penedia gemendo.
O chiar do carro é o orgulho e a alegria do minhoto que propositadamente lhe põe as chiadeiras.
Tudo de brincar, tudo tão pequenino, porque não se juntam as parcelas? – perguntará o forasteiro. Discretamente, porque isto é um divertissement e não uma tese agrária, anotarei á margem que o Minho se formou através nove séculos com a enfiteuse, o vínculo e os mosteiros, velhas escolas de cultura – e citarei para minha tranquilidade o notável sociólogo francês Leão Poinsard e o Sr. Ezequiel de Campos.
Pequenino casal minhoto, eido ou quinteiro, espalhando alegria e cor na brancura das suas janelas maquilhadas de cal e no vermelhão dos seus espigueiros (diz-se canastros) de cruz alçada.
Altas medas de palha milha indicam a riqueza de cada um – e a roliça meda de palha centeia é encimada por uma bonecada, a rematar o trabalho que é uma alegria, uma brincadeira.
Tudo é alegria e folgar, mas como também há mais de cem dias santos no ano, não há maneira de se cultivar a sério o Minho nestes terríveis tempos modernos. Dias santos, domingos, festas – é todo o ano minhoto, é a folhinha minhota.
Não quero porém deixar sem reparo o dia de S. Pedro de Rates (26 de Abril) que a Igreja não manda guardar e cuja hagiologia mal se conhece; nunca foi de guarda, mas quê! o minhoto nesse dia não trabalha nem por nada, que o santo évingativo! E citam-se exemplos: “àquela nasceram-lhe os bacorinhos a dançar porque andou nesse dia num bailarico” – outro teve uma ninhada de pintos aesticar arame, e tantos terríveis e funestos exemplos mais… Mas facto é que ao domingo ou dia santificado nunca se trabalha – e cangar o gado seria crime que dava nas vistas e ninguém teria arrojo de perpetrar – cangar o gado!... Por isso anda nesse dia o labroste muito maçado, pelos portelos e pelas portas das vendas, ansiando pelos folguedos da semana – a chamada semana de trabalho nas terras industriais.”
Conde d’Aurora, in Pela Grei

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