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Manuel Beninger

segunda-feira, 24 de Outubro de 2011

CONSUMO – Artigo de Opinião de Sílvia Oliveira


Jornal “Diário do Minho” de 22 de Outubro, pág. 21

O Consumo

Um dos pilares da sociedade de consumo é o incentivo da cultura do desperdício e da criação de inutilidades. Existem, por exemplo aparelhagens de som tão sofisticadas que ultrapassam a capacidade de percepção do ouvido humano, agravando o preço final do produto, mas sendo absolutamente inúteis para o consumidor que não pode usufruir das suas potencialidades.
Consumismo ou consumo descontrolado é o primado do prazer de “ter” que vai muito além das necessidades e entra na esfera da “agonia e destruição”. Esta realidade começou quando o consumo se massificou, muito por consequência da revolução industrial, da produção em serie e em larga escala, tendo-se desenvolvido uma verdadeira técnica de convencimento e controlo da vontade humana, passando-se a estimular as necessidade em vez de as satisfazer.
Consome-se o “espectáculo”, assumido como um culto, uma forma de vida, uma justificação para a existência, onde nem as crianças são poupadas - alvo de publicidade demagógica, as crianças, não estão preparadas para interpretar e dar o devido valor ao que lhes é proposto, são induzidas ao consumo que, se não satisfeito, irá provocar frustração e revolta, no mínimo tristeza -, sendo os pais os vítimas, forçados a comprar, quer possam ou não, ou os cúmplices que satisfazem todos os pedidos caprichosos dos seus filhos, banalizando-se, assim, o valor dos objectos abundantes que caiem rapidamente no desinteresse e abandono, porque se espera por mais e diferente.
Também, o recurso ao crédito permitiu a muitas pessoas terem acesso a uma vasta gama de produtos que de outro modo não teriam possibilidade de adquirir. O crédito fácil e os juros baratos incitaram muitas famílias a endividarem-se para além das suas possibilidades, isto porque a expectativa de melhoria dos salários as levou a assumir riscos. Entretanto, com o deflagrar da crise económica e financeira mundial, o crédito fácil levou a juros mais caros, o desemprego cresceu e muitas famílias tornaram-se insolventes, incapazes de cumprir os seus compromissos.
Esta insolvência das famílias, por sua vez, agravou a situação das empresas e das instituições financeiras surgindo reflexos imediatos e incomensuráveis na economia do país. O apelo à poupança, depois de um período de rédea livre, não é bem aceite pelos consumidores, no entanto é inexorável verificar que chegou o momento de mudar de vida e passarmos a ter uma percepção cada vez mais apurada da consciencialização dos riscos do consumo sem critério, pondo-se, assim, fim ao “mito” de que somos livres de consumir tudo o que conseguimos alcançar.

Sílvia Oliveira

Deputada Municipal pelo P.P.M. na Assembleia Municipal de Braga