No dia 28 de julho, por iniciativa do presidente do Clube dos Poetas
Vivos, José Maria Lacerda e Megre, foi prestada homenagem, na Casa do Correio-Mor,
em Ponte da Barca, à personalidade e «estatura de singular grandeza» do
filólogo e poeta Amadeu Torres (Castro Gil), nascido em 1924, em Vila de Punhe,
e falecido em 2012.
A sessão, que contou com a presença de um vasto número de pessoas da
área artística e cultural provenientes de vários pontos do país e da Galiza,
com destaque para o P. Alípio Torres (irmão do homenageado), teve início com
uma comunicação do historiador Alberto Abreu, de Viana do Castelo, que aludiu à
extensa bibliografia de Amadeu Torres e sublinhou as várias vertentes da obra daquele
poeta.
Alberto Abreu sustentou que a poesia de Castro Gil contém uma forte componente
de «intervenção», apresentando vários exemplos em que esse aspeto ocorre na sua
obra poética. Outra vertente sublinhada por aquele historiador foi a «temática
de epopeia do povo português», que atravessa um extenso lote de poemas de
Amadeu Torres (Castro Gil). Neste âmbito, Alberto Abreu frisou que a obra
poética daquele professor universitário está eivada de um grande «misticismo» e
de uma forte «sumptuosidade», assentes num discurso poético «visceralmente
apelativo no engrandecimento do assunto da epopeia, mas apelativo também por
ser programático, propondo o restauro de monumentos, e apelativo ainda nas
censuras aos portugueses, por se deixarem levar por intrigas e se deixarem
atolar no marasmo».
Após esta comunicação, seguiu-se a declamação de vários poemas de Castro
Gil, dedicadas a Viana, Santa Luzia, Festas da Agonia, Gil Eannes,
Bacalhoeiros, etc. Foram ainda lidos poemas dedicados aos poetas do Minho:
Diogo Bernardes, Frei Agostinho da Cruz, Pedro Homem de Mello, João Verde,
António Feijó, Cesário Verde, Rosália de Castro, Manuel Couto Viana, Ricardo
Marques e António Correia de Oliveira
(autor da letra do fado “Ó Ponte da Barca, ó Ponte”, que foi entoado, em
uníssono, pelos presentes).
Esta sessão solene fechou com a exibição de um vídeo reproduzindo a peça
teatral “Amália canta Pedro Homem de Mello”, após o que foi servida uma merenda
baseada em produtos regionais, onde não faltaram os doces conventuais a que se
refere o título de um dos livros de Amadeu Torres: “Madeleines de Proust”.
Ao fim da tarde, foi celebrada uma missa pelo homenageado e pelos outros
poetas já falecidos, e, após um jantar regional, seguiu-se a apresentação do
livro “Contos de Amor e Desamor”, da autoria de Maria Paula Queiroz B. Pinto,
pelo historiador e hieraldista Sá Monteiro.
