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Manuel Beninger

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sexta-feira, 19 de outubro de 2012

O último Rei do Afeganistão nasceu há 98 anos

Mohammed Zahir Xá (Cabul, 16 de outubro de 1914 — Cabul, 23 de julho de 2007) foi o segundo rei (Xá) do Afeganistão, sucedendo a seu pai Nadir Xá.
Nascido em Cabul em 1914, Zahir foi educado na França e assumiu o trono após o assassinato do seu pai por um estudante. Era da etnia pachtum, e membro do clã Durani, um dos principais ramos pachtuns do país.
Depois de manter o país neutro durante a Segunda Guerra Mundial, começou a modernizar o país, fundando uma nova universidade, estreitando os laços comerciais e culturais com a Europa e trazendo assessores estrangeiros para o acompanharem de perto neste processo de europeização.
Em 1973, foi deposto num golpe orquestrado pelo próprio primo, Mohammad Daoud, ministro da Defesa, que não aprovava a abertura e as relações com o Ocidente, instaurando a República.
Zahir foi o principal líder afegão num raro período de estabilidade política e relativa paz no país, entre 1933 e 1973.
Depois do golpe, o antigo monarca do Afeganistão mudou-se para Roma, de onde acompanhou à distância os períodos mais violentos da história recente de seu país — o confronto entre facções e tribos rivais, a guerra com os soviéticos, a tomada do poder pela milícia Talibã e a invasão americana depois do 11 de Setembro. Em 1991, um português convertido ao islamismo, a pretexto de obter uma entrevista, tentou assassiná-lo, num dos prováveis primeiros atos públicos da Al-Qaeda.
Em 2002, com os Talibãs fora do poder, Zahir voltou ao país para participar de uma reunião tribal sobre o futuro do Afeganistão, onde lhe foi atribuído o título de pai da nação afegã. O ex-rei apoiava o presidente interino do país Hamid Karzai. Desde então, habitou no antigo palácio real, até à sua morte, sem qualquer poder político ou isenção fiscal.
O ex-monarca faleceu em seu palácio da capital afegã, informou Karzai em entrevista coletiva, na qual declarou três dias de luto nacional durante os quais as bandeiras em todo o país e nas missões diplomáticas afegãs no exterior foram hasteadas a meio mastro.

quinta-feira, 24 de maio de 2012

«AFEGANISTÃO»

País situado entre o subcontinente indiano, a Ásia Central e as nações do Médio Oriente.
Apesar de uma paisagem inóspita de montanhas escarpadas e de áridos desertos, tem estado envolvido, quase continuamente, envolvido em guerras, migrações, conflitos comerciais e políticos.
Foi conquistado por Alexandre, o Grande, e depois da sua morte integoru o Estado de Bactriana.
A sucessão de dominadores estrangeiros foi continuada pela conquista árabe e pela conversão ao Islão no século VII.
O mais importante governante muçulmano foi Mahmud de Gazna, que transformou o Afeganistão num centro de poder islâmico no início do século XI.
O país foi invadido pelos mongóis, sob o comando de Gengis Kahn, em 1222, só conseguindo a unidade sob um líder autoctone quando, em 1747, Ahmad Xá fundou a dinastia durani em Kandahar.
No século XIX e princípio do século XX, três guerras foram causadas pelos esforços britânicos em limitar a influência russa no Afeganistão.
Na primeira, entre 1838 e 1842, uma tentativa britânica para substituir o senhor de Cabul, Dust Mohammad, foi repelida.
A segunda, entre 1878 e 1880, aconteceu por o emir favorecer os russos e recusar o acesso à cidade do representante britânico.
Pelo Tratado de Gandamak de 1879, os ingleses obtiveram o controlo do desfiladeiro de Khyber – uma rota importante entre o actual Paquistão e a Ásia Central – e com ele o controlo da política externa afegã.
Sob Abdurrahman Khan, que se tornou emir em 1880, um governo central forte foi implantado, e os seus herdeiros conseguiram alguma modernização e reforma social.
A terceira guerra anglo-afegã começou em 1919, quando o novo emir, Amanullah, atacou a Índia britânica.
Embora repelido, obteve independência integral pelo Tratado de Rawapindi de 1919.
A monarquia, fundada por Amnullah em 1926, manteve-se até ser derrubada pelo golpe militar de 1973. Em 1978, depois do assassínio do general Mohammad Daud Khan – que dominava a vida política desde os anos 50 – a nova República Democrática do Afeganistão embarcou numa série de reformas, mas manteve um clima tenso e agitado no mundo rural.
Em Dezembro de 1979, tropas soviéticas ocuparam o país e colocaram como presidente o líder do partido marxista afegão, Babrak Karmal.
A guerrilha mujahidin (combatentes da liberdade), equipada com aramamento norte-americano, declarou então a guerra santa (jihad) contra as forças armadas e apoiadas pelo exército soviético.
Cerca de cinco milhões de refugiados fugiram para o Paquistão. Por volta de 1987 o custo da intervenção soviética tornava-se incomportável para Moscovo, que começou gradualmente a retirar até ao último soldado.
Em 1989 já não havia tropas soviéticas no afeganistão. O governo marxista foi deposto em 1992, mas o seu substituto estava minado por rivalidades faccionais e a guerra civil continuou.
Um plano das Nações Unidas para a transferência de poder para um conselho interino foi adiado em 1995 perante a ofensiva dos taliban (exército de estudantes islâmicos), que têm vindo progressivamente a ocupar a quase totalidade do território, o que levou a que os norte-americanos e outros países invadissem o Afeganistão, não se sabendo ainda quando irá terminar a ocupação e a guerra iniciada em 2002.