Uma primitiva fortificação de Bragança, poderá ter sido edificada no reinado de D. Afonso Henriques, quando esta região pertencia a seu cunhado, Fernão Mendes, sendo esta estrutura defensiva melhorada no reinado de D. Sancho I, que também concedeu foral à povoação em 1187. Na crise de 1383-1385, aberta pela sucessão de D. Fernando, o alcaide de Bragança, João Afonso, oscilou entre Portugal e Castela, obrigando à intervenção do D. Nuno Álvares Pereira, que o levou ao reconhecimento de D. João I. Em 1409, no reinado de D. João I, as defesas do castelo são melhoradas e é construída a imponente Torre de Menagem.
2. Castelo de Almourol
Foto: António Leão
O castelo de Almourol, está situado numa pequena ilha que já era habitada no tempo da ocupação romana da península, a partir do século VIII, foi ocupada pelos muçulmanos, que a terão conquistado aos visigodos. No âmbito da reconquista cristã da Península Ibérica, Almourol foi conquistado por D. Afonso Henriques, em 1129, que o entregou à Ordem do Templo. Esta ordem é responsável pela reconstrução do castelo, conferindo-lhe as características das fortificações templárias. A inscrição existente sobre o portão principal, aponta para a conclusão das obras em 1171.
3. Castelo de Marvão
Foto: Luis Mirão
O castelo de Marvão situa-se no mais alto pico da Serra de São Mamede, em pleno Parque Natural, a ocupação deste território pode remontar à pré-história, mas não há certezas quanto a isso, como também não há, sobre a sua ocupação pelos romanos, todavia a proximidade de uma via romana, que atravessava o rio Sever, aponta para essa possibilidade. O que parece certo é que D. Afonso Henriques, terá conquistado esta fortificação aos mouros, por volta de 1166, na sequência da campanha que se iniciou com a conquista de Alcácer do Sal. A data mais antiga que atesta a pertença portuguesa deste castelo, é 1214.
4. Castelo de Montalegre
Foto: Fernando Ribeiro
O Castelo de Montalegre foi construído já tardiamente, inserindo-se no movimento empreendido por D. Afonso III para a reorganização das fornteiras a oeste e a este de Chaves. O objetivo da sua construção foi o de que a fronteira setentrional de Trás-os-Montes fosse dotada de uma efetiva ordem territorial e jurídica, que deveria ficar sob o poder do Rei. No entanto, esse domínio régio durou pouco tempo, sendo que, ainda antes do término do século XIII, Pedro Anes recebeu, por parte do rei D. Dinis, a carta de foral de Montalegre, com o objetivo de povoar estas terras, já que, por essa altura, Montalegre encontrava-se completamente deserta.
5. Castelo de Sortelha
Foto: Luciano Cruz
A povoação foi fundada por D. Sancho I, com população oriunda das proximidades de Santo Estêvão. Por esta altura, a reconquista portuguesa do território estava já bastante avançada para além do Tejo, mas ocorriam diversas escaramuças, a leste, na definição do território entre portugueses e leoneses. Houve necessidade de definir uma fronteira e de manter o constante controlo dessa linha. Contrapondo à política leonesa de vincar uma forte presença territorial com a vila fortificada do Sabugal, a leste do Côa, Portugal responde com a fundação, no séc. XIII, da praça militar de Sortelha.
6. Castelo de Arraiolos
Foto: Joe Price
O castelo de Arraiolos, tem como período aceite para a sua construção, o reinado de D. Dinis, por volta de 1310, sendo doado a D. Nuno Álvares Pereira, em 1387, que também recebeu o título de Conde de Arraiolos. No reinado de D, João IV, em plena época da Restauração da Independência, o castelo foi remodelado, mas algumas décadas depois estava ao abandono e o terramoto de 1755, completou a ruína que já apresentava.
7. Castelo de Santa Maria da Feira
Foto: Jorge Órfão
O Castelo de Santa Maria da Feira é um dos mais notáveis monumentos portugueses quanto à forma como espelha a diversidade de recursos defensivos utilizados entre os séculos XI e XVI. Para além da sua importância militar, importa ter em conta a sua dimensão político cultural, uma vez que foi fundamental para a vitória de São Mamede, em 1128, quando o alcaide deste castelo, Pêro Gonçalves de Marnel, tomou o partido de D. Afonso Henriques contra D. Teresa e o conde de Trava.
8. Castelo do Lindoso
Foto: Rui Videira
Alguns autores afirmam que o topônimo Lindoso deriva do latim “Limitosum” (limitador, fronteira, extrema). Embora não existam informações sobre a primitiva ocupação humana de seu sítio, esse topónimo não se encontra mencionado nasInquirições de 1220, o que vem a ocorrer nas de 1258. Compreende-se, por essa razão, que tenha sido erguido de raiz no reinado de D. Afonso III, inscrita no esforço de reforço do sistema defensivo das fronteiras, empreendido por aquele soberano.
9. Castelo dos Mouros
Foto: Raul Branco
O Castelo dos Mouros permite admirar, ao longo dos caminhos de ronda, por entre penedos e sobre penhascos, uma paisagem única que se estende até ao oceano Atlântico. Sobranceiro à Serra de Sintra, e de configuração irregular, consiste numa fortificação construída em torno do século X após a conquista muçulmana da Península Ibérica, sendo ampliada depois da reconquista cristã.
10. Castelo de Guimarães
Foto: João Sousa
No contexto da Reconquista cristã da península Ibérica, os domínios de Vimaranes foram outorgados, em fins do século IX, a umcavaleiro de suposta origem castelhana, de nome Diogo Fernandes, que nelas veio a se estabelecer. Uma de suas filhas, de nome Mumadona Dias, desposou o poderoso conde Hermenegildo Gonçalves, vindo a governar, desde meados do século X até ao terceiro quartel do século XI, os domínios de Portucale. Mumadona enviuvou por volta de 928, entrando na posse de vastos domínios, divididos em Julho de 950 com os seus seis filhos. Nesse momento, por inspiração piedosa, fundou, na parte baixa da povoação de Vimaranes um mosteiro, ao qual veio a fazer, mais tarde, uma vultosa doação de terras, gado, rendas, objetos de culto e livros religiosos (26 de Janeiro de 959).
A Câmara Municipal da Póvoa de Lanhoso promove, hoje, dia 15 de
setembro, sábado, a sessão de encerramento da XVI Exposição Aberta de Artes
Plásticas e a apresentação do livro “O Castelo de Lanhoso” da autoria de Paulo
A. Ribeiro Freitas. A sessão realiza-se pelas 17h30, na galeria do Theatro
Club.
“O Castelo de Lanhoso” irá servir como um instrumento de qualidade para
a promoção deste Castelo, da Póvoa de Lanhoso e da sua história. Esta
publicação apresenta reproduzidas algumas pinturas de artistas plásticos
convidados pela autarquia a dar a sua visão sobre o ex libris da
Póvoa de Lanhoso, textos em português e inglês sobre a história do Castelo e
imagens das peças que estão no núcleo museológico. “O Castelo de Lanhoso é o
expoente máximo do legado dos nossos antepassados e, por esse motivo, justifica
uma permanente valorização, seja na sua conservação, seja na sua dinamização,
seja ainda no registo documental da sua importância histórica e dos elementos
que compõem o seu acervo”, refere o Presidente da Câmara Municipal, Manuel
Baptista, na obra referida.
Segundo o autarca, é missão da autarquia ser o principal impulsionador
da defesa do seu património material ou imaterial. “Com esta publicação
pretendemos testemunhar os vários episódios associados à sua [do Castelo]
história. O contributo deste Castelo na fundação do país, os povos que por aqui
se instalaram deixando a sua marca, as transformações que sofreu em resultado
de visões tão díspares sobre o uso do património, os acontecimentos mais mundanos
da monarquia associados a crimes passionais e a tragédias, todos estes
ingredientes são motivos suficientes para classificar a narrativa deste Castelo
como de relevante interesse”. Esta publicação resulta do projeto de
Conservação, Valorização e Animação do Castelo de Lanhoso promovido pelo
município da Póvoa de Lanhoso e cofinanciado pelo ON 2 – O Novo Norte e
QREN através do Fundo Europeu de Desenvolvimento Regional. “É uma obra de que
certamente nos vamos orgulhar”, considera a Vereadora da Cultura e Património,
Fátima Moreira.
Por ocasião da realização da Exposição do Mundo Português, em 1940, foi publicada a “Revista dos Centenários” cuja edição de Janeiro incluiu um artigo da autoria de Jorge Larcher alusivo aos castelos de Bragança e Póvoa de Lanhoso. Nesse artigo que fazia parte de uma série dedicada aos castelos de Portugal, o autor escreveu o seguinte a propósito do castelo de Lanhoso:
“Além do castelo de Bragança, de que ligeiramente nos ocupámos, breves referências vamos dedicar ao castelo da Póvoa de Lanhoso, do qual só resta, como recordação gloriosa desse passado distante, a torre de menagem coroada de ameias, a única parte do castelo que conseguiu escapar à fúria devastadora dos homens e do tempo.
Impossível fixar a data da sua construção, mas supões-se, e não sem fundamento, que a origem desta fortificação venha dos tempos romanos pelos emementos que têm sido encontrados por aquelas imediações.
Devia ter sido fortaleza importante, pois nela se recolheu D. Tereza, quando não podendo resistir à perseguição das forças de sua irmã, que lhe havia declarado guerra, se acolheu à sombra destas muralhas, que não tardaram a ser cercadas pelas forças de D. Urraca.
Valeu-lhe nesta terrível situação Fernando Peres, que, com D. Gelmires, arcebispo de Compostela, não deixando escapar a ocasião que se lhes oferecia para disputarem com D. Paio alguns bens que pretendiam alcançar procuraram assim lançar a divisão entre as forças de D. Urraca.
Ignora-se a forma como D. Gelmires actuou. O que é certo é que foi preso, mas, apesar dessa decisão, D. Urraca achou mais prudente, temendo talvez a influência de tão irreconciliável inimigo, estabelecer as pazes com sua irmã, fazendo-lhe grandes concessões.
A este castelo está ligada uma lenda, na realidade de grande intensidade dramática, história de amores mal fadados, que aqui teve o seu epílogo.
D. Rodrigo Pereira de Barredo, fidalgo de alta nobreza, teve um dia a secreta e desoladora notícia de que sua mulher traía a fidelidade conjugal.
O nobre fidalgo, depois de ter a certeza de tão desagradável informação, uma noite, fechou de surpresa todas as portas, de modo que ninguém pudesse escapar à cruel punição que reservava a todos que considerava culpados, e pegou fogo ao castelo, que ardeu completamente, morrendo abrasados pelas chamas todos que nele se encontravam.
Qualquer destes castelos do norte, de tão remota fundação, foram vigilantes sentinelas e resistentes obstáculos que contribuíram para a libertação do solo português e para a afirmação da nossa Independência, que em breves meses se vai comemorar, condignamente, em todas as terras de Portugal”.