Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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domingo, 21 de abril de 2013

Declaração Política do PPM Açores


O Sistema Educativo Regional
A qualidade do sistema educativo está diretamente relacionada com o desempenho económico, a produtividade, a inovação, a mobilidade social, a igualdade de oportunidades, a qualidade da vida cívica e a vitalidade das práticas democráticas.
Não existe nenhum futuro para as sociedades que não conseguem desenvolver um sistema educativo humanista e de qualidade. A verdade é que os Açores exibem hoje, em termos de resultados, um dos piores sistemas educativos da OCDE. Os resultados dos testes intermédios realizados recentemente revelam que somos os piores do país. Ficámos atrás de todos e todos ficaram à nossa frente.
Meus senhores, eu não posso aceitar isto. Não posso aceitar a mediocridade do nosso sistema educativo. Não posso aceitar que os nossos jovens sejam remetidos para o fundo da lista no âmbito do acesso às melhores universidades nacionais. Não posso aceitar que o nosso sistema educativo mate, todos os anos, os sonhos de afirmação de milhares de jovens açorianos.
Não posso aceitar estes níveis de abandono escolar. Não posso aceitar que o lugar dos nossos jovens seja o fundo de uma tabela com trinta regiões. Não posso aceitar este presente. Recuso-me a aceitar esse futuro.
Um jovem que tenha nascido no início da governação socialista tem hoje 17 anos. Ou seja, é o produto educativo de quase duas décadas de políticas socialistas neste sector. Os socialistas dirão que têm muito cimento para somar e exibir. É verdade que sim, com os sacrifícios de todos. Mas este facto não ajuda a explicar nada. Pelo contrário, soma ainda mais perplexidade. Temos melhores escolas, mas afundamo-nos nos resultados escolares.
Dirão, também, os que aqui praticam a apologia do regime que temos um quadro docente estabilizado. É verdade que sim, mas esse facto soma ainda mais perplexidade à explicação da questão que temos entre mãos: por que razão os nossos resultados escolares são os piores do país?
Finalmente, alguns deputados da situação dirão que tudo isto é inevitável. Que somos nove ilhas. Que nos encontramos a 2 mil quilómetros do território continental. Que no tempo do Viriato e do D. Sebastião ainda era pior. Dirão que esta é uma condição intrínseca da nossa condição insular. Não aceito isso! Estas ilhas e este povo merecem e justificam toda a ambição. A nossa aspiração tem de ser a excelência. O nosso lugar, o primeiro.
O que temos então de fazer para resgatar os nossos jovens do contexto de mediocridade do nosso sistema educativo?
A primeira coisa a fazer é problematizar os representantes da chamada “academia da lagoa”, que produziu os diretores regionais de educação dos últimos cinco anos.
 Esta corrente caracteriza-se, entre muitas outras coisas, por confundir uma escola com um quartel. O acessório com o estruturante. O talento para burocracia inútil com a eficácia. O batom com a caneta. O favoritismo e a bajulação com a competência. A inspeção regional com a PIDE. A inteligência com a esperteza saloia. A conspiração e a traição com a lealdade.
Nas circunstâncias tão difíceis que enfrentamos no âmbito do sistema educativo, é necessário que os que têm capacidade para pensar não se tornem reféns da inércia e da mediocridade de uma qualquer mestre-escola prisioneira das suas próprias limitações e maquinações. O caminho não é este, mas é este o trilho que se percorre atualmente.
A segunda questão reside na necessidade de rever o regulamento de concursos. Os finlandeses têm, reconhecidamente, o melhor sistema educativo do mundo. A explicação é simples: recrutam os melhores para o seu sistema educativo.
Nos Açores, as coisas foram invertidas. Transformámos o sistema educativo regional numa espécie de bunker. Recrutamos, quase tão só e apenas, os alunos da Universidade dos Açores. O resultado é que alguém que terminou um curso na área da educação com 20 valores, e em qualquer outra universidade do país, fica sempre atrás de quem obteve um mísero 10 na Universidade dos Açores. Desta forma não se atraem os melhores. O resultado de 15 anos de concursos docentes realizados nestes moldes é o que se vê.
A terceira questão que é necessário atacar é a recentragem de toda a organização do sistema educativo nas necessidades do aluno e a erradicação da floresta de burocracia pedagógica e administrativa inútil.
Tudo tem de ser organizado em torno do aluno. Não se trata apenas de dar um teto de 8 horas e uma refeição quente aos mais desfavorecidos. Temos de saber, diariamente, motivá-lo. Temos de partilhar a alegria pelos seus progressos e auxiliá-lo nas suas dificuldades. Temos acalentar os seus sonhos e fornecer-lhe o caminho de acesso à sua vocação profissional.
Temos de fazer tudo isto mais cedo e de forma mais empenhada. No fundo, temos de humanizar o nosso sistema de ensino. Quebrar as barreiras entre a secretária do professor e a carteira do aluno. Não se trata de alterar muito a legislação. Trata-se, acima de tudo, de mudar de atitude e de metodologia.
Hoje, um professor pode alcançar, no sistema educativo regional, a classificação de excelente, apesar de todos os alunos das suas turmas terem reprovado no exame nacional. Meus senhores, isto é inaceitável e tem de ser alterado.
Em suma, os resultados obtidos pelo nosso sistema educativo constituem uma catástrofe. Temos de inverter esta situação. Não temos, enquanto povo, futuro sem outro futuro para a educação. A mudança é necessária. A mudança é urgente.

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Juventude Monárquica elegeu nova direcção política em Braga


Jornal "Diário do Minho" de 19 de Novembro, pág. 6
A comissão regional da Juventude Monárquica de Braga acaba de eleger a sua nova direcção política, que tem por presidente Nuno Leheman Alves Pinto, por vice-presidente Joana Rodrigues Castro e por vogais Carlos Sá Menezes e Francisca Fontes.
O programa de ação realça «os valores da vida, as questões ambientais, a defesa da agricultura, da produção nacional e da educação» e insiste na denúncia da Constituição por «impor ditatorialmente a república como única forma de regime».
«Mesmo em altura de revisão constitucional, ainda não vimos nenhum outro político monárquico de um outro partido falar sequer sobre o tema», lamenta a Juventude Monárquica, que declara o «apoio inequívoco a Dom Duarte da Casa de Bragança».

sábado, 15 de setembro de 2012

"As mudanças na política educativa devem visar o sucesso escolar"

Paula Carqueja, mulher de armas e de causas, uma verdadeira Maria da Fonte, candidata pelo PPM nas eleições legislativas passadas pelo círculo eleitoral de Vila Real, foi entrevistada pela revista País Positivo neste seu novo projecto como presidente da Associação Nacional de Professores.
Aconselho a leitura atenta da entrevista.
Força Paula ! Continua.

segunda-feira, 5 de março de 2012

Câmara incumbida de promover projeto de educação para os media

A Assembleia Municipal de Braga aprovou uma moção do PPM no sentido de a Câmara Municipal, através do seu pelouro da Educação, promover um projeto piloto sobre Educação para os Media, junto dos alunos do 1.º ciclo do Ensino Básico, de um dos agrupamentos do concelho de Braga.

O objetivo da proposta, que recebeu dois votos contra do PS e uma abstenção, é «desenvolver os conhecimentos, capacidades e atitudes que encorajem o crescimento da consciência crítica, a expressão criativa, a participação eficaz e uma maior competência destes utilizadores».
O projeto visa estabelecer uma parceria de cooperação com a Universidade do Minho, integrar a Educação para os media numa atividade de enrequecimento curricular orientada por um animador especializado e apoiar a criação de formação para os professores do 1.º ciclo do Ensino Básico.
Jornal “Diário do Minho” de 5 de Março, pág. 5

domingo, 4 de março de 2012

"Educação para os media" nas AEC

O período antes da ordem do dia da Assembleia Municipal abriu com uma moção, apresentada por Sílvia Oliveira do PPM, sobre a educação para os media. Aprovada por unanimidade, a moção recomenda à câmara para que, através do pelouro da Educação, promova um projecto piloto sobre a educação para os media junto dos alunos do 1.º ciclo do ensino básico de um dos agrupamentos de escolas do concelho.
O objectivo é desenvolver os conhecimentos, capacidades e atitudes que encorajem o crescimento da consciência crítica, a expressão criativa, a participação eficaz e uma maori competência destes utilizadores. A concretização deste projecto passa por estabelecer uma parceria com a UMinho e pela integração da educação para os media numa actividade de enriquecimento curricular orientada por um monitor.
Jornal "Correio do Minho", de 4 de Março, pág. 7

Assembleia Municipal - Plenário: A Educação para os Media

MOÇÃO
A Educação para os Media

Porque vivemos num mundo em que os media são omnipresentes e temos de atender à sua importância crescente na vida social, em particular no que diz respeito às gerações mais jovens;
Porque, em vez de condenar ou apoiar o inquestionável poder dos media, precisamos de aceitar o seu impacto significativo e a sua penetração no mundo como elementos importantes da cultura contemporânea;
Porque um número cada vez maior de pessoas passa períodos significativos a ver televisão, ler jornais e revistas, tocar discos, ouvir rádio e aceder à internet, como mostram os dados divulgados pela Marktest:
- o número de utilizadores de Internet em Portugal aumentou 9 vezes em 15 anos, passando de 6.3% em 1997 para 59.0% em 2011;
- mais de um milhão de lares em Portugal possui mais de um computador com acesso à Internet. Na última década este número aumentou mais de 17 vezes.
- 3 milhões de portugueses acedem a sites de redes sociais;
- em Portugal há 8 537 milhões indivíduos com posse ou utilização de telemóvel, o que representa 92.0% dos residentes em Portugal com 10 e mais anos;
- mais de um quarto dos jovens portugueses acedem à Internet pelo telemóvel;
- em 2011 os portugueses viram 3 horas e 38 minutos de TV em casa, em média, por dia (curiosamente, mais 11 minutos que em 2011).
Porque o papel da comunicação e dos media no processo de desenvolvimento não deve ser subestimado, tal como não deve ser substimada a função desses meios como instrumentos ao serviço da participação activa dos cidadãos na sociedade;
Porque a literacia mediática é uma questão de inclusão na sociedade da informação e uma competência essencial para a aprendizagem ao longo da vida, tal como a Comissão Europeia e o Parlamento Europeu têm enfatizado;
Porque os sistemas político e educativo devem reconhecer as suas respetivas obrigações na promoção de uma compreensão crítica do fenómeno da comunicação entre os seus cidadãos, principalmente os mais jovens;
- Porque é urgente tomar medidas com vista a inscrição da literacia para os media nas prioridades da agenda pública, nomeadamente nas escolas do Concelho.
Neste sentido, o P.P.M. propõe a esta Assembleia Municipal que se aprove a seguinte Moção:
Que a C.M.B. através do seu pelouro da Educação promova um Projecto Piloto sobre Educação para os Media, junto dos alunos do 1º ciclo do Ensino Básico, de um dos Agrupamentos do Concelho de Braga, cujo objectivo seja desenvolver os conhecimentos, capacidades e atitudes que encorajem o crescimento da consciência crítica, a expressão criativa, a participação eficaz e uma maior competência destes utilizadores, visando para isso:
  1. Estabelecer uma parceria para cooperação com a Universidade do Minho enquanto entidade local especializada em matéria da Educação para os Media;
  2. Integrar a Educação para os Media numa AEC (actividade de enriquecimento curricular) orientada por um animador especializado e;
  3. Apoiar a criação de formação para os professores do 1º ciclo do Ensino Básico, assim como, a criação de materiais no âmbito da Educação para os Media.
Sílvia Oliveira
Grupo Municipal do P.P.M.
na Assembleia Municipal de Braga
02.03.2012
[Aprovada por unanimidade]

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

“O professor sabe o quanto é insubstituível na educação”

Paula Carqueja, mulher de armas e de causas, uma verdadeira Maria da Fonte, candidata pelo PPM nas eleições legislativas passadas pelo círculo eleitoral de Vila Real, foi entrevistada pela educare neste seu novo projecto como presidente da Associação Nacional de Professores.
Aconselho a leitura atenta da entrevista.
Força ! Continua.

Bem hajas Paula
MB

Paula Carqueja, presidente da Associação Nacional de Professores, espera que o Ministério dedique atenção à calendarização do pré-escolar e que a revisão curricular seja uma reforma "sensata".
Paula Carqueja é a primeira mulher a liderar a Associação Nacional de Professores (ANP). Assumiu o cargo em janeiro e mantém o empenho da ANP na autorregulação da profissão docente. Professora-bibliotecária na EB2,3 Adriano Correia de Oliveira, em Avintes, formadora em Tecnologias da Informação e Comunicação, e vogal da ANP de 2007 até assumir a direção, é mestre em Educação Multimédia, pós-graduada em Especialização Interdisciplinar em Direito das Crianças e doutoranda em Educação.
Na sua opinião, ainda há muito trabalho a fazer nas escolas. Acredita que a reforma curricular será uma reestruturação sensata que não conduzirá ao despedimento de professores, mas admite que a contratação de docentes caminha para uma significativa redução. Depois da revisão curricular, a presidente da ANP pede atenção do Ministério da Educação para os primeiros níveis de ensino.
A avaliação da classe deu que falar. A presidente da ANP afirma, a propósito, que faz sentido dar notas aos professores quando essa avaliação tem como objetivo "reforçar a qualidade, o rigor e a exigência". Mas avisa que não é esse o percurso para alcançar os resultados esperados. E os docentes continuam a ter um dedo apontado. "Os sucessivos governos foram imputando publicamente deveres à escola esquecendo-se de lembrar dos deveres paternais. De repente, temos uma sociedade desrespeitadora do profissional de educação, uma sociedade em que se vitimiza e culpa os docentes praticamente de tudo", refere.
EDUCARE.PT: Os sindicatos do setor educativo temem que a revisão curricular signifique despedimento de professores. Preocupada com essa situação? 
Paula Carqueja: A Associação Nacional de Professores (ANP) analisou, participou, contribuiu e manifestou a sua opinião na Assembleia da República sobre a proposta-base da revisão curricular, mas que nós entendemos denominar de redesenho curricular. Quanto a temer despedimento de professores, penso que não devemos estar tão apreensivos, pois o senhor ministro e toda a equipa têm sido perentórios nas suas afirmações ao declararem que não haverá despedimentos. Aguardamos com serenidade o assumir dos seus compromissos.
E: As propostas desta reforma curricular parecem-lhe sensatas? 
PC: A educação deve ser uma aposta decisiva para todo e qualquer governo. Este governo decidiu, e bem, preparar uma reforma curricular, alterando a carga horária das disciplinas consideradas estruturantes, centrando a aprendizagem. É evidente que seria muito mais interessante poder não hipervalorizar estas disciplinas, mas dar a todas a mesma importância. Infelizmente sabemos, através do PISA e dos resultados das provas de aferição, que ainda há muito, mas muito trabalho a fazer nas escolas, nomeadamente com um melhor desempenho dos nossos alunos. A reforma, com ajustes pontuais, será uma reforma sensata. Aliás, só o poderá ser! Foi apresentada às sociedades científicas, associações profissionais e Conselho de Escolas e foi alvo de intenso debate na comunidade.
E: O que manteria e o que mudaria?
PC: Nesta reforma, manteria a área curricular não disciplinar de Formação Cívica (com esta ou outra designação), lecionada pelo diretor de turma, e com o objetivo claro de tratar de relações humanas e sociais. Ou seja, uma área ligada à cidadania.
Incluía a disciplina TIC no 2.º e 3.º ciclos, com docentes do grupo 550 (Informática). Haveria uma continuidade no desenvolvimento de competências e literacia digital nos alunos. Fomentar-se-ia a utilização das TIC nos processos de ensino e aprendizagem e na utilização dos conhecimentos no quotidiano, tendo em conta a exigência diária do domínio das tecnologias, com a necessidade de fazermos parte da sociedade do conhecimento digital, e dos pressupostos existentes no Tratado de Lisboa.
Na disciplina de Educação Física, atendendo à importância desta área curricular na formação global do aluno, todas as aulas deveriam ser de 90 minutos (totalizando dois blocos de 90 minutos no ensino básico e secundário).
Por último, suprimia o Apoio ao Estudo em todos os níveis de ensino, autonomizando os docentes para avaliarem da necessidade de apoiar os alunos individualmente, em pequenos grupos de acordo com os seus resultados, metas e objetivos previamente definidos.
E: A avaliação da classe docente sempre foi um tema polémico. Satisfeita com o atual modelo?
PC: A avaliação da classe docente só foi um tema polémico quando com essa avaliação se procurou impor consequências (não progressão na carreira) que não decorriam diretamente do resultado da avaliação, nomeadamente a questão das quotas. Tendo em conta que a avaliação docente veio para ficar, sem dúvida que o atual modelo não é ainda o perfeito, mas realmente é melhor do que o modelo anterior. Deixou de ser tão burocrático e avassalador da atividade dos docentes nas escolas e veio trazer a pacificação tão necessária!
E: Dar notas a professores é um método que se justifica?
PC: Justifica-se quando a avaliação tem como objetivo reforçar a qualidade, o rigor e a exigência. De qualquer modo, refira-se, que não é por este caminho que se obtêm os resultados esperados. Antes, deveria haver uma aposta no envolvimento e apoio aos professores para que estes pudessem superar os problemas que sentem, na maior parte das vezes derivados dos contextos sociais, económicos e culturais em que se encontram inseridos.

E: O Estatuto da Carreira Docente está bem desenhado? O que poderia ser diferente?
PC: O Estatuto da Carreira Docente é um instrumento necessário, decisivo e orientador. No entanto, o ECD deveria antes ser um quadro de referências e o normativo das condições de trabalho dos docentes. Para além do ECD, deveria existir um código deontológico, um código de ética profissional, assumido pelos professores, através de uma entidade de autorregulação, que definisse a dimensão ética da profissão.
E: Os professores contratados terão a vida cada vez mais complicada?
PC: Não querendo ser pessimista, penso que ser professor contratado nesta fase é muito complicado: menos alunos, aumento de alunos por turma, menos horários. Logo, tudo caminha para uma diminuição significativa de contratação de mais docentes.
E: Um concurso extraordinário poderia dar-lhes algum fôlego?
PC: Parece que não. Não havendo vagas, isto é, horários disponíveis, o concurso por si só não resolveria nada. No entanto, a existência de um novo concurso, quando se está a estabilizar a rede escolar, depois das profundas alterações que ocorreram nos últimos anos, seria uma boa ocasião para reordenar as preferências de muitos dos docentes e moralizar algumas das colocações que entretanto foram realizadas.
Aliás, conforme defendemos em tempo, primeiro deveria ter sido realizada a reestruturação da rede e só depois se devia efetuar o concurso. Porém iniciou-se o processo ao contrário, primeiro os concursos e depois a alteração da rede, dando as confusões que se conhecem.
E: Os professores estão, de facto, a perder autoridade? O que se passa?
PC: Considero que há uma falta de valores generalizada na nossa sociedade. Responsabilizou-se demasiado a escola ao mesmo tempo que se desresponsabilizava os pais. Os sucessivos governos foram imputando publicamente deveres à escola esquecendo-se de lembrar dos deveres paternais. De repente, temos uma sociedade desrespeitadora do profissional de educação, uma sociedade em que se vitimiza e culpa os docentes praticamente de tudo.
Os alunos são mal-educados, a culpa é do professor!... Os alunos têm maus resultados, o professor não ensina!... Neste momento, os nossos alunos passam demasiado tempo na escola, demasiado tempo sozinhos, vivem em famílias muitas delas desestruturadas, muitas das vezes são "endeusados" e, claro, é mais fácil responsabilizar o professor, "agredi-lo", do que assumirem em conjunto que escola e família devem estar num movimento único de assunção no processo educativo e formativo do aluno. Neste processo é fundamental que cada um e, sobretudo, que a sociedade entenda o papel do professor e o papel do aluno: um tem a missão de ensinar e o outro a tarefa de aprender.
E: Há docentes agredidos nas escolas... A ANP tem recebido queixas?
PC: De facto são situações que, infelizmente, se mantêm regularmente e com uma "normalidade" preocupante. A ANP tem recebido muitas queixas e tem tentado contribuir para a superação dessas situações.
Os resultados destas queixas aparecem em relatórios desta instituição até 2009, ano em que se deu por encerrada a linha SOS Professor, por se achar que a linha tinha, até então, cumprido o seu papel - alertar o poder político e a sociedade para os acontecimentos estranhos que ocorriam nas escolas.
E: Que pode ser feito para tentar evitar esses casos?
PC: Prevenção, sensibilização e formação. Encontros com as associações de pais, pais e encarregados de educação, com equipas multidisciplinares a fim de permitir uma articulação adequada entre os diferentes atores. Claro que para isso serão necessários recursos humanos e, neste momento, as escolas estão desfalcadas, nomeadamente de psicólogos, o que complica todo um trabalho a desenvolver.
E: A educação sofrerá um significativo corte orçamental em 2012. A qualidade do ensino poderá sofrer com essa contenção?
PC: Em termos de qualidade da parte dos docentes, não. Digo um não perentório, na medida que os docentes sabem qual é o seu papel, a sua responsabilidade e a sua missão.
E: Acredita, como disse Nuno Crato, que é possível fazer mais com menos?
PC: Se falarmos na falta de recursos, claro que é impossível. Mas se falarmos em menos burocracia e mais confiança no trabalho dos professores, no seu desempenho docente, na sua missão de "ser professor", acredito que sim, que realmente é possível fazer mais, porque o professor sabe o quanto é "insubstituível" na educação.
E: A autorregulação da profissão continua a ser um dos objetivos da ANP?
PC: Sem dúvida, continuamos empenhados na concretização de um código deontológico da profissão, ou seja, a autorregulação da profissão docente. Aliás, na nossa linha editorial temos a publicação do estudo, que foi desenvolvido pelo professor doutor A. Reis Monteiro, do Centro de Investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, intitulado "Autorregulação da profissão docente - para cuidar do seu valor e dos seus valores", onde são apresentados os benefícios públicos, políticos, profissionais e pessoais. Remetendo-me apenas aos benefícios profissionais, o que posso afirmar, tomando por referência os países em que ela já existe e as profissões já autorreguladas em Portugal, contribuiu de forma decisiva para elevar o estatuto da profissão, o reforço da sua competência profissional, da sua autonomia, confiabilidade e respeitabilidade na classe e na sociedade.
E: Quais os assuntos que a ANP tem, neste momento, entre mãos?
PC: Preparar um espaço de debate com todos os associados e contar com a participação de todas as organizações profissionais para o incremento da autorregulação. Redigir e aprovar um código ético que possa vir a ser adotado pelos professores.
E: Quais as expectativas com este Ministério da Educação?
PC: Todas. Sobretudo pela forma como tem tentado dirimir alguns problemas "herdados"; como se tem envolvido com toda a comunidade educativa; como tem promovido os debates de proximidade com as escolas.
Penso que este Ministério está a preparar um ensino de futuro, com a preocupação de fornecer as ferramentas adequadas, para os nossos jovens enfrentarem o futuro no mercado de trabalho. Assim, gostaria que a reforma não ficasse só pelo documento apresentado. Espero que o Ministério dedique também a atenção devida à Educação Pré-Escolar e ao 1º Ciclo. Essa atenção deverá ter como foco principal a calendarização da educação pré-escolar e a avaliação das atividades extracurriculares (AEC) numa perspetiva de evitamento da sua "curricularização". Atenção devida à carga letiva dos alunos/crianças, ao número de horas que permanecem nos estabelecimentos de ensino, em que muitas delas ultrapassam um horário de 60 horas por semana, para dar resposta a demandas sociais.
Por outro lado, aguardamos com expectativa documentos orientadores e esclarecedores sobre os percursos escolares alternativos: Educação Especial (EA), os Currículos Alternativos (CA), os Cursos de Educação e Formação (CEF), Cursos de Ensino Profissional (CEP) e por fim os Cursos de Educação e Formação de Adultos (CEFA). Terminado este périplo sobre a reforma curricular, seria de todo valioso que o Ministério da Educação repusesse a confiança nos docentes, e, por último, que realmente a disciplina, o rigor e a dignidade voltem à escola!

quinta-feira, 2 de junho de 2011

PPM critica renovação do parque escolar

O cabeça-de-lista do PPM pelo distrito de Braga, Manuel Beninger, considera que é preciso denunciar o que se passa com a renovação do parque escolar.

Segundo sustenta, o que realmente tem acontecido é a «injecção de dinheiros públicos em gabinetes de arquitectura e construtores dos amigos». «E ninguém se preocupa quanto custará ao Estado, no futuro, a factura energética, a própria manutenção dos equipamentos das escolas e a própria manutenção do edifício», acrescenta.

Manuel Beninger afirma-se convicto que, em poucos anos, será possível ver o investimento degradado, pois é de duvidar que o Parque Escolar consiga ser auto-suficiente, «sendo uma potencial empresa do tipo REFER ou Estradas de Portugal».

«O PPM considera, tal como considerava que a Educação em Portugal, necessita de uma reforma global. A família é a primeira instituição educacional, à qual se segue a escola, que deveria servir a comunidade. Infelizmente, a sociedade actual relevou para um plano secundário a importância da família na sociedade. Ao não dar tanta importância à família, criou-se uma geração mais egoísta, mais materialista e menos respeitadora dos valores morais», sustenta o cabeça de lista pelo distrito de Braga.

Assim, o Partido Popular Monárquico, salienta Manuel Beninger, defende uma reformulação do Sistema de Ensino Básico, retirando as facilidades que têm vindo a ser concedidas; do Secundário, com a criação de disciplinas obrigatórias; e Universitário, aplicando um sistema de vagas de cursos consoante as necessidade dos pais.

O PPM protagoniza ainda a recuperação da autoridade do professor, a desburocratização da actividade docente, o reforço do ensino da História de Portugal, e o congelamento do aumento da escolaridade obrigatória até aos 18 anos, para evitar a quebra de qualidade no ensino secundário e o aumento dos níveis de indisciplina nas escolas.

Jornal “Diário do Minho” de 2 de Junho, pág. 10

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

D. Sebastião Sócrates

Dos 50 mil candidatos ao concurso de professores, cerca de 18 mil foram colocados.

Mas dos cerca de 18 mil, houve 10 mil que foram reconduzidos com horários completos nas escolas onde já o ano passado leccionaram, o que significa que não são "necessidades transitórias" que esses estabelecimentos de ensino têm, mas permanentes. É por essa razão que os sindicatos pedem que sejam abertos concursos para quadros de escola e lembram que, nos últimos quatro anos, cerca de 15 mil professores se aposentaram.

O sistema precisa mesmo de mais professores, profissionais que estejam nos quadros? Este concurso vem dizer-nos que sim. E se a ele somarmos o alargamento da escolaridade obrigatória, então, de facto, a resposta é positiva.

"Que melhor homenagem podemos fazer à República do que inaugurar escolas" !!!

domingo, 2 de maio de 2010

Jornal Diário do Minho: Matérias “incómodas” não podem ser “chutadas” para as Comissões

A oposição mostrou-se anteontem preocupada com o que diz estar a acontecer quando se quer discutir um assunto que não agrade à maioria socialista na Assembleia Municipal (AM) de Braga. Os partidos não querem que questões importantes que devem ser debatidas na AM sejam “chumbadas” para as comissões permanentes, uma espécie de limbo.

A acusação surgiu depois de o Partido Popular Monárquico (P.P.M.) ter apresentado uma recomendação, onde levantava a questão da gestão de pessoal não docente nas escolas básicas e no pré-escolar, nomeadamente a falta de pessoal, os chamados assistentes operacionais e assistentes técnicos.

O P.P.M. quis saber, por outro lado, o porquê de ainda não terem sido atribuídos os 34 prémios de desempenho. Além destas questões concretas, a estreante deputada Sílvia Oliveira sugeriu a realização de um debate alargado sobre todas estas matérias.

Jorge Faria, deputado municipal do PS propôs o abaixamento do assunto à comissão permanente da Educação, onde a questão será mais bem aprofundada. Uma posição que irritou João Granja, do PSD que, além de saudar a estreia da deputada do P.P.M., enalteceu a clareza das questões, pelo que não percebia a razão do abaixamento à comissão. “As propostas foram sérias e claras. Os prémios são justos. Parece que começa a ser moda, quando uma coisa não vos agrada chutam para a comissão, para ser esquecida. Então, tenham coragem e votem contra”, sugeriu.

Um tom que não agradou ao presidente da Assembleia Municipal de Braga. António Braga lembrou que as Comissões não são um caixote de lixo. São órgãos que devem ser respeitados. Granja aceitou o reparo, mas manteve o tom crítico, porque entende que esta tem sido a “nova arma” do PS, quando se quer esquivar a um assunto.

Outros deputados de outros partidos, à medida que tiveram oportunidade, reforçaram essa constatação. Até porque continua bem fresca na memória dos deputados o adiamento do debate sobre socorro e segurança em Braga, na sequência do incêndio no hotel, em Lamaçães, ainda em construção.

Recorde-se que a referida Assembleia Municipal extraordinária foi convocada expressamente para discutir a segurança e socorro em Braga. No entanto, já em plena Assembleia, a maioria socialista apresentou um requerimento, obviamente aprovado, que baixou a discussão para a comissão permanente.

PROPOSTA CHUMBADA.

No que diz respeito à recomendação, apesar de o PS ter revelado alguns desenvolvimentos, nomeadamente a abertura de concursos para a ocupação das vagas, acabou por chumbar a proposta.

A propósito do esquecimento de matérias nas comissões, Jorge Matos, da CDU, corroborou com as críticas de “chutar para canto” ou para as comissões e aproveitou para pedir explicações sobre a agravação de taxas e tarifas sobre os munícipes.

sexta-feira, 30 de abril de 2010

Assembleia Municipal - Plenário: Gestão de pessoal não docente

RECOMENDAÇÃO

“ Gestão do pessoal não docente das escolas básicas e da educação pré-escolar”

No contexto do reforço dos modelos de gestão dos estabelecimentos de educação (Decreto-Lei nº 75/2008, de 22 de Abril) e das competências a transferir para os municípios em matéria de educação (Decreto-Lei nº 144/2008, de 28 de Julho), é desde 1 de Janeiro de 2009 (primeiro ano de execução), competência desta Autarquia, conforme Contrato de Execução nº 242, celebrado a 16 de Setembro de 2008, entre o Ministério da Educação e a Câmara de Braga:

· a gestão de pessoal não docente das escolas básicas e da educação pré-escolar.

Perante esta nova competência e no seguimento da 2ª cláusula do referido Contrato de Execução, que define os termos em que a gestão do pessoal não docente é transferida para a Autarquia e da Portaria nº 1049-A/2008 que define a fórmula de cálculo relativa à dotação de pessoal não docente, o P.P.M. pergunta a este Executivo Camarário:

  1. porque não está a ser dado cumprimento ao estabelecido na Portaria n.º 1049-A/2008, de 16 de Setembro, que define o rácio funcionário a atribuir aos doze Agrupamentos do Concelho?

Tendo em conta que existe uma falha de 56 Assistentes Operacionais e 3 Assistentes Técnicos.

  1. porque utilizam os Agrupamentos Planos Ocupacionais de Emprego (POC’S), para satisfação de necessidades permanentes de serviço?

Tendo em conta que existem cerca de 115 POC’S no conjunto de Agrupamentos e um deficit efectivo de 60 funcionários para cobrir as necessidades permanentes destes serviços.

  1. porque não foram ainda atribuídos os prémios de desempenho ao pessoal não docente dos Agrupamentos de Escolas de Braga, relativos à avaliação do ano 2008, tendo em conta que as verbas destinadas para esse fim são provenientes do Gabinete de Gestão Financeira do Ministério da Educação, necessitando apenas de um despacho autorizador da Câmara?

Tendo em conta a existência 34 prémios de desempenho por atribuir.

  1. porque não existe um representante dos trabalhadores não docentes dos Agrupamentos do Concelho de Braga, no acompanhamento desta novas atribuições da Câmara?

Tendo em conta que as decisões que se possam tomar se destinam única e exclusivamente a eles mesmos.

O P.P.M. entende que as questões relativas à direcção e gestão dos estabelecimentos de ensino são da maior relevância para a vida das escolas do Concelho, pela forma como influenciam as relações e o ambiente de trabalho escolar e pela forma como asseguram a coerência dos princípios normativos definidos a nível nacional. Devendo, por isso, criar-se a nível autárquico um debate alargado e sistemático neste domínio, para que as questões relativas à direcção e gestão das Escolas não fiquem circunscritas a gabinetes ou a algumas reuniões de um pequeno grupo, longe de todos os envolvidos e do próprio interesse público.

Em forma de conclusão, o P.P.M. propõem a esta Assembleia Municipal que aprove a seguinte recomendação:

que a Câmara Municipal de Braga diligencie todos os esforços para cumprir o estabelecido na 2ª Cláusula do Contrato de Execução nº 242/2009, cruzado com a Portaria nº 1049-A/2008, no que refere à gestão de pessoal não docente das Escolas Básicas de Braga, nomeadamente:

· na resolução inadiável do deficit de 60 funcionários (assistentes operacionais) não docentes para cobrir as necessidades permanentes dos Agrupamentos Escolares de Braga;

· na solução definitiva do recurso aos POC’s (emprego de inserção) que são uma afectação de carácter temporário o que dificulta a apropriação do trabalho permanente, não colectivo dos agrupamentos escolares de Braga;

· na atribuição urgente dos prémios de desempenho em falta aos funcionários não docentes dos agrupamentos escolares de Braga;

· na eleição de um funcionário não docente de entre os funcionários não docentes dos Agrupamentos de Escolas de Braga, como represente dos interesses profissionais dos seus homólogos em matéria de gestão de recursos humanos, agora sob a responsabilidade da Câmara Municipal de Braga;

Sílvia Oliveira

Grupo Municipal do P.P.M. na Assembleia Municipal de Braga


[Não Aprovada. Com os votos contra do Partido Socialista e os votos a favor das restantes bancadas municipais (PPM, PSD, CDS-PP, CDU e BE)]

domingo, 21 de março de 2010

Se eu fosse... a ministra da Educação

“… o principal problema em relação ao bullying e à violência escolar não reside nas escolas, o problema começa e acaba na família. Porque não cabe à escola educar as crianças. À escola cabe formar e à família educar”.

“Isto é um ciclo que começou pouco depois do 25 de Abril e tem vindo a piorar. Quem era criança nessa altura é hoje pai. O processo de destruição da família começou nessa altura e tem-se prolongado ao longo dos anos, com a falta de valores, de confraternização, de sentido gregário, com o crescimento da falta de respeito e de consideração”.
...

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Nada que já não se saiba...

"Portugal surge ao lado de Espanha como o país que revela a maior diferença entre o salário de indivíduos com pais licenciados e o das pessoas cujos pais não completaram o ensino secundário. Por cada 100 euros que recebe o filho de pais com o secundário, o filho de um licenciado ganha 143 euros. Já o indivíduo com pais que não completaram o secundário recebe, em média, 76 euros”, concluem os autores. A comparação baseia-se em dados de 2005 e tem em conta as diferenças entre os 14 países analisados.

"De acordo com este indicador, a persistência intergeracional é particularmente forte em alguns países do Sul da Europa e no Reino Unido, sendo menor nos países nórdicos, na Áustria, em França e na Grécia", escrevem os autores.

A escola explica parte do problema. Quando os pais não foram além do secundário, os filhos têm, em Portugal, maior probabilidade de não conseguirem melhores qualificações."

São as conclusões de um estudo da OCDE que avalia o grau de mobilidade intergeracional, divulgado na edição impressa do DN.