
Um dos factos mais curiosos da república portuguesa é o de existir sem nenhuma base ideológica de apoio.
Desconheço qualquer corrente ideológica republicana em defesa deste regime republicano português. Mesmo Mário Soares, que se assume a seu bel-prazer como republicano, laico e socialista, não deixa de ser curioso e irónico por ele ter ficado conhecido como o Presidente da 3ª República que mais tentou assemelha-se a um Rei de Portugal.
De facto, a nossa terceira Republica que instituiu o sistema democrático em 25 de Abril de 1974, proíbe ainda hoje a forma monárquica de regime, perpetuando através da sua Lei fundamental que é a Constituição Portuguesa. Ao fazê-lo impõe despoticamente aos portugueses uma especial forma de regime, perpetuando claramente a violência com que a República foi instituída.
O que verdadeiramente fere os princípios mais essenciais do sistema democrático é impor, pela Lei, uma determinada forma de regime, que não tem base ideológica nem social e que nunca foi sufragada por ninguém. É uma vergonha para a Democracia portuguesa, uma indignidade para a nossa classe política e uma violência para os portugueses.