Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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terça-feira, 26 de agosto de 2014

A visita de Eduardo VII ao seu primo D. Carlos

acima
O DIA EM QUE O DN CONTOU: Ao início da tarde de 2 de abril de 1903 entrava no Tejo o iate Victoria and Albert, trazendo a bordo o rei Eduardo VII, que, nesta qualidade, realizava a primeira viagem ao estrangeiro, que se iniciou por Lisboa. O DN consagrou amplo espaço noticioso nas suas edições à visita que se prolongou por seis dias. D. Carlos foi buscar o primo a bordo daquele navio. Em seguida, ambos rumaram ao Terreiro do Paço, onde Eduardo VII voltaria para a partida no dia 7
“Deu hontem entrada no Tejo, sendo recebido com a solemnidade devida á sua altíssima posição e á honra com que deseja distinguir-nos Eduardo VII, rei de Inglaterra, primeiro imperador das Índias”, escrevia o DN, na grafia da época, na primeira página de sexta-feira, 3 de abril, de 1903, encimadas pelo título “Eduardo VII em Portugal” – “O primeiro imperador das Índias é um monarca europeu, e, por uma extraordinária coincidência, por uma d’estas singularidades do destino, a primeira visita que elle faz, é ao representante e genuíno descendente d’aquelle, que, primeiramente, se intitulou, vão decorridos quatro séculos, senhor da conquista, commércio e navegação da Ethiopia, Arábia, Pérsia e Índia”, prosseguia o texto na primeira das oito colunas que dedicou à visita. Isto é, quase toda a primeira página mais quase toda a segunda numa edição total de quatro páginas, sendo a última publicidade e a terceira ainda publicidade, mais folhetim, editais e informação variada, esta em continuação da segunda.
“Ás cerimonias officiaes annunciadas, o povo associou-se com todas as delicadezas dos seus nobres sentimentos cavalheirescos, acclamando o regio visitante com uma alta expansão de respeito”. As ruas estavam “coalhadas absolutamente de todas as camadas sociaes, trabalhadores, curiosos, e forasteiros, que não poderam obter melhores logares, empoleirados nos trens e carroças, pendurados em cacho pelos candieiros e hombreiras de portas – aguardavam com anciedade a passagem do luzido cortejo”. Quanto ao rei britânico, este “passava com a mais commovente curiosidade saudando a capital (…) relembrando as acclamações dum passado distante, quando a sua barba rutilantemente loira não conhecia ainda o pezo solemne duma coroa imperial, nem as scintilações, por vezes sombrias, dum sceptro”. O DN referia anterior visita de Bertie, como Eduardo era tratado no círculo familiar, a bordo do HMSS Serapis, um “bello navio pintado de branco, como enorme cysne de neve, que vogasse no Oceano”, em 1876.
A visita de Eduardo VII, primeira que realizava ao estrangeiro como rei, era apresentada pelo DN como “a prova mais brilhante e evidente das cordealíssimas relações entre as duas coroas e entre os dois paizes”, em que “a amizade pessoal entre os dois respectivos soberannos concorre muito para isto”, recordando o carácter “secular” da “alliança anglo-lusa”. No plano pessoal, o rei inglês e D. Carlos eram primos pelo lado dos Saxe-Coburgo-Gotha, sendo que Eduardo VII estava relacionado com todas as famílias reais europeias, o que lhe valeu o cognome de Tio da Europa; o outro, foi o de OPacificador, pelos atributos diplomáticos.
Às 15.10, escreve o DN, o iate onde viajava Eduardo VII, “voltava em frente do Caes das Colunas lá ao largo, no Tejo 8…) numa volta imponente e elegantissima. Momentos depois, salvavam todos os navios de guerra e sahia do arsenal de marinha o bergantim real – noutro ponto da notícia lia-se que “era puxado por 80 homens, que faziam girar os remos numa cadencia que causava espanto – conduzindo para bordo do Victoria and Albert sua magestade el-rei D. Carlos. (…). Tejo acima seguiam numerosos barcos e vapores (…). Descrever a belleza do quadro que então nos foi dado ver, não é trabalho fácil” – por isso, o redator passa adiante, referindo apenas que era “este imponentissimo, illuminado por um sol sol [sic] bem portuguez”.
D. Carlos subiu a bordo do Victoria and Albert “ás 4 horas menos 20 minutos”. Mais adiante, o DN revela que os “dois monarcas abraçaram-se e beijaram-se”, tendo sido “demorada a entrevista a bordo”. Mais “de uma hora e meia”, vindo depois para o Terreiro do Paço. “Ás 5 horas e 5 minutos teve logar o atraque do bergantim real (…). Saltou em terra em primeiro lugar sua magestade el-rei D. Carlos, que estendeu a mão a sua magestade Eduardo VII, ajudando-o a desembarcar. (…). Suas magestades dirigem-se para o pavilhão” preparado para a receção onde o rei português apresenta a Eduardo VII “o sr. Conde de Avila, presidente da comissão administrativa da camara municipal, que profere” uma alocução em francês – língua diplomática da época. Eduardo VII era, aliás, era fluente em francês e alemão. Segue-se o cortejo até às Necessidades – com Eduardo VII “visivelmente impressionado” pelo acolhimento ao longo das ruas – onde chegou eram “quasi 6 ½ da tarde, e quando tinha desaparecido já o brilhante sol que durante o dia inundara de luz” Lisboa. Mal “o coche que conduzia os dois soberanos chegou ao cimo da calçada das Necessidades, subiram ao ar as girandolas de foguetes, as forças collocadas no largo prepararam-se para a continencia, e as bandas militares, bem como a da Casa Pia, tocaram o hymno inglez”. Durante o jantar – “muito intimo”, de que o DN divulga o menu, escrito em francês, que “começou às 8 ½ da noite” – “tocou a excellente banda de marinheiros, sob regencia do mestre sr. [Antonio María] Cheu”. Assim terminou o primeiro dia da visita, uma terça-feira.
ABEL COELHO DE MORAIS
No trono desde 1901, na sua primeira viagem ao estrangeiro, Eduardo VII, além de Lisboa, visitou Malta, Nápoles e Roma, onde se encontrou com o rei Vítor Emanuel III e com o papa Leão XIII. Deslocou-se a Paris, onde foi recebido pelo presidente Émile Loubet, uma visita considerada importante para a concretização da futura Entente Cordiale. Devido ao seu interesse e ação diplomática, foi-lhe atribuído o cognome de O Pacificador. O rei D. Carlos e a rainha D. Amélia retribuíram, em 1904, a visita do ano anterior a Lisboa. No seu funeral, em maio de 1910, o rei D. Manuel II esteve presente.

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segunda-feira, 25 de agosto de 2014

Entusiasmo português com a visita do Kaiser

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OS DIAS EM QUE O DN CONTOU: Foi a caminho de Marrocos, em março de 1905, para uma exibição de força da Alemanha, que Guilherme II parou uns dias em Lisboa, conhecendo a capital portuguesa, apreciando o Tejo e dando um salto a Sintra. A visita do kaiser teve ampla cobertura do DN, que no dia da chegada explicou aos leitores tudo sobre o imperador e a Alemanha, então grande potência emergente. O tom no jornal foi sempre de entusiasmo, refletindo o ambiente popular à volta do monarca.
É com o título “Imperador da Alemanha Guilherme II” a toda a largura da primeira página que o DN oferece as boas-vindas ao kaiser, a 27 de março de 1905. E dando espaço aos seus especialistas, o jornal apresenta várias facetas daquele que seria o último imperador alemão, desde O Homem de Guerra, minibiografia por António de Campos Júnior, romancista e autor da peça  A Torpeza  sobre o Ultimato Inglês, até uma visão sobre “Guilherme II – o seu perfil musical”, assinada por Júlio Neuparth. Há também oportunidade para ler a análise sobre “Guilherme II – O diplomata”, de Alfredo Ansur, célebre autor de Vive La République, poema editado em Lisboa e dedicado a Victor Hugo. Todo este entusiasmo em redor do soberano alemão prossegue até 1 de abril, quando o kaiser está já em Tânger a desafiar as intenções da França em Marrocos, episódio que muitos veem como um dos antecedentes da Grande Guerra.
“É a mais altiva e extraordinária figura de dinastia e a mais acrisolada vocação de homem de guerra do nosso tempo esse imperador, a quem os próprios adversários admiram”, escreve o DN deste Hohenzollern que “tem sob a sua mão dominadora a mais poderosa e perfeita máquina de guerra que ainda teve o mundo”. E sobre a sua marinha, que Guilherme II procurava equivaler à britânica, salienta o jornal “que ainda longe de igualar as esquadras da Grã-Bretanha, que contam 48 couraçados de linha de primeira classe, a Alemanha, contudo, está hoje superior à Rússia nesta classe de navios, e quase iguala pelo número os Estados Unidos”.
Atento também às ambições alemãs em África, que o avô de Guilherme II oficializara na conferência de Berlim, o DN refere que “tanto numa como noutra costa do continente africano Portugal e a Alemanha são vizinhos, tendo sido sempre muito cordiais as relações entre as autoridades alemãs e as portuguesas”, apesar de “incidentes de fronteira” sempre “resolvidos por forma conciliadora”, versão que os combates no Rovuma, fronteira entre Moçambique e a atual Tanzânia, desmentirão na guerra de 1914-1918.
Este aparente entusiasmo germanófilo no jornal não deve surpreender, mesmo só dois anos depois da festiva visita de Eduardo VII a Lisboa, até porque estava ainda bem vivo o Ultimato Inglês de 1890, que mostrou que apesar da aliança velha de séculos os britânicos cobiçavam as possessões portuguesas. E não faltava na sociedade da época figuras admiradas com sangue alemão, como Hintze Ribeiro, que foi chefe do Governo, Carolina de Michaëlis, berlinense que viria a ser a primeira mulher a dar aulas numa universidade portuguesa, ou Alfredo Keil, autor do futuro hino da República. Não esquecer que o próprio rei de Portugal era um Saxe-Coburgo-Gotha, por via de D. Fernando, o alemão que casou com D. Maria II. Terá sido, aliás, em alemão que D. Carlos conversou com o kaiser, como ele patrono das ciências, um terreno onde a Alemanha dava já cartas.
“Desde a uma hora da tarde que a aglomeração de povo no Terreiro do Paço era enorme, começando a polícia a estabelecer cordões a fim de ficar completamente livre o espaço onde deveria formar a brigada de cavalaria”, escreve o DN a 28. Para o monarca que chega a Lisboa no vapor Hamburg, escoltado pelo cruzador Friederick Karl, toda a pompa é pouca, com a guarda da cavalaria municipal a exibir-se “deslumbrante”. Assim, “o primeiro esquadrão com todos os cavalos pretos; o segundo, de cavalos brancos, e o terceiro, cavalos cor de castanha”.
D. Carlos tinha ido a bordo do navio alemão para acolher o imperador e trazê-lo até ao Cais das Colunas no bergantim real e ambos são ovacionados pelos milhares de pessoas que se acotovelam para presenciar o espetáculo. Saudados nas ruas de Lisboa, o kaiser segue para o Palácio de Belém, onde fica alojado, enquanto a família real vai para as Necessidades, residência dos últimos Braganças. À noite “jantar de gala de 250 talheres” no Palácio da Ajuda. E um concerto.
Conta o DN de 29 que no segundo dia em Lisboa, “o imperador Guilherme levantou-se cerca das sete horas da manhã, dirigindo-se depois de envergar o uniforme de coronel de cavalaria para o aposento que lhe serve de gabinete de trabalho”. Ali esteve duas horas, despachando assuntos de governo, parando para “uma ligeira refeição”. Depois, foi para o jardim, tendo “gostado imenso da vista que de ali se desfruta”. O almoço deu-se nas Necessidades. D. Carlos e D. Amélia foram anfitriões de um repasto em que se serviu “Oeufs à l’americaine” e “Cottellettes de veau au naturel”. Houve acompanhamento musical: Wagner e fado, claro. Tempo também para um passeio pela cidade e visita à Sociedade de Geografia, com o kaiser a acenar  enquanto descia a Rua das Portas de Santo Antão.
Sintra foi o destino da jornada seguinte, com o DN a escrever que o passeio à vila “foi coroado do melhor êxito”, com “a animação a ser enorme”, pois tinha vindo de Lisboa gente logo nos comboios da manhã. Após o almoço no Paço da Vila, visita à Pena, com o kaiser a apreciar a arquitetura e a “exuberante vegetação que se desenrola a seus olhos”.
No último dia, antes da partida de Lisboa, visita ao edifício dos Paços do Concelho e de novo a multidão. O jornalista do DN queixa-se dos empurrões que o impedem de tomar notas, mas assinala que “a Sociedade Filarmónica dos Calceteiros Municipais, que estava no coreto armado no largo do Pelourinho, executou o hino nacional português e várias peças de música”. Mais Wagner?
O Hamburg  deixou o Tejo rumo a Marrocos. O imperador terá ido bem impressionado de Portugal. O seu reinado durará ainda 13 anos, mas acabará mal, no fim de uma Guerra Mundial em que Portugal esteve ao lado da Inglaterra. Na edição de 10 de novembro de 1918, Guilherme II voltaria a ser notícia de capa no DN: “O Kaiser abdica.”

LEONÍDIO PAULO FERREIRA
“Mensagem da colonia allemã” (na grafia da época): “Queira vossa magestade dignar-se aceitar os mais humildes e respeitosos cumprimentos da colonia allemã em Lisboa. Datando o seu principio desde o 13.º século, desenvolveu-se esta colonia rapidamente devido em parte á actividade dos seus membros, e aos tempos favoraveis da sua fundação e especialmente a grande benevolência e protecção que os nobres reis neste bello paiz sempre lhe dispensaram. Mesmo depois de o velho imperio allemão se ter desmembrado conseguiu esta colonia conservar os costumes da sua patria e as suas antigas e veneraveis instituições, até que quando o grande antepassado de sua magestade reconstruiu o imperio, a colonia se poude novamente desenvolver reconstituindo-se cada vez mais durante os ultimos vinte anos graças á forte protecção e sabia regência de vossa majestade. Agradecendo humildemente e possuida da mais leal afeição por este motivo toda a colonia tem esperanças em vossa magestade como sempre, e ainda muito mais hoje, no dia em que pela graça de vossa magestade lhe é permittido cumprimentar o seu imperador e protector, renovando os protestos da mais imutavel fidelidade” (Tradução publicada no DN)
 
Foi sob a dinastia prussiana dos Hohenzollern que a Alemanha se unificou em 1871. De fora, ficou a Áustria dos Habsburgo, durante séculos a mais poderosa família da Europa. Ora, esse Império Alemão emergiu como grande potência, não só no Velho Continente, mas mundo fora, conquistando colónias em África e até na Oceânia. Guilherme I, com a ajuda do chanceler Bismarck, foi o primeiro kaiser. O filho Frederico III reinou apenas 99 dias. E em 1888 iniciou-se o reinado de 30 anos de Guilherme II, que levou a Alemanha à Primeira Guerra Mundial e que no final desta foi forçado a abdicar

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terça-feira, 5 de agosto de 2014

Como foram mortos o rei D. Carlos e o filho

OS DIAS EM QUE O DN CONTOU: No dia 2 de fevereiro de 1908, o Diário de Notícias chamou à sua primeira página a notícia do atentado ocorrido na tarde da véspera e que vitimou o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro Luís Filipe. Durante os 20 dias subsequentes, o jornal manteve nas suas páginas notícias relacionadas com o acontecimento. Em algumas edições, como no dia dos funerais – a que assistiram delegações estrangeiras -, o tema ocupou várias páginas, ilustradas por desenhos.

No domingo 2 de fevereiro de 1908, à largura das oito colunas da sua primeira página, em letras visíveis a uma razoável distância, o DN dá a notícia do “Gravissimo attentado contra a família real/ Morte d’El-Rei e do Príncipe Real D. Luiz Filipe”. Nessa chamada, que é simultaneamente editorial, o jornal assume que não irá dar qualquer novidade à população de Lisboa sobre os acontecimentos ocorridos ao fim da tarde da véspera, uma vez que estes “já devem ser do conhecimento de todos”. Mas, para acabar com rumores que sempre surgem nestas ocasiões, o jornal fará o relato de “todos os factos” sem os comentar. E, de facto, assim acontece ao longo dos 20 dias em que o regicídio e as suas consequências marcam presença nas páginas do jornal.
Ainda no editorial desse dia é afirmado que na história de Portugal “não se registava até hontem um unico regicidio”. E o texto, que sublinha o repúdio perante tal ato, lamenta que tenha sido atingido, “alem do chefe do Estado, o seu filho primogenito para o qual tantas esperanças se voltavam e cuja irresponsabilidade na direcção dos negócios publicos parecia dever pôl-o a coberto de uma vingança tanto mais condemnavel quanto é certo que attingia innocentes”.
Fruto de um trabalho de equipa, o DN revela aos seus leitores como ocorreram os factos, como reagiu o País e o estrangeiro ao “acontecimento sensacional, como nunca se tinha dado entre nós” – o assassínio do rei D. Carlos e do príncipe herdeiro Luís Filipe “a tiros de carabina quando passavam pelo Terreiro do Paço de regresso de Vila Viçosa e se dirigiam para o Paço das Necessidades”.
O atentado contra o Rei Agrícola – um dos cognomes pelos quais ficou conhecido D. Carlos – surpreendeu e entristeceu o País em geral, no entanto, “estava escrito na parede” que algo assim iria acontecer…
A agitação social e política que se registava no País já vinha do tempo de D. Luís (1838–1889), mas agudizou-se no reinado de D. Carlos com a questão do Mapa Cor-de-Rosa e adquiriu foros de violência, devidamente aproveitada e alimentada pelos republicanos, com a ditadura de João Franco, que o monarca chama para o poder em 1906.
Fundador, em 1901, do pequeno partido Regenerador-Liberal, João Franco percebe que não conseguirá governar com aval parlamentar e pede ao rei que dissolva o Parlamento passando a governar por decreto. D. Carlos aceita: faz assim a primeira assinatura da sua sentença de morte. A definitiva fá-la em Vila Viçosa, nas vésperas de regressar a Lisboa, quando João Franco lhe apresenta o decreto que pune com o degredo os acusados de crimes políticos. O decreto tinha como alvo os republicanos e progressistas que, a 28 de janeiro de 1908, tentaram uma revolução.
A 1 de fevereiro, a família real regressa de Vila Viçosa onde o rei tinha por hábito passar todos os anos a temporada de caça. Esse ano não foi exceção, apesar da agitação política e social que se vivia no País. Na estação fluvial do Terreiro do Paço, onde chega com atraso, tem a esperá-la muita gente e membros do governo, entre eles o odiado João Franco, que manteve alguns momentos de conversa com o rei, enquanto a rainha era presenteada com um ramo de flores que lhe levou uma criança. Depois D. Carlos, D. Amélia, D. Luís e o infante D. Manuel partiram em direção às Necessidades. Em carruagem aberta, porque a tarde estava amena e porque o rei queria dar uma ideia de normalidade. “Já a carruagem real tinha passado em frente do ministerio da Fazenda quando se ouviu um tiro que, segundo pessoas que presenciaram o facto, fôra de carabina e disparado por um homem que vestia casacão, e que tinha saído da fila do povo que estacionava no passeio, do lado da praça”, conta o DN. A esse tiro outros se seguiram, com as consequências que se conhece: o rei e o príncipe herdeiro morreram, o infante D. Manuel ficou ligeiramente ferido num braço. Mortos também os dois assassinos: Manuel Buiça e Alfredo Costa.
Depois, é a proclamação do jovem – 19 anos – e novo rei, a quem o DN deseja que seja tão “venturoso” como foi o primeiro monarca com esse nome, e a escolha de um novo chefe de Governo, Ferreira do Amaral, de quem o jornal fez um pequeno perfil.
E à medida que se procura estabilizar a vida política, preparam-se os funerais que trazem a Lisboa inúmeras delegações de casas reais europeias com as quais o rei tinha ligações familiares ou apenas amizades. Por exemplo, em Londres, foi decretado luto pela morte do monarca português. Da França republicana veio também uma delegação. “Dezenas de jornalistas estrangeiros” acorreram também a Lisboa para cobrirem o que estava a acontecer, tal foi o impacto do regicídio além-fronteiras.
D. Manuel II, que não estava preparado para reinar, afirma querer fazer o melhor para a nação, mas todos os seus esforços não serão capazes de travar as ideias republicanas que se afirmam e que acabam por vencer em outubro de 1910.
LUMENA RAPOSO

Nas dezenas de páginas que o DN produziu relacionadas com o atentado que vitimou o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro Luís Filipe não existe a assinatura de um único jornalista, editor ou diretor do jornal. Percebe-se que todo o trabalho foi fruto de uma equipa que não se poupou a esforços para dar diariamente ao leitor o que acontecia nas principais cidades e nas pequenas cidades de província de onde chegavam a Lisboa milhares de telegramas de condolências e onde foram rezadas missas em memória de D. Carlos e do príncipe. Além disso, os redatores do DN responderam positivamente ao pedido de informações de jornais da Europa e do Japão que “queriam saber o que se estava a passar em Lisboa”.

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sábado, 31 de maio de 2014

Lançamento do livro “D. Carlos de Bragança Naturalista e Oceanógrafo”

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Lançamento do livro “D. Carlos de Bragança Naturalista e Oceanógrafo”, do Prof. Doutor Mário Ruivo, no Museu do Mar.
O evento foi presidido pelo Chefe do Estado-Maior da Armada e Autoridade Marítima Nacional. Estiveram presentes o Presidente da Câmara Municipal de Cascais, o Diretor-geral do Instituto Hidrográfico, o Prof. Doutor Mário Ruivo e o Prof. Doutor Adriano Moreira, entre outros ilustres convidados.
Marinha Portuguesa

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Olha só o que El Rei dizia..

Não podia deixar de reencaminhar este email, pois demonstra o sentido de responsabilidade e de estado tão pouco visto nos dias de hoje.
É uma pena que as referencias dos governantes do nosso país no passado, não sejam as mesmas dos nossos atuais governantes.
Pelo menos, poderiam ter a dignidade de deixarem os nossos já poucos verdadeiros símbolos da nação, como os representantes da nossa Casa Real e em concreto o Dig. D. Duarte Pio assumir o seu devido protagonismo e espaço de acção, que tanto engrandecia este nosso país, outrora referencia de esperança e hoje referencia de país sem alento....
Um grande abraço.

Abel 

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domingo, 10 de novembro de 2013

DISCUTE-SE, SIM... COERÊNCIA.

No dia 5 de Novembro de 2013, desconhecendo o regimento da Assembleia da República sobre eventos, ou manifestações culturais de qualquer índole, que se poderão efectuar na nossa "casa da democracia", ao abrigo das solicitações promovidas pelos partidos políticos ou, porventura outros interessados, realizou-se a antestreia do filme “Até amanhã, camaradas”, de Joaquim Leitão, baseado no romance homónimo do Dr. Álvaro Cunhal, escrito sob o pseudónimo de Manuel Tiago, isto a breves dias de assinalar o centenário do nascimento do antigo líder do PCP.
Faço desde já o meu registo de intenções, para que tudo fique claro…não sou obviamente um simpatizante do PCP, nem sequer do Dr. Álvaro Cunhal, mas sou claramente um respeitador da coerência do seu pensamento e digo-o, com a distância insofismável do meu próprio pensamento politico, no entanto, a coerência é coisa rara nos dias que correm.
A sua importância como figura marcante, quer se goste ou não, na história da democracia portuguesa, no último quartel do século XX, e aqui uma vez mais, dependendo do ponto de vista de cada um dos portugueses, é realçada pela sua “honestidade” intelectual, ao guardar com zelo os ideais que defendeu até ao último suspiro…disso não tenho qualquer tipo de dúvida.
Contudo, discordo em absoluto da subentendida homenagem na Assembleia da República, ao exibir sob efeito de espelho e em atitude cinematográfica a sua obra homónima.
Porquê?
Por critérios de coerência…os mesmos que eu próprio admirei na figura do Dr. Álvaro Cunhal, aliás, atrevo-me a afirmar que o próprio recusaria este tipo de iniciativa.
Lembro…aquando da sua morte, foi requerido um minuto de pesar e concedido pela maioria parlamentar vigente no momento, na Assembleia da República.
Por critérios de coerência, em 2008, foi recusado um minuto de pesar, requerido pela bancada afecta à oposição de então, em memória, volvidos 100 anos, de um Chefe de Estado e seu filho, que foram assassinados através de acto pusilânime, no Terreiro do Paço.
Não se discutem as dimensões dos homens e dos seus lugares, discute-se sim…a coerência.
 

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Vinho do Porto monárquico

[Foto: página "Porto, a cidade que nos une!"]

quinta-feira, 6 de junho de 2013

Faz 112 anos que o Rei D. Carlos esteve na Madeira



Rei D. Carlos, na Sé do Funchal, em Junho de 1901.
Faz este mês 112 anos que a Madeira recebeu, com pompa e circunstância, o Rei D. Carlos que, em Junho de 1901, esteve no Funchal, durante alguns dias. Uma visita histórica, que seria a primeira e a última de um monarca português. No dia 1 de Fevereiro de 1908, no Terreiro do Paço, em Lisboa, quando regressava de Vila Viçosa, o Rei D. Carlos I - O Diplomata - e o Príncipe Herdeiro D. Luís Filipe, foram assassinados com tiros de pistola. D. Manuel II, com 21 anos de idade, assume o poder, tornando-se no 34.º e último rei de Portugal (1908 – 1910). De 4 para 5 de Outubro de 1910, dá-se o golpe de estado que provoca a queda da monarquia e a implantação da República. 

sábado, 11 de maio de 2013

AS MENSAGENS DE EL-REI D. CARLOS I, por José Peres Silva Bastos

Quando se fala actualmente nos planos que Portugal, poderá adoptar para sair da crise, insistimos nos nossos valores ancestrais a que sempre nos ligámos, à terra e ao mar.
Após a entrada de Portugal na C.E.E., actual União Europeia, e a bem desta, delapidamos essa herança, da nossa estrutura sócio-económica, com consequências previsíveis. Encontramo-nos nessa encruzilhada, de saber se valerá o sacrifício de todos, voltarmos para a agricultura e igualmente para o mar, no intuito de salvarmos Portugal.
Afirmo, que valerá a pena, pois são premissas da nossa identidade de sempre.
Sobre isto tudo, o nosso Rei D. Carlos I, foi um visionário.
Iniciou a Oceanografia, e apontou o futuro do Mar, com factor de desenvolvimento.
Efectuou nas suas imensas terras particulares, estudos de rentabilização e apuramento de excelsa qualidade. Aqui, também imprimiu o seu cunho da procura contínua da perfeição, que impunha em tudo o que fazia. O futuro diz-nos que qualidade é sinónimo de sucesso. A realçar e a confirmar, os imensos prémios que obteve com produtos das suas terras, em feiras nacionais e estrangeiras, da especialidade. 
Esta nota, que escrevo, tem duas mensagens implícitas, ou até poderá ter várias, deixo isso ao vosso critério, mas que gostaria que entendessem.
A primeira é a constatação do trabalho exercido pelo nosso Rei, a segunda é o caminho que o actual movimento monárquico poderá legitimamente enveredar, como ideia primordial, para se reinstalar a monarquia em Portugal.
O contacto directo de El-Rei D. Carlos I, com o Mar e a Terra, trouxe-lhe a alegria de viver.
Vou-lhes falar, sobre a Terra.
Não vou fazer qualquer tese sobre este assunto, porque já está prácticamente feito esse trabalho, mas sim transcrever alguns apontamentos que nos ajudam a perceber qual o verdadeiro trabalho de um Soberano, por este motivo, passo a citar:
"D. Carlos tinha conhecimento efectivo das questões agrícolas e não apenas gosto lúdico ou estético pelo campo".
...
"Embora a identificação com o meio agrário transtagano tivesse consequências potencialmente negativas para a sua imagem junto da burguesia citadina, funcionando como mais um factor de distanciamento e, portanto, de impopularidade, D. Carlos assumiu a pele de latifundiário como nenhum antecessor havia feito. Integrando-se de forma plena nessa sociedade rural,
" O Rei atingiu duas coisas: o sentimento de pertença a meio social composto de classes sociais diferentes, mas integradas numa comunidade; e o estatuto de cidadão produtivo, numa economia, e da lavoura alentejana e ribatejana, que conseguiu mostrar dinamismo por volta de 1900".

O Rei D. Carlos I, mostrou deste modo, que procurando encontrar a integração do País com as suas géneses e identificações afectivas, a sua relação de figura máxima do regime, podia unificar de todo, Portugal.
A este facto, acrescento a sua forte vocação de diplomata, que ainda hoje, por manifesta falta de vontade ideológica, ou política, encontra-se esquecida e arquivada. Seria muito interessante promove-la devidamente.
Termino com esta subentendida mensagem, para todos os monárquicos portugueses:
"Talvez, por isso, possamos reter essa imagem marcante da felicidade alcançada pelo Rei nas suas terras, entre o seu povo, como ele confidenciava ao seu amigo Arnoso:
"Eu aqui não o rei, sou principalmente "o nosso lavrador" assim é que elles me dão vivas (e tocam-me bem mais)."

Porto, 27 de Novembro de 2011
Fontes:
Silva, Isabel Corrêa da; Seixas, Miguel Metelo de, D. CARLOS de corpo inteiro, Outubro de 2009, Ed. Objectiva.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Duques de Barcelos e Guimarães repousam no Panteão dos Reis da dinastia de Bragança no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa

O Minho é o berço da nacionalidade e da monarquia portuguesa. No Panteão dos Reis existente no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa, repousam os restos mortais dos últimos reis de Portugal.
Para além do título de Duques de Bragança, os membros da Família Real Portuguesa ostentam entre outros os títulos de duques de Barcelos e Guimarães e de condes de Barcelos e Neiva.
O Panteão dos reis da Dinastia de Bragança foi criado em 1885, por iniciativa do Rei D. Fernando II, que mandou transferir para este espaço que foi refeitório dos cónegos, os túmulos que antes se encontravam numa pequena dependência junto à capela-mor da igreja.
Alguns monarcas não se encontram ali sepultados. São eles D. Maria I que jaz na Basílica da Estrela, D. Pedro IV que foi transladado para o Brasil e D. Maria Pia que se encontra no Panteão dos Sabóias, em Turim.
 
Sobre os túmulos estão colocadas as coroas reais que simbolizam os seus reinados.A Pátria chora os seus mártires junto dos túmulos do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe, assassinados no atentado republicano de 1908.Um aspeto do panteão dos reis da Dinastia de Bragança, no Mosteiro de S. Vicente de Fora, em Lisboa.
Túmulo em mármore de D. João IV.
Túmulo de D. Manuel II, último Rei de Portugal.
Túmulo de D. Amélia, Rainha no Trono, na Caridade e na Dor.
Um aspeto do altar existente no Panteão dos reis da Dinastia de Bragança.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2013

S.A.R., Dom Duarte de Bragança em S. Mamede de Infesta

Associação de Socorros Mútuos de S. Mamede de Infesta é uma Instituição Particular de Solidariedade Social (IPSS), fundada em 01/04/1888 com Alvará Régio de 15/01/1890.

No início de 2003, foi inaugurada uma nova sede com uma Clínica Médica, dispondo de 15 consultórios para várias Especialidades, Fisioterapia e Ginásio.

Nas suas instalações os beneficiários encontram ao seu dispor   consultas de  várias especialidades, uma Clínica Física e de Reabilitação, Serviços de Enfermagem e Analises clínicas.

Senhor Dom Duarte recebido pela direcção presidida por Áureo Almeida 
 O Rei entre o Povo e com o Povo
S.A.R., o Senhor Dom Duarte de Bragança descerrou o busto do Rei D. Carlos.
Alvará assinado por D Carlos é assinado também pelo ministro das obras públicas que havia tomado posse no dia anterior.
Assinou o livro de honra, tendo-lhe sido oferecidos uma cópia do Alvará Régio
Medalha das comemorações dos 123 anos de Acção Social - 1890/2013
 Como o Povo português acolhe tão bem Sua Alteza

sábado, 17 de novembro de 2012

Um Rei a Banhos


Dom Carlos tomando banho na Baía de Cascais. Grande apreciador do mar em todas as suas facetas, o Rei era também dos poucos na sua época que sabia e gostava de nadar.

Fazer férias à beira-mar é uma tendência recente, seguida apenas pela aristocracia. Quem introduz a moda em Portugal e define o seu calendário é uma Família Real, que em meados de Setembro chega a Cascais vinda de Sintra (onde passa os meses mais quentes). Seguem-na a nobreza e um ou outro arrivista burguês. Dom Carlos e os Seus, aí ficam geralmente até princípios de Novembro.
Ao nadar em frente a Cascais, O Rei circula entre os botes dos veraneantes.

Apesar do susto que terá apanhado em criança ao ser levado por uma onda junto às rochas do Mexilhoeiro, o Rei nunca teve medo do mar, pelo contrário. Foi nadador exímio, pouco comum nos homens daquela época, era normal vê-Lo à hora do banho a nadar na Baía de Cascais.
A barraca de banhos onde o Rei muda a roupa. A bandeira hasteada, marca a Sua presença.

Na praia da Ribeira (hoje conhecida por praia do Peixe), o Rei tinha a sua barraca de banho, onde era hasteada a bandeira nacional quando se encontrava à beira-mar. Na praia da Ribeira, era frequente ver-se o Rei no meio dos pescadores, cruzar-se com ciclistas ou sendo abordado por populares ou conversando com amigos. Em Cascais, Dom Carlos deixa os iates e dedica-se aos botes ou às barcaças, seja para chegar à praia, seja para praticar exercícios físicos. Seja ainda para ver com os amigos uma das muitas regatas que costumavam alegrar o Verão cascalense.

Livro D. Carlos (fotobiografias século XX) - Margarida Magalhães Ramalho e Joaquim Vieira
 
Atenciosamente

Miguel Duarte Guedes
09-08-2012