Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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sábado, 21 de março de 2015

1910

Em 1910, no Castelo de Windsor, reuniram nove Chefes de Estado.
Quem eram eles?

sábado, 8 de novembro de 2014

Reunião Imperial e Real em Londres (maio de 1910)

1- Jorge V, Rei da Grã-Bretanha e Irlanda, imperador da Índia 1865-1936

2- Guilherme II, imperador alemão e rei da Prússia 1859-1941

3- Afonso XIII, Rei da Espanha 1886-1941

4- Frederico VIII , Rei da Dinamarca e da Islândia 1843-1912

5- Alberto I, Rei dos Belgas 1875-1934

6- Jorge I, Rei dos Helenos 1845-1913

7- Manuel II, Rei de Portugal e dos Algarves 1889-1932

8- Fernando I, czar dos búlgaros 1861-1948

9- Haakon VII, Rei da Noruega 1872-1957

quarta-feira, 25 de junho de 2014

QUANDO O REI SOBE AO TRONO

Na passada quinta-feira, dia 19 de Junho, subiu ao trono de Espanha o Rei Filipe VI, substituindo o seu pai, que acabara de deixar o cargo depois de 39 anos (1975-2014) ao serviço de Espanha.
É rígido o protocolo de ascensão ao trono, tal como pudemos confirmar na última quinta-feira, contudo, o que pretendo aqui recordar é a forma como decorreu a subida ao trono do último Rei de Portugal, o jovem D. Manuel II, bem como a forma como Braga viveu e cumpriu esse cerimonial.
Tudo aconteceu após o regicídio de D. Carlos e do seu filho D. Luís Filipe, ocorrido em Lisboa, um sábado, dia 1 de Fevereiro de 1908.
O sucessor no trono, o príncipe D. Manuel, decidiu encerrar-se por oito dias, em sinal de pesar pela morte do seu pai e do seu irmão. Decretou ainda quatro meses de luto nacional, sendo os dois primeiros meses de uma dor profunda.
Logo no dia seguinte ao regicídio, o Arcebispo de Braga, D. Manuel Baptista da Cunha, publicou uma portaria na qual ordenada que, nas torres da Sé de Braga e em todas as capelas e igrejas paroquiais deste arcebispado, se tocassem os sinais fúnebres durante oito dias.
O decreto de proclamação do novo Rei ocorreu logo no dia seguinte, domingo, durante a reunião do Conselho de Ministros, realizada no Paço das Necessidades, e presidida pelo próprio D. Manuel, que jurou manter a religião católica, a integridade do reino, observar e fazer observar a Constituição política portuguesa e promover o bem geral da Nação.
A aclamação de D. Manuel ocorreu apenas três meses depois, em reunião da Assembleia de Cortes, realizada na quarta-feira, dia 6 de Maio de 1908. No dia seguinte, Braga prestou as devidas cerimónias ao novo Rei. No salão nobre da Câmara Municipal de Braga realizou-se, pelas onze horas, a sessão solene de aclamação do novo monarca. Numa das varandas da Câmara Municipal, o presidente do município proferiu a célebre frase: “Real, Real, Real, pelo Senhor D. Manuel II, Rei de Portugal”.
Após estas palavras, o imenso público presente irrompeu numa prolongada salva de palmas, os soldados apresentaram armas, os músicos tocaram o hino nacional, foram lançados foguetes e os sinos das igrejas tocaram, contribuindo desta forma para o sentimento de alegria que se vivia no momento.
Após este acto solene realizado na Câmara Municipal, formou-se um imponente cortejo, composto por praticamente todas as instituições culturais, religiosas, judiciais, políticas, educativas, comerciais e industriais de Braga. A seguir a estas, seguiam no cortejo distintas personalidades, nomeadamente, o Governador Civil de Braga, o coronel de Infantaria 8, Oficiais de Cavalaria 6 e Infantaria 8, professores das várias instituições de ensino de Braga, antigos Governadores Civis, Cônsules representados em Braga, membros da Câmara Municipal de Braga, dos Tribunais e da Igreja, fechando o cortejo a banda de Infantaria 8, comandada pelo capitão Aurélio Antunes.
Ao longo do percurso, os edifícios públicos e particulares estavam engalanados com bandeiras e colchas, assistindo-se ainda ao lançamento de constantes girândolas de foguetes. Até o comércio foi encerrado, para que todos os que quisessem integrar o cortejo o pudessem fazer.
Este cortejo percorreu o Campo de D. Luís, as ruas de D. Frei Caetano Brandão, Nova de Sousa, Rodrigues de Carvalho, S. Marcos e do Anjo; Campo de S. Tiago e ainda as ruas da Rainha e da Sé.
Às 13.30 horas realizou-se uma cerimónia religiosa na Sé de Braga, presidida pelo reverendo D. António José da Silva Correia Simões, onde estavam presentes as proeminentes figuras de Braga.
À noite, foram várias as iluminações públicas e particulares que saudavam desta forma a subida ao trono de D. Manuel II.
Foi com todo este cerimonial que Braga acolheu a subida ao trono do jovem Rei: com manifestações de alegria e júbilo. Curiosamente, foi com a mesma alegria e júbilo que, passados pouco mais de dois anos, festejaram a instauração da República em Portugal e, por conseguinte, a deposição do Rei!
A finalizar, deixo apenas duas notas:
- O nome completo de D. Manuel II: Manuel Maria Filipe Carlos Amélio Luís Miguel Rafael Gabriel Gonzaga Xavier Francisco de Assis Eugénio de Bragança Orleães Sabóia e Saxe-Coburgo-Gotha;
- A comparação dos gastos entre Portugal e Espanha: a Presidência da República Portuguesa custa cerca de cinco vezes do que a Casa Real Espanhola

Joaquim da Silva Gomes, Professor e Investigador

terça-feira, 15 de outubro de 2013

EM 1908, O REI D. MANUEL II VISITOU A CIDADE DE BRAGA


A imagem mostra o Banco do Minho, em Braga, onde se hospedou o Rei D. Manuel II na sua viagem ao norte do país efetuada em 1908.
Fonte: Arquivo Nacional da Torre do Tombo
Importa referir que a visita decorreu em finais de Novembro, mês em que nasceu - 15 de Novembro de 1889-, aquele que foi o último Rei de Portugal Dom Manuel II, filho do Rei D. Carlos e da Rainha Dona Amélia, sendo baptizado pelo cardeal-patriarca D. José Neto, em 18 de Dezembro de 1889.
Dom Manuel II tinha um especial gosto pelas artes, historia, música e literatura, como o herdeiro directo ao trono seria o seu irmão mais velho D. Luís Filipe, Dom Manuel II gostaria de ter tido uma carreira ao serviço da marinha o que não veio a acontecer devido ao assassinato do seu pai e seu irmão. 
Com o funeral do Rei D. Carlos e do Príncipe D. Luís Filipe, assassinados em 1 de Fevereiro de 1908, Dom Manuel II torna-se o 35º Rei de Portugal, aos 18 anos de idade. Durante o seu curto reinado nunca chegou a casar-se e a 4 Outubro de 1910 foi feito um golpe militar. Dom Manuel II foi exilado em Gibraltar a 7 de Outubro do mesmo ano e mais tarde foi para Londres. 
Em 4 de Setembro de 1913, Dom Manuel II casou com D. Augusta Vitoria pelo civil e mais tarde pelo religioso, cerimónia essa que foi presidida pelo antigo cardeal-patriarca de Lisboa D. José Neto, exilado em Sevilha.
A 2 de Julho de 1932 Dom Manuel II morreu em Londres devido a doença prolongada. (in Fundação D. Manuel II)

segunda-feira, 20 de maio de 2013

Funeral de El Rei D.Manuel II em 1932


Retratos do passado: Funeral de El Rei D.Manuel II em 1932.

MONUMENTOS DESAPARECIDOS

segunda-feira, 26 de novembro de 2012

D. MANUEL II FOI "MAL COMPREENDIDO" ATÉ PELOS MONÁRQUICOS


O Rei D. Manuel II foi "mal compreendido pelos próprios monárquicos" e nunca viu a Inglaterra, onde se exilou, como "uma segunda casa", afirma Ricardo de Medrano, autor de um ensaio sobre o monarca no exílio.
A obra intitula-se "D. Manuel II - A vida desconhecida no exílio", e, segundo o autor, pretende-se "aprofundar essa parte menos conhecida da vida do Rei, o seu exílio, e particularmente a sua personalidade e a suas ocupações quotidianas".
D. Manuel II reinou entre 1908 e 1910, quando a proclamação da República o obrigou ao exílio em Inglaterra, onde morreu há 80 anos, na localidade de Twickenham, onde fixou residência.
Apesar da grande actividade na comunidade local, no empenhamento em prol dos aliados na I Grande Guerra Mundial, nomeadamente prestando apoio aos militares portugueses, das "deferências dos monarcas britânicos", o exílio de D. Manuel II "foi marcado por fortes saudades da pátria perdida", atesta Ricardo Mateos Sáinz de Medrano.
O autor afirma que o soberano teve "reiteradas frustrações" entre 1912, quando em Portugal aconteceu a primeira revolta monárquica, e 1924, quando abandonou "toda a actividade política".
Segundo Medrano, que se tem dedicado à história genealógica das famílias reais, "a personalidade [de D. Manuel II] salta para a História um pouco à sombra do carácter mais forte e mais determinado de sua mãe", a Rainha D.ª Amélia, "cuja influência sobre ele foi sem dúvida capital contribuindo para o manter num relativo segundo plano".
O investigador considera que esta forte influência de D.ª Amélia contribuiu para o Rei ter escolhido a princesa alemã Augusta Vitória de Hohenzollern, como sua mulher. Uma companheira, escreve Ricardo de Medrano, que "parece circular junto dele mais como uma sombra do que como a grande personalidade que se espera de uma rainha".
Numa das muitas fotos desta edição está o casal real. O autor chama a atenção para o "olhar caloroso de Manuel" em contraste com o "olhar sempre vago de Mimi", como era apelidada na intimidade Augusta Vitória.
Depois da morte do marido, Augusta Vitória "soube construir uma nova vida à sua medida, à margem da existência anterior (?), mas ganhando a alienação da terra e das gentes daquele Portugal tão caro a Manuel", atesta o investigador.
O monarca, segundo o autor, deu um forte contributo para os novos tratamentos ortopédicos e esforçou-se em "recuperar e reivindicar a grande literatura clássica portuguesa", mas "os pesadelos económicos, amargariam a sua vida até à morte".
Ricardo de Medrano descreve a vida de D. Manuel II como "cheia de amarguras" e "própria de uma personagem afável, mas mais medíocre do que excepcional, que sempre sofreu com a perda do trono dos seus antepassados".
"D. Manuel II - A vida desconhecida no exílio", com a chancela da Esfera dos Livros, reproduz um variado leque de fotografias, algumas raras, como uma do casal real a nadar, de D. Manuel II participando numa feira em Twickenham, ou da rainha vestida de minhota.
A obra divide-se em 16 capítulos desde a saída de Lisboa da família real, "com os canhões apontados para o palácio", a passagem por Gibraltar e o exílio em Inglaterra, abordando ainda questões dinásticas como o Pacto de Doves, o facto de o Rei não ter tido filhos e ainda a viuvez de Augusta Vitória que se voltou a casar e a ostentar o título de condessa Douglas.

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

Funeral de D. Manuel II - O Rei Saudade ou Rei Traído...



A morte do Rei

A 1 de Julho, de 1932 D. Manuel II foi a Wimbledon assistir a um jogo de ténis, à saída sente-se mal da garganta; de regresso a Fulwell Park sente-se pior, manda chamar o seu médico. Lord Dawson proíbe-o de sair de casa no dia seguinte. Não sai mas sente-se cada fez pior. Vai a Londres consultar um especialista que, depois de o observar, o mandou recolher à cama.
D. Manuel voltou a casa, a situação é cada vez mais aflitiva, sufoca. Foi chamado um médico local que foi incapaz de fazer uma operação muito simples - abrir exteriormente a garganta, que teria salvado o rei. D. Manuel II pede um tubo de borracha e por gestos indica que lhe abram as janelas. Um edema da glote estrangulava-o. Morre a 2 de Julho de 1932.
No dia seguinte os jornais portugueses anunciavam a morte de «D. Manuel de Bragança, ex-rei de Portugal» e referiam-se a ele em termos elogiosos.
As exéquias religiosas do rei têm lugar na Catedral de Westminster com a presença dos inúmeros amigos portugueses, Reis e representantes das casas reais europeias, membros do governo britânico, embaixadores de Portugal, Brasil e França, Afonso XIII, ex-rei de Espanha, também no exílio e o Duque de Gloucester, também em representação do pai, Jorge V.
Chegam a Lisboa os restos mortais do nosso último monarca, transportados pelo cruzador britânicoConcord (2 de Agosto). A morte do rei, no exílio inglês, coincide com a ascensão de Salazar à chefia do governo, e no primeiro conselho de ministros do mais longo gabinete da história portuguesa, o novo chefe decide promover funerais nacionais ao falecido.

Chegam a Lisboa os restos mortais do nosso último monarca, transportados pelo cruzador britânico Concord.

Lisboa, 2 de Agosto de 1932
«Lisboa assistiu ao funeral do último monarca português. Vai longe o tempo dos grandes enterros reais com coches doirados, com militares de grande gala, com ministros e embaixadores das nações estrangeiras e com criados de vistosas libres.
Toda a grandeza e imponência dessas cerimónias acabaram quando morreu a monarquia. O enterro do Sr. D. Manuel de Bragança teve solenidade, teve tristeza, mas também teve também um rígido protocolo que talvez lhe diminuísse a imponência»
Esta foi a parte pro-republica e que provavelmente o jornalista teve de pôr, a seguir vem a descrição, mais real.


A 10 de Julho, o governo português, numa nota, anuncia a iniciativa de transladar o corpo do «último rei de Portugal» para Portugal.
Os restos mortais de D. Manuel chegam a Lisboa a 2 de Agosto de 1932. Nas cerimónias oficiais estiveram presentes o presidente da República, general Óscar Carmona, o cardeal-patriarca de Lisboa, D. Manuel Gonçalves Cerejeira, o presidente do Conselho Oliveira Salazar e inúmeras personalidades.

Notem bem o ar carregado à passagem da urna na estação do Terreiro do Paço!…quem tira o chapeu e quem não tira.

«Pelas ruas de Lisboa, por onde passou o fúnebre cortejo a multidão apinhava-se contra os muros das casas e nos telhados das mesmas, comprimida sobre os passeios e contida pela tropa que se fazia notar em grande número.
Veio gente dos quatro cantos do País para assistir à derradeira cerimónia. Durante a manhã, a população encaminhou-se para as ruas do trajecto, os homens de gravata preta, as mulheres de vestidos negros.
O ambiente nesta manhã de Agosto não era de curiosidade. Pairava um ar de profunda tristeza colectiva em Lisboa, e em certas caras adivinhava-se um não sei quê de saudade acabrunhante.
Afinal os que tinham enxovalhado, esquecido e traído o seu último rei, sentiam agora o profundo pesar da sua morte. Ouvia-se um murmurar pelas ruas da capital, as lavadeiras com a fotografia da sua Rainha (D. Amélia) ao peito, diziam entre si a medo e envergonhadamente…”morrera tão novo e tão longe de sua amada pátria…”
Nos olhos dos velhos brilharam lágrimas que não havia pressa de enxugar nem vergonha de deixar correr, seria isto Nostalgia!
No final da cerimónia o povo foi prestar a derradeira homenagem ao seu último Rei.

Durante horas sucessivas milhares e milhares de pessoas entraram no templo de São Vicente de Fora, contornaram a Eça e saíram, com a mesma atitude com que entraram: tristes e profundamente silenciosos.
Houve que alargar o tempo prescrito para a saudação popular (…)»


Milhares e milhares de populares vindos dos 4 cantos do País aguardam na Rua da Voz do Operário pela sua vez, para entrarem no Mosteiro de São Vicente de Fora.

The silver casket being carried by Lisbon firemen (photo archive of the city of Lisbon

Funeral de El Rei D.Manuel II em 1932.

Mosteiro São Vicente de Fora.


País republicano?
«Agora resta a saudade, recordação próxima. Amanhã será o esquecimento que é afinal no que acaba sempre tudo»
Critica à atitude ausente do povo perante a queda da monarquia? Sentimento estranho numa nova república!

"Recordar?! Recordar é ter esquecido uma vez! Eu nunca me esqueci!" - Rainha Dona Amélia

Interior da Igreja de São Vicente de Fora.

Os últimos chapéus altos da monarquia estavam presentes-mas em S. Vicente de fora.No terreiro do Paço toda a causa monarquica cabia em dois automóveis modestos.

Miguel Duarte Guedes
09-11-2011

domingo, 28 de outubro de 2012

D. Manuel e o Manuelismo


A elevação de D. Manuel II ao trono foi tão abrupta, que não houve tempo para se reunir em volta dele nenhum desses grupos que gravitam perto dos príncipes herdeiros, com um vasto e ambicioso programa de reformas destinado a mudar a feição do país. Por isso o seu reinado ficou preso a uma classe política gasta, operando num ambiente degradado. No entanto, apesar das circunstâncias que concorriam para apagar a sua personalidade política, o jovem monarca revelou uma aguda consciência ética e estratégica sobre o modo como devia desempenhar-se da sua missão dinástica e salvar a monarquia. O primeiro acto da vontade régia, pôr termo à experiência franquista e inaugurar a política da “acalmação”, foi aquele que ficou marcado na memória histórica como a feição característica do seu reinado, e constituiu sem dúvida um sinal de fraqueza do regime, que o partido republicano estava preparado para explorar. Se a actuação política de D. Manuel se tivesse reduzido a esta substituição de uma política por outra, a sua herança histórica seria um traço de inabilidade estratégica, embora firmado com uma vontade forte. Mas foi muito mais longo o alcance do seu pensamento e da sua acção.
A vontade de romper o cerco em que a política rotativista o encarcerava foi um dos traços mais salientes da sua actuação enquanto rei. Empenhado em cumprir os seus deveres de soberano católico, procurou fazer-se o advogado das classes pobres junto do governo, e para isso abriu uma ligação directa ao seu povo, correspondendo-se pessoalmente com os dirigentes do movimento operário,  Azedo Gneco e Aquiles Monteverde, que lhe transmitiam as impressões recolhidas nos meios mais indigentes. D. Manuel recolhia essas notas e transmitia-as aos seus ministros, que sem pressas nem excesso de zelo iam adoptando algumas das recomendações régias. Na opinião do rei, ao imperativo moral de melhorar as condições de vida dos mais pobres, juntava-se o imperativo político de subtrair os operários à influência da propaganda republicana, explorando as divisões entre o movimento operário e o partido republicano. Neste ponto mostrava uma apurada sensibilidade política, pois o conflito entre as duas forças era profundo e veio a rebentar com violência durante a vigência da república.
Mais ambicioso do que este plano, e procurando atingir o âmago das fraquezas nacionais, foi o empenhado esforço com que D. Manuel se debruçou sobre o vasto inquérito encomendado ao sociólogo francês Léon Poinsard. Esta autêntica sumidade da escola de Frédéric le Play, que iniciara os estudos de campo em sociologia, deslocou-se a Portugal em 1909, com a incumbência de procurar as razões profundas do estado de decadência em que o país se atolara. Viajou de Norte a Sul, estudou os mais variados meios sociais, familiarizou-se com os meios citadinos e rurais, leu a história portuguesa e consultou a mais moderna investigação etnográfica sobre o modo de vida material, cultural e religioso de cada província. Apurou dados estatísticos e económicos, comparou a divisão da propriedade nas várias regiões, e produziu no final um diagnóstico tão profundo como até então não se conhecera, sobre o estado social da nação portuguesa. O estudo de Léon Poinsard, publicado em livro com o título de “Portugal Ignorado” (1912), ficou concluído depois da mudança de regime, e leva no fim uma nota sobre os últimos acontecimentos políticos.
O diagnóstico de Léon Poinsard revela causas históricas e sociais na raiz dos problemas portugueses, vendo na instabilidade política e na debilidade do tecido económico as consequências de um mal mais profundo – a secular desorganização da sociedade, alicerçada numa estrutura familiar sem grande consistência. Portugal é caracterizado como um país que desde vários séculos atrás “se desviou do regimen normal do trabalho”, por circunstâncias históricas como a expansão ultramarina , a abundância de escravos ou a ociosidade das classes dominantes. “Poucas nações teem passado por circumstancias desorganizadoras tão profundas e contínuas como as que o povo portuguez tem sofrido”. Passando em revista as soluções que os sucessivos governos adoptaram ao longo dos tempos para contrariar a estagnação e decadência da nação portuguesa, mostra a pouca eficácia e o curto alcance das políticas adoptadas, por não atacarem as raízes do problema. E aponta as necessidades do país, destacando, de todas elas, a prioridade maior: a reconstituição da estrutura da família portuguesa.
No interior do livro deixa um apontamento sobre a atenção que o rei D. Manuel dedicou áquele inquérito, não apenas acompanhando os passos da investigação, mas definindo-lhe mesmo alguns dos objectivos. Reconhecendo que o rei era mediocremente aconselhado e não tinha experiência nem autoridade para dominar os partidos, impondo-lhes reformas profundas, acrescenta que ele “era animado das melhores intenções e do mais vehemente desejo de exercer inteligentemente e com utilidade para o paiz as suas elevadas funcções de rei”, revelando depois: “Tomara grande e directo interesse pelos nossos estudos sobre Portugal e empenhara-se por conhecer-lhes prontamente o resultado. Tivemos de responder minuciosamente a uma serie de perguntas redigidas pelo seu proprio punho e que denotavam uma intelligencia muito viva e uma precoce circunspecção de espírito pouco vulgar na sua idade”.
Dada a curta duração do reinado de D. Manuel, ficam-nos apenas indícios como este, para conhecermos o que poderia ter sido o manuelismo no seu período reinante. O outro manuelismo, que se definiu penosamente no exílio, lutou durante 22 anos para se fazer ouvir pelos seus mais zelosos servidores. Depois de 1910, as relações de D. Manuel com as suas hostes formaram uma tortuosa trama, feita de desencontros entre os ímpetos guerreiros dos segundos e o tranquilo planeamento político do primeiro. O rei via o movimento monárquico como um agrupamento político unido, pacífico e ordeiro, com um chefe nomeado por ele, e servido por jornais que explicassem claramente a visão política do monarca. Mas os seus fiéis não aceitavam impávidos os enxovalhos que a república lhes infligia, respondiam ao golpismo republicano com monárquico golpismo, e aclamavam um chefe, que não o escolhido pelo rei.
Os acontecimentos do 5 de Outubro douraram o perfil de Paiva Couceiro com as cores do heroísmo, erguendo-o ao papel de supremo paladino da monarquia, o único oficial que se batera com denodo no meio da cobardia generalizada. Espontaneamente foi tomado por chefe dos monárquicos e olhado como o comandante natural de qualquer movimento restaurador. Couceiro tomou o lugar que a opinião pública lhe conferia e norteou o movimento monárquico para a via da conspiração armada. Contrariava assim  a vontade política do rei exilado, que sempre afirmou pretender o seu regresso quando fosse chamado ao trono pela vontade da nação, livremente expressa. Deve notar-se que semelhante exigência parecia uma abdicação. No regime que se vivia em Portugal, não se vislumbrava possibilidade alguma de essa condição se reunir, pois a república não mostrava o mais leve empenho em consultar a vontade da nação, ou em permitir que esta se exprimisse por qualquer meio que fosse.
O inesperado triunfo da república mostrara que uma vitória pela força das armas arrasta consigo, nos dias posteriores, uma onda de conversões e adesões espontâneas, que ajudam a consolidar o terreno conquistado. Por isso, a doutrina prevalecente no campo monárquico, mesmo entre aqueles que mais acreditavam nas virtudes do sufrágio, como Paiva Couceiro, era a de restaurar a monarquia e depois referendá-la.D. Manuel via-se rodeado de uma hoste que se batia em seu nome sem o consultar. Foram necessários anos de porfiados esforços para que D. Manuel conseguisse imprimir a sua política ao movimento monárquico. As incursões de 1911 e 1912 foram um sinal de impotência e desorganização dos monárquicos, mas deram alento aos mais combativos, e provocaram nova onda de repressão, que fez renascer das cinzas uma imprensa monárquica mais aguerrida, pronta a enfrentar as vagas de apreensões e empastelamentos.
Em 1914 publicavam-se em Lisboa 14 jornais monárquicos, 3 dos quais dedicados à caricatura política. As arbitrariedades da governação republicana davam abundante pasto à ironia e ao sarcasmo. Mas sentia-se a necessidade de ir mais longe do que a simples publicação de comentários mordazes aos actos do poder político. O principal conselheiro de D. Manuel, Aires de Ornelas, vivendo em França, acompanhou o renascer do sentimento monárquico sob a inspiração de Charles Maurras e da “Action Française”. Admirador da obra de “saneamento intelectual” que se operava em França, graças crítica dos princípios revolucionários, o antigo ministro franquista pensou no modo de transferir para Portugal o renascimento dos valores tradicionais. Reconhecendo nas ideias revolucionárias que fermentavam em Portugal o figurino de origem francesa, facilmente deduzia a necessidade de importar também a crítica das mesmas. Em Abril de 1914 Aires de Ornelas publicava um opúsculo intitulado “as doutrinas políticas de Charles Maurras”. Mas onde ele via apenas a crítica dos princípios “revolucionários”, ou “republicanos”, podia-se ver também uma condenação do parlamentarismo e da monarquia constitucional. Tal consequência seria abundantemente explorada por um movimento, que estava prestes a irromper na política portuguesa. O Integralismo Lusitano, criado no mesmo ano, deu-se a conhecer ao público com um vasto programa de crítica e reforma da mentalidade portuguesa. Com um verbo acutilante, lançado em várias direcções, golpeava duramente a política republicana e os seus antecedentes liberais, atacando-lhes os alicerces filosóficos, científicos e sociológicos. O movimento monárquico ganhava novo poder de atracção.
Em Agosto de 1916 começou a publicar-se o “Diário Nacional”, órgão da Causa Monárquica. O manuelismo conseguia finalmente constituir-se em partido, com um jornal matutino dirigido por Aires de Ornelas, lugar-tenente de D. Manuel. A política nacional passava a ser diariamente analisada pela perspectiva monárquica superiormente orientada.
Mas em 1918 o movimento restauracionista voltou a mergulhar na via conspirativa, à margem das instruções régias. O sidonismo, apoiando-se nos monárquicos, deu-lhes a consciência da força que tinham. Largamente representados no parlamento, no governo e no exército, não estavam dispostos a deixar que o poder voltasse às mãos do republicanismo radical. A Monarquia do Norte e a revolta de Monsanto, em Janeiro de 1919, foram o resultado desta actividade conspiratória, que terminou com mais uma vitória da república, e a prisão ou o exílio dos mais activos monárquicos.
Em meados de 1919, encontrando-se a Causa Monárquica privada dos seus chefes,  uma delegação do integralismo lusitano dirigiu-se a Inglaterra, onde se encontrou com D. Manuel para lhe pedir que se definisse com mais clareza sobre pontos de política e que imprimisse uma nova direcção à Causa Monárquica. O rei recusou-se a tomar como seus os princípios anti-liberais do integralismo, afirmando-se rei constitucional, e confirmou o seu lugar-tenente Aires de Ornelas, que se encontrava preso, na chefia da Causa. O integralismo lusitano, reconhecendo a incompatibilidade entre as suas doutrinas e as do constitucionalismo, de que o rei se mostrava inabalável fiador, decidiu  desligar-se da obediência a D. Manuel e procurou um entendimento com o partido legitimista. A cisão não foi seguida por todos os integralistas. Houve um grupo que  continuou a reconhecer D. Manuel e a militar nas fileiras da Causa Monárquica: João Ameal, Caetano Beirão, Alfredo Pimenta, António Cabral, Luís Chaves, Fernando Campos e outros, constituíram uma corrente autónoma, que veio a chamar-se Acção Realista, e a publicar uma revista de doutrina política com o mesmo nome. O integralismo mantinha assim um braço muito activo no interior da Causa Monárquica, o que trouxe a esta um clima de intenso debate ideológico ao longo dos anos 20. A juventude da Causa Monárquica lançou em 1925 a “Portugália”, revista de “tradição, cultura e renovação nacional”, dirigida por Fidelino de Figueiredo. Foi nas páginas desta revista que se iniciou uma das mais importantes controvérsias doutrinárias entre monárquicos. O Conselheiro Luís de Magalhães, procurando aplanar as diferenças entre constitucionalistas e integralistas, publicou um artigo sobre “o tradicionalismo da carta”, onde interpretava o documento basilar da monarquia constitucional como uma adaptação moderna dos princípios da monarquia tradicional, mantendo todas as prerrogativas do poder régio e conservando a representação nacional dividida  que como nas antigas côrtes, pois os três estados encontravam-se representados nas duas câmaras da monarquia constitucional: nobreza e clero na Câmara dos Pares, Povo na Câmara dos Deputados. Este texto foi objecto de uma rigorosa crítica por parte de Caetano Beirão, nas páginas da “Acção Realista”, à qual Luís de Magalhães replicou com ampla argumentação, que juntou no livro “Tradicionalismo e Constitucionalismo”. A obra de Luís de Magalhães, em que Barrilaro Ruas via um dos mais altos expoentes do tradicionalismo português, é decerto a mais completa compilação da doutrina do manuelismo, e nela se pode avaliar a evolução de uma corrente política que, começando como simples profissão de fidelidade ao regime caído em 5 de outubro, foi ganhando consistência e visão crítica do período constitucional. A Causa Monárquica tinha, entretanto, recebido instruções de D. Manuel para definir com maor precisão a sua doutrina, procurando um acordo entre as suas correntes, mas mais uma vez as controvérsias entre integralistas e constitucionais fizeram arrastar a redacção do texto unificador, que esteve perto da conclusão, mas estancou quando se discutia o último ponto. O manuelismo ficou assim privado do seu manifesto definitivo, mas no caminho para o alcançar produziu suficiente reflexão ideológica para enriquecer o património do pensamento político português.
Carlos Bobone in Correio Real 8

segunda-feira, 2 de julho de 2012

80º Aniversário da Morte de D'El-Rei Dom Manuel II

O PPM presta esta pequena Homenagem a um Grande Português.
D. Manuel II nasceu em 15 de Novembro de 1889, em Lisboa.
Sossegado, estudioso e amante da música, teve de interromper os estudos, aos dezoito anos, para assumir o trono em resultado da tragédia que ceifou as vidas de seu pai e irmão.
Muito marcado pelos trágicos resultados do papel interventivo assumido por seu pai, seguiu à risca a máxima constitucional de que «o rei reina, mas não governa», acabando por perder o trono na insaciável voragem dos acontecimentos. Após a proclamação da República, viveu um longo exílio em Inglaterra, onde viria a falecer em 1932. Durante o exílio, colocou sempre os interesses de Portugal acima das suas próprias ambições de regresso ao trono e, várias vezes, chegou a intervir em benefício e prestígio do seu país, independentemente do regime em vigor. Atravessou uma época perturbada e perturbante. Nascido num mundo que começava a soçobrar, viveu a grande crise do liberalismo e viu surgir, depois da Primeira Guerra Mundial, a estruturação de um outro mundo, com valores que já não eram os seus, onde despontavam novos horizontes que conduziriam a humanidade para novas tragédias. Percebendo que algo tinha de mudar, nunca cedeu aos arautos dos extremismos e permaneceu toda a vida fiel ao juramento constitucional, feito no longínquo dia 6 de Maio de 1908. A sua cultura e erudição e o imenso amor pelos livros e por tudo o que era português são a marca inconfundível da sua actividade de bibliógrafo e investigador.
Fonte: Livro D. Manuel II

O último Rei de Portugal

Centenário do Regicídio

D. Manuel II - O dia da Aclamação

Crédito fotográfico de Joana Dias Pereira

D. Manuel II, último Rei reinante Português, que morreu prematuramente faz hoje oitenta anos merecia que muitos mais que se afirmam monárquicos estivessem presentes na Missa que o recordou piedosamente. De qualquer religião ou sem nenhuma, porque além de uma cerimónia católica era também um acto cívico. Mas só confirmei o que já sabia: cibermonárquicos vão a tudo e depois não saiem do seu comodismo.
Caros amigos deixei este meu testemunho no Evento que foi criado para divulgação da Missa de hoje: Não consigo entender o que é que os Monárquicos que aqui andam no Facebook afinal querem. A Missa foi divulgada a tempo e horas, talvez pudesse ter sido anunciada com um pouco mais de antecedência (mas não é desculpa), o que verdadeiramente importa é que continua a haver mais Monárquico de sofá e menos Monárquico que aparece dar apoio à nossa Família Real. Tendo em conta o actual estado em que o nosso País se encontra esperava uma Juventude Monárquica em massa e muitos monárquicos séniores a encherem por completo a Igreja, tal como aliás foi por exemplo a Missa do Centenário do Regicidio, que a Basílica de São Vicente de Fora esteve completamente cheia!!!! E quem lá esteve sabe que é verdade! Quando se é Monárquico é porque se quer a Monarquia e luta-se por ela. É isto para mim, o que é ser-se Monárquico. Isto é tudo muito bonito vir ao Facebook e dar opiniões, quando o essencial está muito mas muito mesmo para se fazer. Eu fico muito triste por ter que dizer isto aqui, eu faço a minha parte na Internet e procuro, sempre que posso comparecer, mas hoje, sou muito sincero, fiquei desiludido e meti na cabeça que tinha que vir aqui deixar o meu ponto de vista. Que tem o valor que tem. É a minha opinião, é o meu sentimento, é o meu desabafo.

sábado, 30 de junho de 2012

Por alma de El-Rei D. Manuel II - Missa na Igreja da Encarnação

Cumprindo-se no próximo dia 2 de Julho 80 anos sobre o falecimento de El-Rei D. Manuel II, será celebrada missa nesse dia, pelas 19h, na Igreja da Encarnação ( Chiado ).
Uma intenção piedosa da Fundação D. Manuel II, a que a Real Associação de Lisboa se associa convidando os seus associados e familiares a estarem presentes.

domingo, 24 de junho de 2012

Amores e desamores do último rei de Portugal (Oficina do Livro)

Recordar a história, conta-la com todos os pormenores que foi possível recolher, é o essencial propósito deste livro. Também poderão ler outras histórias de que D. Manuel e Gaby Dasleys que foram também protagonistas da sua relação amorosa. Este é um livro de histórias!
Sobre a obra:
Um ano antes da queda da monarquia, o último rei de Portugal conheceu em Paris uma das estrelas mais cintilantes do music-hall francês. Chamava-se Gaby Deslys e arrebatou, de imediato, o coração do jovem D. Manuel II, a quem sua mãe, a Rainha D. Amélia, tratava carinhosamente por Reizinho. Alvo de muita bisbilhotice e especulação, o romance amoroso, que se prolongaria por dois anos, foi usado pelos republicanos para fragilizar ainda mais a monarquia, enquanto fora de portas, onde era igualmente muito falado, serviria de inspiração a criadores de óperas, peças de teatro e outras manifestações artísticas. A paixão ardente do monarca pela sedutora Gaby Deslys é o ponto de partida de um livro que evoca o penoso reinado de D. Manuel II e, depois, o seu atribulado exílio em Inglaterra, reunindo um conjunto de histórias que compõem um retrato diferente (e polémico) do último rei de Portugal. 
Sobre autor:
Vasco Duprat (pseudónimo) nasceu em Lisboa, é jornalista e tem colaboração dispersa por vários jornais e revistas.

quarta-feira, 30 de maio de 2012

D. Amélia - Momentos em família

D. Amélia possuía uma beleza pessoal inquestionável
D. Amélia em 1905
Nas imagens de cima: O Rei D. Carlos e D. Amélia ainda noivos. 
D. Amélia era tão alta (cerca de 1.80 descalça) que normalmente tiravam as fotografias com ela sentada.
casamento real aconteceu no dia 22 de Maio de 1886 na igreja de São Domingos em Lisboa.
Constando do programa uma série de recepções no paço, jantares e bailes de corte, récitas de gala nos teatros, tourada á "antiga portuguesa" na praça do Campo de Santana (foi inaugurada em 31 de Julho de 1831), duas corridas de cavalos no hipódromo de Belém, uma quermesse no Jardim Zoológico e um sarau no Real Ginásio Clube Português, etc.
Dona Amélia e o seu séquito composto por 57 pessoas, havia chegado a Portugal dois dias antes à estação de Santa Apolónia, ficando depois hospedados no paço das Necessidades.
Muita gente da província, veio a Lisboa para assistir ao casamento real, mas o povo poucas vezes teve oportunidade de ver o casal, exceptuando a passagem dos coches pela ruas de Lisboa.
A única cerimónia ao ar livre foi uma parada militar no dia 25 de Maio.
Só a selecta assistência no teatro S.Carlos pode ver a Princesa Dona Amélia de perto, no dia em que se ouviram o primeiro acto da ópera Semiramis e dois actos da Aida de Verdi, ou a que esteve presente no baile de gala no dia 28 do mesmo mês.
Como quase sempre em Portugal, o aspecto financeiro é um factor importante, sobretudo quando se vive com dificuldades o que era manifestamente o caso, tanto assim que Dom Luís havia considerado a hipótese de adiar o casamento, devido ao aperto financeiro existente, pois o parlamento havia disponibilizado menos dinheiro do que o havia concedido para o casamento de Dom Luís, a quantia de 107 contos.
Os jovens príncipes foram viver para o palácio de Belém, em frente ao Tejo, construído por Dom João V na primeira metade do século XVII e que servia até essa altura para hospedar visitantes a Lisboa.
Aqui nasceram os seus filhos, Dom Luís Filipe e Dom Manuel II, que foram baptizados na capela palatina, bem como um parto prematuro de uma infanta de nome Maria, que não sobreviveu.
A vida "modesta" a que foram obrigados a viver com um magro orçamento de 40 contos anuais, não impediram que umas "obrinhas" em casa tenham sido feitas, contratando os grandes pintores da época como Columbano Bordalo Pinheiro e José Malhoa para decorar algumas salas.
elegância da Monarca Portuguesa. A mais bonita e alta da Europa.
Em cima: D. Amélia (já mais velha) Rainha de Portugal, após o assassinato do seu marido.

Em baixo: D. Amélia com o seu filho o Rei Dom Manuel II, em 1910.
Em meados de 1907, o seu irmão mais velho e herdeiro do trono de Portugal,visitou Moçambique. O duplo assassinato do seu pai e do seu irmão Luiz Filipe seis meses mais tarde colocou Manuel no trono.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Acção no exílio de D. Manuel II "foi maldosamente escondida"


O historiador Fernando Amaro Monteiro afirmou que a acção no exílio do rei D. Manuel II, falecido há 80 anos, "foi maldosamente escondida", quando até contribuiu para o reconhecimento do Governo republicano pelo Reino Unido.
Fernando Amaro Monteiro falava à Lusa a propósito da apresentação da obra "D. Manuel II e D. Amélia. Cartas inéditas do exílio", na quarta-feira, às 18 horas, no salão nobre da Sociedade Histórica da Independência de Portugal, em Lisboa.
O investigador afirma que a figura e acção de D. Manuel II no exílio foi "deliberadamente escondida, e isso é claramente demonstrado neste livro", editado pela Estampa.
"Há uma certa maldade ao não se mencionar, de propósito, a acção do Rei no exílio, como por exemplo o ter conseguido o reconhecimento do Governo português saído da revolução de 28 de maio de 1926, em dois dias e meio, o que é uma coisa extraordinária. É o próprio Governo da República que lhe pede a intercessão", sublinhou.
O investigador salientou a figura do monarca como "bibliófilo de nomeada internacional", e a sua "enorme tarefa desenvolvida na Cruz Vermelha inglesa, durante a I Grande Guerra, muitas vezes em prol dos soldados portugueses, como a criação de um pavilhão português num hospital militar em Paris, e isto tem sido escondido", afirmou.
O livro, coordenado por Amaro Monteiro, traz a lume 152 documentos, na maioria inéditos, e resulta de uma recolha de um fundo documental da Fundação D. Manuel II que só veio para Portugal em 2001, "por determinação expressa de D.ª Augusta Victoria de Hohenzollern-Sigmarigen, viúva do monarca".
Destes 152 documentos, 57 são cartas remetidas pelo rei e outras 64 endereçadas a si. Há ainda seis cartas remetidas pela mãe, a rainha Dª Amélia, viúva de D. Carlos, e 21 dirigidas à soberana, que entretanto fora residir para os arredores de Paris. Há também telegramas tanto para D. Mnauel II como para sua mãe.
Em termos cronológicos, a correspondência régia publicada vai de 1910 a 1945. Entre as várias personalidades com as quais houve troca de missivas, refira-se o primeiro-ministro britânico, Winston Churchill, o cardeal-patriarca de Lisboa Manuel Gonçalves Cerejeira e o presidente do conselho de ministros, António de Oliveira Salazar.
Numa carta dirigida a Salazar, D. Manuel II dá conta da sua "admiração" que "tem crescido perante a obra admirável" do então homem forte de Portugal.
Fernando Amaro Monteiro disse à Lusa que, no início, D. Manuel II admiraria a governação de Salazar, mas depois veio a desiludir-se, e "na última carta é fortemente crítico do que se passava na sociedade portuguesa".
Oliveira Salazar, afirmou o investigador, "iludiu os monárquicos e também o rei com a possibilidade da restauração da monarquia", pelo menos de princípio, "mas fazia parte da sua estratégia".
"A rainha [D.ª Amélia], por seu turno, não. Nunca esperou a restauração da dinastia", sentenciou.
O investigador afirmou que "um rei seria complicado, pois Salazar não o podia despedir como fez com o Presidente da República, o general Craveiro Lopes, e D. Manuel II era uma personagem inquietante". Segundo Amaro Monteiro, "convinha a Salazar tratar a Casa Real e os monárquicos com uma atitude de deferência e de esperanças sempre dilatadas, e assim não encarar de frente um problema real que eram os bens da Casa de Bragança, que foram açambarcados em espírito de confisco pela Fundação da Casa de Bragança, após a morte de D. Manuel II".
"Convinha [a Salazar] manter os Bragança numa certa precariedade, numa modéstia prateada que nem chegava ser dourada", acrescentou.
A obra levou cerca de três anos a organizar e, além da transcrição das cartas, inclui um índice onomástico, em que são contextualizadas todas as personagens referidas nas cartas ou que são remetentes ou receptores das missivas régias.