Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

Mostrar mensagens com a etiqueta Monarquia do Norte. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Monarquia do Norte. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 6 de maio de 2013

Diario da Junta Governativa do Norte de Portugal" de 21 de Janeiro de 1919


Aproveitando a instabilidade gerada pelo assassinato do presidente Sidónio Pais, os monárquicos do Porto proclamaram a restauração da Monarquia a 19 de janeiro de 1919, criando uma Junta Governativa, presidida por Paiva Couceiro.
Ao fim de quase um mês – durante o qual os monárquicos do Norte dominaram a quase totalidade do Minho e Trás-os-Montes, e ainda parte das Beiras –, a revolta caiu a 13 de fevereiro, com a entrada no Porto das tropas fiéis à República.
Durante o período em que durou a chamada "Monarquia do Norte", foram abolidos os símbolos republicanos e provisoriamente restaurados os monárquicos, designadamente, a bandeira, a moeda e, é claro, também a antiga "orthographia". 
[Foto: Clube Filatélico de Portugal]

sábado, 23 de março de 2013

Manifestação monárquica frente à Universidade do Porto

Manifestação monárquica frente à Universidade do Porto, durante a "Monarquia do Norte" (19 de janeiro a 13 de fevereiro de 1919).
Após o assassinato de Sidónio Pais, a 14 de dezembro de 1918, alguns monárquicos aproveitaram a situação de instabilidade vivida no país para restaurar o regime derrubado a 5 de outubro de 1910. Assim, a 19 de janeiro de 1919, a Junta do Norte proclamou, no Porto, a restauração da Monarquia, gerando focos de resistência ao poder republicano em vários pontos do país.
No Porto, os republicanos foram perseguidos e presos, sendo utilizado o Éden-Teatro como local para interrogatórios.
Os monárquicos mantiveram posições durante perto de um mês, dominando a quase totalidade do Minho e Trás-os-Montes, e ainda parte das Beiras. A revolta acabou por cair a 13 de fevereiro, com a entrada no Porto das tropas fiéis à República.
[Fontes – foto: site do Clube Filatélico de Portugal; texto: Infopédia; texto. Porto Desaparecido]

domingo, 10 de março de 2013

Proclamação da Monarquia do Norte



Documento sobre a proclamação da Monarquia do Norte, de Henrique Paiva Couceiro, ainda tão actual nos nossos dias.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

A tomada de Monsanto

O Hastear da Bandeira em Monsanto, 1919
A revolta em Lisboa só eclodiu no dia 22 de Janeiro, sob o comando de Aires de Ornelas, apoiado pelo tenente-coronel Álvaro de Mendonça. Um grupo de cerca de setenta militares e civis monárquicos, chefiados pelo capitão Júlio da Costa Pinto, sobem então para o Forte de Monsanto, onde hasteiam a bandeira da monarquia e estabelecem contacto com o norte. Vêm a ficar cercados pelos republicanos em 24 de Janeiro. Enquanto uns 30 monárquicos saíram da Cruz das Oliveiras em direcção à Ajuda, para ir sublevar o quartel de Infantaria 16, os que ficaram em Monsanto não foram suficientes para suster as forças republicanas que ali se concentraram. Os monárquicos, em desvantagem numérica, lutaram até ao fim da tarde, mas o capitão Júlio da Costa Pinto, com alguns feridos graves sob o seu comando - entre os quais Pequito Rebelo e Alberto Monsaraz - , acabou preferindo a capitulação à fuga.

sábado, 11 de fevereiro de 2012

Uma Pátria não morre enquanto tiver Homens como Paiva Conceiro, que nos deixou há 68 anos

Henrique Mitchell de Paiva Couceiro (Lisboa, 30 de dezembro de 1861  Lisboa, Henrique Mitchell de Paiva Couceiro GCI (Lisboa, 30 de Dezembro de 1861  Lisboa, 11 de Fevereiro de 1944) foi um militar, administrador colonial e político português que se notabilizou nas campanhas de ocupação colonial em Angola e Moçambique e como inspirador das chamadas incursões monárquicas contra a Primeira República Portuguesa em 1911, 1912 e 1919. Presidiu ao governo da chamada Monarquia do Norte, de 19 de Janeiro a 13 de Fevereiro de 1919, na qual colaboraram activamente os mais notáveis integralistas lusitanos. A sua dedicação à causa monárquica e a sua proximidade aos princípios do Integralismo Lusitano, conduziram-no por diversas vezes ao exílio, antes e depois da instituição do regime do Estado Novo em Portugal.

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

A MONARQUIA DO NORTE

Sessão solene da proclamação da Restauração da Monarquia na varanda dos Paços do Concelho de Viana do Castelo, a 20 de Janeiro de 1919, fez agora 93 anos.

A 14 de Dezembro de 1918 o major Dr. Sidónio Bernardino Cardoso da Silva Pais, Presidente da República Portuguesa, foi assassinado a tiro, ao badalar da meia-noite. A partir daqui tudo se complicou e precipitou, quase às claras. A 13 de Janeiro de 1919 estoura em Santarém uma rebelião militar republicana, prontamente esmagada pelo general Fernando Tamagnini de Abreu e Silva e pelo Ministro da Guerra, tenente-coronel José Alberto da Silva Basto. O poviléu, atrito e gemebundo, assistia a tudo de olho esbugalhado fora da órbita.
Logo de seguida, num domingo radioso de sol, eclodiu a revolta monárquica na cidade do Porto, «agora ou nunca». Durante a parada militar do Monte Pedral, com contingentes de Infantaria, Cavalaria, Artilharia, Metralhadoras e da Guarda Nacional Republicana, às 13 horas do dia 19 de Janeiro de 1919, foi desfraldada a bandeira azul e branca, por entre vivas a Portugal, à Monarquia, ao Exército e a El-Rei Dom Manuel II, tudo sem disparar um único tiro.
Secundada por outros movimentos sediciosos, rapidamente levaram à proclamação da Restauração da Monarquia e a instauração da Junta Governativa do Reino de Portugal sob a presidência de Henrique de Paiva Couceiro, que exerceu, na realidade, o poder nas províncias do Minho, Douro, Trás-os-Montes, parte da Beira Alta e da Beira Litoral até à linha do Vouga.
Formou-se um ministério, o Governo Nacional, com figuras gradas e espírito couraçado com as razões celestes:
Coronel Henrique Mitchell de Paiva Cabral Couceiro como Ministro da Presidência, Negócios da Fazenda e Subsistências;
Capitão de Cavalaria António Adalberto Sollari Allegro, Ministro dos Negócios do Reino;
Dr. Júlio Girão Faria de Morais Sarmento (Visconde do Banho), Ministro dos Negócios Eclesiásticos, Justiça e Instrução;
Coronel João de Almeida, Ministro da Guerra, Marinha e Comunicações;
Conselheiro dr. Luís Cipriano Coelho de Magalhães, Ministro dos Negócios Estrangeiros;
Coronel eng.º Artur da Silva Ramos, Ministro das Obras Públicas, Correios e Telégrafos;
Dr. Pedro de Barbosa Falcão de Azevedo e Bourbon (Conde de Azevedo), Ministro da Agricultura, Comércio, Indústria e Trabalho.
O coronel João de Almeida, comandante militar de Aveiro, nunca chegou a tomar posse e não tardou a desmarcar-se da«restauração monárquica na presente conjuntura». Tal motivo originou a redistribuição das pastas ministeriais.
A Junta Governativa do Reino de Portugal tentou reorganizar a administração do território nomeando governadores civis para diversos distritos, cujas posse decorreram, na maioria dos casos, a 20 de Janeiro:
Tenente-coronel Fernando de Almeida Cardoso de Albuquerque (Conde de Mangualde) para o distrito do Porto;
Major Martinho José Cerqueira para Viana do Castelo;
Major Egas Ferreira Pinto Basto para Aveiro;
Capitão Arnaldo Ribeiro de Andrade Piçarra para Braga;
Tenente-coronel Carlos Leitão Bandeira para Bragança;
Capitão Victor Alberto Ribeiro de Menezes para Coimbra;
António de Sampaio da Cunha Pimentel para Vila Real;
Tenente-coronel Patrício Xavier de Almeida e Brito para Viseu;
Dr. António Maria de Sousa Sardinha para o distrito de Portalegre;
Coronel Firmino Teixeira da Mota Guedes como governador militar de Braga.
Ao mesmo tempo revogou inúmera legislação aprovada pelo fervor republicano desde Outubro de 1910, criou um órgão oficial, restabeleceu os símbolos da Monarquia Constitucional, a bandeira, o hino, a moeda, os selos, os feriados, a Carta Constitucional da Monarquia Portuguesa de 1826 e reintroduziu o Código Administrativo de 1896.
O Diário da Junta Governativa do Reino de Portugal, logo no seu primeiro número publicado a 19 de Janeiro, despachou os decretos que restabeleceram a bandeira com as cores reais, o Hino da Carta e revogou «toda a legislação promulgada desde 5 de Outubro de 1910». Entrementes, prosseguiu o afã legislativo da Junta Governativa do Reino de Portugal, com o estabelecimento do livre-trânsito dos géneros alimentícios e a regulação de preços.
Os oficiais, militares e funcionários que tinham sido saneados após o 5 de Outubro foram readmitidos, promulgou uma amnistia para os exilados políticos. À frente da Divisão Militar do Porto foram mantidos o coronel João Gomes Espírito Santo e o capitão António Maria Homem de Sampaio e Mello. A maioria esmagadora das autarquias do Entre-Douro-e-Minho aceitou o facto consumando sem perturbação da ordem e proclamou a Monarquia, sem haver necessidade de nomear novas vereações. Ainda a 19 de Janeiro a restauração da Monarquia foi solenemente proclamada emViseu, São Pedro do Sul, Lamego e em Braga.
A 20 de Janeiro de 1919 o dr. José Maria Nogueira, que já era presidente da Câmara Municipal de Paredes de Coura, aclamou a mudança do regime em sessão solene realizada nos Paços do Concelho. Com mais ou menos entusiasmo, e por entre vivas ao Rei e estralejar de fogo-de-artifício, a bandeira azul e branca foi içada em Ponte da Barca, Ponte de Lima, Arcos de Valdevez, Melgaço, Vila Nova de Cerveira, Caminha, Guimarães, Barcelos, Vieira do Minho, Fafe, Póvoa de Lanhoso, Cabeceiras de Basto, Esposende e demais localidades minhotas, reconhecendo ipso facto a mudança de regime.
As únicas excepções registaram-se em Viana do Castelo e Valença do Minho, devido à forte presença de guarnições infectadas pelo credo republicano. Formou-se em Braga uma intrépida coluna militar comandada pelo capitão António de Sá Guimarães Júnior, acompanhado do major Martinho José Cerqueira, governador civil indigitado, e pelo coronel Alfredo Ernesto Dias Branco, comandante militar da cidade do Lima, marchou para o Alto Minho e impôs a instauração da Monarquia em Viana do Castelo, ainda a 20 de Janeiro, e em Valença no dia imediato, sem encontrar, afinal, qualquer resistência ou disparar um cartucho. Contudo, a 22 de Janeiro, as canhoneiras da Marinha republicana bombardearam a cidade de Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora, acto intimidatório, para inglês ver.
De seguida a «coluna relâmpago» do capitão Sá Guimarães marchou para o Nordeste e proclamou a restauração da realeza em Vila Real (24 de Janeiro) e em Vidago (30 de Janeiro) e, quando planeava atacar Chaves, retrocedeu primeiro para Mirandela, onde já fora antes restaurada a República, e ali sofreu o primeiro revés, sendo gravemente ferido.
A Coluna Militar Mista do Sul, comandada pelo tenente-coronel de Artilharia João Carlos da Cunha Corte-Real Machado partiu do Porto a 22 de Janeiro e proclamou a Monarquia em Ovar (23 de Janeiro), Estarreja e Albergaria-a-Velha (24 de Janeiro), sendo travada às portas de Águeda, exaurida de reforços, munições, calçado e pitança.
Por isto ou por aquilo, a Monarquia nunca foi instaurada na região Centro do País, o que tornou muito difícil a sua sobrevivência. Somente a 22 de Janeiro de 1919 a rebelião alastrou a Lisboa, com as tropas monárquicas e civis comandados pelo conselheiro Aires de Ornelas e Vasconcelos a acantonarem-se no reduto da serra de Monsanto, donde foram desalojados após violentíssimos combates e gritaria da turba espavorida, que ditaram a derrota monárquica na capital, a 24 de Janeiro. A rebelião no Sul fracassara perante a Escalada de Monsanto, sem rei nem roque.
Para operar na Régua e Lamego foi enviada a coluna monárquica capitaneada pelo major Joaquim César de Araújo Rangel, depois transferido para Trás-os-Montes e ali substituído pelo tenente-coronel Augusto de Sousa Dias, porém, já não era possível sustar o açoite das forças republicanas por muito tempo, a mata-cavalo por trancos e barrancos. A 10 de Fevereiro, apesar do denodo praticado, os republicanos conquistaram Lamego.
A Coluna Mista do Norte, agora liderada pelo major Joaquim Rangel, marchou em direcção a Mirandela, trupe que trupe, depois de receber informações que reforços republicanos iam de rota batida a caminho de Vila Flor. A 9 de Fevereiro de 1919 iniciou-se o feroz combate pela travessia do rio Tua e tomada de Mirandela, nove horas a ferro e fogo e terminou num feroz assalto corpo a corpo nas vielas da localidade, ao cair da noitinha. Com pesadas baixas de ambos os lados, a bandeira real foi ali novamente hasteada. No dia seguinte a Monarquia foi proclamada em Vila Flor, por meio de montes fragosíssimos.
Vitoriosos em Lisboa, os republicanos e o Governo da República apertaram o cerco, mobilizando voluntários civis e colunas militares comandadas pelos generais Abel Hipólito e Alberto Mimoso da Costa Ilharco em marcha forçada com destino ao Norte do País. Depois de fugazes escaramuças e recontros, em especial em Águeda e em Angeja, a breve Guerra Civil iria terminar com a derrota da hoste monárquica, com numerosos actos de valentia de parte a parte.
Os republicanos reocuparam Estarreja (11 de Fevereiro) e Oliveira de Azeméis e Ovar (12 de Fevereiro), e os combates prosseguiam ainda na Ponte de Entre-os-Rios e Paços de Ferreira. Apesar dos últimos esforços na frente de batalha em Lamego e no Vouga de Paiva Couceiro, esforçado paladino dos seus ideais, com tão parcos meios e sem bocado de pão para trincar pela soldadesca, a defesa da Monarquia e do Porto era caso de extrema complexidade, percebeu de salto que a causa estava perdida. A manta era curta, destapava os pés quando cobria a cabeça.
Porém, a Monarquia do Norte ainda persistiu até 13 de Fevereiro, altura em que o capitão de Cavalaria João Maria Ferreira Sarmento Pimentel e o capitão de Infantaria Jaime Rodolfo Novais e Silva, com razões astutas, restauraram a República na cidade do Porto, aproveitando a ausência de Paiva Couceiro e de Sollari Allegro, o que precipitou a marcha dos acontecimentos, ainda com alguns focos esporádicos de resistência monárquica aqui e ali. Aos poucos e pouco, fruto da enorme diferença de recursos, o sonho desmoronou-se e a bandeira rubra e verde foi alçada nas demais localidades.
Ainda a 13 de Fevereiro as forças realistas abandonam Vila Flor, a 14 deixaram Mirandela, retirando em direitura a Bragança. A 17 de Fevereiro foi arvorada o pendão republicano em Vila Real e no dia seguinte terminou a resistência monárquica em Macedo de Cavaleiros. A 19 de Fevereiro de 1919, o conselho de oficiais decidiu abandonar Bragança, o ultimo bastião da Monarquia, e o major Joaquim Rangel, na companha de dez oficiais, cinquenta civis e alguns labregos, atravessou a fronteira e no meio das maiores dificuldades entrou em Espanha a 20 de Fevereiro, depois de andanças por franças e araganças, a descrer da graça divina da Restauração.
Curiosamente, somente a 23 de Fevereiro de 1919 a República foi reimplantada nos Paços do Concelho de Paredes de Coura graças ao major Inácio Soares Severino de Melo Bandeira, comandante do 3.º Batalhão do Regimento de Infantaria de Valença, e ao capitão Antero Moreira da Rosa Alpedrinha, administrador do concelho de Paredes de Coura.
Consumada a derrota azul e branca, eis a leva de presos, represálias de monta, alguns assassinatos esporádicos a enviar monárquicos de presente ao Diabo, saneamento de oficiais, expulsão de funcionários, toda a série de «morras» e«mata» da folia rude da populaça urbana de Lisboa e Porto e mais partes-gagas. As enxovias dos cárceres de Lisboa (Penitenciária, Trafaria, Limoeiro, Lazareto e Forte de S. Julião da Barra), Porto (Aljube e Casa da Reclusão), Funchal, Coimbra, Braga, Ponte de Lima, abarrotaram até ao tecto.
Foram criados o Tribunal Militar Especial de Santa Clara(Lisboa) e o Tribunal Militar Especial de S. Bento (Porto) que julgaram dois mil arguidos civis e militares, em julgamentos que se prolongarem até 1921, com muitas sentenças cochichadas ao ouvido e sobrolho carregado, o látego a fustigar a canalha talassa. Ao mesmo tempo procedeu-se a um vasto saneamento da corporação militar com a expulsão de quinhentos oficiais das Forças Armadas. A República topava inimigos a cada passo, até num sorriso alarve.
O major Martinho Cerqueira, governador civil do distrito de Viana do Castelo na Monarquia do Norte, o capitão Benjamim Gomes de Amorim, natural de Arcos de Valdevez, e o sargento de Artilharia Manuel da Mota, de Viana do Castelo, foram condenados a seis anos de prisão maior celular, seguidos de dez anos de degredo ou à pena única de vinte anos de degredo. O padre Domingos Pereira, cabecilha que em Cabeceiras de Basto desfiava padres-nossos enquanto sustinha o arcabuz da guerrilha, foi condenado a tanta soma de anos, quatro em prisão maior celular, seguidos de oito em degredo, ou a quinze anos de degredo opcional.
O alferes Gualdino Ribeiro Guimarães de Passos, natural de Padornelo (Paredes de Coura), foi punido com quatro meses de prisão por despacho de 15 de Agosto de 1919, decisão que contudo foi anulada por despacho de 4 de Janeiro de 1920,«por não provada por unanimidade» as acusações de «tentar restabelecer a forma de Governo Monárquico em Portugal». Revogada em termos administrativos, depois de ter cumprido a punição.
O dr. António Antas de Barros, de Paredes de Coura, detido no Porto a 14 de Fevereiro de 1919 pelo seu envolvimento na Restauração Monárquica, foi pendurado de cabeça para baixo na Ponte Dom Luís e intimado com risco de vida a gritar “Viva a República”. Não se mostrou manso nem cordato e respondia sempre, com brios de bizarria e durante horas, com um heróico e contumaz “Viva o Rei!”. Moídos de tanta berraria, o homúnculo não cedia pela alma do Demo, foi atirado dois anos agrilhoado para o fundo do calabouço em Ponte de Lima.
António Domingos Teixeira Pinto e António de Oliveira Lima, ambos do concelho de Coura, alistaram-se igualmente sob o estandarte real, a satisfizer o dever sagrado dos seus ideais, com louváveis assomos de coragem. Obviamente, estes casos são tão-só evocativos e não esgotam a questão.
Do Alto Minho, entre outros, participaram na Monarquia do Norte o Manuel dos Passos Couta Viana, de Viana do Castelo, comandante duma bateria de artilharia em Monsanto, preso que foi no Forte de Monsanto e sucessivamente transferido para o Lazareto de Lisboa e depois para o Lazareto do Funchal, sendo de seguida demitido do Exército. João Espregueira da Rocha Páris, de Viana do Castelo, foi obrigado a exilar-se pelo seu papel na restauração monárquica. No rescaldo da mesma foram enclausurados, condenados ou saneados o poeta António de Cardielos e o eng.º José Alves Bonifácio, de Castelo de Neiva. O dr. Francisco de Abreu Pereira Maia, de Ponte de Lima, teve homiziado na Galiza durante anos.
Em Abril de 1920 o Tribunal Militar Especial, por entre alarido das trombetas, condenou os réus da Junta Governativa do Reino que estavam detidos, o conselheiro Luís de Magalhães, Visconde do Banho, Conde de Azevedo e coronel Silva Ramos, a quatro anos de ferros em penitenciária e a oitos anos de degredo, ou, em alternativa, a quinze anos de degredo para as possessões ultramarinas.
Outrossim, em Dezembro de 1920, os réus julgados à revelia e que haviam integrado a mesma Junta Governativa do Reino, no caso de Paiva Couceiro e Sollari Allegro, foram sentenciados a oito anos de prisão maior, seguidos de doze anos de degredo, ou, em alternativa a 25 anos de deportação nas colónias.
A lei de 9 de Abril de 1921 aprova uma amnistia para crimes políticos. Contudo, por decreto 29 de Abril de 1921, tais e tais, ficam proibidos de residir em território nacional pelo prazo de oitos anos, acusados de conspiração monárquica, que se viram excluídos do indulto:
Comandante Henrique Mitchell de Paiva Couceiro;
Capitão António Adalberto Sollari Allegro;
Padre Domingos Pereira;
Capitão António de Sá Guimarães Júnior;
Capitão Arnaldo Ribeiro de Andrade Piçarra;
Inspector José Baldaque Guimarães;
Aspirante Rogério Pais da Cunha Prelada;
Coronel António Teixeira da Rocha Pinto;
António Rodrigues.
Assim terminou um dos episódios mais marcantes da história política e militar do século XX português, a consumar o fado vesgo do destino, enquanto os passarinhos chilreavam recados na natureza, a dar ouvidos ao canto da sereia.

sexta-feira, 3 de junho de 2011

Glória ao Minho que primeiro o seu grito fez soar!

Em 21 de Maio de 2011, foi hasteada a bandeira da monarquia constitucional em terras de Portugal.

Braga foi libertada!

segunda-feira, 24 de maio de 2010

Monarquia do Norte - 1919

O Hastear da Bandeira em Monsanto, 1919

domingo, 23 de maio de 2010

Monarquia do Norte - 1919

Decreto da Junta Governativa do Reino de Portugal (1919)

Presidência da Junta Governativa

Decreto nº 8

Interpretando o sentimento nacional, expresso pelas ardentes acclamações do Exercito de terra e mar e pelo Povo Portuguez; considerando que a acclamação de S. M. El Rei o Senhor Dom Manoel II importa o reconhecimento e a aceitação das leis constitucionaes do Reino, que o mesmo Augusto Senhor jurou cumprir e guardar e que são a base fundamental da organisação monarchica do Estado Portuguez; attendendo á conveniencia e necessidade de definir os direitos e os deveres de todos os cidadãos portuguezes, annullando e revogando as leis republicanas que respeitam á constituição política do Estado, a Junta Governativa do Reino, em nome d'El Rei, ha por bem decretar o seguinte:

Artigo 1º - É abolido em Portugal e seus Domínios o regímen republicano e restabelecido a Monarchia Representativa.

Artigo 2º - Entra immediatamente em vigor a Carta Constitucional da Monarchia Portugueza de 29 de Abril de 1826 e as reformas constitucionaes promulgadas até 4 de Outubro de 1910.

Artigo 3º - É restaurada a Dymnastia da Sereníssima Casa de Bragança na Pessoa de Seu Augusto Representante Sua Magestade El Rei o Senhor Dom Manoel II.

Artigo 4º - O poder legislativo e executivo pertence provisoriamente á Junta Governativa do Reino.

Artigo 5º - Fica revogada toda a legislação em contrario, e especialmente todas as leis constitucionaes da republica.

Os ministros e os secretarios de estado de todas as repartições o façam publicar e cumprir como n'elle se contém.


Porto e Paços da Junta Governativa do Reino, 20 de Janeiro de 1919

Henrique de Paiva Couceiro

António Sollari Allegro

Visconde do Banho

Luiz Cypriano Coelho de Magalhães

Conde de Azevedo

sábado, 22 de maio de 2010

Henrique Mitchell de Paiva Couceiro - Um Heroi esquecido

Henrique Mitchell de Paiva Couceiro (Lisboa, 30 de Dezembro de 1861 — Lisboa, 11 de Fevereiro de 1944) foi um militar, administrador colonial e político português. Cobriu-se de glória nas campanhas de ocupação colonial em Moçambique e em Angola e notabilizou-se como inspirador das chamadas incursões monárquicas contra a Primeira República Portuguesa em 1911, 1912 e 1919. Presidiu ao governo da chamada Monarquia do Norte, de 19 de Janeiro a 13 de Fevereiro de 1919, na qual colaboraram activamente os integralistas lusitanos Luís de Almeida Braga (seu secretário) e António Sardinha, bem como Pequito Rebelo e Hipólito Raposo na tentativa do Monsanto, em Lisboa. A dedicação monárquica e a sua proximidade aos princípios do Integralismo Lusitano, conduziu-o diversas vezes ao exílio, antes e depois da instituição do Estado Novo.

Joaquim de Paiva Cabral Couceiro, oficial de engenharia militar do Exército Português, e de Helena Isabel Teresa Mitchell, uma protestante irlandesa convertida ao catolicismo. Destinado a fazer a carreira das armas, fez estudos preparatórios em Lisboa, tendo ingressado na Escola do Exército, onde concluiu o curso de Cavalaria.

Foi apoiante de João Franco.

Oficial de cavalaria, em 1889 cobriu-se de glória em Hampata, Angola, e em 1890 foi agraciado com a Ordem da Torre e Espada.

Ajudante de campo do comissário régio em Moçambique, António Enes, teve acção notável nos combates de Marracuene e Magul contra as forças angunes do régulo Gungunhana, sendo em 1896 por isso proclamado benemérito da Pátria.

Nomeado Governador de Angola em 1907, manteve-se no cargo até 1909, realizando um vasto plano de obras de fomento. Comandou as campanhas militares de pacificação das regiões de Cuamato e dos Dembos.

Comandou a incursão monárquica de 1911, participou na de 1912 e em 1919 proclamou a Monarquia do Norte, de curta duração. Pelas incursões feitas e pela sua fidelidade monárquica ficou conhecido O Paladino.

Foi exilado pelo salazarismo, depois de criticar publicamente a política colonial do regime.