Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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domingo, 15 de junho de 2014

Com abdicação, Juan Carlos aumenta a popularidade da Casa Real

Sondagem para o El Mundo mostra que 72,9% dos espanhóis acham que Felipe VI vai ser um bom rei para Espanha.
Apesar das manifestações dos últimos dias nas ruas das cidades espanholas a exigir um referendo à monarquia, a verdade é que, se este fosse realizado hoje, dia 9 de Junho, os monárquicos ganhariam por 21 pontos percentuais. Um estudo realizado pela empresa de sondagens Sigma Dos chegou à conclusão que 56% dos espanhóis inquiridos defendem que a monarquia é a melhor forma de Estado para a Espanha, contra 35% dos que afirmam não ser.
Os quatro principais membros da Casa Real, rei Juan Carlos, a rainha Sofia, o príncipe Felipe e a princesa Letizia, viram também a sua popularidade aumentar após a abdicação do rei no passado dia 2 de Junho.
Juan Carlos, ao que tudo indica, parece também ter acertado no momento exacto para a sua renúncia ao trono. O estudo revela que 76,4% dos espanhóis concordam com a abdicação do rei em prol do seu filho, o príncipe Felipe. Juan Carlos foi agastado por algumas polémicas nos últimos tempos de reinado, como o caso Nóos – o marido da infanta Cristina, Iñaki Urdangarin, e a própria filha do rei estão a ser investigados por suspeita de desvio de dinheiro público – e a polémica em torno da caçada luxuosa do rei no Botswana.
De realçar, nesta sondagem, a melhoria da imagem de toda a Casa Real espanhola logo após a abdicação. No último inquérito realizado em Janeiro de 2014, apenas 6,3% dos espanhóis davam um balanço muito positivo ao reinado de Juan Carlos e 35% um balanço positivo. Agora são 17,6% que consideram o reinado muito positivo e 47,6% positivo. Em apenas seis meses, a imagem de Juan Carlos melhorou em 23,7%.O mesmo aconteceu com os restantes membros da família. Felipe – tinha já uma popularidade alta, 66,4% dos espanhóis tinham uma muito boa ou boa imagem do príncipe – viu agora sua imagem melhorar para os 76,9%. A rainha Sofia viu a sua taxa de popularidade aumentar em 11,5%, em comparação com 67% dos últimos seis meses. Letizia subiu também dos 49,3% para 52,4%.
Já os números a favor do príncipe Felipe são impressionantes. À pergunta: “Acha que o príncipe Felipe será um bom rei para Espanha?”, 72,9% dos inquiridos responderam afirmativamente, contra apenas 10,2% que acham que o futuro Felipe VI não será um bom rei. 57,5% dos espanhóis inquiridos acreditam também que Felipe conseguirá recuperar o prestígio e a confiança nas instituições monárquicas.
O fortalecimento da monarquia é notório também em praticamente todas as faixas etárias. Em todas elas, incluindo os mais jovens, mais de 50% dos inquiridos fazem um balanço positivo do reinado de Juan Carlos.
Somente os mais jovens, entre os 18 e os 29 anos, é que se dividem entre os que defendem a monarquia como melhor forma de regime e os que preferem um Governo republicano, 46,1% e 46,6%, respectivamente. A partir daí, o aumento das preferências monárquicas é bem visível e, sem surpresas, são os maiores de 65 anos – 72,6% – que alcançam a maior cota de aprovação à monarquia.
A sondagem mostra também que entre os votantes dos dois maiores partidos de Espanha, o PP e o PSOE, a monarquia recolhe agora apoios na ordem dos 80,3% e 52,7%, respectivamente – em contraste com os números de Janeiro de 2014, que eram de 77,7% para os eleitores do PP e 45,2% para os do PSOE. Apesar de ser maioritariamente contra o regime monárquico, a percentagem de votantes do partido Izquierda Unida que apoia a monarquia subiu de 14,1% para 22,6%. Estes três partidos juntos representaram mais de 80% da preferência dos eleitores nas últimas eleições legislativas em 2011.
Apesar destes números avassaladores que beneficiam a monarquia, uma sondagem divulgada no dia 7 de Junho pelo El País revela que quase dois terços dos espanhóis querem que seja convocado um referendo para que possam decidir entre a manutenção do regime monárquico ou a instauração da III república.
Público

domingo, 8 de junho de 2014

New York Times: Monarquias, mais útil do que você pensa

«Serge SCHMEMANNJUNE 3 de 2014

A decisão do Rei Juan Carlos de Espanha, com 76 anos, de abdicar em favor de seu filho de 46 anos de idade, o príncipe Felipe, inevitavelmente faz reviver a questão de haver tantos monarcas ainda reinar em toda a Europa.
Parece incrível que 12 monarquias ainda sobrevivam lá, embora isso inclua curiosidades, como Andorra, cujo co-governante é o presidente da França (o outro é o bispo de Urgell); Vaticano, governado pelo papa, e os principados-postal do Mónaco e Liechtenstein.
Os outros – Bélgica, Grã-Bretanha, Dinamarca, Luxemburgo, Países Baixos, Noruega, Espanha e Suécia – estão entre as democracias mais liberais da Europa, mas todos eles mantêm governantes hereditários caros e geralmente tratá-los, bem, como  realeza.
É verdade, a maioria das rainhas, reis, príncipes e princesas trabalham para viver. Aos 88 anos, uma idade em que a maioria das pessoas comuns estão muito aposentadas do trabalho e muitas vezes da vida, a Rainha Elizabeth II da Grã-Bretanha ainda mantém uma programação árdua de cerimónias de Estado. E é difícil imaginar o que revistas femininas da Europa fariam sem o recurso de fotos intermináveis sobre a realeza vestindo plumagem completa ,por algum grande evento , pelo nascimento de um herdeiro real ou por deixar os seus castelos para andar de bicicleta ou esquiar com seus súbditos – ou ser envolvidos em algum escândalo suculento .
Num nível mais sério, os chefes de estado Reais representam a história de uma nação e a sua continuidade. Os Chefes de Estado republicanos, sejam politicamente poderosos como os dos Estados Unidos ou a França, ou cerimoniais, como o da Alemanha , todos envolvem-se em algum grau na tradição e pompa. Mas eles não podem subir acima da política da mesma forma que os monarcas podem. E mesmo quando as monarquias geram escândalos de proporções reais – basta lembrar a princesa Diana – os políticos tendem a classificar-se bem abaixo dos membros da realeza, em pesquisas de popularidade.
As monarquias europeias têm um pequeno, mas ruidoso coro pedindo a abolição das instituições, e a maioria dos países têm vindo a abrir seus governantes a um maior escrutínio público. Por sua vez, os governantes, especialmente os escandinavos, baixaram os seus estilos de vida quase aos níveis da rua. Mas mesmo assim mantêm os mínimo para gerar valor simbólico.
Rei Juan Carlos destaca-se entre esses anacronismos vivos. Ele fôra preparado para governar por um ditador, o general Francisco Franco, que lutou uma guerra civil brutal para impedir que Espanha se tornasse uma república para a governar com mão de ferro por quase 40 anos. No entanto, após Juan Carlos assumir o trono, restaurado em 1975, o jovem herdeiro Borbón desempenhou um papel fundamental na orientação Espanha para a democracia. O ponto alto do seu reinado veio em 1981, quando os militares tentaram um golpe de Estado e Juan Carlos, de uniforme militar, foi à televisão para conseguir apoio para o governo democrático.
Nos últimos anos, no entanto, sua posição caiu vertiginosamente, em parte porque os críticos acreditavam que ele vivia de forma um pouco grandiosa para o momento de atribulação económica, em parte por causa de denúncias de corrupção contra o seu genro. Tendo deixado de ser um símbolo unificador, ele está certo em se afastar.
Se a monarquia pode recuperar sua posição depende, em grande medida, do príncipe herdeiro, que irá reinar como Rei Felipe VI. Um metro e noventa e sete de altura, bonito,  ex-velejador olímpico e um graduado da escola Universidade de Georgetown, em serviço no estrangeiro, ele tem credenciais sólidas para cumprir os deveres cerimoniais de Chefe de Estado de Espanha, e ele manteve-se relativamente imaculado pelos escândalos em torno de seu pai.
Problemas recentes de lado, Juan Carlos teve uma grande contribuição para o seu país, e só podemos esperar que Felipe faça jus a essa parte do seu legado. Embora uma nação, como os Estados Unidos, nascida em rebelião contra a monarquia não pode compartilhar plenamente a emoção dos monárquicos devotos, mas pode certamente apreciar o poder dos símbolos unificadores. E os americanos adoram celebridades de contos de fadas, tanto quanto qualquer um.»

Fonte: O Manto do Rei

quinta-feira, 5 de junho de 2014

D. Duarte defende que Juan Carlos deixa trono por motivos de saúde

S.A.R D. Duarte Duque de Bragança defende que Filipe de Bourbon tem as qualidades necessárias para desempenhar bem o papel de Rei de Espanha. Em defesa do vizinho, o Duque de Bragança lembro que a saúde de Juan Carlos está muito debilitada e que a abdicação é um procedimento comum entre a monarquia europeia.
D. Duarte Pio de Bragança considerou que a decisão de Juan Carlos em abdicar do trono se deveu a problemas de saúde.
“Basta ver as fotografias dele, os problemas de saúde, a dificuldade em deslocar-se”, afirmou o pretendente ao trono português, em declarações à Lusa.
O monarca português deu ainda os exemplos do rei da Bélgica, a rainha da Holanda e o próprio Papa, que também abdicaram quando as condições de saúde já não lhes permitiam cumprir as suas missões.
Relativamente à monarquia, D. Duarte acredita que esta permite que a transição da chefia de Estado seja feita de uma maneira tranquila e sem lutas políticas.
“Juan Carlos evitou os conflitos que, por exemplo, tivemos em Portugal na transição para a democracia – que foi extremamente violenta, com grande destruição da economia, com milhares de mortos nos países que são hoje da CPLP, verdadeiros genocídios com a independência", referiu.
Finalmente, em relação ao herdeiro, Duarte Pio de Bragança considera que o príncipe Felipe tem melhores condições para exercer a liderança, já que “teve uma preparação técnica e profissional para a sua missão [que foi] notável e tem um relacionamento pessoal com as elites políticas, culturais e militares espanholas que certamente o ajudarão na sua missão”.
Fonte: Impala
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O O Herdeiro ao Trono Português falou com a Renascença desde Estocolmo. O Herdeiro ao Trono de Portugal, Dom Duarte Pio de Bragança, acredita que a sucessão real em Espanha acabará por unir o país.
Em declarações à Renascença, feitas a partir de Estocolmo, Dom Duarte aponta o exemplo da Catalunha. Os contactos que mantém com a região permitem-lhe afirmar que as autoridades autonómicas vêem em Filipe o que não vêem em Juan Carlos: “Tenho ouvido dirigentes políticos catalães, quase todos, a dizer que gostam mais do príncipe Filipe do que do Rei, porque ele compreende melhor a situação. Há muitos catalães que querem a independência, mas querem-no mantendo a Monarquia mantendo o Rei da Catalunha, um pouco como a Rainha de Inglaterra é Rainha da Escócia e do Canadá".
Para o Herdeiro dos Bragança, a sucessão "pode ajudar a manter a unidade da Espanha, visto que as antipatias que pode haver nalgumas regiões em relação ao Rei não têm razão de ser em relação ao príncipe Filipe”.
É convicção generalizada que a sucessão não afectará os laços de Espanha com Portugal, mas a verdade é que, com a saída de cena de Juan Carlos, um amigo de Portugal, fica um Filipe VI com poucas afinidades com o nosso país.
“Há, de facto, uma ligação muito íntima do rei Juan Carlos com muitos portugueses e com o povo português, em geral. O príncipe Filipe não tem essa intimidade com Portugal, embora tenha vindo cá bastantes vezes e tenha tentado, até, ficar a conhecer o povo português. De algum modo, o rei Juan Carlos é um conhecedor mais profundo de Portugal do que o Príncipe Filipe”, explica Dom Duarte.
(...)
Fonte: Renascença

# Não abdico

"Não há crise absolutamente nenhuma na monarquia de Espanha"

Fundador do PPM diz que Juan Carlos teve "reinado positivo, do qual ficaram penduradas algumas situações como a da Catalunha e do País Basco".
No dia em que o mundo ficou a saber que o Rei Juan Carlos vai deixar o trono de Espanha a favor do filho Filipe, agora Filipe VI, um dos fundadores do Partido Popular Monárquico (PPM) português, Luís Coimbra, rejeita a tese de que existe uma crise na coroa espanhola e defende que a monarquia constitucional é "o sistema democrático mais adaptado aos povos". Luís Coimbra antecipa "um bom reinado", uma "solução de continuidade na democracia espanhola" e que dê uma "garantia de futuro".
Como vê a abdicação do Rei Juan Carlos?
É uma situação normal numa monarquia constitucional. Agora, resta saber a posição das Cortes espanholas [Parlamento espanhol]. Mas com certeza que vai democraticamente considerar como próximo Rei de Espanha o Filipe, filho de Juan Carlos. Isto é muito melhor do que insistirem em eleições presidenciais em Espanha, onde, como se pode imaginar, teríamos vários empreiteiros financeiros e de obras públicas a tentar eleger o seu candidato.
De que forma resume as quase quatro décadas do reinado do “rei que uniu os espanhóis”, como ele próprio se definiu?
Foi um reinado positivo, do qual ficaram penduradas algumas situações, como as da Catalunha e do País Basco. Parte do [problema] do País Basco está resolvida, pelo menos, em termos do terrorismo, porque a ETA abdicou do terrorismo. Mas, atenção: o Rei Juan Carlos representou muito bem a Espanha, merece a nossa admiração, mas, obviamente, foram os diversos governos que conseguiram moderar a questão basca e a questão catalã. Comparando os problemas constitucionais que hoje temos em Portugal com os problemas constitucionais que não existem em Espanha, é óbvio que, do ponto de vista teórico, a minha escolha é por uma monarquia constitucional.
Os últimos anos de reinado foram marcados por escândalos, um deles envolvendo um genro do rei. De acordo com uma sondagem do "El País", no ano passado, 45% dos espanhóis defendiam a abdicação do rei e os defensores da monarquia espanhola situam-se na casa dos 60%. Estará a monarquia desacreditada em Espanha?
O problema de Espanha tem a ver com as autonomias, tem a ver com esse problema de um dos genros do Rei – que, obviamente, se cometeu algum crime fiscal, terá de ir para a prisão. Na classe política em Portugal, ninguém vai parar à prisão. Mesmo assim, o sistema monárquico-constitucional mantém-se extremamente sólido em Espanha e é uma garantia de futuro, de unidade da Espanha.
Este é um período de crise ou de renovação para a monarquia espanhola?
Há crises políticas permanentes em todos os países, excepto nas monarquias constitucionais que fazem parte da União Europeia. Não há crise absolutamente nenhuma em Espanha. Penso que o Filipe vai fazer um bom lugar. Do ponto de vista democrático, estamos a assistir a uma transição perfeitamente limpa e que não mete nem interesses financeiros, nem económicos, nem particulares, o que é um facto assinalável. Em Portugal, todos sabemos o que são as eleições presidenciais e os seus custos.
O que antecipa do reinado de Filipe VI, que, ao contrário do pai, mantém níveis elevados de popularidade?
Será um bom reinado, embora tenha problemas de autonomias para resolver. Vejo com bons olhos uma solução na continuidade da democracia espanhola, que, em muitas circunstâncias, é um regime muito mais democrático do que o nosso.
E da rainha plebeia, Letizia? A Holanda já tem uma, a argentina Máxima.
Hoje em dia, do ponto de vista da monarquia constitucional, essa questão é secundária. O mundo moderno não tem plebeus, nem nobres, nem gente predestinada. Há é quem tenha mais obrigações e mais deveres para com o Estado e, eventualmente, menos privilégios. Não é o caso da monarquia espanhola, onde, penso, o rei e a rainha podem votar. O mesmo não acontece em Inglaterra. O custo de manutenção da Casa Real espanhola é quatro vezes mais barato do que o da Presidência da República em Portugal.
Juan Carlos é amigo de várias personalidades portuguesas e falava em português nos actos oficiais que tinha em Portugal. Vai mudar a relação da monarquia espanhola com Portugal?
Não vai haver alteração. O príncipe herdeiro tem dado mostras de que respeita Portugal. Não há problema nenhum como, aliás, nunca houve nos diversos processos de sucessão de reis e rainhas dos países dentro da União Europeia. Todos se mantiveram parceiros. A monarquia constitucional demonstra ser o regime democrático mais adaptado aos povos e mais genuinamente representativo de cada nação. Em Portugal, temos é de saudar o sucessor do Rei Juan Carlos, se for esse o caso aprovado pelo Parlamento espanhol. Tudo será pacífico.
RR

terça-feira, 3 de junho de 2014

D. Duarte: Felipe tem vantagens em relação a Juan Carlos

S.A.R. o Duque de Bragança considerou hoje que a decisão de S.M. o Rei de Espanha abdicar do Trono se deveu a problemas de saúde e defendeu que o Sucessor tem vantagens em relação a S.M. o Rei Juan Carlos.
A razão da decisão do Rei espanhol é, para S.A.R. o Duque de Bragança, explicada pelas dificuldades que S.M. o Rei Juan Carlos tem sentido nos últimos tempos em cumprir a sua missão.
"Basta ver as fotografias dele, os problemas de saúde, a dificuldade em deslocar-se", afirmou S.A.R. em declarações à Lusa.
"Cumprir as missões que tem cumprido tem sido um grande sacrifício pessoal", sublinhou, acrescentando que S.M. o Rei de Espanha também teve "bons exemplos" na Europa.
"O Rei da Bélgica, a Rainha da Holanda, o próprio Papa abdicaram quando acharam que a sua saúde não estava em condições para cumprirem as suas missões", lembrou.
D. Juan Carlos de Borbón y Borbón manifestou hoje a sua vontade de entregar a coroa ao filho, depois de um reinado de 39 anos, um dos mais longos da História, que começou na sua proclamação a 22 de Novembro de 1975.
Para S.A.R. o Duque de Bragança, S.M. o Rei de Espanha teve um papel fundamental na História daquele país, conseguindo que a transição para a democracia fosse feita de forma pacífica.
"Creio que a grande vantagem da monarquia em países como a Espanha e como a Suécia é que a transição da chefia de Estado é feita de uma maneira tranquila, sem lutas políticas e com uma continuidade que permite ao futuro Chefe de Estado continuar a obra que o Pai fez", defendeu, adiantando que Espanha deve ao actual Rei "uma grande gratidão".
"Juan Carlos evitou os conflitos que, por exemplo, tivemos em Portugal na transição para a democracia - que foi extremamente violenta, com grande destruição da economia, com milhares de mortos nos países que são hoje da CPLP, verdadeiros genocídios com a independência", referiu.
"Em Espanha, a transição fez-se de uma maneira pacífica e o Rei sempre manteve a unidade nacional, que é muito questionada hoje pela Catalunha e pelos bascos", disse.
Apesar do papel político de D. Juan Carlos de Espanha, S.A.R. o Duque de Bragança considera que o herdeiro tem melhores condições para exercer a liderança actual da monarquia naquele país.
"O príncipe Felipe tem algumas vantagens em relação ao Pai", afirmou, sublinhando o facto de falar bem catalão e de estar casado "com uma espanhola de origem muito popular".
Estas características, aliadas ao facto de "ser um jovem muito simpático e caloroso" demonstram que D. Felipe de Bórbon está "muito integrado na realidade democrática da Espanha de hoje".
Por outro lado, "o príncipe Felipe teve uma preparação técnica e profissional para a sua missão [que foi] notável e tem um relacionamento pessoal com as elites políticas, culturais e militares espanholas que certamente o ajudarão na sua missão", concluiu.
Lusa

sábado, 7 de abril de 2012

Há 181 anos D. Pedro abdicou da coroa imperial do Brasil para defender os portugueses do absolutismo

A abdicação do Imperador Pedro I do Brasil, ocorreu em 7 de abril de 1831, em favor de seu filho D. Pedro de Alcântara, futuro D. Pedro II. O ato marcou o fim do Primeiro Reinado e o início do período regencial, no Brasil, e uma série de disputas em Portugal e oferecimentos dos tronos da Grécia e de Espanha, na Europa.


Contexto histórico
Segundo Emília Viotti da Costa a estrutura construída na Independência fez com que fosse organizado um sistema político que colocava os municípios dependentes das províncias e estas, ao poder central; e ainda "adotaram um sistema de eleições indiretas baseado no voto qualificado (censitário), excluindo a maior parte da população do processo eleitoral. Disputaram avidamente títulos de nobreza e monopolizaram posições na Câmara, no Senado, no Conselho de Estado e nos Ministérios".

Tal "Conselho de Estado", implementava o Poder Moderador instituído por Pedro I, quando dissolvera a Constituinte: formado por membros vitalícios, nomeados pelo monarca, não mais que em número de dez, tinham por função ser ouvidos "em todos os negócios graves e medidas gerais de pública administração, principalmente sobre a declaração de guerra, ajuste de paz, negociações com as nações estrangeiras, assim como em todas as ocasiões em que o imperador se propunha exercer qualquer das atribuições do Poder Moderador" - e ao qual se opunham fortemente os liberais.

Ocorrera em 1830 em França uma revolta liberal que depusera o rei Carlos X, e influenciara os demais países com as ideias liberais. No Brasil surgem jornais como o Aurora Fluminense, no Rio, que fazem forte oposição ao ministério conservador imposto por Pedro I.

Evaristo da Veiga escrevera, no Aurora: "Se a vontade do povo for dominada pelo terror, a nossa liberdade será reduzida, necessariamente, a uma mera sombra". Em São Paulo Libero Badaró comandava o periódico Observador Constitucional, onde protestava contra autoridades, muitas delas ainda portuguesas. Badaró, um jornalista italiano radicado no Brasil, é assassinado numa emboscada, causando tal crime profunda impressão na opinião pública.

Procurando minimizar os ânimos liberais, empreende o imperador uma viagem a Minas Gerais, com intuito de minimizar as agitações liberais que eram capitaneadas por Bernardo Pereira de Vasconcelos; mas lá o recebem friamente.

Quando retorna à Corte, teria já o imperador pensado na abdicação. Os portugueses locais realizam uma manifestação em seu apoio, com luminárias, entrando em conflito com os nacionais, naquela que passou à história com o nome de Noite das Garrafadas.

A inabilidade de Pedro I faz com que, a um Ministério moderado, nomeie um absolutista, em substituição. O povo exige a volta da equipe anterior, ajuntando-se no Campo da Aclamação. O Imperador, sendo comunicado da exigência popular, responde que "Tudo farei para o povo, nada, porém, pelo povo".

As tropas aderem ao movimento, deixando o monarca sem o apoio das armas. Numa última tentativa de compor um novo ministério, desta feita de acordo com os anseios populares, procura o Senador Vergueiro. Mas este não é encontrado.

Abdicação e partida

Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que tenho muito voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado e prezado filho, o Senhor D. Pedro de Alcântara.
Boa Vista, 7 de abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império.
"

Pedro
Após escrever sua abdicação, o agora ex-imperador entrega o papel da renúncia ao mesmo major Miguel de Frias e Vasconcelos (comandante da Fortaleza de São José da Ilha das Cobras) que lhe viera comunicar o estado de ânimo das tropas e do povo, dizendo-lhe então, com os olhos marejados: "Aqui está a minha abdicação; desejo que sejam felizes! Retiro-me para a Europa e deixo um país que amei e que ainda amo." Eram duas horas da madrugada do dia 7 de abril de 1831.
Viriato Correia fez a seguinte descrição dos momentos seguintes:
"As crónicas da época pintam de uma maneira emocionante o momento em que Pedro I, depois da abdicação, se foi despedir do filho imperador. É noite. O monarca menino dorme tranquilamente no seu leito de criança. D. Pedro entra no quarto e pára junto do menino. Não tem coragem de acordá-lo. Fita-o demoradamente. As lágrimas ensopam-lhe os olhos; os soluços vão sufocar-lhe a garganta e ele, temendo aquela fraqueza, sai do aposento, enxugando os olhos."
Na manhã do mesmo dia o ex-Imperador embarca no navio inglês Warspite, acompanhado da Imperatriz D. Amélia e da filha, D. Maria, deixando no Brasil, além de Pedro II, as meninas D. Januária (com 9 anos), D. Paula (8 anos) e D. Francisca (7 anos), filhos de seu primeiro casamento; D. Amélia estava, então, grávida de três meses.
A nau inglesa, contudo, não partiu para a Europa. Dias depois do embarque o ex-monarca transfere-se com a esposa para a fragata Volage, enquanto D. Maria segue na corveta francesa La Seine - estas sim partindo rumo à Europa. Como tutor do futuro imperador o monarca deixou José Bonifácio, com quem se reconciliara pouco tempo antes.

Na Europa, D. Pedro empreende uma luta contra seu irmão, D. Miguel, a fim de assegurar para a filha Maria a sucessão do trono português. No Brasil, dada a menoridade de Pedro II, tem início o conturbado e importante período regencial.