Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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quinta-feira, 24 de abril de 2014

PORTO, A CIDADE DO DRAGÃO

A figura do dragão tem, desde há muitos anos, uma conotação evidente com a principal instituição desportiva da cidade, o Futebol Clube do Porto, já que é a sua mascote, faz parte da sua bandeira, e também, porque o estádio do clube, inaugurado em 2003, foi baptizado de “Estádio do Dragão”.

A ideia de força e de invencibilidade que este animal mitológico transmite, a par dos feitos desportivos que o clube alcançou nos últimos anos, foram as linhas de força que criaram a relação do dragão com o clube, que hoje conhecemos.

Mas não foi sempre assim, nem tem de ficar por aqui. Cerca de oitenta e cinco anos antes de o clube ter adoptado o seu actual emblema (1922) onde surge a figura do dragão, já a cidade o ostentava orgulhosamente nas suas armas.

Tudo começou após o Cerco do Porto (1832/1833).

A Rainha D. Maria II, filha de D. Pedro IV, promulgou o brasão de armas da cidade (1837), que incluía uma coroa ducal, segundo a vontade do seu pai.

“dessa coroa sobressai um dragão negro das antigas armas dos senhores reis destes reinos” (in Joel Cleto – Lendas do Porto – Vol.II)

Foi também no reinado de D. Maria que o Porto passou a designar-se por Cidade Invicta, título que a Rainha lhe atribuiu pelos feitos valerosos dos seus habitantes, durante as lutas liberais, e em especial na altura do Cerco.

Mas hoje, na bandeira da cidade, não figura o dragão. Desapareceu com o 25 de Abril, de 1940, e ainda não regressou.

De facto, nesta data foi publicada uma portaria do Ministro do Interior da altura, que aprovava uma nova constituição heráldica das armas, selo e bandeira dos Municípios Portugueses. Através dessa portaria desapareceram todos os resquícios liberais e monárquicos, de todas as armas e brasões, de todos os concelhos e freguesias de Portugal. Estava Salazar no seu apogeu político e terá tomado esta atitude numa afirmação de “total e incondicional nacionalismo”, conseguindo assim, fazer desaparecer, até aos dias de hoje, a coroa que encimava o brasão da cidade e da qual emergia um dragão, substituindo-a por uma coroa de cinco castelos (atitude que nem os senhores da I República, após a queda da Monarquia, tinham ousado tomar).

No próximo ano, comemorar-se-ão os setenta e cinco anos da famosa portaria de 1940. Seria bonito e desejável, pelo que o proponho desde já, que a autarquia encetasse de imediato os trabalhos necessários, para que nesse dia, os símbolos da cidade voltassem a ser como sempre foram desde 1837, a par de, se a cidade assim o desejasse, juntar ao nome da cidade um outro, para já oficioso, mas que todos já usamos por razão diversas, o nome de “Cidade do Dragão”. Nome que faz parte da nossa história! Com o cuidado evidente de separar esta denominação, de qualquer conotação clubista.

Espalhados pelo Porto, podemos ver ainda o nosso símbolo, aqui e ali. Podemos vê-lo na fachada dos Paços do Concelho na Avenida dos Aliados, no Palácio da Justiça na Cordoaria, na estátua equestre de D. Pedro IV na Praça da Liberdade, na estátua ao Infante D. Henrique, no Palácio da Bolsa, num dos lados da torre da Casa dos 24, no altar onde o coração de D. Pedro IV está depositado na Igreja da Lapa e no símbolo e bandeira do maior clube da cidade.

Mas voltemos ao tempo do Cerco do Porto, uma vez que os actos valerosos das gentes do Porto, lhe trouxeram (à cidade) ainda mais honras.

Durante cerca de um ano, a cidade resistiu heroicamente ao cerco que as tropas Miguelistas lhe impuseram. Durante esse tempo, D. Pedro IV e os principais dirigentes militares e políticos que lutavam pelas ideias liberais, defendendo uma nova concepção política inspirada na Revolução Francesa e em eleições em Cortes, onde o Rei o era por vontade popular e porque representava todo o povo, mantiveram-se dentro da cidade. O Porto foi cercado, bombardeado e incendiado, e a fome rapidamente se instalou, a que se juntou a peste. A população foi sendo aos poucos, dizimada pela doença e pela falta de comida. Terá sido um ano horrível, onde o melhor de cada um se revelou na solidariedade e na interajuda, na resistência e na vitória final.

O Rei não esqueceu a bravura e o sacrifício dos Portuenses apesar de ter morrido pouco tempo depois de terminado o Cerco do Porto e do definitivo triunfo dos Liberais. D. Pedro IV doou o seu coração à cidade, atribuiu ao Porto e a todos os seus habitantes a mais alta condecoração Portuguesa, a Ordem de Torre e Espada, passou a designar o Porto como Cidade Invicta, e criou o título de Duque do Porto. Este título, e honra, estaria destinada ao segundo filho de cada um dos Reis de Portugal. Aquela condecoração, a da Ordem de Torre e Espada, dada a todos os habitantes da cidade, faz com que todos nós, naturais do Porto, nos possamos, ainda hoje, considerar agraciados com ela.

As promessas do Rei foram integralmente cumpridas por sua filha, a Rainha D. Maria II.

O Porto, orgulha-se da sua História.

RECOLOQUEMOS O DRAGÃO, NOS LOCAIS DE ONDE NUNCA DEVERIA TER SAÍDO, NO BRASÃO E NA BANDEIRA DA NOSSA CIDADE.

ALGUNS DRAGÕES NA CIDADE

D. Pedro IV – Praça da Liberdade
Infante D. Henrique – Jardim do Infante
O Porto – Praça da Liberdade
Entrada do quartel dos Bombeiros Sapadores do Porto – Rua da Constituição
Por José Magalhães

quinta-feira, 20 de março de 2014

Empresa lança anúncio inspirado no primeiro Rei do Império do Brasil

acima
Para assinalar a chegada ao Brasil, com a abertura de dois escritórios, São Paulo e Curitiba, a Orange Popcorn lançou um anúncio inspirado no rei D.Pedro I.

Conhecido como "o Libertador" 1798-1834), o monarca foi o fundador e primeiro Rei do Império do Brasil. Como rei D. Pedro IV, reinou brevemente em Portugal, ficou conhecido o "Rei Soldado".
Assim, na campanha de apresentação ao Brasil, o conceito "passa por, ao chegarmos a um país onde o marketing e a publicidade são Reis, escrever uma nova história ou ajudar a rescrever a existente", explica Bruno Nunes, CEO da Orange Popcorn.

Agência de marketing e comunicação global abre no Brasil, onde espera faturar 400 mil euros no primeiro ano. Já está em Angola e Moçambique.

A agência trabalha marcas como Sporting Clube de Portugal, Centrum, Unicef, Santander, Optimus, TMN, Zon Rádio Comercial ou Zippy e outras.


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sexta-feira, 1 de março de 2013

Estátua D. Pedro IV, na praça da Liberdade, c.1940.



Estátua D. Pedro IV, na praça da Liberdade, protegida com sacos de areia, c.1940.
Durante a Segunda Guerra Mundial, temendo um ataque aéreo, a estátua do rei-soldado foi completamente coberta com sacos de areia.

[Foto: blogue "Monumentos Desaparecidos"]

Cientistas querem estudar coração de D.Pedro IV


Investigadores brasileiros querem analisar coração do antigo rei de Portugal - e Imperador do Brasil - para descobrir eventuais doenças cardíacas.
Depois de analisado o corpo do antigo rei de Portugal e Imperador do Brasil, a Universidade de São Paulo quer agora estudar o coração de D. Pedro IV, guardado na Igreja da Lapa por vontade do próprio rei.
Os investigadores brasileiros preparam assim um pedido oficial ao governo português para fazer uma biópsia. Carlos Augusto Pasqualucci, um dos médicos patologistas responsável pelo estudo, explicou à Lusa que seria apenas necessário um fragmento quase impercetível. A biópsia não vai "alterar em nada o aspecto do coração", garante, e o orgão "voltará à cidade do Porto".
O objetivo da biópsia seria detetar eventuais doenças no miocárdio ou infeções causadas por outras doenças como a tuberculose - causa provável da morte de D. Pedro IV. A investigação é a continuação de análises anteriores feitas ao corpo do monarca e das suas duas mulheres - Leopoldina e Amélia. O corpo do rei português encontra-se sepultado em São Paulo.

sábado, 23 de fevereiro de 2013

Exames aos restos mortais de Dom Pedro IV de Portugal clarificam a sua história


Investigadores brasileiros exumaram os corpos de membros da família imperial e fizeram exames que desfazem mitos sobre a morte de Dona Leopoldina, além de revelarem facetas da vida do primeiro imperador do Brasil.
 
O trabalho foi dirigido pela historiadora e arqueóloga brasileira Valdirene do Carmo Ambiel, da Universidade de São Paulo (USP). As ossadas foram submetidas a biópsias e exames radiológicos que deverão permitir ainda a reconstituição da face e até a simulação de movimentos destas personagens históricas através de hologramas.
De acordo com Paulo Saldiva, da Faculdade de Medicina da USP, as ossadas de Dona Leopoldina, primeira mulher de D. Pedro I do Brasil, D. Pedro IV, em Portugal, não possuíam marcas de fracturas, desmentindo a versão de historiadores que apontam uma queda, em consequência de uma discussão com o marido, como causa da morte. "Existia uma versão, não sei com que base, de que a morte dela teria sido ocasionada por uma fractura, gerada numa queda depois de uma discussão com D. Pedro [que a teria empurrado]. Pode ter ocorrido a queda, mas não o suficiente para que isso causasse a morte", reforça este patologista, que foi responsável pelos exames.
Já na ossada de D. Pedro IV foi possível observar duas fracturas associadas a acidentes de equitação. O detalhe permite explicar o que terá ocasionado o diagnóstico, anos mais tarde, relativo ao mau funcionamento de um dos seus pulmões. "Numa dessas fracturas, provavelmente foi atingido o pulmão, mas não foi diagnosticado na hora e isso gerou um pneumotórax [devido a uma lesão da pleura] ", explica Saldiva.
De facto, alguns anos após o acidente, uma autópsia feita no Porto, em Portugal, indicava que um dos pulmões do imperador estava totalmente colapsado. A causa da sua morte terá sido uma tuberculose. Para Paulo Saldiva, os exames permitem revelar a personalidade do imperador, mostrando que este ainda teve a "coragem" e a disposição para enfrentar "grandes batalhas", apesar das dificuldades respiratórias que certamente passou a sentir após a lesão.
D. Pedro foi o responsável por conseguir a independência do Brasil em relação a Portugal, em 1822. O filho de D. João VI e Carlota Joaquina ainda regressou a Portugal, tendo sido coroado como D. Pedro IV, em 1826. Pouco tempo depois, o monarca abdicou do trono a favor de sua filha, Dona Maria II.
Quanto ao corpo de Dona Maria Amélia, sua segunda esposa, era o mais bem conservado porque foi o único dos três que foi embalsamado. Na avaliação do investigador, os corpos não foram conservados com o cuidado que mereciam. "Continuo a achar que o Brasil podia ter cuidado um pouco melhor desses personagens. Percebemos que embalsamar não era um costume da família real, não temos informação de como foi feita a de Dona Amélia, provavelmente foi feita em França", completa Saldiva.
O trabalho foi realizado com a autorização de descendentes da família real no Brasil e os corpos já foram repostos nas respectivas sepulturas. A análise dos cadáveres foi feita separadamente, ao longo de uma única noite, e precisou de planeamento e esforço especiais para garantir o retorno dos restos mortais em perfeito estado. "Durante a abertura das covas a família estava presente, havia padre. Era importante garantir o transporte adequado, até pela má conservação do esqueleto. Não podíamos retirar ossos e devolver um saquinho de pó", ressaltou o cientista.

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

Restos mortais de D. Pedro IV e das mulheres exumados no Brasil

O primeiro imperador brasileiro, D. Pedro I, foi D. Pedro IV de Portugal. Nascido em Queluz, o filho de João VI abdicou do trono português para ser o principal responsável pela consolidação da independência brasileira. Os seus restos mortais, bem como os das suas mulheres, as imperatrizes Dona Leopoldina e Dona Amélia, estão agora a ser alvo de estudos.
Os exames foram realizados entre fevereiro e setembro de 2012, em total sigilo, pela historiadora e arqueóloga Valdirene do Carmo Ambiel, com o apoio da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Os resultados revelaram factos desconhecidos até ao momento.
No caixão de D. Pedro, ao contrário do que se pensava, não havia nenhuma comenda ou insígnia brasileira entre as cinco medalhas encontradas. O primeiro imperador do Brasil foi enterrado como general português: botas de cavalaria, medalha que reproduzia a constituição de Portugal e galões com o formato da coroa portuguesa.
Deste monarca com dezoito nomes ainda foi possível descobrir que tinha quatro costelas partidas do lado esquerdo, o que praticamente inutilizou um dos seus pulmões. Este pode ter sido o motivo para o agravamento da tuberculose que levou à sua morte, aos 36 anos.  
Os exames que desmentem ainda mitos sobre a morte de Dona Leopoldina. De acordo com o investigador Paulo Saldiva, professor titular da faculdade de medicina da Universidade de São Paulo (USP), a ossada de Dona Leopoldina, primeira mulher de D. Pedro não possuía marcas de fraturas, o que desmente a versão de historiadores que apontam uma queda, em consequência de uma discussão com o marido, como causa da morte.
"Existia uma versão, não sei com que base, de que a morte dela teria sido ocasionada por uma fratura, gerada numa queda depois de uma discussão com D. Pedro [que a teria empurrado]. Pode ter ocorrido a queda, mas não o suficiente para que isso causasse a morte", reforça o patologista responsável pelos exames.
No caso de Dona Amélia, a segunda mulher, a surpresa surgiu quando, ao abrir o caixão, a arqueóloga viu um corpo mumificado com cabelos, unhas e pestanas preservados. Entre as mãos com a pele intacta estava seguro um crucifico de madeira e metal.

Exumação da Família Imperial brasileira

Estudo inédito revela detalhes desconhecidos da Família Imperial brasileira


sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Liberalismo Vs Miguelismo

As lutas liberais foi um momento importante da nossa história. Isto porque colocaram em confronto dois irmãos que defendiam valores e principios totalmente opostos um do outro, pelo que seria impossível que a escolha de um agradaria ao outro.
A morte de D.João VI deixou o trono vazio. No entanto, devido à questão brasileira foi díficil de resolver. Era impraticável D.Pedro ser Imperador do Brasil e Rei de Portugal ao mesmo tempo, até porque as leis brasileiras não o permitiram, no entanto a escolha em D.Miguel seria a continuação da mesma política seguida há muitas décadas.
Conceder o trono a D.Pedro também tinha um risco político. É que o Imperador do Brasil vinha fazer um corte profundo naquilo que era a tradição monárquica portuguesa. Isso era mexer contra os interesses instalados, retirando poder àqueles que normalmente eram os maiores beneficiados com o sistema vigente. Não que com o liberalismo Portugal mudasse radicalmente, mas o absolutismo real há décadas que durava e necessário era uma lufada de ar fresco.
Foi com o liberalismo que se tentou pela primeira vez instalar um regime constitucional. O projecto da Carta Constitucional foi um sinal disso mesmo. Como o nome indica, Liberalismo significava instaurar um regime libertário, onde as separação dos poderes fosse a concretização no plano teórico mas também prático. Enquanto isso, os miguelistas eram conservadores e queriam manter tudo como estava. Havia um receio fundado que os liberais queriam "democratizar" a Monarquia.
A Carta constitucional de 1826 foi um importante passo para uma Monarquia Constitucional quase perfeita.

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

D. PEDRO, O REI-IMPERADOR


Javier Moro nasceu em Madrid em 1955. Desde jovem colabora com meios de comunicação espanhóis e estrangeiros. Trabalhou como investigador em vários livros de Dominique Lapierre e Larry Collins. Viveu 6 anos nos EUA, onde se envolveu em projectos de televisão e cinema e coloborou com Ridley Scott. É autor de Senderos de Libertad, El pie de Jaipur, Las montañas de Buda e, em 2001, Era medianoche en Bhopal, em colaboração com Dominique Lapierre. Uma Paixão Indiana, a história da bailarina espanhola que casou com o Maharajá de Kapurthala, foi um dos grandes êxitos de crítica e venda dos últimos anos em Espanha e em vários outros países europeus, com tradução em dezassete idiomas, e que em breve será adaptado para cinema. [wook.pt]
Moro: «A intelectualidade brasileira não aceita o meu livro porque é muito nacionalista»
Porque escreve um espanhol sobre um rei português que foi Imperador do Brasil? Para ganhar o Prémio Nadal 2011, um dos principais prémios literários de Espanha. Com «D. Pedro O Rei Imperador – O Império És Tu», editado pela Planeta, Javier Moro alcançou um novo êxito na sua carreira, mas também provocou muitas polémicas, já que a esquerda brasileira considera o livro «uma nova forma de neo-colonialismo de Espanha».
Laurentino Gomes («1808» e «1822») e Iza Salles («O Coração do Rei») foram apenas dois dos nomes de intelectuais brasileiros que atacaram Javier Moro, com o primeiro a considerar a obra deo espanhol «uma nova forma de neo-colonialismo de Espanha».
«Isto é ridículo! Dá para entender afirmações desta índole? Só vejo três maneiras de analisar estas declarações: são pensamentos nacionalistas, inveja ou medo por o seu «jardim» estar a ser invadido por um estrangeiro. A história não pertence a ninguém, é de quem a estuda, trabalha. Por exemplo, os principais historiadores da História espanhola são ingleses. E isso não nos choca. No entanto, os brasileiros não aceitam isso, ainda mais agora que atravessam um bom momento económico. São soberbos, arrogantes, mas esquecem as misérias do país: a violência, a desflorestação da Amazónia, a reforma agrária, que não ocorre como deve ocorrer… A verdade é que os intelectuais brasileiros são muito nacionalistas. Um bom exemplo disso é o próprio lugar de D. Pedro I (D. Pedro IV em Portugal) na História do Brasil», afirma Javier Moro, que não esconde a sua indignação pelo modo como foi tratado por alguns intelectuais brasileiros. «Por ele ser português e ter regressado ao seu país para salvar a Monarquia portuguesa contra o ataque do seu irmão, nunca teve o lugar que merece no Brasil, apesar de ter sido D. Pedro o responsável pela Independência do país».
O ataque da esquerda intelectual brasileira é compensado pelas palavras dos leitores brasileiros, que, através do Facebook, agradecem diariamente o espanhol. «Agradecem principalmente por ter mostrado um outro D. Pedro I, um Rei-Imperador mais humano».
Para encontrar esse «Rei-Imperador mais humano» Moro garante que leu tudo o que tinha a ler sobre D. Pedro IV e a sua família durante um ano e meio, tendo inclusive falado com psicólogos para entender certas decisões e atitudes dos seus membros. «Era fundamental interiorizar a época e os seus protagonistas.»

sexta-feira, 8 de junho de 2012

Uma avenida e uma praça para D. Pedro IV


Esta terça-feira de manhã, foram apreciadas duas propostas de toponímia relativas a D. Pedro IV, protagonista das lutas liberais, que doou o seu coração à cidade, estando a relíquia guardada na igreja da Lapa.
O PS propôs que o Largo da Lapa honrasse o monarca, e que tal fosse ainda pretexto para uma requalificação urbanística do espaço e para a criação de um espaço museológico no quartel da Praça da República, destinado à evocação daquela época histórica.
A ideia é criar um pequeno parque, confinante com a linha das tílias lá existentes, e desviando a circulação automóvel para o exterior desse limite arbóreo. "Aquele lugar não passa de um espaço por onde transitam carros, não tem grande dignidade, é um espaço de estacionamento", afirmou a vereadora socialista Manuela Vieira.
O arquitecto Manuel Correia Fernandes, vereador do PS, fez até um esboço para o projeto. A proposta foi aprovada por unanimidade e deverá ser levado a cabo em breve um concurso de ideias, para ser depois avaliada a exequibilidade do projeto, referiu a vereadora. Foi também aprovada, com os votos da maioria CDS-PP/PSD a proposta de Rui Rio para que fosse mudado o nome da inexistente Via Nun"Alvares para Avenida D. Pedro IV.
O nome do Santo Condestável passaria a designar o troço da VCI que atravessa a cidade do Porto, a A20. A Via Nun'Álvares está projectada há cerca de 70 anos nos documentos urbanísticos do concelho, para ligar a Praça do Império à Avenida da Boavista, mas nunca foi construída. O presidente da Câmara informou os vereadores de que o projeto "está perto do fim", contou Manuela Vieira.
A atribuição do nome de D. Pedro IV à toponímia tem ocupado boa parte das reuniões do Executivo, chegando a concorrer no tempo a ele dedicado com outras questões, como a do futuro do bairro do Aleixo. "Acho que se perde muito tempo a falar de toponímia", declarou o vereador da CDU, Pedro Carvalho, à saída da reunião privada do Executivo.

sexta-feira, 25 de maio de 2012

Partidos não se entendem sobre melhor forma de honrar D. Pedro IV

O presidente da Câmara do Porto decidiu hoje retirar a proposta de chamar D. Pedro IV à avenida que vai ligar a Praça do Império à Avenida da Boavista, depois das objeções levantadas por três vereadores socialistas.
"Retiro a proposta e fico a aguardar sugestões para uma alternativa", anunciou o autarca, depois de um longo debate sobre qual a artéria do Porto que deveria receber o nome do rei que doou o seu coração à cidade, como expressão de gratidão pelo seu envolvimento nas lutas liberais de 1832-1833.
O presidente Rui Rio apresentou a proposta de chamar D. Pedro IV ao futuro arruamento de ligação entre a praça do Império e a Avenida da Boavista, conhecido por Avenida Nun' Álvares.
Manuel Correia Fernandes, do PS, alertou que seria mais adequado que o nome do monarca ficasse ligado ao Largo da Lapa, já que o coração de D. Pedro IV se encontra depositado na Igreja da Lapa.
Vilhena Pereira, também do PS, considerou mais adequado chamar D. Pedro IV à Via de Cintura Interna e a socialista Manuela Vieira sugeriu que o nome fosse atribuído ao Parque da Cidade.
Perante a indecisão, Rio retirou a proposta, adiando a sua votação para a próxima reunião camarária.
No documento hoje apresentado ao executivo, Rui Rio justificava a proposta com o facto de não existir na cidade, "178 anos depois da sua morte, qualquer via pública" com o topónimo de D. Pedro IV", sendo de "grande justiça" atribuir o seu nome "a um importante arruamento da cidade".
"D. Pedro IV ficou na memória de todos os portuenses como símbolo de liberdade, patriotismo e força de vontade que, desde sempre, moveu a cidade e os seus habitantes. No entanto, o maior gesto de reconhecimento de D. Pedro IV para com o Porto foi a doação que fez, ainda em vida, do seu coração à cidade que tão bem o acolheu e o ajudou na sua hercúlea tarefa", justificou o autarca.

sábado, 7 de abril de 2012

Há 181 anos D. Pedro abdicou da coroa imperial do Brasil para defender os portugueses do absolutismo

abdicação do Imperador Pedro I do Brasil, ocorreu em 7 de abril de 1831, em favor de seu filho D. Pedro de Alcântara, futuro D. Pedro II. O ato marcou o fim do Primeiro Reinado e o início do período regencial, no Brasil, e uma série de disputas em Portugal e oferecimentos dos tronos da Grécia e de Espanha, na Europa.


Contexto histórico
Segundo Emília Viotti da Costa a estrutura construída na Independência fez com que fosse organizado um sistema político que colocava os municípios dependentes das províncias e estas, ao poder central; e ainda "adotaram um sistema de eleições indiretas baseado no voto qualificado (censitário), excluindo a maior parte da população do processo eleitoral. Disputaram avidamente títulos de nobreza e monopolizaram posições na Câmara, no Senado, no Conselho de Estado e nos Ministérios".

Tal "Conselho de Estado", implementava o Poder Moderador instituído por Pedro I, quando dissolvera a Constituinte: formado por membros vitalícios, nomeados pelo monarca, não mais que em número de dez, tinham por função ser ouvidos "em todos os negócios graves e medidas gerais de pública administração, principalmente sobre a declaração de guerra, ajuste de paz, negociações com as nações estrangeiras, assim como em todas as ocasiões em que o imperador se propunha exercer qualquer das atribuições do Poder Moderador" - e ao qual se opunham fortemente os liberais.

Ocorrera em 1830 em França uma revolta liberal que depusera o rei Carlos X, e influenciara os demais países com as ideias liberais. No Brasil surgem jornais como o Aurora Fluminense, no Rio, que fazem forte oposição ao ministério conservador imposto por Pedro I.

Evaristo da Veiga escrevera, no Aurora: "Se a vontade do povo for dominada pelo terror, a nossa liberdade será reduzida, necessariamente, a uma mera sombra". Em São Paulo Libero Badaró comandava o periódico Observador Constitucional, onde protestava contra autoridades, muitas delas ainda portuguesas. Badaró, um jornalista italiano radicado no Brasil, é assassinado numa emboscada, causando tal crime profunda impressão na opinião pública.

Procurando minimizar os ânimos liberais, empreende o imperador uma viagem a Minas Gerais, com intuito de minimizar as agitações liberais que eram capitaneadas por Bernardo Pereira de Vasconcelos; mas lá o recebem friamente.

Quando retorna à Corte, teria já o imperador pensado na abdicação. Os portugueses locais realizam uma manifestação em seu apoio, com luminárias, entrando em conflito com os nacionais, naquela que passou à história com o nome de Noite das Garrafadas.

A inabilidade de Pedro I faz com que, a um Ministério moderado, nomeie um absolutista, em substituição. O povo exige a volta da equipe anterior, ajuntando-se no Campo da Aclamação. O Imperador, sendo comunicado da exigência popular, responde que "Tudo farei para o povo, nada, porém, pelo povo".

As tropas aderem ao movimento, deixando o monarca sem o apoio das armas. Numa última tentativa de compor um novo ministério, desta feita de acordo com os anseios populares, procura o Senador Vergueiro. Mas este não é encontrado.

Abdicação e partida

Usando do direito que a Constituição me concede, declaro que tenho muito voluntariamente abdicado na pessoa de meu muito amado e prezado filho, o Senhor D. Pedro de Alcântara.
Boa Vista, 7 de abril de mil oitocentos e trinta e um, décimo da Independência e do Império.
"

Pedro
Após escrever sua abdicação, o agora ex-imperador entrega o papel da renúncia ao mesmo major Miguel de Frias e Vasconcelos (comandante da Fortaleza de São José da Ilha das Cobras) que lhe viera comunicar o estado de ânimo das tropas e do povo, dizendo-lhe então, com os olhos marejados: "Aqui está a minha abdicação; desejo que sejam felizes! Retiro-me para a Europa e deixo um país que amei e que ainda amo." Eram duas horas da madrugada do dia 7 de abril de 1831.
Viriato Correia fez a seguinte descrição dos momentos seguintes:
"As crónicas da época pintam de uma maneira emocionante o momento em que Pedro I, depois da abdicação, se foi despedir do filho imperador. É noite. O monarca menino dorme tranquilamente no seu leito de criança. D. Pedro entra no quarto e pára junto do menino. Não tem coragem de acordá-lo. Fita-o demoradamente. As lágrimas ensopam-lhe os olhos; os soluços vão sufocar-lhe a garganta e ele, temendo aquela fraqueza, sai do aposento, enxugando os olhos."
Na manhã do mesmo dia o ex-Imperador embarca no navio inglês Warspite, acompanhado da Imperatriz D. Amélia e da filha, D. Maria, deixando no Brasil, além de Pedro II, as meninas D. Januária (com 9 anos), D. Paula (8 anos) e D. Francisca (7 anos), filhos de seu primeiro casamento; D. Amélia estava, então, grávida de três meses.
A nau inglesa, contudo, não partiu para a Europa. Dias depois do embarque o ex-monarca transfere-se com a esposa para a fragata Volage, enquanto D. Maria segue na corveta francesa La Seine - estas sim partindo rumo à Europa. Como tutor do futuro imperador o monarca deixou José Bonifácio, com quem se reconciliara pouco tempo antes.

Na Europa, D. Pedro empreende uma luta contra seu irmão, D. Miguel, a fim de assegurar para a filha Maria a sucessão do trono português. No Brasil, dada a menoridade de Pedro II, tem início o conturbado e importante período regencial.

quarta-feira, 4 de abril de 2012

A Rainha Maria II nasceu há 193 anos

Dona Maria II de Portugal (nome completo: Maria da Glória Joana Carlota Leopoldina da Cruz Francisca Xavier de Paula Isidora Micaela Gabriela Rafaela Gonzaga de Bragança; Rio de Janeiro, 4 de abril de 1819 - Lisboa, 15 de novembro de 1853), era filha do Rei D. Pedro IV de Portugal (Imperador do Brasil como D. Pedro I) e da arquiduquesa Dona Leopoldina de Áustria. Foi cognominada de A Educadora ou A Boa Mãe, em virtude da aprimorada educação que dispensou ao seus muitos filhos. Dona Maria da Glória era loira, de pele muito fina, olhos azuis como a mãe austríaca. Foi a 31ª Rainha de Portugal e dos Algarves aquando da abdicação do pai de 1826 a 1828 e de 1834 a 1853.
D. Maria II era Rainha de Portugal depois da abdicação de seu pai, Pedro IV (D.Pedro I, no Brasil) em seu favor, em 1826. Deixou o Rio de Janeiro a 5 de julho de 1828, sob o título de duquesa do Porto, sendo reconhecidos os seus direitos à coroa de Portugal por algumas potências europeias. O marquês de Barbacena, Felisberto Caldeira Brant, foi o escolhido por D. Pedro IV para acompanhá-la.
D. Miguel de Bragança, seu tio, chegara a Lisboa a 9 de fevereiro de 1828 e desembarcara no dia 22, recebendo das mãos de D. Isabel Maria de Bragança a regência, e ratificando a 26 o juramento que prestara à Carta Constitucional perante as cortes que a infanta havia convocado. Não tardou a mudar de resolução. A 13 de março dissolveu as cortes, convocando em 3 de maio o conselho dos três Estados para decidir a quem pertencia a coroa, segundo a antiga forma das cortes do país, quando se tratava de graves pontos de direito.
O conselho reuniu-se a 21 de junho e a 25, proclamando D. Miguel rei absoluto, em precipitada resolução, em vista do ato de reconhecimento do herdeiro da coroa prestado pela regência e real câmara dos pares, instituída pela Carta Constitucional, acerca da sucessão da Casa de Bragança nas duas coroas de Portugal e Brasil, e particularmente na do Portugal, já indicada nas conferências realizadas em Londres em agosto de 1823.
E também nos preliminares do tratado de 25 de agosto de 1823, que reconheceu a Independência do Brasil, onde a tal respeito foi apresentado na conferência de 9 de agosto o seguinte Artigo Secreto: «Como por causa da aceitação da renúncia pessoal do imperador do Brasil, D. Pedro, à Coroa de Portugal, as Cortes de Portugal devem determinar qual dos filhos do imperador será chamado à sucessão daquela coroa por morte do presente rei: entende-se que as ditas Cortes podem chamar à sucessão o filho mais velho do dito imperador do Brasil, ou a filha mais velha, na falta de descendência masculina.»
O infante D. Miguel residia em Viena, para onde fora mandado, por carta regia de 12 de maio de 1824, depois da revolta de 30 de abril ou Abrilada. Os brasileiros não aceitaram que o imperador cingisse a coroa portuguesa, o que resultaria na unidade da antiga monarquia, da qual haviam se libertado.
D. Pedro, depois de proclamado Rei de Portugal, resolveu abdicar a coroa portuguesa nesta filha D. Maria da Glória em 3 de maio, tendo em 29 de abril outorgado aos portugueses uma constituição livre, a Carta Constitucional. A abdicação era condicional: a princesa casaria com seu tio Dom Miguel, e enquanto se não realizasse o consórcio, e o novo regime não dominasse em Portugal, continuaria a regência de Dona Isabel Maria em nome de D. Pedro IV.

O reinado foi interrompido pelo levantamento absolutista liderado por seu tio, noivo e regente D. Miguel I, que se proclamou rei de Portugal a 23 de junho de 1828. Começaram então as Guerras Liberais que se prolongam até 1834, ano em que Maria foi reposta no trono e D.Miguel exilado para a Alemanha.
O marquês de Barbacena, chegando a Gibraltar com a princesa em 3 de setembro de 1828, teve conhecimento por um emissário do que se passava em Portugal. Teve a perspicácia de compreender que D. Miguel viera de Viena resolvido a pôr-se à frente do movimento absolutista, aconselhado pelo príncipe Metternich, que dirigia a política européia, sendo assim perigoso a jovem rainha ir para Viena. Tomando a responsabilidade, mudou a direção da viagem, e partiu para Londres, onde chegou a 7 de outubro. A política inglesa nada favorecia seus intuitos. O gabinete de lorde Wellington patrocinava abertamente D. Miguel, de sorte que o asilo que o Marquês procurara não era seguro. D. Maria II foi recebida na corte com as honras devidas à sua elevada hierarquia, mas os ingleses impediam seus súditos ali emigrados de irem reforçar a guarnição da ilha Terceira.
O golpe de Estado de D. Miguel não passara sem protestos. A 16 de maio de 1828 revoltava-se a guarnição do Porto, a 25 em Lagos um batalhão de infantaria. As revoltas foram sufocadas. Saldanha, Palmela, e outros, que tinham vindo para tomar a direção do movimento do Porto, reembarcaram no Belfast, que os trouxera; a guarnição do Porto, reforçada pelos voluntários académicos de Coimbra e por outras tropas liberais, emigrava para a Galiza e dali para Inglaterra. À frente duma pequena expedição liberal tentou Saldanha desembarcar na Terceira, mas não lho consentiu o cruzeiro inglês, cuja vigilância não pôde, contudo, evitar algum tempo depois que o Conde de Vila Flor, mais tarde da Terceira, conseguisse desembarcar. A tempo, porque em agosto de 1829 aparecia na frente da ilha a grande esquadra miguelista que lançou em terra um corpo de desembarque. Deu-se então a batalha de 11 de agosto na vila da Praia, em que os miguelistas foram derrotados. Quando os emigrados na Inglaterra receberam a notícia da vitória, sentiram grande entusiasmo. Logo perderam as esperanças ao saber que a jovem rainha voltava para o Brasil. Na verdade, a situação de D. Maria II na corte inglesa, ao lado do ministério no poder, tornava-se embaraçosa e humilhante. A rainha saiu de Londres para ir encontrar com sua futura madrasta, D. Amélia de Leuchtenberg. Partiram juntas em 30 de agosto de 1829 para o Rio, chegando a 16 de outubro.
Julgava-se perdida a causa constitucional. Os emigrados dispersos (França, Inglaterra e Brasil) dividiam-se em facções rivais. Só a ilha Terceira reconhecia os princípios constitucionais, e mesmo ali apareciam guerrilhas miguelistas. A França estava já disposta a reconhecer o governo de D. Miguel quando em 1830 rebentou em Paris a revolução de Julho, o que fez animar os liberais portugueses.

Em 1831, D. Pedro I abdicou em 7 de abril da coroa do Brasil, dando-a ao seu filho, D. Pedro II, irmão de D. Maria II, e veio para a Europa, com a filha e a segunda mulher, sustentar os direitos da filha à coroa de Portugal. Tomou o título de Duque de Bragança, e de Regente em seu nome.
Quase ao mesmo tempo a regência da ilha Terceira, nomeada por D. Pedro e composta do Marquês de Palmela, do Conde de Vila Flor e de José António Guerreiro, pode preparar uma expedição que em pouco tempo se apossou dos Açores. Enquanto se ampliava assim o território constitucional, D. Pedro desembarcava em França, sendo acolhido com simpatia pelo novo governo e por Luís Filipe I. O governo de D. Miguel desacatara as imunidades dos súbditos franceses, não satisfizera de pronto as reclamações do governo francês, que mandara uma esquadra comandada pelo almirante Roussin forçar a barra de Lisboa e impor humilhantes condições de paz.
D. Pedro deixou a filha em Paris para acabar a sua educação, entregue à madrasta, com bons mestres, e partiu para os Açores à frente duma expedição organizada na ilha de Belle-Isle, reunindo seus partidários. Chegando aos Açores a 3 de março de 1832, formou novo ministério, juntou pequeno exército, cujo comando entregou ao Conde de Vila Flor, meteu-o a bordo duma esquadra que entregou ao oficial inglês Sartorius, e partiu para Portugal continental, desembarcando a 8 de julho na Praia da Memória, em Matosinhos. Seguiu-se o cerco do Porto e uma série de combates, até que a 24 de Julho de 1833 o Duque da Terceira entrou vitorioso em Lisboa, depois de ter ganho, na véspera, a batalha da Cova da Piedade. Porto e Lisboa, as principais cidades, estavam no poder dos liberais. D. Pedro veio para Lisboa, e mandou vir sua filha de Paris.
Teatro Nacional D. Maria II, no Rossio (zona central de Lisboa), tem o seu nome por ter sido inaugurado no dia de aniversário da rainha.

Casamentos
  • Com dispensa papal, por procuração, em 29 de outubro de 1826 casou-se com seu tio, o Infante D. Miguel (1802-66). O casamento foi dissolvido ou anulado em 1 de dezembro de1834
  • Casou em Munique por procuração em 1 de dezembro de 1834 e em pessoa em Lisboa em 26 de Janeiro de 1835 com o príncipe D.Augusto de Beauharnais. Batizado Augusto Carlos Eugénio Napoleão de Beauharnais, nascera em Milão em 9 de dezembro de 1810 e morreria em 28 de março de 1835 de difteria, no Paço Real das Necessidades, em Lisboa. Segundo duque de Leuchtenberg, Príncipe de Eichstadt, feito Príncipe de Portugal pelo casamento, 1° Duque de Santa Cruz no Brasil, feito em 5 de novembro de 1829 por seu sogro e cunhado D. Pedro I. Era filho de Eugénio de Beauharnais e da princesa Augusta da Baviera, e irmão mais velho da imperatriz D. Amélia, madrasta de Maria II.

Havia necessidade de um segundo marido. Apareceram candidatos de França, Nápoles, Alemanha e Sardenha e saiu vitorioso o sobrinho do rei Leopoldo I dos belgas:
  • Casou com o Príncipe D. Fernando de Saxe-Coburgo-Gotha, baptizado Fernando Augusto Francisco António de Saxe-Coburgo-Gotha, nascido em Viena em 29 de Outubro de 1816 e falecido em Lisboa a 15 de Dezembro de 1885 no Paço Real das Necessidades, estando sepultado em mosteiro de São Vicente de Fora. O contrato foi assinado no fim de 1835. Meses depois, chegou o marido. Haviam casado em Coburgo por procuração em 1 de janeiro de 1836 e, em Lisboa, em pessoa, na Sé patriarcal em 9 de Abril de 1836. Rei Consorte como Fernando II em 16 de Setembro de 1837, após o nascimento de um filho varão. Regente do reino durante a menoridade do filho Pedro V e depois até a chegada a Portugal do filho Luís I. Tiveram 11 filhos. Era filho de Fernando Jorge Augusto (Coburgo 1785-1851 Viena) príncipe de Saxe-Coburgo-Gotha e de Maria Antonia Gabriela(Viena 1797-1862 Viena), princesa herdeira de Kohary de Csabrag e Szitna. Viúvo, Fernando casaria, morganaticamente, em 1869, com a cantora Elisa Hensler, feita condessa de Edla.
Morte
Desde sua primeira gravidez, aos dezoito anos de idade, Dona Maria II enfrentou problemas para dar à luz, com trabalhos de parto prolongados e extremamente dificultosos. Exemplo disso foi sua terceira gestação, cujo trabalho de parto durou 32 horas, findas as quais, foi retirada a fórceps uma menina, batizada in articulo mortiscom o nome de Maria (1840).
Aos 25 anos de idade e em sua quinta gestação, a soberana tornou-se obesa e seus partos tornaram-se ainda mais complicados. Em 1847, o sofrimento fetal que precedeu o nascimento de seu oitavo filho – o infante Dom Augusto – trouxe ao mundo uma criança"bastante arroxeada e com pouca respiração".
A perigosa rotina de gestações sucessivas, somada à obesidade (que terminou por causar-lhe problemas cardíacos) e à frequência de partos distócicos (preocupante, especialmente por tratar-se de uma multípara) levaram os médicos a alertarem a rainha sobre os sérios riscos que corria. Indiferente aos avisos, Dona Maria II limitava-se a retorquir: "Se morrer, morro no meu posto".
Em 15 de novembro de 1853, treze horas após o início do trabalho de parto do natimorto Infante D. Eugénio, seu 11º filho, Dona Maria II morreu, aos 34 anos de idade. O anúncio da morte foi publicada no Diário do Governo de 16 de novembro de 1853:
"Paço das Necessidades, 15 de Novembro de 1853, à meia hora depois do meio dia.
Sua Magestade a Rainha começou a sentir annuncios do parto às nove horas e meia da noite de hontem. Appareceram difficuldades no progresso do mesmo parto, as quaes obrigaram os facultativos a recorrer a operações, pelas quaes se conseguiu a extracção de um Infante, de tempo, que recebeu o baptismo antes de extrahido.
O resultado destas operações teve lugar às dez horas da manhã. Desgraçadamente, passada hora e meia, Sua Magestade, exhausta de todas as forças, rendeo a alma a Deos, depois de haver recebido todos os sacramentos.
Francisco Elias Rodrigues da Silveira. Dr. Kessler. Ignacio António da Fonseca Benevides. António Joaquim Farto. Manuel Carlos Teixeira."
Jaz no Panteão dos Braganças, no mosteiro de São Vicente de Fora em Lisboa.