Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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terça-feira, 4 de junho de 2013

BRAGA, uma cidade com história


Nos últimos dias vieram a público provas documentais que estão a gerar polémica, já que põem em causa o título de "Cidade Berço", há muito tempo atribuído a Guimarães e institucionalizado durante o Estado Novo.
Independentemente desta polémica histórica, não resta a mais pequena dúvida que Braga é uma cidade com uma riqueza histórica única!
Em termos de legado histórico, Braga é sui generis porque nesta cidade existem ruínas com mais de 1000 anos
(Termas da Cividade)
E também ruínas com menos de 10 anos!
(Piscinas Olímpicas) 
Acontece que as de cima já foram pagas há mais de mil anos pelo César e as debaixo estão a ser pagas pelo bolso do Zé Pagode.

quarta-feira, 27 de fevereiro de 2013

Regabofe de Ajustamentos


Nota Prévia 
Para um blog de autoria anónima e relacionado com uma figura da Semana Santa: o artigo de opinião publicado ontem no Diário do Minho a respeito das máquinas começadas por "P" é de inegável pertinência e actualidade. Assim como outros assuntos relacionados com luvas, ou outros "adereços", e que são abordados de forma superficial na dita publicação quaresmal, por opção editorial do anónimo autor que obviamente respeitamos. 
Portanto, nada de espantar que hajam um, ou mais, cidadãos atentos a escrever artigos versando aprofundar estas importantes temáticas, enquanto outros entendem versar superficialmente ou nem sequer versar. E por conta de um sincronismo de opinião entre dois opinantes não se pode daí aferir que um esteja a plagiar o outro.

Agora vamos ao assunto que nos trouxe cá
A edição de hoje do Diário do Minho antecipa desde já a aprovação em Reunião de Câmara de uns quantos ajustes directos, dois dos quais consideramos serem merecedores de atenção:
O primeiro vem no seguimento da cada vez maior preocupação com todo o rocambolesco processo de privatização do estacionamento público à superfície. 
Pois bem, o Município prepara-se para desembolsar 20 mil Euros em benefício da Braga Parques, por conta de um contrato de "aquisição de serviços de aparcamento das viaturas a remover durante o ano de 2013". 
Para quem não sabe, os veículos em transgressão de estacionamento e sujeitos a reboque na cidade de Braga são depositados num parque de estacionamento privado, pertença da Braga Parques. É verdade que em adição à coima, o automobilista é forçado a custear também as despesas do também forçado aparcamento, como quem diz: "não quiseste estacionar o carro no Parque, agora toma!". 
Mas porque carga de água os veículos rebocados têm de ser depositados num parque de estacionamento privado e porque tem o Município de Braga de antecipar uma verba ao dono desse parque?
Depois, temos a adjudicação por 40.560 euros dos serviços de segurança no Mercado Municipal, à mesma empresa que presta o serviço de segurança de recinto desportivo no novo Estádio Municipal. O qual, recordamos, o Município arrendou por 30 anos com proveitos de 180 mil Euros e encargos superiores a 12 milhões. Um contrato peculiar em que o senhorio tem custos e o inquilino tem lucros.

A família reinante de Braga deve ter em atenção a velha máxima romana: "à mulher de César não basta ser séria, tem que parecer também". Neste caso parece não se verificar nem uma, nem outra.
P.S.: Não é só organizar feiras romanas, deve-se também aprender algo com esta civilização que tanto legado deixou nesta cidade.

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Duas faces da mesma Moeda


A situação económica e social portuguesa é de tal forma dramática, em forma de espiral recessiva rumo ao abismo, que às vezes mais parece uma pintura surrealista.
Senão vejamos:

O presidente do Eurogrupo defende um reajustamento das condições do programa português.

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional pede travão à austeridade na Europa.

O "mordomo" da Comissão Europeia em Bruxelas considera que há limites para a aceitação da austeridade.

E o Carlos Moedas acha que está bem feito um documento elaborado por uns supostos burocratas estrangeiros, para cortar a torto e a direito e sem contemplações para com a generalidade da população portuguesa, que já está a ser hoje largamente fustigada.

Como dizia o Scolari: "e o burro sou eu?"

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Experimentalismo Urbano


E se um médico decidisse operar um paciente ao estômago por entender que este sofria de alguma maleita, tipo flatulência em excesso ou coisa que o valha?
Marcava-se a cirurgia, reservava-se o bloco operatório, adquiria-se o material necessário, recrutavam-se enfermeiros, anastesistas, etc... O doente era sujeito a internamento e à bateria de exames preliminares da praxe.
No dia seguinte, o médico operava o paciente e este permanecia internado mais uns dias em pós-operatório.
Ao fim de algumas semanas, o paciente não apresentava melhoras ou até piorava e o médico então decidia: "se calhar é melhor voltar a abrir a barriga ao paciente e operá-lo aos intestinos, porque o excesso de traques que ele dá, afinal deve ter a ver com as tripas e não com o estômago".
Perguntamos nós: o que pensariam os leitores deste médico ficcional se fosse real? A opinião generalizada seria: INCOMPETENTE. 
E certamente o hospital dispensaria este médico, pois a incompetência deste causara avultados prejuízos. Para além dos óbvios transtornos causados ao paciente, a despesa desnecessária que causou ao realizar cirurgias dispendiosas, sem saber realmente ao certo o que estava a fazer.

Pois se este médico é ficcional, os responsáveis pelas obras de requalificação urbana da cidade de Braga não! 
E tal como o médico incompetente, também estes decidem executar as acções, para depois se aperceberem das asneiras que fizeram e voltar a refazer o que foi mal feito.
Assim, quando os bracarenses se julgavam livres das incómodas obras do Largo da Sr.ª a Branca, eis que as máquinas estão de volta para corrigir aquilo que poderia ter sido feito bem à primeira. Mas como se pode ler hoje no Diário do Minho, a cidade de Braga passou a ser um laboratório de "Experimentalismo Urbano".

segunda-feira, 7 de janeiro de 2013

Memorial do Convento



O "astuto" líder socialista de Braga, convocou as suas hostes para um secreto momento de retiro espiritual no convento de Montariol. E quando dizemos que D. Vítor convocou as suas hostes, é porque foram mesmo as suas hostes. Porque as hostes do Braga não foram tidas nem achadas, como aliás se pode depreender no lamento destes estampado na edição de hoje do Diário do Minho. Já agora, feliz do Diário que não viu o pio cortado pela Arcada ainda.

Para memória de todos, aqui fica a missiva electrónica de D. Vítor aos seus súbditos, convocando-os para a sigilosa reunião em recolhimento monástico.
Sugerimos prestar especial atenção ao parágrafo nomeado de "Grupo 2", onde o líder invoca as musas opinantes para inspirar as penas dos seus fazedores de opinião, como por exemplo o seu primogénito: uma equipa composta por prata da casa e cujo principal "target" é tratar de alimentar a imprensa local, (...)  não esquecendo a produção de textos de opinião quer com incidência local, quer com incidência nacional colando o PSD Braga às políticas do Governo da República.
Para os "xuxas", mais importante do que discutir as soluções para os problemas do município, é tratar de influenciar o eleitorado dizendo e escrevendo verborreias com o objectivo associar o adversário directo ao "governo da República" (utilizando a linguagem jardinista) e assim tirar dividendos de uma campanha pela negativa.


"Caro Camarada,
venho por este meio convidá-lo para uma jornada de trabalho a realizar-se no próximo Sábado, 5 de Janeiro, entre as 10h e as 18h, no Mosteiro de Montariol.
A reunião seguirá a lógica de quatro grupos de trabalho, coincidentes com os eixos estruturantes em que assentará a campanha.
Grupo 1 - Organização, Gestão Administrativa e Financeira [Compete a esta área tratar e organizar toda a estrutura logística e respectiva gestão dos meios da campanha. Espaços; Meios Áudio-Visuais; Sede de Campanha; Viaturas; Equipamento Informático; Suportes de Comunicação (Outdoor's e Bandeirolas, etc.); Brindes/Logística de Distribuição. Compete, também, a esta área a elaboração e coordenação de um modelo de gestão da contabilidade da campanha].

Grupo 2 - Comunicação e Imagem[A área da Comunicação e Imagem assume um papel determinante na Campanha. Pretende-se que funcione a dois níveis: Um de carácter local, com uma equipa composta por prata da casa e cujo principal "target" é tratar de alimentar a imprensa local, bem como, as redes digitais (Facebook, Twitter, outras...), promover comunicação com o eleitorado (Newsletter, Jornal de Campanha e outros formatos que possam entretanto surgir), acompanhar e divulgar nos diversos meios e canais toda a actividade do candidato e, ainda, gerir os meios necessários para o cumprimento de todas estas tarefas (pessoal, acompanhamento fotográfico e de gravação de vídeo), não esquecendo a produção de textos de opinião quer com incidência local, quer com incidência nacional colando o PSD Braga às políticas do Governo da República; Um de carácter nacional, que passa pela colaboração com uma Agência de Comunicação no sentido de obter apoio profissional no que à escolha da Imagem, do Slogan da Campanha, de Frases Chave para aparecerem em momentos importantes. Resumindo, para definição de toda a linha gráfica da campanha, assim como, suporte de influência para conseguirmos entrar nos diferentes meios de comunicação de dimensão nacional].
Grupo 3 - Iniciativas e Actividades Políticas [A área das iniciativas e actividades políticas assume um papel de primordial importância no estabelecimento de um diálogo de proximidade com os Bracarenses e dela resultará, em grande medida, a estrutura do Programa Autárquico do PS para o Mandato 2013/2017. É uma área transversal e que carece relação permanente com as restantes três áreas estratégicas que este plano define. Actividades a Desenvolver: Planear, organizar e realizar sete fóruns/debates sob o tema: "Braga Como Horizonte"; Planear, organizar e realizar dois, três grandes Fóruns (Associativismo, Cultura e Desporto); Definir o planeamento das visitas do Candidato a Associações, Empresas, IPSS, Universidades, etc; Estruturação e elaboração do Programa Autárquico do PS para o Mandato 2013/2017].
Grupo 4 - Gabinete Autárquico[Esta área é de central importância para o sucesso da eleição. Como responsabilidades da mesma temos as seguintes tarefas: Listas das Freguesias; Programas Eleitorais das Freguesias; Organização de Visitas e Eventos nas Diferentes Freguesias; Apoio às Listas nas Diferentes Freguesias].
Cada uma destas áreas terá um coordenador e no contexto da reunião de Sábado faremos a alocação dos restantes elementos a cada uma das áreas.
O Ponto de Encontro para Sábado é no Parque de Estacionamento da AFBraga, pelas 9h30, de onde seguiremos para o Mosteiro de Montariol.
Caso não lhe seja possível estar presente agradecemos que disso nos dê nota para este email até quarta-feira, dia 2 de Janeiro.
Aproveito para lhe desejar um óptimo 2013. Espero e desejo que seja um ano em que todos os desafios pessoais e profissionais sejam alcançados.
Juntos, não tenho dúvidas, venceremos todos os desafios políticos que 2013 nos traz no horizonte.

Um abraço fraterno,
Vítor Sousa"

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

4 ANOS A JOGAR À SUECA


Tiago Mesquita escreveu hoje uma crónica corrosiva no Expresso. Segundo o Tiago, tudo em Portugal aumentou menos a vergonha na cara do governo. É verdade!
Em Braga também sucede algo parecido. Aumentaram os impostos camarários, as tarifas da Agere, os passes da TUB, as rendas da Bragahabit, o endividamento do município, etc.
E aumentou, sobretudo, a distintíssima LATA do presidente da Câmara, como se pode ver estampado nas primeiras páginas de alguns jornais nas bancas.
A lei da limitação dos mandatos na política não deveria ser apenas observada do ponto de vista da obrigação legal. Deveria ser também uma espécie de moratória para os nossos políticos, para estes tomarem consciência da necessidade de não permanecerem eternamente agarrados ao poder. Não é possível exercer o poder anos a fio, mesmo que legitimado por votos, ficando imune aos malefícios deste para o ser humano: autocracia, autoritarismo, narcisismo, prepotência; e outras expressões negativas antagónicas às directivas do exercício das funções públicas em ambiente democrático.
O poder em excesso ou exercido por longos períodos corrompe e em casos extremos provoca dependência. Infelizmente, existem vários exemplos flagrantes a atestar que o poder é um vício.
O presidente da câmara de Braga é também um homem de vícios: sueca, charuto, futebol, poder, poder e mais poder...
Qual a outra razão que o levaria a admitir candidatar-se a nova eleição dentro de quatro anos, que não o vício do poder? Que teria ele a acrescentar a esta cidade que não o pudesse já ter feito nestas últimas décadas?
Há dias falávamos do Chico, um apoiante indefectível deste presidente. Hoje o Chico estará feliz ao saber que o presidente vai passar os próximos quatro anos numa espécie de licença sabática, batendo cartas na mesa da sueca, expelindo bafaradas dum puro como se fosse uma locomotiva a vapor. E em 2017 estará de volta à reconquista do "trono".
O Chico continua desempregado e sem perspectivas de deixar de estar. Mas hoje brinda feliz, com um Martini bebido de "penalti", ao regresso do senhor presidente. Quatro anos passam depressa, como o diabo esfrega um olho. Se depender do Chico, dentro de quatro anos tudo volta a ser como dantes.
Quantos "chicos" haverá mais em Braga dispostos a carregar com este "latão"?
"Mesquita admite voltar à Câmara dentro de quatro anos"
JN de 4 de janeiro 2013

domingo, 30 de dezembro de 2012

O que diz o Chico enquanto mata o bicho


Estes dias decidi fazer um périplo por algumas freguesias periféricas do concelho de Braga. A meio da manhã, parei numa ao acaso, a fim de sentir o pulsar da populaça.
Entrei no bar de uma colectividade desportiva, surpreendido por encontrar tanta gente àquela hora de um dia de semana. Uma das peculiaridades das freguesias da periferia de Braga é que todas têm um clube de futebol. E todos os clubes de futebol têm uma sede. E todas as sedes dos clubes de futebol têm uma tasca, se bem que nalguns casos uma e outra são a mesma coisa.
Aprocheguei-me do balcão e meti conversa com um dos locais frequentadores, o Chico, indivíduo de meia idade que naquele momento aviava um turbo (cocktail de cerveja com vermute). Pelo jeito como tresandava a álcool, depreendi que aquela não seria a primeira bebida que emborcava nessa mesma manhã!
O Chico está desempregado, trabalhava como operário da construção civil numa dessas grandes empresas que faliu recentemente. Diz que ninguém lhe dá trabalho, o crónico problema de muitos desempregados deste país: velho de mais para ser empregado, novo de mais para ser aposentado.
Pergunto-lhe se gosta de viver naquela terra. Faz um esgar de ombros, brande as sobrancelhas e lá vai dizendo que sim. Nasceu ali, cresceu ali, não se imagina a viver em mais nenhum lugar. Em tempos propuseram-lhe emigrar para Angola, a troco de um soldo generoso. Recusou.
Como a manhã estava solarenga e já fizera uma certa afinidade com o Chico, convidei-o a acompanhar-me num passeio pedonal pelas cercanias. Saímos da tasca-sede do clube e viramos em direcção ao campo de jogos, onde abordo a questão da política autárquica.
O Chico revela-se um apoiante incondicional do actual presidente do município, no qual depositou a confiança em forma de voto nos sucessivos sufrágios. A intenção de voto nunca foi peremptória no partido político, porque ele é da opinião que são todos iguais, mas no homem. Agora que este já não se pode recandidatar, afirma-se indeciso na próxima escolha. Provavelmente, votará contra os partidos do governo. Ou então, nem sequer lá vai exercer o seu direito.
Conversa puxa conversa, inquiro-o sobre o porquê da manifestada fidelidade para com o actual presidente do município e o Chico lá se vai descosendo: “Ele pode roubar, mas ao menos faz obra.”, comenta o Chico enquanto exibe com orgulho o recém-estreado relvado sintético do campo de futebol. “Veja só esta maravilha!”, exclama o Chico ufanoso. “A sede do clube foi ele que deu dinheiro para a fazer. E foi ele também que fez as piscinas e a sede da junta”. E remata o seu discurso desta forma: “Se fosse outro que estivesse no poleiro, roubava na mesma e não fazia nada”.
Fico surpreendido pela forma leve como o Chico arremessa estes bitaites a respeito da conduta do presidente do município e pergunto-lhe porque faz tais afirmações. “É o que toda a gente diz”, justifica ele.
Tal como diz o povo: “há muitas maneiras de se matar moscas”; também a política tem várias maneiras de a fazer. A política despretensiosa destinada à realização do bem-comum e à governação racional do que é de todos é uma das vias. Infelizmente, a história mostra que em termos eleitorais é mais eficaz uma política populista, assente em dispendiosas obras de fachada, associada a boas tácticas de propaganda.
Segundo noticia hoje o Diário do Minho, em ano de eleições autárquicas a Câmara vai entrar com 250 mil euros para obras nas freguesias. Mais uma vez é seguida a estratégia de maior eficácia eleitoral.

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Nova Política Industrial da Europa: a que preço?


Essa carta assinada por estes cinco ministros homólogos (que provavelmente se tratam uns aos outros por tu) é cheia de boas intenções. Porém, não devem os ministros esquecer que de boas intenções está cheio determinado local, para onde certamente ninguém quer ir...
A questão que se coloca é saber qual o preço que a Europa está disposta a pagar para conseguir a reindustrialização que o Álvaro (foi ele que pediu para o tratarem assim) e seus amigos vieram apregoar.
Como pode o debilitado tecido industrial europeu tornar-se novamente competitivo à escala mundial?
No actual contexto dos acordos mundiais do comércio, só há duas vias:
1.ª: Os nosso "crânios" europeus desatam a inventar um sem número de produtos inovadores, suficientemente atractivos para os consumidores a nível global, e que ao mesmo tempo não possam ser imitados pelas indústrias dos países emergentes.
2.ª: A outra via é aplicar as regras industriais dos países emergentes, isto é: abolir o estado social; reduzir drasticamente os salários e aumentar os períodos laborais para níveis a roçar a escravatura; revogar toda a legislação existente em relação a direitos laborais, higiene e segurança no trabalho; despenalizar o trabalho infantil; suspender toda a regulamentação ambiental existente na união, permitindo às indústrias poluir como e quanto lhes aprouver.
Portanto, ou os líderes europeus têm coragem de afrontar as convenções mundiais do comércio e reconhecer que estas não são igualitárias para todas as nações do mundo, uma vez que um mercado justo pressupõe a não existência de concorrência desleal, exigindo que as indústrias em competição no mesmo mercado obedeçam às mesma regras; ou então esta carta cheia de boas intenções irá parar ao mesmo caixote do lixo que as restantes "balelas" resultantes dos sucessivos conselhos europeus e cimeiras que se têm realizado nos últimos tempos.
A Europa necessita de se reindustrializar? Sim, é um facto evidente. Mas para mantermos os padrões de vida que são direitos inalienáveis das sociedades europeias modernas, temos que voltar atrás e reconsiderar a imposição de medidas proteccionistas, com todo o mal que daí possa advir.
Aqui trata-se de uma necessidade de sobrevivência, onde muitas vezes os fins justificam os meios.

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

A União Europeia: como a crise de identidade conduziu ao desastre


Em Portugal existe uma figura bizarra, à qual alguém (talvez o próprio de forma escamoteada) resolveu coroar com o título de "Rei do jet-set de Portugal".
Ora, essa figurinha apresenta um grave problema de indefinição, já que ninguém sabe se é homem ou se é ou mulher, se é gay ou se é lésbica, se é rico ou se não tem um tostão furado.
Da Europa unida sobressai uma dúvida existencial semelhante: ninguém sabe o que é esta Europa, muito menos ela própria!
Esta manhã, o presidente da Comissão Europeia (o Zé Manel) era um homem satisfeito e orgulhoso pela atribuição do Prémio Nobel da Paz à União Europeia.
Este é um sinal inequívoco, pensou ele, que o projecto europeu é um modelo civilizacional de sucesso.
Mas o que é afinal o projecto europeu?
Se atendermos à retórica do Zé Manel e de outros eurocratas (entenda-se gajos "bem na vida"), vamos ficar ainda mais confusos.
De forma a esclarecer os europeus que não sabem bem ainda o que é esta Europa, revelamos aqui a receita que esteve na base da concepção do chamado "projecto europeu".
1. Juntar a Alemanha e a França para que não voltem a andar em guerra.
2. Juntar os países prósperos à volta (Benelux e Escandinávia) para não haver necessidade de os invadir depois.
3. Juntar o Reino Unido, senão os americanos vão achar que cheira a esturro e ainda entram por aqui adentro.
4. Juntar os pacóvios do sul e do leste, alimentar-lhes as classes políticas corruptas que posteriormente permitirão a consecução das seguintes alíneas.
a)  Aplicar-lhes a PAC, forçando-os a deixar as terras ao abandono a fim de escoar a produção agrícola da França.
b) Incentivá-los a investir (entenda-se endividar-se) para escoar a produção industrial da Alemanha.
c) Assinar o acordo do comércio livre num único sentido, para facilitar a entrada no mercado dos países emergentes e beneficiar assim as multinacionais geradoras de riqueza (para meia dúzia, claro!). Em simultâneo, destruir a indústria dos pacóvios do sul e do leste, com o argumento de que sai mais barato comprar nas lojas dos chineses.
d) Castigar os pacóvios do sul e do leste por terem permitido a execução das alíneas anteriores, aplicando-lhes austeridade indefinidamente.
Resultados da aplicação da receita: um navio à deriva e a meter água por todos os lados. Cada um a tentar salvar-se como pode, sendo que alguns podem mais que outros!

sábado, 24 de novembro de 2012

Rei morto, rei posto


“O que espera o Governo para se demitir?” 
Esta foi uma questão colocada num artigo de opinião do Diário de Notícias, pela pena de alguém para quem os portugueses já não têm paciência. E nem a idade avançada, bem como o evidente estado senil da criatura, justificam a complacência para com essa aventesma política, que nos últimos tempos sempre que opina é só para asneirar. 
Mas se há camaradas de partido da criatura de bochechas protuberantes que abominam semelhante afirmação, esse alguém chama-se Vítor de Sousa.
Contra todos os processos, denúncias e artigos jornalísticos comprometedores que o atacaram recentemente, este "peso-pesado" da política bracarense resistiu a um verdadeiro tornado político e vai mesmo avançar para a sucessão do dinossauro autárquico bracarense.
E nem mesmo  uma suposta tentativa de golpe palaciano de última hora, perpetrado por um certo clã com ligações estreitas à política, igreja e maçonaria, lograram afastá-lo.
Mérito para o Vítor enquanto hábil político. Apesar de não ser propriamente o paradigma de um gajo porreiro, ao longo dos anos granjeou os apoios necessários dentro do aparelho rosa, quer a nível local, quer a nível nacional. Consegue também mover-se com ligeireza pelos meandros de outros sectores da sociedade: empresas, organizações sociais, etc. E conseguiu ainda estabelecer uma espécie pacto de não agressão com um famoso bloggerbracarense de vocação satírica, inspirado numa figura vestida de negro da Semana Santa. 
Durante a recente visita do Vereador do Rio de Janeiro, coube-lhe a ele as honras de abrir os Paços do Concelhos, já que o dinossauro se encontrava nas longínquas terras da Transilvânia, quiçá à caça de algum vampiro. 
Se o governo de coligação nacional durar até às autárquicas, o eterno presidente das festas de S. João tem assim a cadeira de sonho da edilidade à sua mercê. Não porque os bracarenses lhe reconheçam competências para o dito lugar, mas porque o voto no PS representará um voto contra Passos, Gaspar e a Troika. Não será propriamente um voto em Vítor de Sousa.
Caso o governo caia, ou se dê um milagre que faça descer o desemprego e disparar o crescimento económico antes das autárquicas, aí os bracarenses irão eleger Ricardo Rio para presidente. 
São estas as vicissitudes do nosso sistema democrático.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Quem disse que o combate à economia paralela não envolvia riscos?

Quem disse que o combate à economia paralela não envolvia riscos?
Pediu factura, levou no "focinho".

domingo, 4 de novembro de 2012

A democracia do "carneirismo"


No ano de 2000, o XIV.º Governo Constitucional de António Guterres necessitava de um voto que garantisse a maioria necessária para a aprovação do Orçamento de Estado. As direcções de todos os partidos da oposição manifestaram a intenção de votar contra e o país caminhava para uma crise.
Eis que um então deputado do CDS-PP, que também era Presidente da Câmara de Ponte de Lima, decide romper com a disciplina partidária. Em troca do seu voto que viabilizaria o orçamento, o deputado negociara com o governo uma série de contrapartidas que beneficiariam directamente o seu município e indirectamente a região envolvente. E consequentemente, beneficiariam as populações que o elegeram como deputado da Assembleia da República.
Esse Orçamento de Estado ficou celebrizado como “Orçamento do Queijo”, por ter envolvido o deputado e presidente da câmara limiano, o mesmo que um ano antes encetara uma greve de fome em protesto contra a deslocalização da fábrica produtora do referido queijo.
Hoje em dia, Daniel Campelo o deputado do Queijo, está “do outro lado da barricada”, sendo membro do governo enquanto secretário de estado da Agricultura.
Esta semana, aquando da votação da proposta de Orçamento para 2013, o mais austero e violento de toda a história e o menos português também, já que foi elaborado sob a égide de instituições estrangeiras, assistimos a um outro caso de votação em desacordo com a bancada.
Não importa discutir quais os motivos ou segundas intenções que estiveram na base da decisão do CDS-Madeira, que mandatou o seu deputado eleito a votar em desacordo com a bancada. Mais importante é salientar a coragem política de votar conforme aquilo que se entendeu ser a defesa dos interesses das populações que se representa.
A argumentação das lideranças partidárias e parlamentares para a existência de disciplina de voto em matérias ditas “importantes” é baseada em chavões gastos, típicos de regimes decadentes. A ideia de que a inexistência de disciplina de voto conduz ao pântano e ao caos é conversa gasta que já rompeu, ao contrário das cadeiras do hemiciclo que parecem sempre novas. Pois, com excepção das discussões destas matérias ditas “importantes”, nunca têm rabos sobre elas que as rocem.
O sistema político vigente fomenta o “carneirismo”, esta atitude do deputado comum que se limita a dizer “muito bem, muito bem” e a votar conforme a sua orientação partidária, pondo de parte a respectiva consciência e muitas vezes vilipendiando os interesses das populações que o elegeram.
Aos agentes políticos e, sobretudo, à sociedade civil exige-se um debate sério sobre o actual sistema democrático em Portugal. Há uma série de questões que urgem resposta:
Quem representa as populações no poder legislativo?
Para que servem os círculos eleitorais, se depois os deputados eleitos pelos distritos votam em conformidade com as lideranças das suas bancadas parlamentares, sob pena de serem expulsos dos respectivos partidos?
E que dizer das principais figuras dos partidos, que encabeçam as listas de distritos com os quais não têm qualquer ligação, apenas com o objectivo de obter o “tacho”?
Porque não podem ser eleitos deputados independentes ou apoiados por movimentos cívicos, fora da esfera dos partidos políticos?
Esta é a verdadeira refundação de que Portugal carece há muito. Refundar para um regime verdadeiramente democrático, no qual a sociedade civil possa participar activamente e os agentes do poder estejam próximos das populações, para melhor as conhecerem e defenderem.

sábado, 3 de novembro de 2012

Dieta rigorosa


Apesar de ser Terras de Bouro a liderar o ranking dos municípios com mais funcionários por número de habitantes (32 funcionários porcada 1000 habitantes), o município bracarense é dos que mais tem "engordado" em termos de recursos humanos. Segundo noticia o Diário do Minho na edição do segundo dia de Novembro, "o quadro de pessoal cresceu 72 por cento em cinco anos", o que torna actualmente a edilidade no maior empregador no concelho.
Se esta política de "engorda" se traduzisse em maior eficiência no serviço prestado ao cidadão, talvez legitimasse a decisão irresponsável do executivo socialista, pese embora o facto da degradação económica sistemática do país aconselhar contenção do despesismo.
Não é o caso!
O que se tem verificado é que o aumento de funcionários camarários significa apenas: mais gente a executar o mesmo trabalho. Ou seja, um trabalho que num organismo racionalizado poderia ser desempenhado por dois funcionários, no município de Braga é executado por quatro, cinco ou seis.
Isto para não falar das suspeitas de falta de critério no recrutamento, no qual a "cor" partidária parece ser factor determinante na escolha.
Ora, estando a nação a ser resgatada e os técnicos da Troika a determinar a "dieta rigorosa" a submeter às finanças do Estado (pelo menos a julgar pelo papaguear de Marques Mendes), ao município bracarense vai ser exigida um rápida perda de matéria adiposa, à semelhança do que acontece aos concorrentes do concurso televisivo "Peso Pesado". Se bem que para muitos funcionários camarários, será mais uma espécie de "Toca a Mexer".

sábado, 27 de outubro de 2012

O Professor Gaspar Astromar


As gerações dos trinta para cima recordar-se-ão desse grande sucesso de horário nobre televisivo chamado: “Roque Santeiro”. A telenovela da Globo relatava a história de um herói/vilão do interior brasileiro, que de santo tinha pouco e de mártir ainda menos. O enredo girava também em torno das histórias de outras personagens que ficaram celebrizadas, como a Viúva Porcina ou o Sinhôzinho Malta (“estou certo ou estou errado?”).
De todo esse imenso rol de personagens, aquela que mais intrigava era a do professor Astromar, um misterioso sujeito, sinistro até, que dedicava o seu tempo à astronomia e ao amor pela filha do Prefeito da terra. Vivia aluado, sempre com o telescópio apontado ao firmamento, esperando ser o primeiro de todos a observar a passagem do cometa Halley.
Só que esta figura enigmática, aparentemente inofensiva, guardava um segredo macabro: à meia-noite de quinta para sexta-feira, nas noites de lua cheia, transformava-se no terrível lobisomem e espalhava o terror pelo pacato povo da cidadezinha de Asa Branca.
Os portugueses que na época não perdiam um único episódio desta telenovela, estariam longe de imaginar algum dia a transposição da terrível figura do professor lunático numa personagem real. Aliás, bem real porque todos os  dias lhes mete a mão no bolso.
Quem melhor poderia reproduzir a figura desta lúgubre personagem, que não o actual ministro das Finanças? Sim, essa figura amorfa tecnocrata vinda dos meandros da finança europeia, com a sua fisionomia mirrada e a sua dialéctica monocórdica ininteligível. Porém, esta mosca-morta ambulante e de aparência inofensiva, por vezes transforma-se na mais terrível das criaturas que a humanidade já viu. E sem esperar pelas noites de lua-cheia (prefere as horas que antecedem as partidas de futebol), lá vem a abominável criatura espalhar o terror austero por Portugal inteiro, anunciando os cortes com que nos trincha as carcaças em farrapos de carne e os sucessivos impostos que nos consumem até ao osso.
- “MEDO, TENHAM MUITO MEDO!”
Haverá fórmula ou poção mágica que nos livre das agruras do professor lunático obcecado pela austeridade, na ilusão de tudo conseguir com esta receita maligna? Haverá um quebranto capaz de finar com a maldição e levar para as profundezas o monstro que tudo consome com o seu apetite voraz?
Não perca os próximos capítulos desta telenovela bem portuguesa, cada vez mais se assemelhando a uma tragédia grega.