Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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sábado, 8 de junho de 2013

S.A.R. Dom Duarte de Bragança trocaria o Euro por uma moeda lusófona



Pretendente ao trono defendeu no Clube dos Pensadores, em Gaia, que a Constituição portuguesa "não é verdadeiramente democrática".
"O euro é em boa parte responsável pela crise que vivemos. Combati-o desde o início e nessa altura Paulo Portas, por exemplo, concordava comigo. Não sei se é viável neste momento retomarmos o escudo. Talvez a solução seja os países do Sul da Europa terem uma moeda comum, embora o que eu preferisse fosse uma moeda da CPLP, com Portugal a ter a mesma moeda que Angola, Brasil e os restantes membros", defendeu Duarte Pio, no Clube dos Pensadores, em Vila Nova de Gaia, perante uma plateia de quase uma centena de simpatizantes da causa monárquica que ouviu o pretendente ao trono de Portugal sobre alguns temas da atualidade, aplaudindo em particular propostas como esta.
Mais do que sobre a atualidade, D. Duarte aproveitou as interpelações do público para responder sobre a possibilidade de reintroduzir o tema da monarquia na agenda política. "A Constituição atual não é verdadeiramente democrática, porque impede um referendo sobre a monarquia", referiu o Duque de Bragança, argumentando sobre a importância de criar um "lobby" junto de alguns deputados para conseguir compromissos antes das eleições legislativas de modo a alcançar uma maioria de dois terços para alterar a Constituição.
Relacionado com o atual momento do país, Duarte Pio salientou a importância de combater a corrupção e governar eficientemente e não evitou responder a preguntas mais provocatórias da audiência, salientando que o essencial num cargo de chefe de estado é manter a dignidade quando perguntado sobre o que faria se lhe chamassem "palhaço", numa alusão à recente polémica que envolveu o Presidente da República. 
DN

quinta-feira, 30 de maio de 2013

DISPARIDADES DE CRESCIMENTO E DESENVOLVIMENTO REGIONAL EM PORTUGAL



Autor: Júlio Henrique Paiva Figo
Doutorando em Economia e Administração de Empresas /Universidade de Santiago de Compostela (USC).

sábado, 25 de maio de 2013

Nobel da Economia...


O Nobel da Economia Prof. Dr. Wass Catar, explica como se deve pensar na economia actual.

· Se em Janeiro de 2010 tivessem investido 1.000 euros em acções do Royal Bank of Scotland, um dos maiores bancos do Reino Unido, teriam hoje 29 euros!

· Se em Janeiro de 2010 tivessem investido 1.000 euros em acções da Lemon & Brothers teriam hoje 0 euros !!!

· Mas se em Janeiro de 2010 tivessem gasto 1.000 euros em bom vinho tinto (e não em acções) e tivessem já bebido tudo, teriam em garrafas vazias 46 euros.

Conclusão:

No cenário económico actual é preferível esperar sentado e ir bebendo um bom vinho. Não se esqueçam que quem sabe beber vive :

- Menos triste
- Menos tenso
- Mais contente com a vida.

Pensem nisto e invistam na alegria de viver.

sábado, 26 de janeiro de 2013

Recursos Humanos como Activo Estratégico na Dinâmica Económica



Para ler clique no quadrado inferior direito

Doutorando em Economia e Administração de Empresas, Universidade de Santiago de Compostela (USC) - (Artigo_10)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Duas faces da mesma Moeda


A situação económica e social portuguesa é de tal forma dramática, em forma de espiral recessiva rumo ao abismo, que às vezes mais parece uma pintura surrealista.
Senão vejamos:

O presidente do Eurogrupo defende um reajustamento das condições do programa português.

A directora-geral do Fundo Monetário Internacional pede travão à austeridade na Europa.

O "mordomo" da Comissão Europeia em Bruxelas considera que há limites para a aceitação da austeridade.

E o Carlos Moedas acha que está bem feito um documento elaborado por uns supostos burocratas estrangeiros, para cortar a torto e a direito e sem contemplações para com a generalidade da população portuguesa, que já está a ser hoje largamente fustigada.

Como dizia o Scolari: "e o burro sou eu?"

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

A Nova Política Industrial da Europa: a que preço?


Essa carta assinada por estes cinco ministros homólogos (que provavelmente se tratam uns aos outros por tu) é cheia de boas intenções. Porém, não devem os ministros esquecer que de boas intenções está cheio determinado local, para onde certamente ninguém quer ir...
A questão que se coloca é saber qual o preço que a Europa está disposta a pagar para conseguir a reindustrialização que o Álvaro (foi ele que pediu para o tratarem assim) e seus amigos vieram apregoar.
Como pode o debilitado tecido industrial europeu tornar-se novamente competitivo à escala mundial?
No actual contexto dos acordos mundiais do comércio, só há duas vias:
1.ª: Os nosso "crânios" europeus desatam a inventar um sem número de produtos inovadores, suficientemente atractivos para os consumidores a nível global, e que ao mesmo tempo não possam ser imitados pelas indústrias dos países emergentes.
2.ª: A outra via é aplicar as regras industriais dos países emergentes, isto é: abolir o estado social; reduzir drasticamente os salários e aumentar os períodos laborais para níveis a roçar a escravatura; revogar toda a legislação existente em relação a direitos laborais, higiene e segurança no trabalho; despenalizar o trabalho infantil; suspender toda a regulamentação ambiental existente na união, permitindo às indústrias poluir como e quanto lhes aprouver.
Portanto, ou os líderes europeus têm coragem de afrontar as convenções mundiais do comércio e reconhecer que estas não são igualitárias para todas as nações do mundo, uma vez que um mercado justo pressupõe a não existência de concorrência desleal, exigindo que as indústrias em competição no mesmo mercado obedeçam às mesma regras; ou então esta carta cheia de boas intenções irá parar ao mesmo caixote do lixo que as restantes "balelas" resultantes dos sucessivos conselhos europeus e cimeiras que se têm realizado nos últimos tempos.
A Europa necessita de se reindustrializar? Sim, é um facto evidente. Mas para mantermos os padrões de vida que são direitos inalienáveis das sociedades europeias modernas, temos que voltar atrás e reconsiderar a imposição de medidas proteccionistas, com todo o mal que daí possa advir.
Aqui trata-se de uma necessidade de sobrevivência, onde muitas vezes os fins justificam os meios.

terça-feira, 6 de novembro de 2012

Quem disse que o combate à economia paralela não envolvia riscos?

Quem disse que o combate à economia paralela não envolvia riscos?
Pediu factura, levou no "focinho".

domingo, 14 de outubro de 2012

REGIÃO NORTE - CONJUNTURA 2.º TRIMESTRE 2012


  • No 2º trimestre de 2012, o PIB português diminuiu 3,3% em volume, em termos homólogos, o que marca um agravamento da tendência negativa (-2,3% no trimestre anterior).
  • O emprego na Região do Norte diminuiu 3,5% em termos homólogos no 2º trimestre, completando quatro anos com variações homólogas negativas em todos os trimestres. A taxa de desemprego subiu ligeiramente, para 15,2% (era 15,1% no trimestre anterior).
  • As exportações de mercadorias da Região do Norte cresceram cerca de 8,0% em valor, em termos homólogos, no 2º trimestre. As exportações de ouro e outros metais preciosos explicam ¼ deste crescimento.
  • O sistema bancário e financeiro continuou a reduzir o financiamento às empresas (-9,2%) e às famílias (-4,1%) da Região do Norte, enquanto os níveis de incumprimento bancário (crédito vencido) voltaram a aumentar no 2º trimestre.
  • Ao longo do 2º trimestre de 2012, acelerou-se a execução do QREN na Região do Norte. A taxa de realização de fundo (fundo executado face ao valor de fundo aprovado) passou de 52,6% para 58,8%.
  • As indústrias tradicionais do Norte mantiveram, a nível nacional, quedas na produção e na faturação, no 2º trimestre de 2012.
  • No têxtil e no vestuário ocorreram também recuos no índice de emprego, situação que não se observou no calçado.
  • No mercado de habitação, os preços, e também os valores médios de avaliação bancária, mantiveram-se em queda no 2º trimestre.
  • Os estabelecimentos hoteleiros da Região do Norte continuaram a registar quebras nos indicadores de atividade e de proveitos.

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

VITOR... O GASPAR, FALOU


“Gaspar não fala devagar--------. Ele está é a fazer tradução simultânea do que a Merkel lhe diz”.

domingo, 2 de setembro de 2012

O Estado que não emagrece


O DIÁRIO DE NOTÍCIAS cometeu a ousadia de perguntar ao gabinete de Pedro Passos Coelho se o senhor primeiro-ministro se dera ao cuidado de pedir factura do aluguer da sua casa no Algarve. Visto que o aluguer sazonal de habitações de Verão é uma das formas habituais de fuga ao fisco, o DN achou a pergunta pertinente. Mas Pedro Passos Coelho considerou-a uma evidente violação do “foro privado” porque “não estão em causa dinheiros públicos”.
Da próxima vez que um inspector das finanças lhe perguntar se negociou as obras de casa ou o arranjo do carro sem factura e sem IVA, já sabe o que deve responder.
Revista Sábado

domingo, 29 de julho de 2012

A necessidade de Planeamento Estratégico - o Exemplo dos Planos de Fomento do Séc XX português


A Economia Portuguesa
A necessidade de planeamento estratégico
O exemplo da 2ª República
1.      Os Planos de Fomento e o seu papel na reestruturação da economia
            A 1ª tentativa de elaboração de um programa de desenvolvimento da Economia portuguesa foi transposta na Lei n.º 1914 de 24 de Maio de 1935.
            Tratava-se de um programa a pôr em execução no decurso de um período de 15 anos, circunscrito a um certo número de investimentos públicos considerados da maior importância, sem que tenha havido a preocupação de os inserir num conjunto sistematizado.
            No final deste plano, foi levada a efeito a elaboração e a execução de uma série de planos administrativos parciais:
-          “reorganização dos serviços postais e telefónicos,
-          desenvolvimento hidro-agrícola e reflorestação,
-          desenvolvimento da extracção mineira,
-          fornecimento de água,
-          equipamento portuário,
-          construção de estradas,
-          renovação da marinha mercante”.
Avaliados, no início, em 6,5 milhões de contos os investimentos totais acabaram por atingir os 14 milhões de contos (a preços de 1935) no termo da vigência da lei de 1935.
No período do pós-guerra, o Governo de Portugal lançou um conjunto de planos de investimento e de medidas de cumprimento obrigatório para o sector público. Para osector privado estes, denominados de Planos de Fomento, eram apenas deenquadramento macro-económico permitindo, no entanto, à iniciativa privada, perceber das intenções do poder político sobre a economia e sobre o seu desenvolvimento e, se fosse caso disso, ser apoiada directa ou indirectamente pelo Estado. Para mais, estes planos eram trabalhados, na sua concepção, não só a nível governamental como também eram chamados a dar a sua colaboração várias entidades privadas, nomeadamente as associações patronais e as empresas públicas. A sua execução anual era discutida na então Assembleia Nacional e articulada com os Orçamentos anuais do Estado.

No período que decorreu entre 1953 e 1974 foram concebidos e construídos 4 Planos de Fomento e um denominado de Plano Intercalar.
O 1º Plano de Fomento vigorou entre 1953 e 1958. Este Iº Plano de Fomento foi discutido na Assembleia Nacional (CF Projecto de Lei do 1º Plano de Fomento in Diário das Sessões nº 168, de 21 de Novembro de 1952, pág. 1053, e aprovado nos termos da Lei nº 2058 de 29 de Dezembro de 1952) e tenta uma «sistematização dos recursos da Metrópole e do Ultramar e procede a um estudo conjunto e coordenado das afectações mais urgentes»
Compreendia seis capítulos: (1) agricultura, (2) energia, (3) indústrias–chave, (4) transportes e (5) comunicações, (6) escolas técnicas e iniciativas do mesmo género no Ultramar.
Continha, portanto, um conjunto de investimentos nos vários campos de actividade onde o país mais carecia do investimento necessário ao seu desenvolvimento.
Cerca de 35% dos investimentos totais previstos, foram dirigidos para o campo da energia, em que se previa a construção de barragens hidroeléctricas e a construção de redes de transporte de energia, gerada pelas mesmas, de forma a estender o uso da electricidade aos centros e populações rurais.
Na área das comunicações e dos transportes previa-se a construção e reparação de estradas, construção de infra-estruturas ferroviárias e a construção de infra-estruturas necessárias às telecomunicações terrestres e marítimas. Nesta área foram investidos cerca de 32%, das verbas do plano.
No sector da agricultura, silvicultura e pescas, e na hidráulica de apoio cerca de 17% dos montantes em causa, que seriam aplicados no repovoamento florestal, na irrigação por meio de grandes albufeiras e na colonização interna.
A investigação e o ensino técnico seriam contemplados com 2% e os apoios à industrialização significariam cerca de 12% do total.
Os investimentos totais do plano significavam cerca de 23,6% do Produto Interno Bruto, a que correspondia uma dotação de 13 milhões e meio de contos.
Na realidade foram investidos na Metrópole 10,4 milhões de contos e 4,5 milhões no Ultramar, ultrapassando os objectivos inicialmente previstos.
O referido plano foi apresentado públicamente numa série de conferências organizadas para o efeito, e como razão fundamental para o início desse tipo de organização era apontada a “complexidade das tarefas colectivas que os aumentos demográficos e os altos níveis de vida das populações impõem aos Estados modernos” e pela “necessidade política de atingir determinados objectivos em prazos certos” de forma a responder a ”questões políticas, económicas e financeiras que o plano enfrenta  e dos resultados que visa” e a enfrentar a necessidade de disciplinar a actividade do Estado.
Como ponto de partida, na concepção do plano, a atenção primária incidia nos recursos disponíveis, isto é nos recursos próprios do país, e após esse levantamento descreviam-se as necessidades existentes atribuindo-se então os recursos possíveis a cada área de necessidade, de forma a evitar “uma pressão demasiada sobre a economia interna”, que a criação de meios de pagamento artificiais poderia criar o que poderia conduzir a uma quebra da estabilidade monetária e do equilíbrio social”.
A dotação do plano era dividida quase em partes iguais pela metrópole e pelo ultramar, sendo a primeira vez que era planeada, de uma forma sistemática, e integrada, a atribuição de verbas para as necessidades consideradas mais urgentes, cabendo aos investimentos privados um papel importante e desejado no desenvolvimento nacional. Pela sua parte o Estado entraria com os montantes do Plano, deixando à iniciativa privada a decisão dos seus próprios valores a investir.
O recurso ao crédito externo previsto era de cerca de 1 milhão de contos, sendo dos quais cerca de 50% foram contratados com a banca americana e destinaram-se ao Caminho-de-Ferro do Limpopo.
No seu discurso de apresentação do plano o Presidente do Conselho, atribuindo à agricultura um papel importante não deixou de afirmar que “a indústria tem uma rentabilidade superior à agricultura e que só pela industrialização se pode decisivamente elevar o nível de vida, como só por ela é possível atingir sem risco altas densidades demográficas” e acrescentava que “sem suficiente industrialização nem teremos mercado local bastante para algumas produções agrícolas, nem poderemos evitar completamente que os excessos de população se expatriem, como estão fazendo nalguns casos em condições que não consideramos satisfatórias”.
No capítulo dedicado à iniciativa privada a orientação ia no sentido de o Estado “fomentar a criação de empresas, apoiá-las técnica e financeiramente, ditar-lhes regimes adequados de exploração... e retirar-se, quando não seja necessária a sua presença ou o seu auxílio”.
O 2º Plano de Fomento, foi elaborado para vigorar entre 1959 e 1964 (o 2º Plano de Fomento foi aprovado nos termos da Lei nº 2094 de 25 de Novembro de 1958).
Neste plano o conteúdo sectorial e a programação foram alargados e os métodos de planificação aperfeiçoados.
Era já um verdadeiro programa de política económica no qual estavam referenciadosobjectivos fundamentais:
-          aceleração do ritmo de crescimento do produto nacional,
-          elevação do nível de vida,
-          busca de regulamentação dos problemas de trabalho,
-          melhoramento da balança de pagamentos.
A ideia dominante, aliás, era a da substituição, se possível, das importações pela produção em território nacional. E foi a que presidiu à estratégia de industrialização, já entrevista nas palavras do Chefe do Governo, para a década de 1960.
Na verdade, desde 1945 que estava definida a necessidade de Portugal desenvolver as indústrias siderúrgica, de refinação de petróleo, de adubos azotados e da folha-de-flandres, bem como as celuloses e a indústria da pasta de papel.
Por tal facto isso veio a ter o enquadramento correspondente neste 2º Plano de Fomento, embora o papel de investidor principal se deslocasse do estatal para o privado, com o apoio do primeiro. Tal foi solicitado aos principais grupos económicos, como era o caso do grupo Companhia União Fabril, tendo estes respondido afirmativamente.
Continuavam a prever realizar-se investimentos nas infra-estruturas, nomeadamente no campo da energia, nos segmentos de produção e da distribuição, 21,4% do total, nos transportes e comunicações, 30,8% do total, tendo o esforço, apenas em infra-estruturas, duplicado face ao plano anterior, passando neste plano a significar cerca de 4% do PIB, quando no 1º plano tinha significado cerca de 2%.
Como instrumento utilizado para a promoção das novas indústrias o principal instrumento foi a Lei do Condicionamento Industrial que assegurava um mercado interno às indústrias sediadas no país, o acesso facilitado ao mercado de capitais e ao crédito ao investimento e a criação e lançamento de incentivos fiscais ao investimento.
O montante total previsto para investimento na Metrópole e Ilhas adjacentes, foi de cerca de 21 milhões de contos (preços de 1953).
Para o total da Metrópole Ilhas e Ultramar a previsão foi de 31,27 milhões de contos. Todavia os investimentos reais atingiram cerca de 36,176 milhões de contos.
A taxa anual de crescimento do PNB, fixada em 4,2%, elevou-se durante a execução do plano, a 6,2%.
Entretanto eclodiram guerras nas províncias ultramarinas. Em 1961 em Angola, em 1963 na Guiné e em 1964 em Moçambique.
O denominado Plano Intercalar, (aprovado pela Lei n.º 2123 de 14 de Dezembro de 1964) feito para os anos de 1965 e 1966 foi elaborado na ressaca desses acontecimentos e foi condicionado pelos mesmos.
Foi concebido para ser um instrumento da “programação global do desenvolvimento económico e social de todo o espaço português” continuando a integrar e a contemplar o sector público e o sector privado.
Depararam-se os técnicos com naturais incertezas sobre como fazer previsões para um período de 6 anos, face às contingências surgidas com o eclodir da guerra no ultramar. A economia portuguesa, tinha que se defrontar com o “esforço financeiro requerido pelas necessidades de Defesa Nacional, os desenvolvimentos do processo de Unificação dos Mercados Nacionais e os movimentos de Integração Europeia”.
Perante a complexidade destas questões o Governo limitou a três anos a duração deste plano. Os grandes objectivos eram:
-          o de acelerar o crescimento do produto nacional
-          e proceder a uma repartição mais equilibrada do rendimento. 
A realização destes objectivos estava sujeita a uma coordenação com o esforço de defesa militar, com a manutenção da estabilidade financeira e monetária interna e externa e com o equilíbrio do mercado de trabalho.
Contemplava uma previsão de investimento para a Metrópole e Ilhas de cerca de 35,5 milhões de contos e para o Ultramar de 14,4 milhões de contos (a preços de 1964).
A taxa de crescimento do Produto Nacional prevista no plano de 6,1% foi na realidade de 8,1%, superando, portanto, o objectivado em 2 pontos percentuais.
Em 1965 o crescimento do Produto Interno Bruto da Metrópole foi de 7% e o Consumo Privado, índice por excelência do crescimento do nível de vida, foi de 7,8%.
Apesar disso, os investimentos para as infra-estruturas situaram-se a níveis de 4% do PIB. Desta vez as indústrias mais beneficiadas foram as metalúrgicas, metalomecânicas, as de material de transporte, a química, a do petróleo e os cimentos.
Pela primeira vez aparece a preocupação expressa com o planeamento regional e com a distribuição mais equitativa do rendimento. Os investimentos na habitação e no turismo somavam 8,2% do total dos investimentos planeados.
O 3º Plano de Fomento foi concebido para ser executado entre 1967 e 1973. Previa investimentos na ordem dos 122,2 milhões de contos, para a Metrópole e Ilhas e de 44,5 milhões de contos para as Províncias Ultramarinas.
A sua execução teve lugar já no tempo do Prof. Marcelo Caetano, como Presidente do Conselho.
No relatório das Contas Gerais do Estado, respeitantes à gestão de 1966, referia-se a dado passo que«os excedentes das receitas ordinárias, sobre as despesas da mesma natureza atingiu o nível elevado de 5.365.500 contos, o que permitiu financiar inteiramente, e mesmo ultrapassar em grande medida, os encargos representados pela defesa da integridade nacional».Isto é financiar o esforço de guerra nas 3 frentes.
Isto é, no espírito e na letra do documento o que se dizia era que o saldo entre receitas e despesas das contas gerais do Estado português tinha permitido financiar os esforços de guerra em Angola, Guiné e Moçambique, sem prejuízo para o desenvolvimento económico do país.          
Os objectivos mantinham-se claros e íam no sentido:
-          de acelerar o ritmo de crescimento do produto nacional,
-          de proporcionar uma repartição mais equitativa dos rendimentos
-          e no sentido de se proceder a uma correcção progressiva das assimetrias regionais de desenvolvimento.

Além dos princípios descritos anunciava-se a adaptação progressiva da economia portuguesa, a uma cadência maior, aos condicionalismos, dos factores técnica, capital e trabalho. Necessidades resultantes da sua integração em espaços económicos mais vastos.
Anunciava-se a eliminação do que restava do condicionamento industrial, o que significava uma menor protecção dos poderes públicos às indústrias estabelecidas no país, e consequente primazia do mercado, como forma de alcançar uma maior eficácia e produtividade para a economia nacional.
Pretendia-se promover o apoio a concentrações técnicas e financeiras, contemplava-se uma política mais agressiva de exportações e apostava-se numa maior captação do investimento estrangeiro, sobretudo de capital intensivo. Por outro lado anunciava-se a introdução de políticas anti-monopolistas e de defesa das práticas de concorrência e a atribuição de incentivos à reorganização das empresas.

Uma das obras mais significativas, que surgiu com este plano, em termos dos montantes envolvidos, foi o pólo industrial de Sines que tanta tinta fez correr desde então até aos nossos dias, dada a sua concepção de raiz ter sido elaborada com base na refinação de petróleo.
Este projecto veio a sofrer com a crise de 1973, denominada de “crise do petróleo”, em que o “crude” subiu de preços, no mercado internacional, de forma absolutamente explosiva, o que veio a prejudicar, e muito, a rentabilidade potencial deste complexo.
A acrescentar à crise do petróleo, o facto de Angola se ter tornado independente alguns anos mais tarde, perdendo Portugal o privilégio da obtenção de uma produto para refinação certo e a preços razoáveis. Face ao investimento efectuado e às características técnicas do mesmo, com estes dois factores que provocaram impactos negativos, o projecto tornou-se de difícil resolução.
Como se vê no quadro seguinte, a ênfase nos investimentos foi claramente para as infra-estruturas de energia, transportes e comunicações, seguindo-se a indústria como prioridade, o que se acentuou nos dois últimos planos aqui considerados.
Foram planos úteis para o enquadramento do investimento público e privado, por forneceram pistas e balizas importantes para os vários sectores da economia portuguesa, para a introdução da disciplina necessária a quem gere fundos públicos, para a promoção do aparecimento de quadros técnicos competentes e para a melhoria qualitativa de boa parte dos quadros da administração pública, existentes.

Sublinho que estes são os valores da época, inscritos em cada plano, pelo que não poderão ser feitas análises comparativas aos valores absolutos indicados, sem se proceder à avaliação do respectivo significado em termos do que comprariam esses valores, em bens e serviços, em cada uma das épocas.
Por isso mesmo, não é feita nenhuma comparação das variações entre as verbas de cada plano, com o anterior, pois não faria sentido, pelos mesmos motivos. Muito menos se consideraria correcta, a comparação com os valores actuais, a menos que se efectuassem os cálculos necessários, a uma correcta análise comparativa de equivalência.
O IV Plano não teve quase história pois entretanto foi interrompida a sua execução pela Revolução de 25 de Abril de 1974, de que se falará noutros artigos.

Cumprimentos

terça-feira, 24 de julho de 2012

«Estou mais magro porque tenho feito dieta»

O primeiro-ministro e presidente do PSD contou que tem ouvido comentários sobre a sua magreza e afirmou que está a fazer dieta, que está muito bem de saúde e muito certo do caminho que quer seguir.
Fiquei quase comovido com estas declarações...
O primeiro-ministro e presidente do PSD esqueceu-se de ouvir outros comentários, aqueles que relatam a verdadeira realidade dos portugueses, esses sim cada vez mais magros e sem necessidade de fazer dieta.
É que ao conjunto de austeridade que é aplicado ao comum dos portugueses, fruto das desavergonhadas governações das últimas duas décadas, não é recíproco o “corte” aplicado aos seus amigos e apaniguados nas Fundações, Instituições, PPP, Empresas Municipais, etc., etc., o verdadeiro cancro na economia portuguesa.
Não é no corte dos salários miseráveis de um tuga e na retenção mingua dos seus subsídios que se irá salvar este país. É contra a corrupção, contra o despotismo, contra o favorecimento dos boys, contra as adjudicações directas, etc., etc., aí sim é que deveria ser o caminho a seguir.
Senhor primeiro-ministro: os portugueses não só não estão a engordar como estão cada vez mais magros e com fome de uma vida digna.

segunda-feira, 23 de julho de 2012