Mudar o regime Servir Portugal

Manuel Beninger

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domingo, 1 de dezembro de 2013

Celebrar a nossa independência


“QUEM A TEM...”

Não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

Eu não posso senão ser
desta terra em que nasci.
Embora ao mundo pertença
e sempre a verdade vença,
qual será ser livre aqui,
não hei-de morrer sem saber.

Trocaram tudo em maldade,
é quase um crime viver.
Mas, embora escondam tudo
e me queiram cego e mudo,
não hei-de morrer sem saber
qual a cor da liberdade.

in Fidelidade, Poesia-II - Jorge de Sena

sábado, 24 de novembro de 2012

Há 37 anos, a Espanha restaurou, pela segunda vez, a Monarquia



Juan Carlos da Espanha (nascido Juan Carlos Alfonso Víctor María de Borbón y Borbón-Dos Sicilias; Roma, 5 de janeiro de 1938) é o atual rei da Espanha. Nasceu na Itália durante o exílio do seu avô, sendo filho de Juan de Borbón y Battenberg e de Maria das Mercedes de Bourbon e Orléans, Princesa das Duas Sicílias.
O seu avô, Afonso XIII, foi rei da Espanha até 1931, altura em que foi deposto pela Segunda República Espanhola. Por expresso desejo de seu pai, a sua formação fundamental desenvolveu-se na Espanha, onde chegou pela primeira vez aos 10 anos, procedente de Portugal, onde residiam os Condes de Barcelona desde 1946, na vila atlântica do Estoril, e foi aluno interno num colégio dos Marianos da cidade suíça de Friburgo.
Após a morte de Franco, conseguiu fazer a transição pacífica do regime franquista para a democracia parlamentar e, segundo sondagens de opinião, goza de grande popularidade entre os espanhóis. Em 2008 foi considerado o mais popular líder ibero-americano.
Depois da morte do anterior Chefe de Estado, Francisco Franco, Dom Juan Carlos I foi proclamado rei a 22 de novembro de 1975, e pronunciou nas Cortes a sua primeira mensagem à nação, na qual expressou as ideias básicas do seu reinado: restabelecer a democracia e ser rei de todos os espanhóis, sem excepção.
A transição para a democracia, pilotada por uma nova equipe, começou com a Lei da Reforma Política em 1976. Em maio de 1977, o Conde de Barcelona, seu pai, transmitiu ao rei os seus direitos dinásticos e a Chefia da Casa Real espanhola, num ato que constatava o cumprimento do papel que pertencia à Coroa no retorno da democracia. Um mês mais tarde, celebraram-se as primeiras eleições democráticas desde 1936, e o novo Parlamento elaborou o texto da atual Constituição, aprovada por referendo a 6 de dezembro de 1978 e sancionada por Juan Carlos em sessão solene das Cortes Gerais de 27 do mesmo mês. A Constituição estabelece, como forma política do Estado, a monarquia parlamentar, em que o rei arbitra e modera o funcionamento regular das instituições políticas. Na sua mensagem às Cortes, Juan Carlos proclamou expressamente o seu propósito de aceitá-la e servi-la. Em suma, foi a atuação do monarca que salvou a Constituição e a democracia na noite de 23 de fevereiro de 1981, quando os demais poderes constitucionais estavam sequestrados no Parlamento por golpistas.
Ao longo do seu reinado, visitou oficialmente a quase totalidade dos países do Mundo e os principais organismos internacionais, tanto de caráter universal como regional.

terça-feira, 30 de outubro de 2012

“Transição para a Monarquia no séc XXI”


A Real Associação do Porto organizou na passada sexta feira, um jantar debate sob o tema “ A Transição para a Monarquia no séc. XXI”, convidando o Dr. Tomás Moreira para apresentar e moderar o debate.
Tomás Moreira iniciou a sua apresentação de forma bem curiosa, questionando os cerca de 80 membros da Real Porto, se sabíamos qual é o nome oficial do nosso País, acrescentando de imediato que de facto não é Portugal mas sim Republica Portuguesa, o que só por si revela a urgência da nossa Nação recuperar oficialmente os seus 900 anos de existência!
Muitas transições de Regime ocorreram por esse mundo fora, e infelizmente conforme sabemos, maioritariamente foram violentas com Regicídios, Golpes Militares ou Levantamentos Populares. Também aconteceram transições pacíficas.
Falou se do caso Espanhol que todos conhecemos e falou se do caso Grego que no século passado por três vezes alterou o seu Regime, a última das quais com um referendo em Dezembro de 1974 em que 69% da população grega votou a favor da abolição da Monarquia.
E Portugal, como vamos ser capazes de fazer acontecer a transição de Regime?
Seguramente pela via pacifica, mas será suficiente o que temos vindo a fazer?
Claramente que não... diria mesmo que nos últimos tempos a desordem da Republica e os seus Republicanos tem feito mais pela Monarquia que os próprios Monárquicos, pelo que muito há a fazer.
Trabalhar na união da Família Monárquica, melhor comunicar e divulgar o ideal Monárquico, desmistificar permanentemente os três estigmas que ainda existem em muitos dos Portugueses sobre a Monarquia: O Elitismo/Fausto, o Absolutismo e a Sucessão Hereditária, são seguramente os principais tópicos, mas há dois “combates” que precisam urgentemente de serem retomados: O combate Jurídico e o combate Politico!
Tantas e tão justas preocupações foram demonstradas por todos em geral, mas particularmente pelo Tribunal Constitucional sobre a equidade entre Privado e Publico, que nos parece oportuno relançar com eficácia a discussão jurídica sobre a Constitucionalidade da atual Constituição, nomeadamente a imposição Republicana na forma da organização do Estado.
Quanto ao Combate Politico, vem ai as Eleições Autárquicas em finais de 2013, que melhor oportunidade podemos querer para  infiltrar o pensamento Monárquico no Poder Politico?

Vamos arregaçar as mangas, e mãos á obra que o tempo urge!

Viva o Povo Português, a Monarquia e o Rei
Viva Portugal

Melhores cumprimentos
Paulo Corte-Real Correia Alves
Monárquico
Presidente da Mesa do Congresso e do Conselho Nacional do PPM

domingo, 7 de outubro de 2012

S.A.R. Dom Duarte de Bragança defende Monarquia como possível solução para Portugal

 Há "uma alternativa muito clara"
Duque de Bragança diz que regime republicano é o responsável pelo estado a que chegaram as contas públicas.
Dom Duarte de Bragança defendeu que a monarquia é uma solução para refundar um projecto nacional. Dom Duarte Pio fez um balanço bastante negativo do actual regime republicano, acusando-o de ser responsável por aquilo que considera ser “uma perda de independência nacional”. 
“O actual regime vigora há pouco mais de 100 anos e muitos dos seus governantes, por acção ou omissão, não quiseram ou não foram capazes de evitar o estado de deterioração a que chegaram as finanças públicas”, criticou Dom Duarte de Bragança, esta tarde, no Palácio da Independência, no Rossio, em Lisboa, na sua mensagem ao povo português pelo 5 de Outubro.
Para o Duque de Bragança, “tais governantes, é preciso dizê-lo de forma clara, foram responsáveis directos pela perda da soberania portuguesa e pelo descrédito internacional em que caiu Portugal, uma das mais antigas e prestigiadas nações da Europa”.
Perante esta análise, Dom Duarte Pio apresenta o regime monárquico como uma possível solução: “É pois este o desafio que temos hoje pela frente, refundar um projecto nacional capaz de unir todos os portugueses de boa vontade com o objectivo de erguer Portugal devolvendo a esperança e o orgulho de cada português”. 
Segundo Dom Duarte, “para que este projecto nacional seja possível, teremos de repensar o actual sistema político e as nossas instituições, devemos também considerar as vantagens da instituição real renovando a chefia do estado para restaurar o vínculo milenar que sempre uniu os portugueses ao seu rei”.
Ouvir aqui: Renascença
S.A.R. com Luís Coimbra e Gonçalo Ribeiro Telles
S.A.R. com Fábio Reis, presidente da Real Associação da Beira Litoral
S.A.R. com Diogo Tomas, vice-presidente da Juventude Monárquica de Lisboa
S.A.R. com Carmona Rodrigues, ex-presidente da Câmara Municipal de Lisboa

sábado, 6 de outubro de 2012

«Existe uma alternativa muito clara à atual situação»


S.A.R. Dom Duarte de Bragança: "Alternativa é restauração da Instituição Real".
O Duque de Bragança, Duarte Pio, afirmou hoje que há «uma alternativa muito clara» à situação atual do país que passa pela restauração da «Instituição Real», sublinhando que um rei está acima dos interesses partidários e políticos.
«Existe uma alternativa muito clara à atual situação a que chegou este regime, alternativa que passa por devolver a Portugal a sua Instituição Real e que, se não resolve por si só todos os nossos problemas atuais, será certamente, como o provam os vários países europeus que a souberam preservar, um grande fator de união popular, de estabilidade política e de esperança coletiva. Numa palavra, de desenvolvimento», afirmou.
Duarte de Bragança, «descendente e representante dos reis de Portugal», falava em Lisboa, no Palácio da Independência, numa «mensagem aos portugueses» no dia do 869.º aniversário da fundação de Portugal, a 05 de outubro de 1143, data em que Afonso VII de Leão reconheceu a existência de um novo Estado, Portugal.
Nesta mensagem perante uma assembleia de muitas dezenas de pessoas que o receberam com gritos de «viva o rei», o Duque de Bragança fez um diagnóstico da situação «difícil» do país, referindo a «terrível crise económica» e que o país está hoje «esmagado pelo endividamento externo, pelo défice das contas públicas e pela decorrente e necessária austeridade».
Este é o resultado, afirmou, do atual regime, que em «pouco mais de 100 anos», deixou chegar o país a esta situação que implica «perda de soberania» e o «descrédito internacional» de «uma das mais antigas nações europeias».
«Recordo que o Estado é sobretudo suportado pelo fruto do esforço, do trabalho dos portugueses», afirmou, acrescentando que «todos eles são merecedores do respeito por parte de quem gere» os impostos e lembrando que «muitos são os que hoje só sobrevivem graças à imensa solidariedade» de que o «povo ainda é capaz».
Duarte Pio defendeu que Portugal precisa hoje de um «novo projeto nacional», tal como aconteceu há quase nove séculos, quando nasceu como «nação livre e independente, fruto da vontade e sacrifício de um povo unido à volta do seu rei».
«Então, como agora, foi fundamental a existência de um projeto nacional, uma causa comum e desejada que a todos envolveu (¿). Um projeto que tinha acima de tudo um rei e os portugueses, unidos por um vínculo indestrutível, constantemente renovado e vencedor, um vínculo de compromisso que nos ajudou a ultrapassar crises avassaladoras no passado e que se prolongou pelos séculos seguintes até ser interrompido apenas em 1910», sublinhou.
Considerando que o «desafio» atual é «refundar um projeto nacional capaz de unir todos os portugueses», o duque de Bragança sublinhou que ninguém melhor do que um rei o poderá liderar e assumir.
«O rei interpreta o sentir da Nação, e age apenas pelo superior interesse do país. E nenhum outro interesse deve também mover os atores políticos. Portugal precisa de autoridade moral, de união em torno de um ideal. Portugal precisa de um projeto que seja o cimento em torno da Nação: a política e, acima dela, a coroa, deve procurar sempre servir esse ideal, e nunca servir-se dele em benefício próprio», afirmou.
Para Duarte Pio, «unidos e solidários num renovado projeto nacional», os portugueses estarão «dispostos aos necessários e equitativos sacrifícios que a presente hora impõe».
Lusa
Fotos. CAUSA REAL

quinta-feira, 31 de maio de 2012

RESTAURAR PORTUGAL PELA SOBERANIA

Perante o conceito neo-liberal (ainda não sei o que quer dizer), que "só é pobre quem quer", afinal quais os desígnios que nos apontam?
- Ser desempregado é uma nova oportunidade? Pois, se é, não encerrem as "novas oportunidades", porque até poderiam ser úteis, além de fornecerem diplomas e computadores gratuitos.
- Estado de (D)direito? Onde?
- Corrupção? Será que existe? Ou melhor, onde está a Justiça - se não souberem, bastará desfolhar as páginas dos jornais diários. É sempre a mesma coisa.
- Sabiam que Portugal, é o terceiro País da Europa, com maior número de auto-emprego? Afinal, sempre acreditamos nas oportunidades da livre iniciativa. Onde estão os resultados? O Estado absorve-os e esgota-os.
- Perante este quadro, como poderemos responder ao binómio: Desemprego - nova oportunidade?
A resposta é extremamente difícil, pois caímos, num cenário de confusões e contradicções que o próprio Estado criou, para evitar qualquer tipo de resposta oriunda de iniciativas exteriores à partidocracia e exógenas aos seus tentáculos. Assim, torna-se tudo muito mais fácil.
O que me preocupa mais? Sem dúvida o desemprego. Sem emprego, não há economia.
Mas queria, acrescentar algo mais, que é de igual modo, um indicador de futuro e que está a ser seriamente atacado - a perda das soberanias.
A desagregação das sociedades, baseada na decisão política da subida do desemprego, conscientemente ou inconscientemente - não quero acreditar que exista um propósito - terá graves consequências na nossa perda de soberania.
Todos os países que defenderem as suas soberanias, através dos seus regimes, quer monárquicos ou republicanos, e que tenham mecanismos de defesa constitucional, no âmbito de defesa às poliíticas de expansão europeistas, serão alvos de ataques dos "mercados" baseados no conceito abstracto das dívidas soberanas. Afinal, qual será o tipo de regime que nascerá neste século XXI?
Quais serão os desígnios que nos estarão destinados, a nós, aos nossos filhos e netos - isto é, se os nossos filhos terão esssa capacidade?
Será melhor ou pior?
O que nos será apresentado é uma incógnita e talvez neste momento, seja apenas um breve exercício de retórica. Uma coisa temos a certeza, só um número muito restrito de pessoas saberá a resposta - e este, é o grande problema.
O "segredo" de poucos , que exige medidas e mais medidas, não se contentando com os sacrifícios dos contribuintes, tenderá óbviamente para uma sociedade desagregada, para mais tarde poder impôr condições que ultrapassam as próprias soberanias.
As sociedades estruturadas nos seus conceitos fundacionais, são um grande obstáculo à progressão desmedida, de ideais obscuros que nos pretendem conduzir a um destino que ainda há poucos anos, diziamos de despropositado e iirrealista - pois, tinhamos esquecido que a própria globalização corria e continua a correr ao sabor da inusitada velocidade da informação.
Será que os países que conhecemos irão desaparecer, em prol de ideal totalitário de economia e mercados? Ou será mesmo política, pura e dura? Poderá, efectivamente, existir esse risco, se as populações não souberem convenientemente defender as suas próprias culturas fundacionais - reside aqui, talvez a melhor defesa geracional - aprender com a nossa história e salvaguardá-la - conhecer o passado, compreende-lo, amá-lo, na sua forma de aprendizagem histórica, permirtir-nos-á, defender o presente (agora) e dimensionar o futuro.
Não será obrigatório perder o País, para assumirmos um futuro integrado de nações - uma federação, só será forte se as nações que a compõem forem fortes e coesas. Por este simples facto - deculpem-me o atrevimento de o apelidar de simples - cada País deverá ter a ousadia e a coragem de poder escolher livremente o regime que melhor poderá defender a sua melhor coesão e soberania, de forma a poder fazer parte integrante de um federalismo mais lato e forte (embora, prefira sem dúvida laguma, o conceito de um federalismo baseado na ideia original da Europa das Nações).
Para Portugal, defendo largamente, o regime monárquico, pois este é fundacional, o que me dará mais garantias de podermos existir por mais uns séculos como Nação.
Quero pensar, que Portugal será sempre um País soberano, por muitos e bons anos.

sábado, 26 de maio de 2012

Ribeiro Telles - O monárquico que serviu Portugal e não a República

É um número robusto: o homem que foi pioneiro nas questões ambientais do Portugal democrático faz 90 anos. Em conversa com a Renascença, Gonçalo Ribeiro Telles viaja por uma vida longa, num exercício em que as convicções são sustentadas com humor.
Aos 90 anos, Gonçalo Ribeiro Telles mantém a língua afiada e um olhar cada vez mais crítico em relação ao que se vai fazendo pelo país. E responde com muitas perguntas.
- O que é o ambiente?
A pergunta vai sendo repetida pelo próprio ao longo de uma conversa sobre o seu legado, registada junto ao jardim que projectou com Vianna Barreto para a sede da Fundação Calouste Gulbenkian em Lisboa.
- O ambiente é uma consequência da recriação de determinados valores e até da construção do desenho do homem para tirar mais partido desses valores.
Nascido numa família de despachantes, apaixonou-se pelo campo por considerar que partilhava interesses com as pessoas do mundo rural. Militou na Juventude Agrária Católica e tornou-se um fervoroso defensor da união entre campo e cidade. Politicamente, situou-se na oposição monárquica ao Estado Novo, como lembrou à Renascença numa entrevista concedida em Dezembro.
- Eu era socialmente tolerado pelo Estado Novo porque não era ‘pobrezinho’. Não era operário, estudava e vinha de famílias consistentes. Tudo isso era uma carta.
Em 1969, foi candidato pela Comissão Eleitoral de Unidade Democrática, levado pela possibilidade de servir em qualquer coisa que não era ainda o que desejava em todas as formas. Diz não ter tido ilusões com o marcelismo, mas esperava mais cedo um qualquer 25 de Abril.

O café e as conversas à volta
Quando a democracia chegou, a República chamou o monárquico Ribeiro Telles. Gonçalo Ribeiro Telles foi secretário de Estado do Ambiente nos três primeiros Governos provisórios, liderados por Palma Carlos e Vasco Gonçalves.
- Eu tinha estado sempre na oposição ao Estado Novo. Nos primeiros Governos provisórios havia muita gente que não tinha estado, que apareceu nessa altura. Eu tinha aparecido antes. Portanto, o Melo Antunes, o Correia da Cunha, todos me conheciam. E chamaram-me. Não me espantou o convite para integrar o primeiro Governo provisório. Conhecia aquelas pessoas todas. Tinha falado com elas no café! O café e as conversas à volta são um factor fundamental na minha vida.
Ribeiro Telles foi muitas vezes chamado ao conselho de ministros por José Augusto Fernandes. Era o seu ministro e precisava de apoio técnico e jurídico nas turbulentas reuniões de Governo no Processo Revolucionário em Curso (PREC).
- Quando se começava a falar do problema do território, eu começava a ‘soprar’ ao ministro Fernandes sobre problemas da ruralidade, as sebes e assim umas coisas… Nessa altura, há um ministro, que eu não digo quem é, que disse ‘lá está este fulano a atirar coisinhas para cima da mesa que não interessam nada’. (risos)
Mais tarde, como líder do Partido Popular Monárquico (PPM), faria a aliança democrática com o PSD de Sá Carneiro e o CDS de Freitas do Amaral. Do início dos anos 80 ficou a criação de duas figuras essenciais de ordenamento do território.
- Fiz leis para proteger o potencial agrícola - reserva agrícola nacional - e a sustentabilidade física do país - reserva ecológica nacional. Tive muitos aliados. Fui um bocado atrevido. Quem esteve comigo no Governo estava cheio de boa vontade. A concretização das leis que eles apoiavam é que não teve apoio suficiente.

Uma democracia em monarquia
Gonçalo Ribeiro Telles fez centenas de projectos na área profissional que abraçou. É um reconhecido arquitecto paisagista, discípulo directo de Caldeira Cabral. Adepto do trabalho em equipa, desenhou o Jardim Amália Rodrigues e os citados jardins da Gulbenkian. Esteve na concepção do plano verde de Lisboa. Tornou-se professor catedrático da Universidade de Évora na sua disciplina de sempre.
- Esta é uma arquitectura da paisagem e não da edificação. É uma arquitectura onde o fundamento é a vida. Esta escola da arquitectura paisagista vem da Alemanha. Tive a grande vantagem de ter três ou quatro professores extraordinários. De ir para o curso que me interessava e através desse curso passar a conhecer a Europa. Não eram os grandes museus, nem os grandes bares. A parte que me interessava era a ruralidade.
Ribeiro Telles apoiou José Sá Fernandes para a Câmara de Lisboa e foi ele mesmo candidato pelo Movimento Partido da Terra, que fundou na sequência de divergências com o rumo do PPM. Fechou a sua carreira política como um defensor de uma democracia em monarquia.
- Para mim, não há uma democracia possível na Europa, principalmente em países históricos, sem haver uma estrutura permanente. E uma estrutura permanente não pode ser dada por eleições e vontades momentâneas. Tem de haver um consenso histórico e um consenso social. Por isso é que eu também sou monárquico. Eu fui monárquico num Governo republicano e estava a praticar um serviço ao país e à República. E não deixava de ser monárquico por causa disso, antes pelo contrário.
Gonçalo Ribeiro Telles faz hoje noventa anos. E continua a defender, com paixão e humor, as suas convicções de sempre.

quinta-feira, 8 de março de 2012

Se Portugal precisa de um Rei?

Preferia reafirmar, antes de dar inicio  este debate, que eu não sou monárquico. Ao contrário dos bloggers Rodrigo Moita de Deus, Nuno Miguel Guedes, Samuel Paiva Pires ou João Vacas que escrupulosamente acompanho. Ao contrário dos ilustres Gonçalo Ribeiro Telles, Pedro Quartin Graça, José Thomaz de Mello Breyner que entusiasticamente admiro. Ao contrário dos jovens activistas João Gomes de Almeida, Luís Tangarrinha ou Duarte Cruz Bucho com quem compartilho anos de amizade. Renego respeitosamente a monarquia mas a desilusão crescente trazida pelo regime vigente, tem-me levado à procura por soluções alternativas aonde a instauração duma monarquia constitucional, naturalmente possui cabimento. Quando me questionam sobre a minha posição, tento defender a república com inteligência e objectividade, sem fanatismos, sem realizar alusões histórias aos melhores ou piores episódios dos dois regimes e recordando a distinção concreta entre regime governamental e chefia de Estado. Sinto, contudo, que as recentes intervenções do infeliz presidente da república me têm feito perder argumentos. 
Toda a discussão sobre o futuro do regime, a este nível, encontra-se encoberta, de parte a parte, por uma névoa falaciosa impedindo o apolitizado cidadão de proferir uma opinião consciente. Desconstruamos as erroneidades: Monarquia não sinonimiza elitismo, aristocracia nem direitismo ideológico ou qualquer outro extremismo afim. Não é um retrocesso social nem uma mudança profunda na forma como se governa o país, muito menos significativa do que o cambio governativo como aquele que se deu em Junho passado. Este estado-sítio explicado pela sapiência nonagenária de Gonçalo Ribeiro Telles, envolve-se de uma majestosidade em nada confundível com o saloísmo inefável da pseudó-nobreza salazarista, esse mesquinho ditador sem dimensão de carácter para compreender ou sequer aceitar a realeza. Na verdade, há monarquias sociais-democratas, monarquias de Esquerda, nações monárquicas de governo socialista onde a qualidade de vida é superior e a desigualdade social é menor - Suécia, Dinamarca ou Canadá serão alguns exemplos. Todavia, se há vários argumentos caídos aquém do necessário para justificar a mudança de regime, o indutivo será um deles; outro destes será a questão financeira, i.e., é-me indiferente se a casa real é mais económica do que a presidência da república como a conhecemos. Também acho inapropriado que se baseiem em partidarismos hipotéticos que nunca antes observámos; pior, é suspeitar de que estes seriam prováveis após eliminarmos a dependência eleitoral do chefe de estado. A monarquia tem as costas largas e sobre ela têm recaído todos os preconceitos, do retrocesso civilizacional àqueles que foram dados pelos ocasionais regentes inefáveis. Continuo, no entanto, defendendo a república convencido de atribuir ao povo uma responsabilidade superior sobre todas as suas formas de representação. Não posso esquecer todavia o dito monárquico que aprendi do João - O povo tem o Rei no coração!
Tento objectivar visões sobre a república, a monarquia e a possível transição entre ambas. Houveram presidentes da República, chefes de Estado, que em nada envergonharam a digna representação do país: A coragem de Ramalho, a cultura democrática de Mário Soares ou a mestria intelectual de Sampaio, são motivos para o orgulho nacional embora o regime fracasse nesse ponto. Há quem desconheça o chefe de Estado, quem se abstenha nas presidenciais, quem reconheça a inoperância de Belém e descuide o mais efectivo símbolo da nação - denominada de República Portuguesa. Por conseguinte, também os nossos extraordinários ex-presidentes, na sua grandiosidade (e há excepção de Mário Soares que continua participando activamente nos diversos fóruns sociais) evidenciam o pior do regime: A sua condição precária, desprimora a liderança da nação,condenando as eras e seus magníficos protagonistas à indiferença da condição política consabidamente restringida à veleidade dos ciclos, consensualmente indiferente. Quantos dos nossos jovens nomeiam correctamente o primeiro presidente da república no pós-revolução? Depois da monarquia, Portugal perdeu uma facção considerável do seu território envergonhando-se em seguida da história que lhe era inerente; perdeu também a total legitimidade governativa, cedendo significativamente a autonomia legislativa à Europa e a independência financeira aos mercados circundantes; dispensámos tutelar as linhas mestras que definem fundamentalmente a língua Portuguesa, agora uma pátria perdida. Hoje atravessando uma época de permanente mudança, escasseiam símbolos de persistência, afinidade e união, suficientemente hegemónicos ou duradouros (cada ‘mandato real’ durou em média 22 anos) para que possam adquirir significância posterior. Precisamos de uma voz unificadora e representativa, não dos grupos instituídos ou dos cidadãos interessados, mas de cada Português. Atravessando uma crise de identidade, de orientação, ao constante alheamento do povo com perceptíveis repercussões até no universo socioeconómico, a soberania de um (bom) Rei pode ser uma resposta. Enquanto republicano, bater-me-ei em todos os momentos para que os vários monárquicos citados possam expor estes e outros argumentos defendendo honradamente a sua causa, por Portugal.
Chefiar a nação é uma profissão honrada como outra qualquer, mas Cavaco remete-a para o pior do mais tacanho funcionalismo público. Talvez por esse motivo o tema haja sido rebatido nos últimos meses, com o movimento monarquista recebendo um fôlego inédito - Sendo o primeiro mau presidente eleito após a queda da ditadura, obriga-nos a repensar as debilidades do actual estado-sítio. Metamorfosear a constituição coroando os herdeiros Duarte de Bragança ou Francisco Van Uden, por alternativa à manutenção da actual infeliz presidência, satisfaz-me na medida em que ambos são incomparavelmente mais lúcidos, capacitados e evoluídos do que o mísero professor Cavaco. À possibilidade de, fruto das diversas iniciativas, possam produzir um resultado consistente, levando o tema às mais elevadas instâncias (como ao parlamento ou a um referendo), só posso cordialmente saudar, satisfeito por observar tamanha pro-actividade, bravura e inovação duma população tantas vezes baptizada de imobilista e conservadora. Não sou monárquico. Mas na incessante busca por denominadores comummente Portugueses, vislumbro nestas movimentações a esperança por poder consolidar uma vernácula fragmentada. E sabe bem encontrar quem fuja aos lugares-comuns, conseguindo colocar oportunamente, as perguntas certas.

segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Petição para a manutenção do feriado oficial do 1º de Dezembro

PETIÇÃO PARA A MANUTENÇÃO DO FERIADO OFICIAL DO 1º DE DEZEMBRO EVOCATIVO DA RESTAURAÇÃO DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL


Senhor Presidente da República:

Senhora Presidente da Assembleia da República:

Senhor Primeiro Ministro:

Senhor Presidente do Supremo Tribunal de Justiça:

Senhor Presidente do PPD/PSD - Partido Social Democrata:

Senhor Presidente do CDS/PP - Partido Popular:

Senhora Presidente do PS - Partido Socialista:

Senhor Secretário-Geral do PS - Partido Socialista:

Senhor Secretário-Geral do PCP - Partido Comunista Português:

Senhor Coordenador do BE - Bloco de Esquerda:

Senhor líder parlamentar do PPD/PSD:

Senhor líder parlamentar do CDS/PP:

Senhor líder parlamentar do PS:

Senhora líder parlamentar do Partido Ecologista “Os Verdes”:

Senhor líder parlamentar do PCP:

Senhor líder parlamentar do BE:


É com perplexidade e indignação que os abaixo-assinados tiveram conhecimento dos rumores de que diversos sectores da classe política portuguesa se preparam para eliminar o feriado do 1.º de Dezembro, evocativo da Restauração da Independência plena de Portugal, a 1 de Dezembro de 1640, bem como da afirmação das suas Identidade, Língua e Cultura.

Repudiamos a peregrina e antipatriótica intenção, caso exista:

1.º Na verdade o Dia 1.º de Dezembro – Dia da Restauração – é uma data que, a par do Dia 10 de Junho, une toda a Nação Portuguesa, em torno da sua Bandeira, do seu Hino, da sua História, dos seus Santos e Heróis.

2.º O Dia 1.º de Dezembro constitui a origem e a matriz dos Feriados Oficiais Portugueses. Se não tivesse existido o Dia 1.º de Dezembro de 1640, não haveria 10 de Junho, 5 de Outubro, 25 de Abril ou 1.º de Maio, pois a agenda dos Feriados Oficiais Portugueses coincidiria com a de Madrid.

3.º Quanto muito, o Dia 10 de Junho seria o dia da Região Autónoma Portugal, que talvez mantivesse o título honorífico de Reino.

4.º No corrente ano de 2011 e na segunda década do novo século, se os órgãos de soberania pretendem, coerentemente, manter a união de toda a Nação Portuguesa em torno dos pesadíssimos sacrifícios exigidos ao nosso velho Estado-Nação pela “troika” dos credores internacionais e pelo directório germano-francês, então que não atentem contra a dignidade, a identidade, a individualidade e a auto-estima de Portugal e respeitem a sua História, os seus valores, quase milenares, bem como a afirmação da Língua e da Cultura Portuguesas, que ao Dia 1.º de Dezembro de 1640 devem a sua existência.

Lisboa, 1 de Dezembro de 2011

A SOCIEDADE HISTÓRICA DA INDEPENDÊNCIA DE PORTUGAL

Os signatários

Assinar Petição


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

"Encorrer" os espanhóis

Como todos os anos acontece, mais uma vez a população do Fundão cumpriu a tradição de "Encorrer os Espanhóis" ou "Incorrer os Espanhóis" conforme a pronúncia.

Partindo da Praça do Município, ao som do Hino da Restauração, sempre tocado pela Banda Filarmónica Perovisense, a arruada percorreu todas as ruas mais emblemáticas do centro da cidade, voltando finalmente ao ponto de partida, onde todos gritaram vivas a Portugal e à Liberdade e cantaram o Hino Nacional.

As 12 badaladas da meia-noite, para além de darem início à arruada, marcam também o ligar das iluminações natalícias das ruas da cidade.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Exposição: "371 anos da Restauração da Independência de Portugal

Decorre na BECRE "Lucinda Pires" uma exposição evocativa do 371º aniversário da Restauração da Independência de Portugal. Como forma de relembrar alguns dos momentos mais significativos dessa data deixamos aqui alguns textos que poderão servir de reflexão sobre os acontecimentos ocorridos nessa data, 1 de dezembro de 1640.

"Parece não haver dúvida de que a ideia de nacionalidade esteve por trás da restauração da independência plena de Portugal após 60 anos de monarquia dualista. Cinco séculos de governo próprio haviam forjado uma nação, fortalecendo-a até ao ponto de rejeitar qualquer espécie de união com o país vizinho. Para mais, a independência fora sempre um desafio a Castela e uma vontade de não ser confundido com ela."

"Culturalmente, avançara depressa, entre 1580 e 1640, a castelhanização do País. Autores e artistas portugueses gravitavam nas órbitas da corte espanhola, fixavam residência em Espanha, aceitavam padrões espanhóis e escreviam cada vez mais em castelhano, contribuindo para a riqueza do teatro, da música ou da arte pictórica espanhóis e dando hoje a impressão errada de uma decadência cultural a partir de 1580. A perda de uma individualidade cultural era sentida por muitos portugueses, com reações diversas a favor da língua pátria e da sua expressão em termos de prosa e poesia. Contudo, os intelectuais que assim reagiam sabiam perfeitamente que os seus esforços seriam vãos sem a recuperação da independência política."

"A conspiração a favor da independência começou em 1639, se não antes, congregando um grupo heterogéneo de nobres, clientes, funcionários da casa de Bragança, e elementos do alto e baixo clero. Em novembro de 1640, a conspiração dos aristocratas conseguiu finalmente o apoio formal do duque de Bragança."

"Na manhã do 1º de dezembro, um grupo de nobres atacou a sede do governo em Lisboa (Paço da Ribeira), prendeu a duquesa de Mântua e matou ou feriu alguns membros da guarnição militar e funcionários, entre os quais o Secretário de Estado, Miguel de Vasconcelos. Seguidamente, os revoltosos percorreram a cidade, aclamando o novo estado de coisas, secundados pelo entusiasmo popular."

"D. João foi aclamado como D. João IV, entrando em Lisboa alguns dias mais tarde. Por quase todo o Portugal metropolitano e ultramarino as notícias da mudança do regime e do novo juramento de fidelidade ao Bragança foram recebidas e obedecidas sem qualquer dúvida. Apenas Ceuta permaneceu fiel à causa de Filipe IV."

"A guerra da Restauração mobilizou todos os esforços que Portugal podia despender e absorveu enormes somas de dinheiro. Por do que isso, impediu o governo de conceder ajuda às frequentemente atacadas possessões ultramarinas. Mas, se o cerne do Império, pelo menos na Ásia, teve de ser sacrificado, salvou pelo menos a Metrópole de uma ocupação pelas forças espanholas."

"Portugal não dispunha de um exército moderno, as suas forças eram escassas – sobretudo na fronteira terrestre –, as suas coudelarias haviam sido extintas, os seus melhores generais lutavam pela Espanha algures na Europa. Do lado português, tudo isto explica por que motivo a guerra se limitou em geral a operações fronteiriças de pouca envergadura. Do lado espanhol, é preciso lembrar que a Guerra dos Trinta Anos (prolongada em Espanha até 1659) e a questão da Catalunha (até 1652) demoraram quaisquer ofensivas de vulto. Regra geral, a guerra, que se prolongou por 28 anos, teve os seus altos e baixos para os dois contendores até ser assinado o Tratado de Lisboa, em 13 de Fevereiro de 1668, entre Afonso VI de Portugal e Carlos II de Espanha, em que este último reconhece a independência do nosso País."

Fonte: BECRE

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

“As sondagens revelam que 29 por cento dos portugueses acreditam que seria melhor ter um rei em vez do Presidente da República”

D. Duarte: "29% dos portugueses preferem rei a Presidente"

“As sondagens revelam que 29 por cento dos portugueses acreditam que seria melhor ter um rei em vez do Presidente da República”. Quem o diz é D. Duarte de Bragança, herdeiro do trono de Portugal, ao jornal espanhol ‘ABC’, acrescentando que existem “cerca de mil monárquicos militantes”.

De acordo com o chefe da Casa Real Portuguesa, a população sente maior necessidade de “sentir as suas raízes, de forma a mostrar que Portugal continua a existir”, numa altura em que se levantam vários problemas económicos que colocam em causa a liberdade do País.

Preocupado com a crise actual, D. Duarte admite que a sua família “não desperdiça dinheiro”.

“Vivemos tempos austeros. Ainda que tenhamos dinheiro, não o devemos usar de forma errada. Gastamos apenas o necessário. Viajamos em classe turística e mantemos os mesmos carros durante muito tempo… tenho um deles há 15 anos”, afirmou o monárquico durante a entrevista.

D. Duarte aproveitou para deixar uma mensagem aos portugueses, para que alterem os seus comportamentos.

“É necessário mudar o modelo comportamental, tanto a nível individual com do Estado. Podemos viver com menos e não necessariamente pior”, salienta.

Fonte: Correio da Manhã


Don Duarte de Braganza, Jefe de la Casa Real de Portugal, asegura estar preparado para la misión que le pidan los portugueses, ya sea como Rey o para cualquier otra función.

Cercano, divertido, estilo clásico y cuidado bigote. Don Duarte de Braganza resulta una persona entrañable. El Jefe de la Casa Real portuguesa es consciente de la difícil situación que atraviesa su país.

—¿Se puede hablar de un renacer monárquico en Portugal?

—Según los sondeos, un 29 por cien de los portugueses cree que sería mejor tener un Rey que un presidente de la República. Existen cerca de diez mil monárquicos militantes.

—¿En Portugal les respetan?

—Sí, somos siempre muy bien recibidos. No es tanto una conciencia política sino histórica. Nuestra familia forma parte del patrimonio histórico portugués. Cuanto más se pone en duda la independencia del país por las cuestiones europeas y los problemas económicos, las personas tienen más necesidad de sentir raíces para que muestren que Portugal existe.

—¿La Casa Real portuguesa también está realizando recortes?

—Nosotros tuvimos siempre una posición muy austera. Aunque se tenga dinero no se debe usarlo mal, Dios nos da las riquezas para poder ser útiles. Gastamos lo necesario en lo que se refiere a la representación pero nunca desperdiciamos dinero. Viajamos en clase turista, guardo los coches mucho tiempo… tengo uno de hace 15 años.

—¿Qué mensaje quiere transmitir a los portugueses?

—La necesidad de cambiar de modelo de comportamiento, tanto a nivel individual como de Estado. Podemos vivir con menos y no necesariamente estar peor.

—¿Cómo es la vida del heredero al trono de Portugal?

—Primero tengo mis obligaciones como padre, que son las más importantes de todas. Llevar a mis hijos al colegio y acompañarlos en los estudios. Tengo el trabajo en la Fundación Don Manuel II y colaboro mucho con el crédito agrícola cooperativo. Donde siento una gran falta es en el trabajo de cooperación con España. Hay un gran desconocimiento recíproco. La visión de Portugal en España es superficial, de ideas ya hechas y poco realista.

—¿De qué vive la Familia Real?

—Tengo una propiedad familiar en Brasil y tengo unas casas en Lisboa, aunque la mayoría con rentas antiguas y con inquilinas de cien años que pagan 20 euros al mes. Mi mujer ha conseguido rentabilizar algunos edificios que se van quedando vacíos. Doy asesoría a empresas portuguesas para entrar en Oriente y el mundo árabe. Nunca me preocupé por el aspecto económico de mi vida y felizmente mi mujer, que es economista, administra mejor que yo nuestros bienes.

—¿Cómo es la relación con su primogénito?

—Es distinta a la que tengo con los otros por tratarse de personalidades diferentes pero con los tres es igual de próxima, nos llevamos muy bien. A veces me resulta más difícil la relación con mi hija María Francisca porque en ocasiones a las niñas les falta el espíritu lógico pero con mis hijos siempre discutí todo.

—¿Entienden cuál es su papel?

—Alfonso se preocupa por saber si podrá desempeñar mi papel. Yo le digo que lo que necesita es una buena preparación espiritual, intelectual y salud para poder cumplir su misión. Al mismo tiempo deber ser feliz personal y profesionalmente. Le encanta la biología marítima y es el segundo año que está estudiando en Inglaterra.

—¿Hablan mucho de cómo será la sucesión?

—No, porque yo creo que da mala suerte.

—¿Mantiene la esperanza de un día ser Rey?

—Estoy a disposición de mi país; cuando los portugueses me llamen estaré listo para dar mi contribución ya sea como Rey o para otras funciones.

—Aprendió español leyendo el ABC.

—Sí, y me hacía mucha gracia que no tuviese fotografías, sino dibujos. —¿Y sus hijos?

—Es gracioso porque ellos hablan mejor el catalán. Pasan todos los años varios días esquiando en Andorra, donde tenemos muchos amigos.

—Su mujer, Isabel, ¿se ha adaptado bien a la vida de un heredero?

—Ella pasó su juventud en Brasil, lo que le ha dado una gran apertura de espíritu, alegría, y mucha flexibilidad en las relaciones humanas. Es mucho más simpática y calurosa que yo. Ella se preocupa mucho con todos.

—¿En España debería cambiar la ley de sucesión al trono como ha ocurrido en Inglaterra?

—Las Monarquías siempre fueron símbolos de su época. Actualmente, el papel de los Reyes es ser el árbitro del país y de las instituciones democráticas, además de ser un símbolo de Estado. El Príncipe Felipe ya está preparado y es el Heredero, no tiene sentido cambiar. Pero me parece muy bien que la Infanta Leonor venga a sucederle en un futuro, aunque tenga después un hermano.

—¿Cuál cree que es la imagen que se tiene en Europa de la Casa Real portuguesa?

—Depende de los países. En Europa, en general somos poco conocidos.

—¿Le tratan bien?

—Sin duda. Recuerdo una vez en España cuando cometí una infracción vial y la policía me mandó parar. Al darle mis papeles, me dijo: «El señor es primo de nuestro Rey, puede irse, aunque repita lo que ha hecho».

Fonte: ABC